LOGINA postura gentil e educada de Henrique não deixava transparecer nem um vestígio daquela arrogância fria e distante.Cristiano falou em tom sério:— Só quero perguntar ao senhor Henrique o que é preciso, afinal, para o senhor deixar a Tati em paz.Henrique usava óculos de proteção, de modo que ninguém conseguia ver sua expressão. Ele apenas disse:— O senhor Cristiano também ouviu o que a Bia acabou de dizer.Cristiano fechou a mão com força.— A Bia só não sabe o mal que você fez à mãe dela no passado.Henrique olhou para ele.— No dia em que a Bia aceitar deixar a Tatiane ir embora, eu me divorcio dela.Tatiane e Noemi chegaram ao topo da montanha de teleférico.No inverno, os cedros cobertos de neve formavam uma paisagem silenciosa, como uma pintura. Era bonito a ponto de tirar o fôlego.No hospital.Eliane recebeu alta, e Karine seguia em direção à saída com o braço entrelaçado ao da mãe.Ao mesmo tempo, Marcos entrou carregando uma criança no colo. Mônica, de máscara e chapéu, vinh
As portas do elevador se abriram.Noemi segurou a mãozinha de Ceci e disse:— Ceci, vamos entrar primeiro.Tatiane entrou logo depois, levando Bia pela mão.Assim que Tatiane entrou, Cristiano se colocou atrás dela, fechando discretamente o espaço por onde Henrique poderia passar.Henrique parou por um instante.Dentro do elevador, Bia e Ceci ficaram lado a lado, de mãos dadas.Cristiano entrou e ficou diante de Tatiane. Henrique permaneceu perto da porta, enquanto Roberto se posicionou do outro lado, de frente para ele.Cristiano olhou para Tatiane.— Dormiu bem ontem?— Dormi, sim. — Tatiane respondeu com naturalidade.Cristiano fez um leve som de confirmação e continuou:— Vocês não tinham falado ontem que queriam subir a montanha para ver os cedros cobertos de neve? Podem ir daqui a pouco. A gente fica com as crianças.Bia levantou os olhos para Tatiane.— A tia Evelynn não vai esquiar comigo e com o papai?— A tia Noemi e eu queremos subir a montanha. Lá em cima faz muito frio, e
— Como você veio parar aqui?— Eu disse que levaria vocês para esquiar. Então, naturalmente, eu vim. — Respondeu Henrique.Mas Tatiane já tinha deixado muito claro que, durante aqueles dois dias, ficaria com Bia. Só que Henrique sempre fora assim: fazia o que queria. Como poderia levar a sério o que os outros diziam?Ainda assim, Karine tinha chorado tanto naquele dia... E, mesmo assim, ele não ficara ao lado dela.— Já está tarde. A Bia precisa dormir.De repente, Bia perguntou:— Tia Evelynn, o papai pode dormir com a gente?Tatiane se aproximou da menina.— Não pode.Ao ver a expressão séria da tia Evelynn, Bia baixou a cabeça, desapontada, e não insistiu.— Pronto. Hora de dormir.Bia obedeceu. Deitou-se direitinho, puxou a coberta sozinha e ficou olhando para Tatiane com aqueles olhos grandes e redondos, fazendo uma carinha triste, como uma criança que sabia ter errado e pedia desculpa sem dizer nada.O coração de Tatiane amoleceu.Ela se sentou na beira da cama e ajeitou a cobert
Como Bia queria muito esquiar, Henrique provavelmente já tinha deixado tudo organizado com antecedência. Tatiane, por outro lado, decidira levá-la de última hora e só conseguiu fazer uma reserva pela internet às pressas.Reservou um hotel termal de alto padrão. Bem ao lado ficava a estação de esqui.Tatiane não tinha equipamento próprio, então teria de alugar tudo quando chegasse lá. Bia, por sua vez, levou o conjunto completo.Ainda assim, Tatiane sabia que sair sozinha com a menina não seria tão prático. Além disso, quanto mais gente, mais animado o passeio. Por isso, ligou para Noemi.Noemi, claro, aceitou na hora.— Então eu falo com o Cristiano. E você vê se o meu irmão tem tempo?— Acho que seu irmão não vai conseguir hoje. — Respondeu Tatiane.À tarde, Leandro ainda precisava participar de um evento importante. Além disso, depois de passar um tempo em Nova York, havia bastante trabalho acumulado esperando por ele.Noemi lamentou:— Ah, que pena! Então vou ligar para o Cristiano.
Henrique desviou o olhar.— Está bem, Kari. Entra primeiro.Karine mordeu o lábio. Depois se levantou e voltou para o quarto.Henrique também se pôs de pé. Olhou para Felipe e estava prestes a dizer alguma coisa quando, pelo canto dos olhos, percebeu uma silhueta familiar. Virou o rosto e viu André se aproximando.Ao encontrá-lo ali, Henrique não demonstrou surpresa.Felipe, ao vê-lo, cumprimentou-o com educação:— Bom dia, senhor André.André apenas assentiu de leve.— Vocês dois precisam conversar?— Nada urgente. — Respondeu Felipe.— Então está bem. Rick, vem comigo.Os dois foram até a varanda.André foi direto ao ponto:— A Tati me disse que você não quer se divorciar por causa da Bia.— O que ela contou ao senhor Marcelo? — Perguntou Henrique.André arqueou a sobrancelha.— Você acha mesmo que a Tati foi se queixar para o meu avô?— Não.— Pois ela não disse nada demais. Meu avô perguntou porque se preocupa com ela, e ela só respondeu o necessário. Agora, adivinha o que ele falo
Leandro e Tatiane chegaram ao quarto do senhor Marcelo.Ele tinha acabado de terminar o soro, e André também havia chegado havia pouco ao hospital para acompanhá-lo.Os três se cumprimentaram. Naquele momento, o senhor Marcelo parecia até bem-disposto.— Bom dia, senhor Marcelo.— Oi, bom dia.Marcelo já sabia que eles passariam por lá naquela manhã.— Tati, já que você veio, lê o jornal para mim.André riu.— Vô, eu estou aqui. Por que não pede para eu ler?Marcelo fez uma careta de desdém.— E quem disse que eu quero ouvir essa sua voz grossa?— Ah, claro. Agora eu sou bruto e tenho voz de ogro.Tatiane e Leandro não conseguiram segurar o riso.Tatiane se aproximou, pegou o jornal com as duas mãos e perguntou:— Por onde começo?Marcelo apontou para uma parte da página.Tatiane se sentou no banquinho ao lado da cama e começou a ler. No silêncio do quarto, só se ouvia a voz dela, clara, limpa, firme em cada palavra.Para não atrapalhar Marcelo durante a leitura, Leandro e André foram







