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Capítulo 4

Autor: Luna Sete
— Senhora, você voltou. — O mordomo cumprimentou como sempre.

Rodrigo e Tatiana levantaram os olhos. Ao vê-la, Tatiana pareceu hesitar, mas ainda assim a cumprimentou com suavidade:

— Lulu.

Luísa não lhe deu sequer um olhar. Seguiu direto em direção à escada, sem desviar os olhos. Tinha medo de que, se olhasse para ela, não iria conseguir segurar a raiva.

— A Tatiana te cumprimentou, você não ouviu? — A voz fria e distante de Rodrigo soou. — Ou será que a Srta. Luísa é realmente uma pessoa sem educação?

Os passos de Luísa pararam.

Srta. Luísa?

Ela se virou e lançou aos dois um olhar gélido.

— Trouxeram o caso de vocês para dentro da minha casa e ainda esperam que eu seja educada? — As palavras sarcásticas saíram afiadas.

— Esta é a minha casa. Faço o que quiser. — Disse ele, pausado. — Se não gosta, pode se mudar.

As mãos dela se apertaram com força ao lado do corpo.

Mesmo já sabendo que o coração dele não pertencia mais a ela, ouvir aquelas palavras cruéis em voz alta a fez sentir como se uma lâmina tivesse atravessado o seu peito.

Foi ele quem disse, tantas vezes, que aquela era a casa dela. Que o que era dele também era dela.

— Rodrigo, Lulu ainda é sua esposa. — Tatiana intercedeu suavemente. — Não acha que falar assim é pesado demais?

— Eu dei a ela uma chance. Foi ela quem não quis. — Disse Rodrigo, olhando diretamente para Luísa.

Ela também o encarava. Nenhum dos dois cedia, nenhum recuava.

— Lulu, se você pedir desculpas, ele com certeza não vai ficar magoado com você. — Tatiana, fingindo benevolência, apenas jogava mais lenha na fogueira.

— Não preciso que você diga. Eu mesma vou me mudar. — Respondeu Luísa, ignorando-a por completo. — Ficar um minuto a mais nesse lugar, impregnado do fedor de um homem podre e sua amante, me repugna.

Sem esperar resposta, ela virou-se e subiu as escadas às pressas, como se fugisse de algo asqueroso.

O estrondo da porta do quarto se fechando com força estremeceu a casa.

Assim que entrou, Luísa pegou uma mala e começou a arrumar seus pertences. Ela sabia que era apenas mais uma provocação do Rodrigo para testá-la, mas já não tinha como suportar.

Reuniu todos os seus documentos e papéis importantes e foi até o guarda-roupa. Ela parou diante da infinidade de roupas, bolsas e joias. Por um instante hesitou. No fim, dirigiu-se para a seção de joias. Ela estava sem dinheiro. Se vendesse algumas peças, poderia ao menos ganhar tempo.

Mas, antes mesmo de tirar qualquer peça das gavetas, Rodrigo entrou acompanhado de Tatiana.

— Lulu, como você consegue tratar essas joias preciosas de maneira tão descuidada? — Disse Tatiana, os olhos brilhando de inveja diante das peças raras e modelos exclusivos. — Você está pensando em vender tudo?

— Isso não é da sua conta. — Luísa respondeu, ríspida.

— Mas foram presentes do Rodrigo para você. — Tatiana lançou um olhar a Rodrigo e continuou. — Como pode simplesmente vender?

— Quem te deu o direito de falar? — Luísa retrucou, a voz cheia de fúria.

Foi então que, até então em silêncio, Rodrigo abriu a boca:

— Nunca imaginei que a Srta. Luísa também tivesse o hábito de roubar joias.

Os movimentos dela congelaram.

Roubar?

— Se eu chamar a polícia, quantos anos você acha que será a sentença? — Perguntou ele, olhando-a fixamente.

— Nem temos o divórcio formalizado. E, além disso, essas peças foram presentes que você me deu. Como isso poderia ser roubo? — Retrucou ela.

Ele se aproximou um passo, a voz suave, mas cortante como lâmina:

— E como você vai provar que foram presentes, e não parte da minha coleção pessoal?

Luísa ficou sem palavras por um instante. E então compreendeu que ele nunca permitiria que ela levasse nada dali. Rodrigo queria cortar todos os seus caminhos de fuga.

— Pode levar o que quiser. Eu não vou te impedir. — Disse ele, frio. — Mas no dia em que o divórcio sair, denunciarei o roubo à polícia.

Era assim que ele agia, sem deixar margem de manobra.
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