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Penulis: Major_Canis
last update Tanggal publikasi: 2026-10-26 12:56:06

As ruas estavam tranquilas. Tara dirigia em velocidade constante. Os semáforos mudavam de cor, os veículos avançavam lentamente e o céu daquela tarde estava claro.

Ela, porém, parecia envolta por uma nuvem escura. Suas mãos seguravam o volante, mas seus pensamentos estavam muito longe dali.

As vozes voltaram a ecoar em sua mente.

“Seu nome nunca constou como esposa.”

“O nome registrado é o meu.”

“Vou me livrar dela.”

A respiração de Tara falhou. Ela tentou se concentrar, mas as lembranças do que acabara de acontecer surgiam uma após a outra, destruindo qualquer tentativa de manter a atenção na estrada.

Durante cinco anos, vivera algo que, na verdade, nunca existira.

Seus dedos apertaram o volante com mais força. O peito parecia cada vez mais apertado. Algo crescia dentro dela, uma mistura de raiva, devastação e vazio.

O semáforo à sua frente ficou amarelo. Tara não percebeu. Seus pensamentos voltaram à única coisa que segurara pouco tempo antes: a folha de papel que comprovava tudo. Aquele nome. Aquela data.

Tudo era real. Não era um sonho.

Uma buzina estridente soou ao seu lado, fazendo Tara estremecer. Seus olhos se arregalaram quando um carro surgiu pela direita, perto demais. Tudo aconteceu rápido demais.

Seu reflexo veio tarde, e, em questão de segundos, tudo aconteceu. O som da colisão foi ensurdecedor, seguido de um impacto que lançou seu corpo para a frente. O mundo girou. Sua cabeça bateu e, por um instante... tudo ficou em silêncio.

Então, um barulho ensurdecedor tomou conta do ambiente, uma confusão de vozes sobrepostas. Pessoas gritavam. A porta do carro foi aberta à força. Alguém a chamou.

— Socorro, ela ainda está consciente!

Tara piscou lentamente. Sua visão estava embaçada. Seu corpo parecia pesado, mas ela não sentia nenhuma dor realmente aguda.

— Senhorita, consegue me ouvir?

Ela queria responder, mas a voz ficou presa na garganta. De repente, um único pensamento surgiu em sua mente: preciso ir ao aeroporto.

O tempo parecia passar depressa demais.

Tara não se lembrava direito de como chegara ao hospital mais próximo, de como os exames haviam sido realizados ou de como acabara sentada naquela cadeira, com as mãos ainda ligeiramente trêmulas.

Só se lembrava de uma frase.

— Parabéns, você está grávida. De aproximadamente três semanas. Felizmente, o acidente não colocou sua gestação em risco. Por favor... tenha cuidado ao dirigir.

O mundo pareceu parar novamente.

— Eu... estou grávida? — Sua voz mal passou de um sussurro.

O médico assentiu e começou a explicar algo que ela não conseguiu compreender por completo. Falou sobre o estágio inicial da gestação, o tempo de gravidez e os cuidados necessários.

— Isso é impossível. — Tara riu, mas era mais uma risada de incredulidade diante de algo tão absurdo. — Eu... estou grávida? — repetiu, passando a mão pela barriga ainda lisa.

— Por que não acredita? — O doutor Evans franziu a testa, confuso. — Afinal, a quem mais poderiam pertencer os resultados desses exames, senhorita Tara, senão a você?

Tara voltou a olhar para os resultados em suas mãos. Ainda se lembrava dos exames realizados pelo médico da família Ashbourne, o profissional em quem Adrian confiava para cuidar da saúde de todos, inclusive da dela. Ele lhe dissera que seria difícil ter filhos.

Haviam sido muitas as explicações, assim como os medicamentos que ela precisara tomar. Adrian sempre a apoiava, dizendo que não se importava caso eles não tivessem filhos. Poderiam adotar uma criança. Foi justamente por contar com o apoio de Adrian que Tara concordara com o processo de adoção.

Mas, agora, o que tinha diante de si era um resultado completamente diferente.

Três semanas de gestação.

Sua mente tentou recuperar as lembranças. E então... aquela noite veio à tona. A noite em que Adrian voltara para casa bêbado. Pela primeira vez em tanto tempo, ele a tocara. Embora tivesse sido frio e desprovido de sentimentos, aquela noite se tornara inesquecível para Tara.

Naquele momento, ela até chegara a pensar: talvez as coisas melhorem. Uma noite de sexo prazeroso costuma deixar seu parceiro de ótimo humor.

— Então, eu... — As lágrimas começaram a escorrer, uma após a outra, sem que ela conseguisse contê-las. — Estou mesmo grávida?

— Claro que sim. — O doutor Evans parecia intrigado com a reação da mulher à sua frente. — Você está saudável, e a gestação não apresenta nenhum problema. Então... por que duvida de que esteja grávida?

Tara riu mais uma vez, mas dessa vez sua risada estava carregada de amargura.

— Então, será que... aquele médico mentiu para mim durante todo esse tempo?

— Como assim?

— Ah, não é nada. — Tara tentou se controlar.

O que deveria sentir naquele momento? Felicidade? Tristeza? Ou desespero?

Aquela criança...

Uma criança do homem que acabara de ouvir dizer que pretendia se livrar dela.

Sem perceber, Tara começou a rir. Ria do destino que lhe fora reservado.

— Que maravilha... — murmurou baixinho.

Enquanto sua vida desmoronava, algo novo crescia dentro dela.

Seu celular vibrou novamente. O nome de Victor voltou a aparecer na tela.

Victor.

Tara ficou olhando para o aparelho por alguns segundos antes de finalmente atender.

— Tara, onde você está? — A voz do homem soou tranquila, como sempre. Não havia urgência em seu tom, mas ouvi-lo foi suficiente para fazê-la se lembrar de tudo o que acabara de enfrentar.

Tara fechou os olhos por um instante e respirou fundo. Não podia deixar que ele percebesse seu estado.

— Estou a caminho, Daddy — respondeu, esforçando-se para manter a voz firme.

— Muito bem. Meu avião pousa daqui a uma hora.

A ligação terminou.

Tara olhou para seu reflexo no espelho da sala de exames.

— Obrigada pelos esclarecimentos, doutor.

Ela tentou se levantar.

— É melhor tomar cuidado e evitar qualquer esforço físico excessivo — alertou o médico.

Tara apenas assentiu levemente. Em seguida, deixou o hospital com os sentimentos completamente confusos. Não tinha tempo para pensar nos próximos passos. E não podia permitir que desmoronasse antes da hora.

Não.

O aeroporto estava cheio de pessoas indo e vindo. A agitação do lugar contrastava com tudo o que Tara sentia. Ela estava parada não muito longe da saída de desembarque, tentando parecer normal, embora seu corpo ainda doesse. Também tentava disfarçar os ferimentos nas mãos e na têmpora, por mais que...

Tara tivesse certeza de que Victor faria muitas perguntas sobre o que lhe acontecera.

E então ela o viu.

Victor Alistair Ashbourne.

O homem caminhava com passos tranquilos, e sua presença imponente continuava evidente sem que precisasse fazer qualquer esforço para chamar a atenção. Seu olhar encontrou Tara imediatamente e, pela primeira vez, algo mudou em sua expressão.

Ele franziu ligeiramente a testa, e seus olhos se fixaram no curativo preso à têmpora dela.

— Tara, o que aconteceu com você?

Tara esboçou um sorriso discreto.

— Nada, Daddy. Só... um pequeno ferimento.

Victor franziu ainda mais a testa.

— Isso não parece um ferimento pequeno, Tara.

— Estou bem. De verdade. — Tara tentou tranquilizá-lo. — Sofri apenas uma pequena queda ontem — respondeu despreocupadamente. — Não foi nada. Não precisa se preocupar.

Victor não respondeu de imediato. Seu olhar permaneceu sobre ela por alguns segundos a mais, como se estivesse avaliando se deveria ou não acreditar naquelas palavras. Por fim, assentiu levemente.

— Tudo bem, se você diz.

Os dois caminharam lado a lado em direção ao carro.

— Por que não quer que Adrian saiba que voltou? — perguntou Tara baixinho depois que se acomodaram no veículo.

Victor manteve os olhos fixos à frente.

— Quero fazer uma surpresa para ele — respondeu tranquilamente. — Além disso, quero acompanhar pessoalmente o andamento do projeto da Neo Group.

Ele lançou um breve olhar para Tara.

— E a pessoa mais indicada para me explicar tudo... é você. Suas explicações são muito mais detalhadas e satisfatórias em vários aspectos.

Tara ficou sem palavras. Não esperava por aquilo. Em meio a tantas pessoas que se aproveitavam dela, ainda havia alguém que reconhecia seu trabalho.

Ela assentiu levemente.

— Vou preparar um relatório completo.

— Também preciso do relatório financeiro do projeto que está sob a responsabilidade de Adrian. Posso consegui-lo com você, certo?

Tara se virou para Victor, olhando para ele com surpresa.

— O senhor não poderia solicitá-lo diretamente ao senhor Hans?

Hans era o gerente financeiro que trabalhava sob a supervisão de Adrian. Tudo o que Adrian precisava para garantir o andamento do projeto que administrava dependia da aprovação de Hans.

— Você tem razão. — Victor esboçou um sorriso discreto. — Mas, como eu disse, não quero que Adrian saiba que voltei.

Embora achasse aquilo estranho, Tara preferiu apenas assentir.

No saguão do aeroporto, um carro de luxo já aguardava para levar Victor ao destino desejado. O veículo partiu, deixando o aeroporto para trás. Por alguns instantes, nenhum dos dois disse nada. Então Victor voltou a falar, dessa vez num tom um pouco mais descontraído.

— A propósito — comentou ele —, ouvi dizer que a comemoração do aniversário de casamento de vocês está chegando.

O coração de Tara bateu lentamente. Era irônico que, em algum momento, ela ainda tivesse esperado que aquela comemoração fosse igual às dos anos anteriores.

— Sim — respondeu, sem se alongar.

— O que você gostaria de ganhar de presente? — continuou Victor. — Como seu sogro, acho que nunca cheguei a perguntar isso de verdade.

Tara se virou e ficou olhando para Victor por algum tempo, antes de voltar a prestar atenção na estrada.

— Pode me dizer qualquer coisa que queira — disse Victor tranquilamente. — Como parte da família Ashbourne, acho que você merece receber um presente meu.

— Qualquer... coisa? — perguntou Tara, confirmando.

— Sim. — Victor respondeu com firmeza. — Qualquer coisa.

Tara não respondeu imediatamente.

Seu olhar voltou a se fixar à frente. Tudo o que acontecera em sua vida passou novamente por sua mente. Até então, ela sempre estivera à margem. Fazia o que lhe pediam, era o rosto em que todos confiavam e a pessoa que resolvia os problemas.

Mas nunca, nem uma única vez, fora aquela que detinha o controle.

E o resultado? Ela perdera tudo antes mesmo de perceber o que estava acontecendo. Um casamento que nunca lhe pertencera. Uma vida construída sobre mentiras cuidadosamente elaboradas. Se continuasse exatamente onde estava, tudo o que fizesse acabaria sendo inútil.

Nunca significaria nada.

Tara soltou um longo suspiro. Seus dedos se entrelaçaram e se apertaram uns contra os outros — não por fraqueza, mas porque algo começava a tomar forma dentro dela.

A consciência do que havia acontecido e do que precisava fazer para mudar aquela situação.

Ela não precisava de reconhecimento nem de piedade. Tara precisava de uma posição absoluta. Algo que ninguém pudesse simplesmente tirar dela. Algo que fizesse com que... não pudesse mais ser descartada.

Tara virou o rosto lentamente. Seu olhar estava diferente — já não parecia vazio, nem demonstrava hesitação.

Com uma serenidade absoluta, ela finalmente disse:

— Faça de mim a CEO da Ashbourne, Daddy — pediu, com a voz baixa, mas firme. — Você pode me dar isso de presente?

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    A sala de reuniões principal do 35º andar da Ashbourne Corp estava tomada por uma tensão sufocante. A reunião deveria servir para discutir o sucesso de Tara em conseguir um novo contrato de parceria, mas o que se via ali eram apenas expressões de raiva e decepção.Na cabeceira da mesa, Adrian estava de pé, contendo a própria fúria. Seu olhar penetrante estava fixo em Tara, que permanecia sentada tranquilamente na cadeira à sua frente. O contrato de parceria com o Ceso Group estava aberto diante dela, repleto de números riscados e anotações.— Como você explica isso? — perguntou Adrian, num tom baixo que soava ainda mais ameaçador do que um grito.Tara ergueu lentamente o rosto.

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    — Acho melhor você não ir ao escritório por enquanto — disse Adrian, ajeitando os punhos da camisa.Pelo canto dos olhos, ele olhou para a cama onde Tara estava deitada. Apesar disso, o tablet de trabalho já estava no colo dela. A mulher parecia completamente concentrada no que aparecia na tela.— Já estou bem — respondeu Tara, tirando os óculos. — Vou pegar um blazer que combine com você.— Não precisa — impediu Adrian. — Kara já separou um para mim. Às vezes, suas escolhas não combinam muito comigo.Tara sorriu, compreensiva.— Você tem razão.

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    [Victor: Ouvi dizer que você cancelou a reunião com o Ceso Group. O que aconteceu?]A mensagem deixou Tara pensativa. A negociação, que era bastante importante, precisaria ser adiada. Mas, além disso... seu encontro com Victor também havia sido cancelado. Afinal, Tara tinha prometido apresentar a ele um relatório sobre as finanças e o andamento dos projetos conduzidos por Adrian.Tara conhecia a maior parte dos detalhes. É claro que conhecia. Afinal, fora ela quem conduzira as negociações desde o início, até que o projeto estivesse pronto para ser executado. Pode-se dizer que Adrian só precisava receber tudo já organizado.Tara digitou rapidamente uma resposta.[Tara.Ash: Meu estado de saúde piorou de repente. Mas garanto que amanhã me reunirei com eles. E também com o senhor.]Ela enviou a mensagem, e o destinatário levou apenas uma fração de segundo para visualizá-la. Tara ficou um pouco apreensiva, imaginando que tipo de resposta receberia, mas...Seu celular tocou alto de repente.

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    — Deve ter ocorrido algum erro no sistema — disse Adrian, tentando manter a calma. — Por favor, peça a uma enfermeira que encontre um quarto para minha esposa. Quanto à parte administrativa...Ele se aproximou da médica, que ainda segurava o tablet.— Deixe que eu resolvo isso.Adrian praticamente a obrigou a acompanhá-lo, afastando-se do local onde Tara estava sendo examinada. Antes de sair, deixou uma instrução também para Kara:— Vou resolver esse problema rapidinho. Fique com Tara. É só por um momento.Era como se estivesse fazendo uma promessa silenciosa: a pessoa com quem Adrian estava mais preocupado era Kara. Não Tara.As duas ficaram com uma enfermeira, que parecia confusa com toda aquela situação. Pouco depois, porém, ela recebeu a notícia de que Tara já estava autorizada a ocupar um dos quartos VIP. Naquele dia, ela precisaria de cuidados intensivos devido ao seu estado debilitado.Tara permaneceu calada. Seu coração estava em tumulto, e ela lutava contra a amargura que ame

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    — Você... o quê? — perguntou Kara, elevando a voz, sem conseguir mais esconder a indignação.Adrian apenas soltou um suspiro e respondeu:— Ah, deixa disso. Por que está fazendo tanto alarde por uma coisa tão pequena?— Pequena? — Kara claramente não aceitava aquilo. — Dar um apartamento de luxo no Golden Palace para Tara é uma coisa pequena, é isso que você está dizendo?Adrian tratou logo de acalmar a mulher que amava, acariciando-lhe delicadamente o ombro. De vez em quando, pedia desculpas e dizia:— Encare como um último presente e uma forma de agradecer pela ajuda dela. Pelo menos, sei reconhecer quando alguém me faz um favor.— Que engraçado você falar em retribuir favores. — Kara cruzou os braços sobre o peito. Seus olhos fitaram Adrian com intensidade, enquanto ele ainda tentava acalmá-la. — Então agora você resolveu ser generoso com ela?— Não é isso, meu amor — respondeu Adrian, tentando convencê-la.— Então o que é? — Kara ainda não conseguia aceitar aquilo tão facilmente.

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    — Como ela está? — perguntou Tara.Havia preocupação e tristeza em seu olhar. Assim que a porta do quarto se abriu, ela foi imediatamente ao encontro de Adrian.Adrian se assustou, sem esperar que Tara ainda estivesse esperando por ele. Pensou que ela já tivesse adormecido. Pigarreou discretamente para disfarçar o nervosismo.— Ela está bem melhor. Kara conseguiu acalmá-la e, agora, Liora está dormindo com ela.Tara soltou um breve suspiro.— Que bom. — Seus ombros relaxaram, aliviados. — Estou esperando notícias suas há um tempão. Não queria ir ao quarto de Liora à força. Tenho medo de que ela fique ainda mais assustada comigo.A mulher abaixou a cabeça, abatida. Seu rosto revelava uma tristeza profunda e um enorme arrependimento.— Me perdoe, Adrian. Eu realmente não consigo ser um bom exemplo de mãe para Liora.A princípio, Adrian queria ficar bravo. As palavras de Tara à mesa de jantar ainda ecoavam claramente em sua mente: a maneira como ela havia batido na mão de Liora, o tom fr

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