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Capítulo 2

Author: Soninho
No quarto VIP do hospital.

Beatriz estava visivelmente inquieta:

— Mateus, a Sabrina não vai ficar mal, vai? Eu vi que ela ficou chateada e só tentei me explicar... Não imaginava que eu teria uma crise...

O rosto dela estava tomado pela culpa, os olhos marejados de ansiedade.

Mateus enxugou as lágrimas do rosto dela e a envolveu com carinho nos braços:

— Não vai acontecer nada. A Sabrina sempre dá um jeito de se safar.

Mesmo assim, Beatriz ainda parecia assustada:

— Mas hoje era o dia de vocês registrarem o casamento... A culpa é minha por ser tão fraca. Talvez seja melhor eu ir explicar tudo para ela. Não quero que vocês briguem por minha causa.

Nesse momento, o outro assistente de Mateus entrou às pressas:

— Sr. Mateus, recebemos uma informação da polícia. O mar de flores que o senhor preparou para a Srta. Beatriz está bloqueando uma via principal. Uma ambulância ficou presa, e a paciente, que sofreu um acidente de carro, está em estado crítico e precisa que a via seja liberada imediatamente.

— Já estamos providenciando a liberação...

Antes que ele terminasse de falar, os olhos de Beatriz ficaram ainda mais vermelhos:

— Isso foi preparado para mim? Mas eu nem cheguei a ver...

Ao ouvir as palavras de Beatriz, Mateus decidiu na mesma hora:

— Não liberem.

— Mas...

— Mas o quê? — Mateus soltou um leve riso frio. — Peçam ao hospital que enviem um helicóptero para buscar a paciente. Eu pago os custos.

O assistente hesitou, claramente constrangido:

— Mas, com esse deslocamento, a paciente pode não resistir. Se algo acontecer, isso pode afetar o Grupo Souza.

Mateus sorriu com desdém:

— E daí? Não temos a Sabrina, a grande advogada? Além disso, estamos prestes a nos casar. O Grupo Souza será nosso patrimônio em comum; ela naturalmente vai lidar com as consequências. Agora eu vou ficar com a Beatriz. Não me incomodem por nada, nem mesmo por causa da Sabrina. Caso contrário, pode ir embora junto com ela.

O assistente ainda quis dizer algo, mas acabou saindo, resignado.

Eu flutuava ao lado deles, piscando lentamente.

Senti um líquido frio escorrer pelo canto dos meus olhos.

Não sei se era sangue... Ou lágrimas.

Então Mateus ainda não sabia que eu estava morrendo.

E, ao que parece, não poderei ajudá-lo com seus planos.

Mas o departamento jurídico do Grupo Souza dará um jeito em tudo.

Inclusive na minha morte.

De repente, senti uma tristeza profunda.

Nos dias seguintes, Mateus permaneceu o tempo todo ao lado de Beatriz. Até mesmo quando trabalhava, fazia questão de ficar perto dela.

Bastava Beatriz pedir, e ele fazia qualquer coisa.

Eu o vi comprar uma ilha para ela e até adquirir um planeta, apenas porque ela disse casualmente:

— Eu queria ter um lar só meu.

— O universo é eterno... Eu queria algo que também fosse eterno.

Sorri com amargura. Então era esse o nível da fortuna de Mateus agora.

Ele já não era mais o homem que conheci, abatido e miserável, alguém que qualquer um podia pisar.

Mas, nesses dias, nas horas mais silenciosas da noite, depois de adormecer Beatriz, ele pegava o celular e abria repetidamente a nossa conversa.

Havia um traço de confusão no olhar dele.

Eu sabia o que ele estava pensando. Eu o amava profundamente e nunca ficava tanto tempo sem falar com ele.

Mesmo quando brigávamos por causa de Beatriz, em menos de meio dia eu sempre acabava cedendo.

Mas, desta vez, por vários dias seguidos, eu não entrei em contato, e isso o deixou inquieto.

Depois de hesitar por um instante, ele moveu os dedos.

[Quando o estado da Beatriz estabilizar, eu vou com você registrar o casamento.]

[Que surpresa é essa que você mencionou?]

Só então percebi que a nossa conversa estava parada havia dias.

Eu tinha dito a ele:

[No dia em que registrarmos o casamento, vou te fazer uma surpresa.]

De repente, minha cabeça começou a doer intensamente.

Havia algo que eu esqueci...

Mas, por mais que tentasse, não conseguia lembrar.
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