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Capítulo 3

Author: Soninho
Depois de um longo tempo, Mateus se levantou e foi até a varanda.

Acendeu um cigarro.

Instintivamente, estendi a mão para tirá-lo de seus dedos:

— Pare de fumar, faz mal à saúde.

Minha mão atravessou a dele, e eu fiquei atônita.

Em seguida, sorri com amargura; eu já estava morta.

Anos de hábito ainda permaneciam; mesmo assim, eu continuava me preocupando com Mateus sem perceber.

O olhar de Mateus era frio. Ele deu uma longa tragada e, em seguida, ligou para o assistente. Havia uma inquietação em sua voz que nem ele próprio percebeu:

— Se a Sabrina aparecer para causar problemas nestes dias, impeça-a. Não deixe que venha ao hospital fazer escândalo, para não atrapalhar a recuperação da Beatriz.

O assistente hesitou por um momento:

— Nestes dias, a Srta. Sabrina não procurou o senhor, ela...

Antes que terminasse de falar, Mateus desligou.

Por fim, lançou um olhar para a tela da nossa conversa e, com força, pressionou o dedo, me bloqueando como se fosse um ato de teimosia.

Em seguida, desligou o celular.

Se fosse antes, eu certamente entraria em pânico, faria de tudo para encontrá-lo, pediria desculpas e imploraria para que me tirasse da lista de bloqueados, para não perder contato.

Mas agora...

Fiquei diante dele e disse em voz baixa:

— Mateus, eu não vou mais te procurar, porque não te amo mais. Eu te odeio... Odeio você por ter me feito perder a vida. Eu te amaldiçoo...

De repente, um relâmpago rasgou o céu, e o estrondo do trovão acordou Beatriz, que dormia. Ela gritou:

— Mateus!

Mateus, apressado, jogou o cigarro no chão e voltou para o quarto, envolvendo Beatriz, que tremia por inteiro:

— Não tenha medo, eu estou aqui.

Eu também tremia, com medo do trovão.

Mas Mateus nunca esteve ao meu lado. Em cada tempestade, ele sempre me deixava para ir até Beatriz.

Eu já briguei com ele por isso, e ele sempre respondia com impaciência:

— Por que você está competindo com uma doente?

Depois de muito tempo tentando acalmá-la, Beatriz finalmente se estabilizou. Deitada nos braços de Mateus, chorava profundamente.

— Mateus, eu não paro de lembrar do dia em que perdi o controle. Eu só queria explicar tudo para a Sabrina... Acho melhor eu ir pedir desculpas. Nestes dias, ela não apareceu, deve estar com raiva.

Mateus parecia distraído:

— Não é nada. Eu vi, ela só machucou um pouco a testa. Você está doente, a Sabrina não vai ficar brava.

Beatriz disse, inquieta:

— E se ela denunciar à polícia? Eu não quero ir para a prisão, prefiro morrer.

Ao vê-la tão abalada, Mateus a abraçou com mais força, tentando acalmá-la:

— Não tenha medo, eu estou aqui. A Sabrina sempre foi tolerante com mulheres, ela não vai se irritar. Além disso, eu fiz com que ela assinasse um acordo, ela não vai te causar problemas.

Ao ouvir isso, Beatriz sorriu, aliviada, levou a mão de leve ao peito e se aninhou nos braços de Mateus, com um gesto carinhoso.

Mateus baixou o olhar e, no instante seguinte, a afastou.

— Beatriz, quando eu me casar com a Sabrina, você não poderá mais agir assim comigo. Não é apropriado, e a Sabrina vai ficar chateada.

Beatriz ficou atônita; seu rosto se contraiu levemente, os olhos cheios de desagrado.

Mateus não percebeu, apenas eu vi com clareza.

Depois de um tempo, a voz de Beatriz soou, carregada de mágoa:

— A culpa é minha, eu só estou acostumada... Me desculpe.

Mateus suspirou:

— Não é culpa sua, está tudo bem. Eu vou conversar direito com a Sabrina.

Ao ouvir isso, meu coração se encheu de sentimentos conflitantes.

Mateus sempre foi assim, sempre colocando Beatriz em primeiro lugar.

Eu o segui para fora do quarto.

Duas enfermeiras conversavam:

— Esse Sr. Mateus trata muito bem a namorada. Ela nem se machucou de verdade, só levou um susto, e ele já mobilizou todos os médicos do hospital para examiná-la.

— Ouvi dizer que ele até preparou um enorme mar de flores. Pelo visto, não vai demorar para vermos os dois se casando. Imagino como será grandioso o casamento.

— Falando nisso, esse mar de flores acabou bloqueando a passagem de uma paciente que sofreu um acidente de carro. O helicóptero acabou de trazê-la ao hospital, e ela morreu logo depois. Se tivesse chegado dez minutos antes, teria sobrevivido...

Ao ver a expressão fria de Mateus, as duas enfermeiras trocaram um olhar apreensivo e, sem alternativa, o cumprimentaram:

— Sr. Mateus...

A expressão de Mateus era indecifrável. Quando as enfermeiras já esperavam uma reprimenda, ele apenas disse, com voz indiferente:

— Ela não é minha noiva.

Fez uma pausa, como se lembrasse de algo.

Um leve sorriso surgiu em seus lábios:

— Minha noiva é Sabrina, uma advogada muito competente.
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