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Capítulo 4

Author: Soninho
Uma dor súbita apertou meu peito.

Quando fiquei noiva de Mateus, no início, ele me tratava muito mal.

Ele me odiava, porque eu era a noiva que a mãe dele havia imposto. Por isso, me ignorava, me empurrava os casos mais difíceis e ainda permitia que as admiradoras dele me provocassem.

Quando fui trancada em um depósito estreito, levei um balde de água gelada na cabeça e acabei com febre alta, internada no hospital.

Ele estava na Islândia, abraçando Beatriz, assistindo à aurora boreal.

Quando saí do plantão noturno e fui seguida por um mendigo, tomada pelo medo, liguei para ele.

Ele estava na França, com Beatriz, admirando os campos de lavanda.

Mateus dedicava a ela tudo o que havia de melhor no mundo.

Para mim, só sobrava um mundo em ruínas.

Eu costumava acreditar que todos os mal-entendidos um dia seriam esclarecidos.

Ele era alguém que eu admirava havia muitos anos.

Eu gostava dele.

Queria derreter o gelo que existia no coração dele.

Depois de uma noite em que bebemos, acabamos indo para a cama.

Ele estava irritado, mas assumiu a responsabilidade. Nosso relacionamento foi melhorando, até que, de repente, tudo terminou abruptamente.

Eu o amava.

Mas não conseguia suportar a forma como ele se aproximava e se afastava, nem as provocações de Beatriz.

Que ridículo.

A frase que eu mais desejei ouvir na vida...

Agora que finalmente a escutei, só me pareceu irônica.

Mateus ignorou as duas enfermeiras, saiu rapidamente do hospital e foi para a empresa.

Ao vê-lo, os olhos da assistente brilharam. Assim que ela se aproximou, ouviu a ordem dele:

— Chame a Sabrina para me ver.

A assistente ficou atônita.

— A advogada Sabrina, ela...

Antes que terminasse, Mateus esfregou as têmporas, impaciente:

— Diga para ela parar de fazer drama. Foi só um arranhão, precisa de tudo isso? A Beatriz está se sentindo culpada porque, sem querer, acabou machucando ela. Faça com que ela venha logo consolar a Beatriz. Ou ela não quer mais se casar comigo? Diga que, se ainda quiser, venha primeiro acalmar a Beatriz. E que pare de ter ciúmes dela o tempo todo, isso é ridículo!

Vi o espanto no rosto da assistente.

Ela olhava para Mateus, incrédula, os lábios tremendo levemente.

— Ainda está parada? Avise a Sabrina agora. — Disse ele, antes de sair.

Seus passos eram rápidos, carregados de fúria, como se o ar ao redor vibrasse com sua irritação.

Eu flutuava atrás dele, seguindo-o até a nossa casa, onde íamos morar depois do casamento.

Tudo ali havia sido preparado por mim.

Mateus respirou fundo e empurrou a porta.

Ao ver que tudo estava no lugar, com minhas roupas e meus cosméticos, ele relaxou.

Um leve sorriso surgiu em seu rosto.

Em seguida, pegou o celular e me enviou uma mensagem: [Sabrina, seja obediente agora. Depois eu tiro esta casa do nome da Beatriz e passo para o seu. Pensando bem, convivam em paz. Não peço que cuide dela, só não a ataque.]

Então me lembrei... Aquilo não era nossa casa.

Por causa de um comentário de Beatriz dizendo que gostava da vista da janela, a propriedade foi registrada no nome dela.

O único tique cinza na mensagem era impossível de ignorar.

Mateus só então percebeu que havia me bloqueado e que eu não o tinha adicionado de volta.

Ele me tirou da lista de bloqueio.

Reenviou a mesma mensagem.

Mas não houve resposta.

Respirou fundo e, num acesso de irritação, jogou o celular sobre a cama.

Depois de um longo tempo, pegou o aparelho novamente.

[Dessa vez, a Beatriz realmente passou dos limites. Vou falar com ela.]

[Você também não precisa transformar isso em um problema. Responda logo. Você não disse que queria ir à Antártida ver pinguins? Quando eu terminar meu trabalho, vou com você.]

O ícone de envio ainda girava.

Então o telefone tocou: era Beatriz.

Do outro lado da linha, a voz dela soava profundamente triste, misturada ao som do vento do terraço, chegando aos ouvidos de nós dois.

— Mateus, a Sabrina postou na internet dizendo que eu sou uma amante que destrói casamentos. Eu não consigo provar minha inocência, porque meus sentimentos por você realmente não são puros. Então acho melhor eu morrer... Assim tudo termina de uma vez... Desejo que você e a Sabrina sejam felizes...
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