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Capítulo 5

Soninho
Quando Mateus chegou, o corpo frágil de Beatriz balançava perigosamente na cobertura.

As pupilas de Mateus se contraíram; ele foi tomado por um nervosismo intenso:

— Beatriz, não faça nada impulsivo. Se você morrer, o que será de mim?

O rosto de Beatriz estava encharcado de lágrimas:

— As pessoas na internet estão me xingando, dizendo que sou uma amante, que sou uma vadia. Mateus, eu realmente não aguento mais. A Sabrina também me xingou, disse que eu sou a amante, que sou uma vagabunda. Eu não culpo a Sabrina, afinal, agora a sua noiva é ela. A errada aqui sou eu.

Olhei para Beatriz, atônita.

"Eu já estava morta. Como poderia ter dito aquelas coisas?"

Nunca imaginei que nem morta eu teria paz.

Ainda assim seria difamada.

O rosto de Mateus se enrijeceu. Ele abraçou Beatriz com força e, ao olhar as supostas mensagens em que eu a insultava, que ela lhe mostrava, diante dessas "provas" cheias de falhas, não consegui evitar um riso. Era tudo grosseiro demais. Mateus não acreditaria.

Mas eu me esqueci de que, para Mateus, nunca fui importante.

Mateus a envolveu nos braços, enxugou com delicadeza as lágrimas de seu rosto e depositou um beijo solene em sua testa:

— Beatriz, você não é amante. Se for uma questão de quem veio primeiro, foi você. Entre mim e a Sabrina, só houve isso porque ela se aproveitou de ter salvado a vida da minha mãe para conseguir esse casamento. A única mulher que eu amo é você. Eu vou te dar uma resposta e também um casamento grandioso.

Um brilho de satisfação passou rapidamente pelos olhos de Beatriz.

Em seguida, ela fingiu inquietação e disse:

— Isso não seria injusto com a Sabrina? Ela vai me odiar ainda mais. A Sabrina é uma grande advogada, tão poderosa... Se ela quiser me atacar, o que eu faço?

Mateus soltou uma risada fria:

— Você é boa demais. Depois de tudo que ela fez com você, ainda há justiça a se considerar? Se ela ousa te tratar assim, vai pagar o preço. A Sabrina não vive dizendo que quer fazer justiça? Eu vou arruinar a reputação dela. Uma pessoa como ela não merece ser advogada.

Ao ouvir isso, o sorriso no olhar de Beatriz se aprofundou.

Mas, em seu rosto, havia hesitação:

— Talvez seja melhor deixar para lá...

Mateus a apertou ainda mais nos braços:

— Eu não vou deixar que você sofra nenhum tipo de dano.

Depois de acalmá-la, ele pegou o celular. A luz da tela iluminou seu olhar frio como gelo: [Apague a postagem e peça desculpas à Beatriz.]

Mas, desta vez, ainda não houve resposta.

Mateus sempre foi alguém favorecido pelo destino; quando foi que ele já havia sido tratado com tamanho desprezo?

Ele riu com frieza e não quis mais desperdiçar uma palavra comigo.

Apenas ordenou ao assistente que usasse todos os contatos disponíveis para divulgar "provas" de que eu desprezava os pobres e idolatrava os ricos, que fabricava fatos e ignorava a moral apenas para vencer casos, e que preparasse todos os documentos para pedir a suspensão do meu exercício profissional.

Ele queria me derrubar do topo à lama, fazer com que eu pagasse o preço mais cruel por "ferir" Beatriz.

Eu flutuava atrás dele. Ao ver a ferocidade sem disfarce em seus olhos, senti como se inúmeras agulhas atravessassem meu coração ao mesmo tempo.

Também vi tudo aquilo pelo qual eu havia lutado.

Bastava uma ordem dita por ele com tamanha indiferença, e tudo virava cinzas.

Beatriz finalmente ficou satisfeita.

Com suavidade, ela deixou um beijo no rosto de Mateus:

— Mateus, no fim das contas, é você quem mais me ama.

Mas ela não percebeu.

No olhar de Mateus para o celular, além da raiva, havia também um traço de confusão.

Eu me importava com ele mais do que com qualquer coisa.

E também me importava com a minha profissão de advogada.

Mas o celular permanecia em silêncio, sem nenhuma resposta minha.

Diante disso, soltei uma risada amarga.

"Eu já estou morta... Como poderia responder?"

Com o rosto endurecido, Mateus apontou para o celular:

— Descubram o IP de quem fez essa postagem. Quero ver onde a Sabrina pode se esconder.

Eu também fiquei curiosa.

"Eu já estou morta. Então, quem publicou tudo isso na internet? Um inimigo da Beatriz? Ou um inimigo de Mateus?"

Os subordinados de Mateus agiram rapidamente. Eu o segui até um pequeno apartamento alugado.

Os seguranças arrombaram a porta. Lá dentro, um corpo magro tremia.

Era Amanda.

Mateus também pareceu surpreso:

— Por que você? E a Sabrina? Não pense que se esconder vai adiantar. Faça a Sabrina aparecer! Faça com que ela venha esclarecer tudo isso, ou eu não vou deixá-la em paz.

Os olhos de Amanda ficaram vermelhos. Ela se levantou de repente e lançou um papel amassado no rosto de Mateus:

— A Sabrina já morreu! Por que você ainda não a deixa em paz?!

O rosto de Mateus escureceu. Mas, ao ver o conteúdo do papel, ficou como se tivesse sido atingido por um raio.

Os olhos de Amanda ficaram ainda mais vermelhos. Ela chorava sem conseguir respirar direito:

— Essa era a surpresa que a Sabrina queria te dar!

Meu olhar também caiu sobre o papel.

Com o coração dilacerado a ponto de não conseguir respirar, finalmente me lembrei do que era a coisa mais importante que eu tinha esquecido.
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