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Espere por Mim no Beco
Espere por Mim no Beco
Author: Persimmon

Capítulo 1

Author: Persimmon
— Poupe sua energia. Ninguém vai vir te salvar.

O homem que falava tinha um cigarro pendurado nos lábios. Seus olhos percorreram meu corpo uma vez, então ele inclinou a cabeça na direção do sujeito ao lado.

— Nada mal. Mandem ela para a propriedade. Alguns dias de treinamento, depois ela começa a trabalhar.

— Que propriedade? Que trabalho? — Apertei a alça da minha mochila e dei um passo para trás.

— Para de se fazer de idiota. — Ele soltou um bufo de desprezo. — O que você acha que eles fazem com garotas como você?

Meu sangue gelou.

Não era à toa que Nora tinha insistido em me arrastar para Chicago. Não era à toa que o namorado dela tinha estado "convenientemente" livre para nos buscar e levar de volta durante todo aquele tempo. Ela tinha me vendido. Por vinte mil dólares.

— Eu não vou para propriedade nenhuma. Me deixem ir. Eu pago a vocês. O dobro...

— Depois que passar por aquela porta, você não negocia mais. — Ele apagou o cigarro contra a parede. — Ou você se comporta e vai trabalhar, ou apanha primeiro e depois vai trabalhar. Você escolhe.

Dei dois passos para trás, até minhas costas baterem na estrutura de metal fria da cama.

— Nenhum dos dois.

O homem sustentou meu olhar por um segundo, então fez um gesto com o queixo.

Os dois homens atrás dele avançaram.

Punhos e botas atingiram minhas costelas, meu estômago e minhas costas. Eu me encolhi, cobrindo a cabeça com os braços, enquanto gemidos abafados escapavam da minha garganta. Quando a surra terminou, eu estava de bruços no chão, com sangue escorrendo da boca e todos os meus órgãos se revirando por dentro.

O homem se agachou, agarrou meu cabelo e puxou meu rosto para cima.

— E agora, qual é a sua escolha? Vai ou não vai?

Não respondi. Apenas o fitei.

Ele me soltou, endireitou-se e cutucou meu ombro com a ponta do sapato.

— Teimosa, hein. Tranque ela. Alguns dias sem comida e ela amolece.

Eles me puxaram para cima e me jogaram dentro de um depósito sem janelas. A porta de ferro bateu atrás de mim. A fechadura estalou.

Então de repente — uma agitação do lado de fora. Passos correndo pelo corredor. Uma voz baixa e urgente:

— O Don chegou! Limpem tudo. Primeiro escondam a mercadoria nova.

Alguém do lado de fora respondeu. Os passos se dispersaram.

Fechei os olhos, com a parte de trás da cabeça encostada na parede fria, enquanto uma dor surda se espalhava pelo meu peito.

O Don.

Caleb Richardson.

Ele estava aqui.

Passei três anos mudando de nome, fugindo de Nova York para a Itália, convencida de que nunca mais cruzaria o caminho dele.

E agora tinham me vendido — e lá estava eu de volta ao território dele.

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