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Capítulo 2

Author: Persimmon
Uma comoção irrompeu do lado de fora do depósito. Passos se espalharam em todas as direções, pessoas arrastando coisas, vozes sibilando "limpem tudo, rápido".

Fiz força para me levantar, rastejei até a porta de ferro e encostei o ouvido nela. Ouvi umas vozes baixas vindo do corredor.

— O Don trouxe muita gente dessa vez. Ouvi dizer que ele está de mau humor.

— Quando é que ele está de bom humor? Está procurando uma pessoa há três anos e ainda não encontrou — no lugar dele você também estaria de mau humor.

— Quem ele está procurando, afinal? Que mulher vale toda essa dor de cabeça?

— Sei lá. Só não atravesse o caminho dele. Vamos, é melhor irmos cumprimentá-lo.

Os passos se afastaram.

Cerrei os punhos no escuro. Ele estava me procurando. Três anos, e ele ainda estava procurando.

Três anos atrás, ele havia me trancado naquela mansão à beira-mar. Janelas soldadas. Linhas telefônicas cortadas. Até no banheiro havia alguém para me vigiar.

Ele disse: "Olivia, se você foge, eu te pego. Pode fugir quantas vezes quiser — eu vou encontrar você todas as vezes."

Tentei sete vezes. Nas seis primeiras, só consegui chegar até as docas antes que me arrastassem de volta. Na sétima, esperei até ele sair para uma reunião, usei os comprimidos para dormir que havia acumulado durante três meses para apagar os guardas, pulei um muro e fraturei metade das costelas, depois rastejei até um caminhão de entrega de frutos do mar. Foi assim que consegui sair daquela cidade.

Novo nome. Novo passaporte. Três países. Acabei na Itália.

E, de alguma forma, entre todos os lugares possíveis, encontrei ele em Chicago.

E agora ele estava bem ali — no fim daquele corredor.

Agachei-me no canto, encarando a fresta de luz que entrava pela abertura sob a porta. Pessoas passavam do lado de fora: passos, murmúrios, o chiado de rádios comunicadores. Então uma voz se destacou — preguiçosa, tranquila, com aquela leve elevação no final.

— As contas do West Side não fecham. Quem as revisou?

— Don, fui eu... Vou refazê-las imediatamente.

— Refazer? — Disse com uma risada fria e seca. — Você acha que é brincadeira? Quero tudo corrigido até hoje à noite. Senão, você vai cobrir a diferença do próprio bolso.

Os passos se afastaram.

Caleb. Eu reconheceria aquela voz até no inferno. Três anos atrás, quando ele me mantinha presa contra a parede, aquela mesma voz havia sussurrado no meu ouvido:

— Olivia. Não me deixe.

Eu não podia ficar ali esperando morrer. Precisava fazer com que ele me visse. Mesmo que ele me trancasse novamente — ainda seria melhor do que ser enterrada viva naquele lugar.

Olhei ao redor do depósito. Havia uma lata de lixo de metal no canto, com metade de um vaso quebrado dentro. Peguei um caco e o arrastei com força pela moldura da porta. Cerâmica raspando contra metal — um guincho agudo e penetrante.

Os passos do lado de fora pararam.

Alguém praguejou.

— Que diabos foi isso?

A porta do depósito se abriu uma fresta. Um rosto apareceu.

— Está querendo apanhar—

Investi contra ele e passei direto pelo seu braço.

O corredor explodiu em gritos.

— Ela escapou! Por ali — vão, vão!

Corri descalça, os pulmões ardendo. Virei duas esquinas. Mãos agarraram minha gola — me lancei para a frente, o tecido se rasgando, e fui parar estatelada no chão no fim do corredor. Meus joelhos ficaram em carne viva.

Olhei para cima.

Pela porta aberta, vários carros pretos estavam estacionados no pátio. Um grupo de homens cercava uma limusine alongada. No meio deles, Caleb acendia um cigarro, a chama iluminando metade de seu rosto.

Abri a boca para chamá-lo. Só um suspiro entrecortado saiu.

O homem atrás de mim me alcançou, tapou minha boca com a mão e começou a me arrastar de volta.

— A vadia ainda consegue correr — acho que não batemos forte o suficiente.

Mordi sua mão. Enterrei as unhas em seu braço. Ele gritou e me soltou por meio segundo — e gritei novamente na direção da porta. Ainda assim, nada. Apenas um som rouco, quase inaudível.

Outro homem correu até mim, pegou um cinzeiro de vidro da mesa no corredor e o desceu com força contra a parte de trás da minha cabeça.

Tudo ficou vermelho. A última coisa que vi antes de atingir o chão — Caleb havia olhado na minha direção. Mas não veio até mim. Apenas se virou para o homem ao lado, disse alguma coisa e se abaixou para entrar no carro.

A porta se fechou. O motor ligou.

Então — tudo ficou preto.

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