Mag-log inVirgínia não perguntou mais nada e saiu sem insistir.Depois de terminar de revisar os documentos que tinha em mãos, Nina largou a caneta e se recostou na cadeira. Aquele mês tinha passado mais rápido do que ela tinha imaginado.No fim da tarde, ela, que quase nunca saía tão cedo, acabou voltando mais cedo do que o habitual para as Residências Brisa Serena.Íris estava sentada na sala, com um caderno de anotações escrito à mão aberto no colo. Quando ouviu o barulho na porta, ela levantou os olhos:— Hoje você resolveu chegar cedo.— Hoje não foi tão corrido.Enquanto respondia, Nina trocou os sapatos pelos chinelos de casa e entregou o casaco e a bolsa para a empregada. Depois caminhou devagar até o sofá e se sentou ao lado de Íris.Ela baixou o olhar para o caderno. A página estava cheia de uma letra redonda e bonita, com várias combinações, medidas e observações. Em alguns trechos, as palavras tinham sido riscadas e reescritas várias vezes, dava para ver que aquilo tinha sido pensado
Na manhã seguinte, bem cedo, Lilian tinha desligado o despertador ainda meio grogue, quando chegou mais uma mensagem. Ela pegou o celular, apertou os olhos e deu uma olhada rápida na tela.Era de Cauã, com apenas duas palavras:[Você acordou?]Ela virou o celular com a tela para baixo e deixou em cima do travesseiro, fechando os olhos de novo. Só que o sono já tinha ido embora. Os pensamentos, que ainda estavam embolados, foram ficando cada vez mais nítidos.Ela tinha voltado a pensar no beijo de ontem à noite, lá na garagem. Quando ela chegou em casa, ficou um bom tempo trancada no banheiro, parada em frente ao espelho, encarando o canto da boca avermelhado.Cada palavra de Cauã tinha tocado justamente naquilo que ela mais tentava proteger. Lilian nem queria admitir, mas, naquele instante, a barreira que havia erguido ao longo de tantos anos quase tinha desmoronado por completo.Ela tinha desejado, com todas as forças, simplesmente largar tudo e pensar nas consequências depois.Lilian
A garagem estava tão silenciosa que o único som ali dentro era o dos dois corações disparados. Aquele beijo trouxera uma teimosia quase brutal, um tipo de insistência que beirava a imposição.Cauã segurava o queixo dela, sem usar muita força, mas na medida exata para impedir que ela virasse o rosto e escapasse.Quando ele finalmente se afastou por vontade própria, os lábios de Lilian já ardiam, como se tivessem sido queimados.Ela levantou a mão e passou o dorso nos cantos da boca, encarando-o com os olhos arregalados. A voz saiu levemente trêmula:— Você ficou louco?— Eu não fiquei louco. — A respiração de Cauã ainda vinha marcada pelo cheiro de álcool, mas o tom dele era sério. — Eu bebi demais, mas ainda estou lúcido.Lilian quis xingar ele, quis virar as costas e ir embora com a mesma firmeza de antes. Só que os pés dela pareciam ter sido pregados no chão. Ela não conseguia dar um único passo.— Cauã. — Ela chamou o nome dele num fio de voz, como se estivesse segurando alguma cois
A pergunta veio de um jeito quase brusco, mas, ao mesmo tempo, parecia algo que um dia acabaria acontecendo.Os dedos de Lilian se fecharam de leve. Ela abaixou um pouco os cílios e ficou ali, do lado de fora do carro, olhando em silêncio para o homem no carro.Por um instante, as lembranças vieram todas de uma vez: os momentos em que eles tinham se amado com toda a intensidade e o rompimento logo em seguida.Entre uma coisa e outra, quase não tinha existido intervalo. No auge da intimidade dos dois, o apartamento de Cauã, perto da faculdade, tinha cada canto marcado por algum rastro do que eles sentiam um pelo outro.Lilian sempre tinha sido insegura e sensível demais. Já Cauã era aberto, intenso, luminoso. Diante de alguém assim, ela só conseguiu cair cada vez mais fundo.E foi justamente quando ela tinha se entregado por completo que o cheque da família Frota apareceu, deixando nítida a fronteira que separava o mundo dele do dela, uma linha que ela jamais conseguiria atravessar.El
Depois que eles subiram e tomaram banho, Gustavo deitou Luiza na cama, mesmo percebendo que ela ainda não estava com a menor vontade de dormir.— Você ainda não está com sono?— Não. — Luiza se virou de lado para encarar o rosto dele, os olhos brilhando. — Eu estou feliz. Eu estou em paz. Eu me sinto muito, muito feliz.Tão feliz que ela quase tinha pena de fechar os olhos e deixar aquela noite acabar.Antes, Luiza sempre achava que ela não tinha nada. Mas, naquela noite, ela sentia com uma clareza quase dolorosa tudo o que ela tinha, tudo o que era dela.Gustavo passou a mão pelos cabelos dela, e o olhar dele ficou tão cheio de carinho que quase transbordava.— Eu também estou muito feliz.Enquanto ele tivesse Luiza ali, ao lado dele, ele se sentia feliz. E aquela felicidade era algo que nada, nem ninguém, podia substituir.De repente, Luiza se aproximou ainda mais e se encaixou no abraço dele.— Você lembra qual foi o primeiro presente que eu te dei no seu aniversário?Gustavo arqueo
No Solar do Lago.Manuela já estava em outra fase da vida, a energia dela não tinha como acompanhar o pique dos mais novos. Depois de se despedir dos convidados e deixar mais algumas recomendações para Luiza, ela foi direto para o quarto descansar.Gustavo passou o braço pela cintura de Luiza para levá‑la de volta para dentro e, assim que entrou, viu Cauã encostado no biombo, calado, com o olhar preso em Lilian, que estava sentada no sofá mexendo no celular. Ninguém sabia ao certo no que ele estava pensando.Luiza, por um instante, não soube bem o que pensar daquela cena. Então preferiu se dirigir primeiro a Lilian:— Lilian, por que você não fica hoje no quarto de hóspedes?— Melhor não. — Lilian ergueu o rosto ao ouvir a voz dela, pegou a bolsa e se aproximou. — Eu já chamei um táxi. Só estava esperando você voltar de lá de fora para me despedir.— Está bem. — Luiza acabou cedendo. — Então toma cuidado no caminho. Quando chegar em casa, me manda uma mensagem.Lilian concordou com a c







