LOGINEmbora ele tivesse falado daquele jeito, Cauã mesmo assim teve paciência de ficar esperando um bom tempo do lado de fora do quarto. No meio disso, Edson atendeu um celular e precisou ir correndo pra empresa, deixando ele ali sozinho.Ele só entrou, com toda calma do mundo, depois que os parentes e amigos que tinham ido visitar o doente já tinham ido embora.Nina estava sentada ao lado da cama, descascando uma maçã. O Sr. Callum estava deitado, com a expressão longe de ser boa. Mesmo quando ele viu entrar o neto de quem ele mais gostava, o rosto dele não chegou a se iluminar.Cauã lançou um olhar significativo pra Nina, mas Nina simplesmente fingiu que não tinha visto. Ela segurava firme a faca de fruta, e a casca da maçã caía em tiras grossas e finas, ora mais rápidas, ora mais lentas, dentro da lixeira. Ficava claro que ela não estava de bom humor.Cauã se aproximou da cama, abriu um sorriso pro avô e brincou:— Vô, o que foi isso aí? Quem é que teve a brilhante ideia de te irritar de
Ela sabia que Íris a tratava muito bem. Mas, no fim das contas, Durval era o marido de Íris e, principalmente, o pai da Nina.Luiza jamais tinha pensado em “exigir” algo nessa balança. Muito menos quando se lembrava de que Durval era o filho de sangue de Callum.Mesmo assim, a família Frota tinha ido tão longe por causa dela, e isso realmente fugia de tudo o que ela esperava.Para Luiza, o simples fato de a família Frota ter tirado o poder das mãos de Durval já era uma resposta mais do que satisfatória.Ela não tinha imaginado, nem de longe, que eles ainda iriam mandar o homem, já na meia-idade, pra fora do país.Aquilo não era só “exilar” Durval num projeto internacional. Era um recado escancarado para todas as famílias que mantinham relações com os Frota: Durval tinha cometido um erro grave, e a cadeira de comando da família não teria mais nada a ver com ele.No futuro, mesmo que Durval voltasse, sempre que tentasse usar o sobrenome Frota pra pedir algum favor, todo mundo iria pensar
A notícia de que Durval tinha sido mandado às pressas pela família Frota para o projeto em Singapura chegou aos ouvidos de Gustavo só no dia seguinte.E quem espalhou a novidade foi justamente o filho legítimo de Durval.Gustavo estranhou:— E esse projeto termina quando?— Daqui a dois anos. — Cauã respondeu pelo celular com a maior tranquilidade, sem demonstrar um pingo de apego pelo pai; pelo contrário, parecia até se divertir com o drama. — Fiquei sabendo que, menos de uma hora depois que o meu avô voltou ontem pro Residências Brisa Serena, o meu pai já tava sentado no jatinho particular.Gustavo comentou, em tom irônico:— O Sr. Callum realmente levou a sério essa história de colocar a justiça acima da família.— Que justiça o quê. — Cauã cortou na hora. — Ele fez isso foi por causa da neta dele.— Ontem, assim que o meu avô voltou, o Edson falou um monte pra ele. Não sei exatamente o quê, mas deixou o velho tão nervoso que ele foi parar no hospital. Minha avó contou que ele chego
Ao ouvir aquilo, Vinicius pegou o celular da mão dela, deu uma olhada rápida na tela e, em seguida, largou o aparelho com impaciência em cima da mesinha de centro. Nos olhos dele, sempre carregados de malícia, surgiu um brilho gelado, cortante.— Me diz uma coisa: a idiota é você, é a Gabriela, ou sou eu? — Vinicius a olhou de cima, com arrogância. — Mesmo que a Luiza queira ir, você acha que o Gustavo e o pessoal da família Frota são imbecis? Vão deixar ela sair sozinha pra esse encontro?Vinicius estava a par da visita de Luiza ao Residências Brisa Serena naquele dia. Ele só não tinha conseguido chegar perto porque Gustavo não tinha dado brecha nenhuma.E ficava claro que, por um bom tempo, ele continuaria em alerta máximo. Do jeito que as coisas estavam, o plano de Amanda e Gabriela não ia funcionar em absolutamente nada.O coração de Amanda apertou:— Então o que é que eu posso fazer?Ela não tinha como se infiltrar pessoalmente no Solar do Lago, dopar a Luiza e arrastá-la pra fora
Ele tinha se levantado da escrivaninha e caminhado até a cama; Luiza tinha ouvido cada passo.Dessa vez, ela nem tentou fingir que estava dormindo. Ela abriu os olhos e encarou Gustavo:— Como é que você consegue perceber absolutamente tudo?Gustavo não respondeu de imediato. Ele passou uma mão pela nuca dela, apoiando com cuidado, enquanto com a outra ajeitou o travesseiro, levantando um pouco a altura. Só quando ela já estava semi-reclinada, encostada no estrado da cama com a ajuda dele, é que ele beliscou de leve a bochecha dela:— Tudo o que tem a ver com você não escapa do meu radar.Ao ouvir aquilo, Luiza não conteve o riso.Em outros tempos, ela jamais teria imaginado que um dia ouviria esse tipo de frase justamente da boca dele.Cada palavra ainda soava desajeitada, dura, mas, estranhamente, ultimamente ele parecia ter nascido pra dizer esse tipo de coisa.Ela ergueu a mão e envolveu os dedos nos dele, quentes e secos, e murmurou, com os lábios comprimidos:— No caminho de volt
A foto mostrava uma menininha de um, dois anos, abraçada a um bichinho de pelúcia, sorrindo tanto que a boca parecia quase alcançar as orelhas. Era um sorriso aberto, cheio de luz, daqueles que iluminavam o rosto inteiro.Aquilo não combinava em nada com a Luiza dos últimos anos, sempre tão contida e cuidadosa em cada passo. Mesmo assim, quase por reflexo, ela se reconheceu na mesma hora.Aquela menininha era ela. Era a Luiza de antes de ser adotada pelos pais que a criaram.Um arrepio gelado percorreu a espinha dela.[O que é que você sabe, afinal?]A própria Luiza ainda mal entendia a própria origem. E, de repente, Gabriela parecia falar como se tivesse um mapa completo da vida dela nas mãos.Ao lado, pelo ângulo em que ele estava, Cauã não conseguia ver a tela do celular, mas ele percebeu nitidamente a mudança no jeito dela.Dessa vez, porém, ele preferiu não perguntar nada.O carro seguiu em velocidade constante até o Solar do Lago. Quando o veículo parou e estabilizou, alguém abri
Esse Natal foi, para Luiza, o mais tranquilo dos últimos anos. Passar pelas festividades sem nenhum arranhão era algo raro, mas desta vez, ela conseguiu. Nos dois ou três dias seguintes, o apartamento em frente permaneceu em completo silêncio. Luiza e Lilian ficaram em casa, cada uma ocupada com
Cidade A estava bastante tranquila naquela noite. Havia muitos visitantes de fora na cidade, mas, com o Natal, quase todos tinham voltado para suas casas. As ruas estavam vazias, com pouquíssimos carros circulando. No entanto, o caminho parecia estar errado. Estavam indo na direção da Vila das Acá
Nos últimos dois dias, Luiza ligava todas as manhãs para Miguel para perguntar sobre Noemi. A recuperação dela estava indo bem, e o susto parecia ter passado. Assim que Luiza fechou a porta da geladeira, ouviu a campainha tocar novamente. Ela imaginou que Manuela tivesse esquecido alguma coisa e
Luiza não sabia por que, mas sentiu os olhos arderem de repente. Ela pulou da mesa de jantar e saiu sem olhar para trás. Gustavo, observando a pressa com que ela foi embora, sentiu uma irritação crescente no peito. Quando a porta bateu com força, ele levantou a perna longa e chutou uma das cadeira







