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9. Lição nº 3

作者: B.A. Bouvier
last update 公開日: 2026-06-20 04:36:56

O corredor estava silencioso, mas a mente de Aubrey ecoava com as ordens grosseiras do pai. Um neto. O processo iniciado. Ele não sentia desejo no sentido tradicional. O que ele sentia era a pressão fria do dever e a necessidade sombria de afirmar seu domínio sobre a criatura que o esperava escada acima.

​Ele abriu a porta do quarto principal. A luz estava apagada, exceto por um abajur fraco no canto.

​Eloise estava na cama, como ele ordenara. Ela estava deitada de lado, de costas para a porta,
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  • Gaiola de Vidro    9. Lição nº 3

    O corredor estava silencioso, mas a mente de Aubrey ecoava com as ordens grosseiras do pai. Um neto. O processo iniciado. Ele não sentia desejo no sentido tradicional. O que ele sentia era a pressão fria do dever e a necessidade sombria de afirmar seu domínio sobre a criatura que o esperava escada acima.​Ele abriu a porta do quarto principal. A luz estava apagada, exceto por um abajur fraco no canto.​Eloise estava na cama, como ele ordenara. Ela estava deitada de lado, de costas para a porta, coberta até o queixo pelo edredom grosso. Uma pequena protuberância trêmula sob a seda cara.​Aubrey trancou a porta. O som metálico fez a figura na cama congelar.​Ele começou a se despir enquanto caminhava em direção a ela, descartando o paletó do smoking, soltando a gravata borboleta que o sufocara durante horas de polidez fingida. Ele removeu as abotoaduras de ônix, jogando-as na mesa de cabeceira com um estalo alto.​— Sente-se — ele ordenou, a voz rouca pelo uísque e pela intenção.​Elois

  • Gaiola de Vidro    8. Escravizada

    A noite no chão não foi um período de descanso; foi uma vigília de dor.​Eloise permaneceu onde Aubrey a deixara, encolhida no carpete felpudo entre a cama e a porta do banheiro. O ar condicionado, programado para o conforto de um homem coberto por edredons de pluma, era implacável com a pele quase nua dela. O frio infiltrava-se em seus ossos, fazendo seus dentes baterem em um ritmo staccato que ela tentava desesperadamente abafar, mordendo o próprio braço.​Ela não ousou se mover para pegar um cobertor ou mesmo uma toalha. A ordem fora clara: dormir no chão. Qualquer tentativa de buscar conforto seria uma desobediência.​Acima dela, na imensidão da cama king size, ela ouvia a respiração profunda e regular de Aubrey. O som era uma tortura psicológica. Ele dormia o sono dos justos, tranquilo e intocado pela violência que acabara de perpetrar, enquanto ela jazia a poucos metros, marcada, dolorida e usando a coleira de veludo que parecia ficar mais apertada a cada hora que

  • Gaiola de Vidro    7. Presenteada

    Trinta minutos depois, Eloise estava sentada no terraço de pedra nos fundos da casa. Ela havia lavado o rosto com água gelada até a pele ficar dormente, tentando apagar os vestígios do choro e do sono no chão. Prendera o cabelo de qualquer jeito e continuava com o mesmo vestido de linho amassado.​O almoço foi servido por um empregado jovem que não fez contato visual. Uma salada elaborada e um peixe grelhado que cheirava divinamente, mas que na boca de Eloise tinha gosto de papelão. Ela comeu mecanicamente, forçando cada garfada goela abaixo sob o olhar vigilante da Sra. Valerius, que permanecia parada na porta de vidro como uma gárgula de uniforme cinza.​O ar fresco do jardim, que mais cedo parecera uma promessa de liberdade, agora só ressaltava o isolamento. As câmeras de segurança nos postes giravam lentamente, zumbindo como insetos mecânicos, lembrando-a de que cada movimento seu, cada garfada, estava sendo gravado.​Ela mal havia terminado a refeição quando o som d

  • Gaiola de Vidro    6. Humilhada

    ​A ordem de Aubrey pairava no ar como uma névoa tóxica: Lave-se. E depois vá para a cama.​Eloise moveu-se como um autômato, a conexão entre sua mente e seu corpo fraturada. Ela caminhou até o banheiro, as pernas parecendo feitas de chumbo, e fechou a porta. Não havia tranca, é claro. A privacidade era um luxo que ela não podia mais pagar.​Debaixo do chuveiro, ela aumentou a temperatura da água até ficar quase insuportável. A pele ficou vermelha sob o jato escaldante, mas o calor não conseguia penetrar o frio que se instalara em seus ossos. Ela esfregou o corpo com a esponja vegetal com uma violência desesperada, focando especialmente na área entre as coxas, onde a umidade vergonhosa que ele havia provocado ainda parecia queimar.​Ela queria arrancar a própria pele. Queria apagar o fato de que seu corpo havia traído seu ódio e respondido ao toque de um monstro. Ela soluçou sem lágrimas, um som seco e oco, enquanto a água escorria pelo ralo, levando o sabão, mas não a ma

  • Gaiola de Vidro    5. Treinamento

    ​O refúgio do quarto principal parecia agora uma cela de isolamento de luxo. Depois de constatar a impossibilidade da fuga, Eloise subiu as escadas correndo, como se o próprio diabo estivesse em seus calcanhares, e trancou a porta atrás de si. Um gesto inútil, ela sabia. Aubrey tinha a chave mestra.​Ela se encostou na porta de madeira maciça, o peito arfando, o coração batendo dolorosamente contra as costelas. Eram apenas dez horas da manhã. Faltavam nove horas para as sete da noite. Nove horas para o início do seu "treinamento".​O tempo, que na noite anterior havia se dissolvido em borrões de pânico e dor, agora se arrastava com uma lentidão sádica.​Eloise tentou se deitar. A cama king size estava impecavelmente feita, os lençóis de algodão egípcio esticados sem uma única ruga. Era como se a violência da noite anterior nunca tivesse acontecido. A limpeza era mais uma forma de gaslighting, uma tentativa de apagar a realidade do que ela sofrera.​Ao encostar a cabeça no travesseiro,

  • Gaiola de Vidro    4. Desprezada

    ​A descida para o andar térreo foi uma Via-Crúcis silenciosa. Aubrey caminhava um passo atrás dela, uma sombra sólida e quente cuja presença física parecia empurrá-la escada abaixo.​Eloise movia-se rigidamente. O vestido de linho creme que ele escolhera era leve, mas parecia pesar uma tonelada sobre sua pele sensível. Cada degrau de mármore enviava um choque de dor maçante através de seus quadris e coxas, uma lembrança latejante da violência da noite anterior e do confronto recente na porta do quarto. Ela se segurava no corrimão de ferro forjado, os nós dos dedos brancos, tentando disfarçar o leve mancar.​Aubrey não ofereceu ajuda. Ele apenas observava, o ritmo de seus passos de couro perfeitamente regular, como um metrônomo marcando o tempo da sentença dela.​Eles atravessaram o saguão cavernoso e entraram na sala de jantar.​O espaço era tão intimidante quanto o resto da casa. Uma mesa longa de madeira escura e polida, capaz de acomodar vinte pessoas, dominava o

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