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Grávida, Eu Fugi Dele
Grávida, Eu Fugi Dele
Author: Árvore Florida

CAPÍTULO 1

Author: Árvore Florida
''Ponto de vista de Eloise''

Antes de sair, Vincent Hartwell fez questão de repetir suas instruções mais uma vez:

— Madison prefere comidas de sabor suave. Lembre-se de preparar tudo de acordo com o gosto dela.

— E, quando entrar no quarto, faça silêncio. Ela gosta de tranquilidade e não suporta ser incomodada.

Fazia muito tempo que eu não ouvia Vincent dizer tantas palavras de uma só vez.

Desde que Madison Laurent havia aparecido em nossas vidas, nossas conversas raramente passavam de cinco palavras.

Ouvi tudo sem demonstrar qualquer reação, enquanto o pouco brilho que ainda restava em meus olhos desaparecia.

Vincent jogou despreocupadamente sobre o sofá uma bolsa de edição limitada mundial.

— Madison tem um bom coração e não guarda rancor, mas você precisa se desculpar com ela direito. Considere isso uma compensação.

Fiquei olhando para a bolsa por um longo tempo antes de falar, sem qualquer emoção na voz:

— Vincent, minha mãe morreu. E foi por nossa causa. Ela ficou tão abalada que não resistiu.

A mão dele parou por um instante enquanto afrouxava a gravata.

Então soltou uma risada baixa.

— Eloise, você anda falando cada vez mais absurdos. Ela veio visitar você três dias atrás e parecia perfeitamente saudável, não parecia?

Antes que eu pudesse responder, ele se virou e caminhou em direção à porta.

Ao passar por mim, porém, parou.

— Não me culpe por ser cruel. Se precisa culpar alguém, culpe esse seu corpo inútil.

Então apertou meu rosto ainda molhado pelas lágrimas entre os dedos e riu, como se estivesse falando de algo sem importância.

— Seja boazinha e obediente. Assim que ela tiver o bebê, tudo o que pertence a você voltará para as suas mãos.

Depois de dizer aquilo, ele foi embora.

No instante em que a porta se fechou, o resultado do exame de gravidez que eu segurava escapou dos meus dedos e caiu no chão.

Só voltei a mim quando ouvi o mordomo bater à porta.

— Senhorita Stern, o carro está pronto.

Para agradar Madison, Vincent havia ordenado que todos os empregados a chamassem de senhora Hartwell.

Enquanto isso, eu, que um dia o havia beijado sob o arco da igreja, havia sido reduzida a "senhorita Stern".

Ignorei o mordomo e comecei a guardar os pertences da minha mãe.

Não demorou muito para a porta ser aberta à força.

Vários seguranças entraram e praticamente me arrastaram até o carro.

Quando fui empurrada para fora do veículo diante da mansão, Madison precisou apenas olhar para o meu estado desarrumado para soltar uma risada debochada.

Ela jogou um cardápio na minha direção.

— Quero comer tudo isso esta noite. Entregue no meu quarto dentro de uma hora.

Fiquei encarando o cardápio caído no chão por um longo tempo.

Depois, abaixei-me, peguei-o e caminhei em direção à cozinha.

Madison ficou imóvel.

Claramente não esperava aquela reação.

Afinal, no dia anterior, eu havia lhe dado um tapa no rosto em um acesso de raiva.

O que ela não sabia era que eu havia desistido completamente de Vincent no instante em que o coração da minha mãe parou de bater.

Ele havia tirado de mim a última pessoa que eu amava.

Tudo o que eu queria era suportar aqueles últimos três dias.

Depois disso, desapareceria para sempre da vida dele.

Preparei os pratos exatamente de acordo com o cardápio.

Mas Madison mal havia dado algumas garfadas quando segurou o estômago e começou a vomitar violentamente.

Menos de dez minutos depois, Vincent voltou correndo para casa.

Ele me empurrou para o lado sem qualquer cuidado, pegou Madison nos braços e saiu às pressas.

Do lado de fora da sala de atendimento, o médico informou que Madison tinha alergia a frutos do mar e estava recebendo tratamento de emergência.

No entanto, o cardápio que ela mesma havia me entregado incluía claramente vários pratos com frutos do mar.

Vincent se virou bruscamente para mim.

— Eu não disse que ela não pode comer frutos do mar? Se alguma coisa acontecer com o meu filho, eu nunca vou perdoar você!

Com um gesto, chamou o mordomo, Jason Smith.

— Jogue essa mulher no jardim e não deixe que ela saia de lá sem a minha permissão!

Instintivamente, protegi meu ventre com as mãos.

Eu tinha uma alergia grave a pólen.

Quando Vincent começou a me cortejar, mandou entregar um caminhão inteiro de rosas para mim.

Eu desmaiei na mesma hora.

Naquela época, ele ficou tão arrependido que socou a parede até os nós dos dedos sangrarem.

Desde aquele dia, nenhuma flor voltou a entrar em qualquer cômodo da casa.

Todas ficavam restritas ao jardim.

Mas agora...

Naquele momento, de repente perdi até mesmo a vontade de explicar.

Disse apenas em voz baixa:

— Vincent, eu estou grávida. Se fizer isso, o bebê vai morrer.

Vincent abriu um sorriso carregado de deboche.

— Eloise, todos nós sabemos da sua condição. Se continuar com essa história de que está grávida, pode esquecer a ideia de sair de lá pelo resto da vida.

Assim que terminou de falar, os seguranças avançaram em minha direção.

Mas levantei a mão para impedi-los.

Não era necessário.

Eu mesma os acompanhei.

Ao ver a expressão em meus olhos enquanto eu me afastava, o corpo de Vincent enrijeceu.

Instintivamente, ele deu um passo em minha direção.

Mas, naquele exato momento, o médico abriu a porta.

Vincent imediatamente se virou.

A tensão em seu rosto só desapareceu quando ouviu que o bebê de Madison estava bem.

Enquanto ele permanecia no quarto do hospital consolando Madison, eu desabava sobre o gramado do jardim.

Meu corpo se contorcia enquanto um suor frio escorria pela minha pele.

Uma dor lancinante atravessou meu ventre.

Minha visão começou a ficar cada vez mais turva.

As rosas floresciam intensamente ao meu redor.

Aquelas mesmas flores que um dia haviam simbolizado o nosso amor agora testemunhavam a morte dele.

Não sei quanto tempo se passou até que o portão se abrisse lentamente.

Então, o homem que eu havia amado durante tantos anos correu desesperadamente em minha direção.

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