ログインMIA O tablet continuava aberto sobre a mesa quando voltei para a sala. Emma já dormia no quarto, e Adrian tinha guardado as mamadeiras antes de sentar no sofá. Os perfis das cuidadoras permaneciam na tela, acompanhados por horários, disponibilidade para viagens e referências profissionais. Tudo estava organizado com a precisão que eu esperava dele. E foi justamente aquilo que me irritou. — Claire pode continuar como principal referência em Albuquerque, e a segunda profissional entra quando nossas agendas coincidirem. Em Manhattan, conseguimos manter alguém fixo também. — Adrian apontou para o tablet e me observou com cautela. — Se você viajar, qualquer uma delas pode acompanhar Emma. Também existe cobertura noturna. Sentei diante dele e passei os olhos pelas informações. As profissionais pareciam ótimas, a estrutura fazia sentido e eu sabia que ele estava tentando corrigir o que tinha visto no meu calendário. — Não é uma babá que vai me devolver o que eu deixei cair. Outra pessoa
ADRIAN O avião pousou em Albuquerque pouco depois das seis da tarde, e eu cheguei ao apartamento quando Claire ainda terminava de organizar as coisas de Emma. Minha filha estava no chão com alguns brinquedos e abriu um sorriso quando ouviu minha voz. Mia apareceu no corredor alguns segundos depois, veio até mim e me beijou como sempre fazia. Nada em sua atitude era frio, embora existisse uma distância difícil de definir. Passei a primeira hora com Emma. Dei a refeição, fiquei com ela durante o banho e ouvi Mia contar sobre o trabalho enquanto organizava algumas coisas na cozinha. A conversa fluía normalmente, só que ela não mencionou a proposta de Marcus até que eu perguntei. — Você respondeu sobre o ciclo no Oeste? Quando falamos ontem, ainda estava pensando. — Coloquei Emma no tapete e sentei perto dela enquanto Mia terminava de guardar uma mamadeira. — Ainda não. Pedi até amanhã para confirmar. — Ela fechou o armário e apoiou as mãos na bancada por alguns segundos. — Eu quero f
MIA O apartamento ficou mais organizado durante os dias em que Adrian esteve em Londres. Claire chegava às oito, Emma já tinha retomado o sono regular e meu trabalho avançava sem interrupções maiores. Eu fazia reuniões pela manhã, passava parte da tarde no escritório da Meridian e voltava cedo o bastante para jantar em casa. Nada naquela semana indicava que existia um problema concreto entre carreira, rotina e a menina. Na quarta-feira, terminei uma reunião antes do previsto e abri o calendário para verificar as datas que Marcus enviaria para o trimestre seguinte. A semana de Adrian em Londres aparecia marcada em outra cor no calendário compartilhado. Meu próprio espaço estava quase vazio. Eu já tinha decidido ficar em Albuquerque durante aqueles dias, e a escolha ainda me parecia correta. Mesmo assim, fiquei olhando para os meses anteriores. Voltei até Denver. A viagem aparecia cancelada. Seattle estava marcada como participação remota. A apresentação para o conselho também. Salt
ADRIAN O telefone continuou na minha mão quando Mia fez a pergunta. Emma batia a colher contra o cadeirão, completamente alheia à mudança na conversa, e durante alguns segundos eu procurei algum compromisso que tivesse esquecido. A semana de Londres estava livre no calendário de Mia. Eu conferira antes de confirmar meus voos e, na minha cabeça, aquilo encerrava a parte prática do assunto. — Eu achei que você estaria aqui. Sua agenda está livre naquela semana e Claire continua trabalhando normalmente. — Abri o calendário compartilhado e rolei até as datas, ainda tentando entender onde estava o problema. — Você recebeu alguma viagem depois que eu confirmei Londres? Mia soltou o garfo e recostou na cadeira. — Exatamente. Você achou que eu estaria aqui. — Ela falou sem elevar a voz e manteve os olhos em mim. — Você decidiu que vai para Londres e nem perguntou se eu estaria disponível. A frase me fez fechar o calendário. — Eu olhei sua agenda antes. Não tinha nada marcado. — Coloque
MIAO avião pousou em Albuquerque no meio da tarde, e eu saí do desembarque com uma disposição que duas noites de hotel normalmente não produziam. Estava cansada, tinha passado a manhã inteira fechando ajustes em Chicago e ainda carregava no notebook trabalho suficiente para ocupar algumas horas no dia seguinte. Mesmo assim, senti uma satisfação que vinha da sensação de ter voltado a ocupar uma parte da minha vida que começava a sentir distante. Adrian me esperava perto da saída com Emma no colo. Claire poderia ter ficado com ela no apartamento, mas ele decidiu levá-la, e a menina começou a se agitar assim que me viu. Acelerei os passos sem pensar e recebi Emma quando ela estendeu os braços. — Eu também senti sua falta. Muita falta. — Beijei seu rosto várias vezes enquanto ela segurava meu cabelo e fazia pequenos sons perto da minha boca. — Você cresceu nesses dois dias ou eu estou exagerando? — Está exagerando. Ela só percebeu que essa reação garante atenção imediata. — Adrian peg
ADRIAN O despertador tocou às cinco e quarenta, cerca de vinte minutos antes do horário em que Emma costumava acordar. Desliguei antes do segundo toque e fiquei alguns segundos olhando para o teto, tentando calcular quanto tinha dormido desde a última mamadeira. Mia estava em Chicago, Claire chegaria às oito e minha primeira reunião começaria meia hora depois. Eu tinha decidido manter o dia inteiro no apartamento para evitar deslocamentos desnecessários, então bastava fazer a manhã funcionar até a cuidadora chegar. Emma começou a reclamar antes das seis. Quando entrei no quarto, estava acordada e movimentava as pernas sob o lençol. Peguei minha filha, troquei a fralda e levei para a cozinha enquanto preparava a fórmula. Já conhecia a quantidade, a temperatura que aceitava melhor e o tempo que precisava permanecer ereta depois de comer. Não consultei aplicativo, mensagem ou lista. — Bom dia. Sua mãe postiça está em Chicago trabalhando e você decidiu acordar cedo comigo. Isso parece







