LOGINApós o Natal, a curta semana antes do Ano Novo foi calma, Henrique se sentia bem melhor e com a medicação mais espaçada. Teve procura em seu consultório para as primeiras consultas, isso manteve sua mente ocupada, o que também ajudou a melhorar o humor.
A quarta feira estava branca. Havia caído neve na noite anterior. Veículos da prefeitura circulavam a cidade para retirar as neves das pistas, proprietários do comércio removiam a grossa camada de neve e espalhavam sal grosso na calçada.
Estava trancando o consultório, na antevéspera do ano novo quando seu celular tocou. Retornou para a sala de espera para atender a chamada e sentou-se na poltrona mais próxima.
- Boa tarde, Dra. Edwards.
[Boa tarde, Sr. Fuller. Como está se sentindo?]
- Ainda sinto um pouco de enjoo, sono e cansaço. Mas tudo bem fraco. Acrescentei à medicação uma fórmula floral para estresse e uma fórmula floral de emergência.
[Ótima ideia e é um bom sinal essa recuperação, mesmo que lenta. Recebi os resultados e posso te adiantar que não há nada de anormal com você. Tudo dentro do normal. Não precisa se preocupar.]
- Mas então o que pode estar acontecendo?
[Com tudo isso em mente, mantenho minhas primeiras suspeitas, Sr. Fuller. Acho que ainda está sofrendo alguns efeitos do estresse, pode ser que os sintomas deem uma aliviada após esse período de festas e a vida entrando na normalidade. Não teve nenhum outro sintoma nesses dias?]
- Tiveram dois dias que quase tive febre, foi bem leve, nada demais. Tomei antitérmico e melhorei no mesmo dia.
[Agiu corretamente, caso aconteça novamente ou surja um novo sintoma me comunique imediatamente, ok?]
- Com certeza.
Voltou para casa e foi recepcionado calorosamente por Maximus com muitos beijos assim que cruzou a porta. Sentiu-se leve e retribuiu o carinho com um abraço apertado, gostoso.
- Eu estava confiante que não seria nada demais. – beijou o marido várias vezes assim que cruzou a porta de casa e contou o que a médica havia dito para ele.
- Eu não estava tão confiante assim. Quase duas semanas assim, ninguém merece.
- Vai passar... na verdade já está passando, certo?
- Espero que sim.
- Vai sim, e de qualquer forma eu estou aqui para cuidar de você. – Mack pegou um envelope no criado mudo e entregou para Henry. – Fomos convidados para nosso primeiro réveillon.
- Aposto que é na casa dos Miller.
- BINGO! Philip, o marido e os pais dele também estarão lá.
- Se você pudesse ver como está a sua cara, parece até aquelas tietes de boy band.
- Você vai ter que me controlar.
- Eu?! De jeito nenhum, ainda vou filmar e colocar no I***a.
- Não faria isso comigo?
- Então não me tente, Sr. Fuller.
Mack começou a fazer cócegas em Henry e os dois acabaram na cama em um final de tarde e noite de sexo quente.
Chegaram na casa dos Miller por volta das 10 horas da noite. Foram recebidos por Harry.
- Sejam muito bem vindos! – abraçou Mack e Henry ao mesmo tempo. – E, por favor Maximus, pode tietar à vontade.
- Você?! – olhou com indignação para o marido que deu um risinho. – a gente conversa quando voltarmos.
- Eita, alguém está com problemas. Venham, fiquem à vontade. – Virou-se para os outros que estavam na sala. – Pessoal! Esses são Maximus e Henrique, os dois moram na casa em frente.
Philip estava sentado na poltrona do pai, com Nicholas no seu colo. Ambos foram receber os convidados.
- Prazer em conhecê-los. – Mack estendeu a mão para um aperto, mas Philip a ignorou e o abraçou calorosamente. – Soube que você torce para que eu vá para 49ers.
- Seria muito bom se isso acontecesse, não que o nosso QB seja ruim, mas com você seríamos invencíveis. – Philip não conseguir lidar bem com elogios e ficou vermelho feito um tomate.
- Para com isso, Phil. Até parece que você já não tenha recebido esse tipo de elogio por cada torcedor de outros times. Prazer, eu sou Nicholas. – cumprimentou os dois recém chegados.
Nick estava com o cabelo ainda mais comprido que da última vez que esteve na casa dos pais. E Phil mais forte, os treinos no centro de treinamento do time eram ainda mais rigorosos e puxados que na época que treinava com Serge.
- Meu pai estava me contando que vocês acabaram de se casar.
- Isso. – Henry deu um gole na bebida que tinha acabado de receber dos anfitriões. – Depois de quinze anos juntos finalmente nos casamos.
- UAU! Espero que não demore tanto para nós, né Super? – Nicholas alfinetou Philip.
- Acho que os casais hoje estão dando bola fora, cuidado Harry. – Brincou Maximus.
- Por que demoraram quinze anos para tomar a decisão de se casarem em definitivo? Se eu estiver invadindo a privacidade de...
- Nada, imagina. No brasil o processo foi um pouco mais demorado que aqui. – Henrique começou a explicar. – mesmo depois que o casamento foi aprovado para casais do mesmo sexo, a gente...
- Espera, amor... – Mack o interrompeu. – na verdade, nesse caso a culpa foi quase que exclusivamente minha.
- Quase?! – Maximus deu uma cutucada na costela de Henry. – Tá! Tá... não vou te interromper mais.
- Ótimo. – os outros riram. – Então... confesso que até tomar a decisão de tornar oficial para o governo eu achava que não precisava da validação de ninguém para que meu amor por esse ser humaninho lindo fosse real e aceito, até que passamos por uma situação bem embaraçosa no hospital em uma das viagens.
- Eu tive intoxicação alimentar que disparou também um processo alérgico, fiquei internado uns cinco dias no hospital e ele não pôde ficar comigo por não ser parente ou cônjuge.
- Quase fui parar na cadeia por isso. Depois disso fiquei apavorado, o choque da realidade e o pânico me fizeram enxergar que o casamento era muito mais que um papel.
- Que romântico, não? – Henrique provocou novamente.
- De qualquer forma, para trazer o romantismo para essa decisão, afinal de contas, já que teríamos que passar pela formalidade, por que não fazer o processo todo? Combinei tudo com meus pais e meus sogros. Estávamos com uma viagem de férias marcadas e mudei o último trecho da viagem para Veneza.
Maximus contou todos os passos até o pedido de casamento.
- Ohh! Que lindo! – as mães falaram em coro.
- Agora sim isso foi romântico. – Henrique beijou Mack na bochecha.
- É... e o fracote aqui, apesar dessa pose toda de calmo e plácido, está sofrendo até agora as consequências de termos duas mãe-zillas organizando cada segundo e cada passo desde o casamento no cartório até o final da lua-de-mel.
- Pois é... segundo a médica, estou passando por uma fase de estresse por conta de tudo isso. MAS... não posso culpar só nossas mães por isso, uma mente criativa como a minha e a desse rapaz aqui transformou um evento de, no máximo, 100 pessoas em um casamento megalomaníaco com mais de 300 convidados, onde fizemos uma cerimônia civil, vestidos com roupas indianas e rituais celtas.
- Calma aí! Vocês vão ter que explicar isso melhor. – Nicholas se mostrou interessado e Phil só levou as mãos ao rosto.
Contaram o cerimonial com detalhes, mostrando os video-trailers do evento, que mais pareciam clipes musicais de celebridades do mundo pop, e prometendo mostrar as fotos assim que as recebesse.
- Agora vocês vão ter que mostrar esse flashmob. Não é possível que tenham esquecido os passos, nem tentem. – os recém casados se entreolharam e, com a ajuda dos anfitriões prepararam o espaço.
Maximus e Henrique colocaram a música escolhida retirada de um filme de Bollywood e começaram a dançar a coreografia que misturava os passos do filme e de um coreógrafo brasileiro. Depois disso Nicholas fez Henrique ensinar todos os passos.
Quando Claire, a irmão de Philip chegou com o namorado, foram todos apresentados e Henrique a abraçou. O cheiro de seu perfume, embora fosse um dos que ele estivesse acostumado, sentiu como se estivesse extremamente forte, seu estômago se embrulhou e ele saiu correndo para o banheiro.
Botou pra fora tudo o que tinha bebido e comido durante a festa. Bárbara, a mãe de Phil, o acompanhou até o banheiro e Mack chegou em seguida.
- O que houve? Está sentindo mais alguma coisa? – Barbara perguntou.
- Acho que o cheiro do perfume de Claire me deixou enjoado. Muito forte. Dor de cabeça, tontura...
- Gabe... o perfume dela estava muito sutil. – Mack ficou preocupado. Barbara deu um risinho em meio a situação. – E é o mesmo que sua mãe costuma usar.
- Se fosse mulher eu diria que você está tendo sintomas de gravidez. – Henrique riu se recuperando.
- Isso sim ia ser bizarro.
- Vou pegar um remedinho para você.
- Não precisa, já estou melhor.
- Tem certeza?
- Tenho sim. Obrigado, Barb.
Voltaram para a festa e, embora o cheiro ainda incomodasse, Henrique fez um esforço para não parecer que estivesse sentindo nojo da irmã de Philip. Afinal, eles já se conheciam por causa da loja no centro da cidade e conversavam muito durante as constantes visitas.
A semana seguinte foi turbulenta para o casal, preparativos da casa para receber os pais de Henrique, ao mesmo tempo que já tinham alguns clientes/pacientes para atender, Maximus se ambientando na filial da empresa onde trabalhava.
Parecia estar se recuperando bem novamente. Sentiu-se culpado pelo ocorrido na festa de fim de ano na casa dos Miller, e se impôs a obrigação de ir até a Le Bonbon de Rêve (do francês: os doces dos sonhos) – a pâtisserie da Claire quase todos os dias da semana. Embora não precisasse dessa desculpa para ir até lá. Estava viciado nos doces que ela fazia, tanto que já tinha experimentado praticamente todo o menu.
Helena e Gustavo chegaram na sexta-feira, como Henrique ainda estaria em seu consultório no horário, seu marido teve que ir até Chicago para buscá-los.
- Estou realmente preocupado com Gabe, Gus.
- Ele ainda está tendo os mesmos sintomas?
- Essa noite começou a sentir cólicas, não dormiu direito por causa disso. Tem reclamado mais de estar se sentindo inchado. E acho que isso tudo já está começando a afetar seu humor. Estou começando a identificar que quando ele sente algo, o humor muda drasticamente. Muito embora tenha vezes que ele diz que não tem nada de errado. Será que é ainda estresse?
- Henrique está tendo acompanhamento psicológico?
- Kaito está de olho nele e sempre conversando e aconselhando, mas até ele está preocupado, acha que pode ter algo além de algum distúrbio psicológico e que talvez seja ansiedade ou depressão, ou tudo isso junto.
- Por que algo me diz que meu filho está se recusando a ver um psicólogo?
- Pergunta retórica? – Maximus retrucou.
- Teimoso feito eu. – Gustavo sorriu sem jeito e Helena gargalhou.
- Nossa vizinha chegou até a brincar dizendo que se ele não fosse homem, que provavelmente diria que ele está grávido.
- Os sintomas, sem sombra de dúvida, batem. – brincou a mãe. – Eu adoraria ser avó.
- Nem brinca com isso, imagina se isso fosse possível. Eu enlouqueceria com ele.
- Maximus, por favor, seria muito mais fácil Henrique enlouquecer se fosse o contrário, diferentemente dele, você é muito mais intenso com seus sentimentos.
- Exatamente por isso! Não estou acostumado com ele hormonalmente desregulado. – os três riram de chorar no carro com as possibilidades. – Ele já está acostumado com a minha intensidade, um pouco mais não faria grande diferença para ele.
- Faz sentido.
Já tinha escurecido quando chegaram em casa. Henrique havia preparado um jantar de boas-vindas para os pais e encomendado algumas guloseimas de Claire. Quando os pais cruzaram a porta ele avançou como uma criança pequena na direção deles, os abraçou com força e começou a chorar.
- Henry, que isso, filho? Nem tem tanto tempo assim que não nos vemos. – o pai observou retribuindo com um abraço forte. Quando seus rostos se tocaram, Gustavo sentiu a temperatura um pouco elevada de Henrique. Não chegava a ser febre era sua primeira impressão.
- Eu sei. Mas estou com tanta saudade de vocês! A impressão que tenho é que não nos vemos há séculos. – falou entre soluços. Helena inspirou profundamente sentindo o cheiro de uma das coisas que Henrique cozinhava que mais gostava.
- Não me diga que você fez pão rústico? – Henrique sorriu.
- Fiz com algumas adições que vocês vão amar. Vamos comer?
- Eu não sei vocês, mas eu estou faminto. Estou sem comer nada desde a hora que saí do trabalho. – Mack se aproximou do marido e o beijou apaixonadamente. – Te amo.
- Também. – Henrique olhou para ele com a mesma devoção e carinho de sempre.
Semanas depois, houve uma noite repleta de calafrios, febre oscilante, enjoos, cólicas. Maximus ligou para a médica e pediu atendimento extraordinário no primeiro horário da manhã seguinte.
- Henrique, vou refazer alguns exames e pedir novos. – ela parecia estar com um semblante bastante intrigado e Gustavo percebeu. Quando a enfermeira veio buscar o paciente para a bateria de exames e Maximus os acompanhou ele finalmente pôde conversar com a colega de profissão.
- Percebi que você está incomodada com alguma coisa. – Os pais de Henrique estenderam sua permanência depois de constantes pedidos do filho. O Dr. Lopes teve que remarcar todas as consultas e cirurgias marcadas para o período, mas estava muito preocupado com o filho.
- Aparentemente ele está bem. Não tem nada de anormal com ele, exceto esses sintomas todos, se a parte fisiológica está bem...
- Só pode ser a parte neurológica se manifestando. Concordo com seu ponto de vista, Dra. Edwards. – completou a fala dela.
- Pode me chamar de Jane. Estou muito intrigada, vou pedir para um dos nossos colegas psiquiatras aqui do hospital para conversar com ele depois dos exames.
- Boa sorte com isso. Ele é muito parecido comigo, não é muito de se abrir com estranhos, nem mesmo com o Dr. Kaneko ele conta muita coisa, e são melhores amigos desde criança.
- Temos que ao menos tentar. Tem alguma coisa por trás dessa aparente calma.
- Tem mais uma coisa, não tem?
- Pedi um exame não muito comum para, digamos... pessoas do sexo masculino. Ele não viu e solicitei à enfermeira e ao pessoal do laboratório urgência e que não comentassem com ele sobre o exame solicitado para não o alarmar.
A Dra. Jane explicou sobre suas suspeitas ao pai de Henry, enquanto ele retornava ao consultório algumas horas depois. E ela já tinha recebido os resultados dos exames de sangue.
Sua expressão era indecifrável, devia ser uma excelente jogadora de pôquer.
- Henrique, só preciso fazer mais um exame para confirmar o diagnóstico. Poderia me acompanhar?
Entraram na sala de ultrassonografia, Henrique deitou-se na maca e o técnico começou os procedimentos.
- Esse som parece que tem um alien na minha barriga. – brincou de nervoso.
Dra. Jane solicitou que o técnico passasse o transdutor algumas vezes no mesmo lugar. Ficou pensativa por uns instantes, foi até um ramal telefônico da sala, e chamou outro colega.
- Dr. Bells, poderia vir até a sala de ultrassom, por gentileza. – minutos depois o médico apareceu na sala, um homem alto, forte, ruivo e sorriso fácil.
- Bom dia, Dra. Edwards. Bom dia, Teddy. Bom dia, Sr. Fuller.
- Bom dia, Doutor. – respondeu com a voz tensa.
- Não se preocupe, Sr... – Jane sussurrou no ouvido do médico. - ... Henrique. Vamos ver o que está acontecendo aqui.
Dr. Robert Bells se aproximou do monitor e Teddy, o técnico de ultrassom, entregou o transdutor para o médico que passou, repassou, colocou mais gel, passou novamente pelos mesmos lugares e recostou-se na cadeira com os braços cruzados e levou uma de suas mãos à boca. Seus olhos estavam arregalados.
Embora Henrique não sentia coragem para encarar os profissionais sentiu que havia algo de errado ali.
- Bem... deixa eu dar uma olhada nos outros exames, Dra. Edwards. – Ela projetou os exames no computador próximo e apontou para um deles em especial. – Acho que não temos mais qualquer sombra de dúvida, não é mesmo?
- O q-que está acontecendo comigo? Alguém fala por favor alguma coisa antes que eu tenha um colapso nervoso aqui!
- Doutora, acho melhor chamar os parentes dele.
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é