LOGIN- Não tem como dar uma notícia dessa de forma sutil. – cochichou o médico com a Dra. Jane enquanto Maximus acelerava o passo na direção de Henrique. Ela meneou com a cabeça. – Você ou eu?
- Acho que você é o especialista, então...
Dr. Robert virou o monitor do aparelho para os casais. Gustavo arregalou os olhos tão logo percebeu do que se tratava, mas ficou meio que em estado de choque, não pronunciou uma palavra.
- Estão vendo isso aqui? – o médico circulou com a caneta uma região que tinha um formato de um feijão, era uma imagem muito ampliada, mas o formato era indubitável. Em seu ventre havia um “órgão” que lembrava um útero. Respirou fundo e continuou. – Bem... Henrique e Maximus, este é seu filho, ou filha... você está grávido.
Imediatamente os dois se olharam com a expressão de incredulidade e gargalharam juntos por vários minutos das lágrimas rolarem.
- Doutor... para com essa pegadinha?
- Onde está a câmera? Essa brincadeira já não está mais na moda. – Maximus falou enxugando as próprias lágrimas de tanto que tinha rido.
- Dr. Bells, por favor, não temos mais idade para esse tipo de... – Gustavo colocou as mãos na perna de Henrique e a mãe estava se abanando. Henry olhou para os pais, para os médicos e para o técnico do ultrassom. Todos sérios, espantados, surpresos, maravilhados e tensos, tudo isso ao mesmo tempo. – Isso é... isso é sério?!
- Claro que não, né, meu Gabe... – Henrique olhou para o marido e levou uma de suas mãos suavemente no rosto dele.
- Amor... e-eu... acho que é. – Viraram ao mesmo tempo para o monitor do aparelho.
Ficaram todos em silêncio por um instante.
Henrique sentiu uma mistura de coisas ao mesmo tempo. Bem no fundo ele já tinha uma ideia do que estava acontecendo, até mesmo quando Barbara Miller havia brincado com a situação ele tinha a impressão de que era uma possibilidade, mesmo que “impossível”.
Porém, um sentimento invadiu todo o seu ser, tanto Henrique quanto Maximus: uma felicidade e um amor imenso. Os dois começaram a rir e chorar ao mesmo tempo. Ignoraram completamente o fato de que isso era bizarro demais. Deram as mãos e continuaram observando as imagens gravadas do pequeno ser que estava sendo formado.
- Co-como isso é possível? – finalmente Henrique e seu cérebro lógico começou a dominar. – Eu não sou hermafrodita, pelo menos nunca ficou claro isso!
- Não, não é. – completou seu pai ainda em meio ao choque.
- Olha, nós também não temos explicação para isso, Dr. Lopes. Acreditamos que este caso necessita de mais pesquisa e estudo.
- Não vou ser cobaia de ninguém e exijo sigilo absoluto quanto a isso. – imediatamente Henrique falou.
- Você tem todo o direito, Henrique, mas para poder saber o que está acontecendo precisaríamos...
- Se meu marido disse que não vai ser cobaia, nem experimento, e exige sigilo, eu espero que vocês cumpram, porque se precisar eu vou acionar juridicamente cada um de vocês e o hospital, vou transformar a vida de vocês em um inferno sem fim. – falou em tom ameaçador defendendo Henrique.
- E como vocês pretendem levar essa situação? – perguntaram ao mesmo tempo os três médicos presentes.
- Não sei. – respondeu francamente Henry, olhou novamente para o monitor. – ou melhor, não sabemos. Vamos pensar e assim que tomarmos uma decisão vamos comunicar cada um de vocês.
Apesar de ser extremamente passional, Maximus em situações como essa agia rápido e defendia seu marido com unhas e dentes. Se afastou um pouco e ligou para um advogado conhecido, colega da empresa, sem desviar os olhos do monitor e do marido.
- Bem, só nos resta então... – Jane olhou no fundo dos olhos do grávido. – Parabéns, papais.
Dr. Bells recuperou a ação e retomou o exame, desta vez como se fosse perfeitamente normal, mesmo ainda com semblante que misturava espanto e admiração.
- Papais, vamos lá... essa bolsa preta, em formato de feijão é o saco gestacional, está com tamanho aparentemente normal, daqui a alguns dias, quando completar três meses, vai se transformar na bolsa das águas e é quando a placenta será formada.
Maximus e Henrique olhavam para tudo com uma atenção fora do normal. Apontou para uma estrutura circular perto de uma das “paredes” do saco.
- Isso aqui é a vesícula vitelínica, a precursora da placenta. É por aqui que o pequenino vai receber o oxigênio e todos os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. E bem aqui... essa coisinha aqui, é o nosso tão inesperado, improvável e desafiador, feto. Diga olá para os papais!
Ampliou a imagem para que pudessem ter uma noção do que estava falando. Os olhos de Henrique e de Maximus se encheram d’água. Gustavo e Helena ainda não acreditavam no que viam.
O médico traçou uma reta, medindo o pequeno ser que já apresentava as estruturas básicas que seriam os bracinhos, as perninhas.
- Vamos medir da cabeça ao bumbum... está com 16,9 milímetros. Então isso nos dá uma gravidez que está com um pouco mais de oito semanas, oito semanas e três dias para ser mais preciso. E esse som... – uma barra de espectro sonoro se formou na base do monitor. – é o coraçãozinho dele. Então... está tudo, dentro do que podemos considerar como possível, normal.
Helena não conseguiu mais segurar o choro.
- Mamãe?! – Henrique olhou para a mãe que estava com os olhos cheios d’água. Henry sorriu e falou novamente. – Ou eu deveria dizer, vovó?!
No caminho de volta para casa, Maximus repassou tudo na cabeça, até mesmo quando o advogado chegou com os termos de confidencialidade para os médicos, enfermeiros, técnicos e diretoria do hospital assinarem. Ele sabia que por direito, tudo deveria ser confidencial, mas preferiu não arriscar um vazamento da notícia forçando uma indenização digna de celebridade.
E mesmo com a sua passionalidade, ainda não tinha realmente caído a ficha de que algo realmente extraordinário estava acontecendo com eles.
Ao seu lado, Henrique estava pensativo como seu normal. Relembrou as palavras dos médicos sobre os cuidados que deveria tomar, vitaminas, alimentação, atividades físicas e outras coisas mais. Não conseguia formular nenhuma pergunta, e é óbvio que teria todas as perguntas possíveis para ser feita, até porque ele era um caso totalmente fora da curva: um homem que estava gerando uma vida em seu ventre.
Abriu o envelope com as imagens da ultrassonografia. Não conseguia parar de olhar. Remetia sua lembrança para o dia que viu pela primeira vez o ultrassom da gravidez do que seria seu irmão, caso sua mãe não tivesse tido um aborto espontâneo quando ele tinha dez anos de idade.
O silêncio dentro do carro de Maximus era ensurdecedor. Ninguém tinha coragem de interromper os pensamentos uns dos outros até que ouviram Henrique soluçando.
- Meu Gabe?! – encostou o carro, soltou o cinto de segurança de ambos e o abraçou com ternura. – Quer que eu pegue algo pra você na Claire?
Ele balançou positivamente a cabeça.
- O mesmo de sempre? – novamente o sinal positivo. Ele saiu para buscar o doce predileto de Henrique. Os pais colocaram as mãos uma em cada ombro do filho.
- Estou bem. – respondeu. – só muito emocionado e... assustado.
- Não é pra menos. – falou o pai. – Nem sei o que dizer.
- Acho que ainda não tem muito o que dizer, né? – retrucou. – Fato é que vocês serão, surpreendentemente e contrariando tudo o que a gente acredita, vovô e vovó.
- Você pretende mesmo levar isso adiante? – perguntou Gustavo.
- Papai... não sei explicar, mas eu já sinto uma conexão com esse serzinho que está crescendo aqui, mesmo com a minha lógica batendo de frente com o emocional, mesmo ainda não acreditando no que está acontecendo, mesmo estando com todas as provas aqui na minha mão, ou melhor, mesmo tendo visto com meus próprios olhos tudo que testemunhei... essa ligação entre eu e... nosso filho já é muito forte. Então é óbvio que vou até o fim.
Houve um instante de silêncio.
- Nunca imaginei que... seria avó assim.
- Alguém poderia imaginar, mãe? Nem nos nossos sonhos mais selvagens e absurdos! E como vocês estão se sentindo?
- Atônito. – respondeu de imediato o pai.
- Surpresa.
Maximus retornou entregando a caixa com donuts para Henrique.
- O que eu perdi?
- Vovô e vovó ainda em choque.
- Só eles?
- Vamos logo pra casa, estou doido por um banho, tirar essa geleca da minha barriga e dar um fim a esse cheiro de hospital.
Henrique subiu para o quarto sozinho enquanto seus pais e Maximus se dirigiam para a cozinha.
- Vou preparar nosso almoço enquanto você toma banho. – beijou Henrique e foi acompanhado pela sogra. Gustavo foi para a sala, pegou seu tablet e começou a pesquisar tudo que podia sobre a situação que estavam enfrentando.
Trancou a porta atrás dele, colocou a banheira para encher e se despiu completamente. Parou de frente para o espelho de pé enorme que tinha no quarto e ficou admirando a barriga que dava sutis sinais de inchaço.
- Vou ficar todo deformado, misericórdia. – falou baixinho. Acariciou a barriga, virou de lado e até pegou o celular para fazer algumas selfies. – vou registrar tudo para você ver como você é um milagre.
“Milagre?! Será mesmo? Ou aberração?” – sacudiu a cabeça recriminando o pensamento. – Não! Me recuso a acreditar que você é uma aberração. Você é nosso filho... ou filha...
Notou que seu peitoral estava um pouco dolorido e até um pouco mais desenvolvido. Colocou na conta da academia, mas era uma dor um tanto diferente, não era muscular. Apalpou como se estivesse fazendo autoexame para detectar nódulos, caroços, mas não sentiu nada de anormal.
Essa estava sendo a primeira vez que olhava para seu corpo desde quanto tudo havia começado, também pudera: não sabia que o que estava sentindo era gravidez. Desde sua adolescência cuidava do seu corpo, e estava prestes a vê-lo com uma conformação totalmente diferente.
Estranhamente isso não o assustava ainda. Mesmo que o lado lógico do seu cérebro estivesse gritando por socorro, sentimento de incredulidade total, achava impossível conceber a ideia de estar gerando uma vida dentro do seu corpo e, por fim odiava a ideia de ver seu corpo engordar exponencialmente.
Em contrapartida seu lado sentimental estava ao mesmo tempo com medo, com surpresa, com admiração e um sentimento imenso de gratidão. E muito amor. Uma conexão com esse pequeno ser em desenvolvimento difícil de explicar.
- Eu vou ser pai. – falou em voz alta. – e o melhor de tudo, eu que vou dar à luz à essa criança. E nada vai me fazer mudar de ideia.
Destrancou a porta e foi para a banheira. Não parou de alisar a barriga um só instante. Passava a esponja de banho no seu corpo com carinho, por cada parte como se estivesse acariciando não apenas a si mesmo, mas também seu filho. Fechou os olhos e ficou imaginando como estaria daqui a alguns meses, com a barriga enorme.
Sentiu uma mão tocar seu ventre, abriu os olhos e viu Maximus sorrindo para ele. Se beijaram, com as mãos entrelaçadas por cima da barriga.
- Tem certeza de que quer isso? – perguntou Mack.
- Isso?! Você quer dizer nosso filho? Que tipo de pergunta é essa?
- É só que... você não está com medo não? Será que está tudo normal mesmo? E se tiver alguma deformidade, se não foi um...
- Maxie... Maxie... respira. O que o seu coração diz?
- Estranhamente que eu já amo essa criatura com tudo e que vou fazer de tudo para proteger vocês dois. – Henrique sorriu.
- Então acho que já temos a decisão, certo? Porque eu estou bem seguro de que quero ir até o fim.
- Mas e se for um risco para você?
- Vamos deixar para nos preocupar com as coisas no momento em que elas forem acontecendo, ok?
- Mas... – foi interrompido com uma carícia no rosto suave e seus olhos se fixaram um no outro. – okay...
Maximus olhou para Henrique de cima a baixo.
- Vamos ser pais... dá pra acreditar?
- Quero muito acreditar e ao mesmo tempo isso me deixa apavorado. Eu não sei se suportaria te perder, Gabe.
- Você não vai me perder, meu amor.
- Promete?
- Claro.
- Promete que se de alguma forma sua vida estiver em risco, nossa escolha será você?
- Maxie!
- Por favor, Henrique Gabriel. Me prometa isso, eu preciso ouvir de você. – quando Maximus usava o nome duplo dele era sinal de muita irritação ou muito medo.
- Tudo bem, eu prometo.
Encostaram as testas e Maximus sentiu conforto e verdade na promessa do marido.
- Não demore muito. O almoço já está quase pronto. – se levantou e sorriu para Henrique.
- Tá bom, papai Maxie.
Mack ainda não sabia como se sentia em relação ao novo adjetivo, se limitou a dar um sorriso e descer para se juntar aos sogros. Seus sentimentos flutuavam entre a insegurança total e a certeza inabalável.
- Como você está, Mack? – perguntou Helena. Estavam os dois sentados no deck do lado de fora, perto da torre de calor. Aguardando
- Honestamente, não sei, Helena. Não faço a menor ideia. Digo, eu sempre tive vontade de ser pai, e até chegamos a pensar em adoção uns anos atrás...
- Não sabia disso.
- A gente só iria divulgar quando tivéssemos certeza de que o processo estava andando. Chegamos a participar do processo todo, mas depois de cinco anos na fila e sem qualquer resposta, acabamos desistindo. Mas, isso... por mais que já seja verdade, está provado e comprovado por exames tanto de sangue quanto de imagem que já é real, a ficha ainda não caiu. Estou tentando ser simpático a animação do Gabe, mas ainda estou meio em choque com tudo.
- Te entendo perfeitamente. Eu mesma estou em choque, mas confesso que estou animada com a possibilidade, mesmo que isso seja apenas passageiro e que por algum motivo não seja real. Vocês dois seriam ótimos pais.
- Seríamos?!
- Eu vejo você com sua sobrinha, com Mini-K e com outras crianças. Você leva jeito. Acredite. E conheço Henrique, obviamente. Se existem duas pessoas nesse mundo que dariam show como pais, são vocês. – ela se inclinou na direção de Maximus que dava sinais de tensão, pegou suas mãos trêmulas e as colocou entre as suas. – Se for verdade, meu querido, aceite esse presente divino e aproveite cada momento. E seja sempre verdadeiro e honesto com seus sentimentos, não esconda nada de Henrique. Tomem todas as decisões juntos. E quanto a nós, os avós... estamos aqui para deseducar tudo o que vocês educarem.
Ambos riram.
- Vai ficar tudo bem, meu anjo. Seja como for.
- Obrigado, Helena. Sempre me tranquilizando nessas horas.
- Nah... sou só uma velha boba que as vezes sonha demais, fala besteira demais, mas que de vez em quando tem uma palavrinha ou outra de sabedoria para dizer.
- Não vamos conseguir esconder isso por muito tempo. – falou desanimado.
- Não, não vão. Daqui uns dois meses a barriga do Henry já vai começar a aparecer.
- Só tem mais algumas pessoas que precisam saber antes que tudo isso vire um grande circo. Depois a gente vê como continuar escondendo do resto das pessoas.
- Posso ser bem honesta?
- Claro.
- Vocês estão apenas adiando o problema. Mas eu concordo que está tudo muito recente e que precisam colocar as ideias no lugar antes, porque é exatamente como você disse: isso vai virar um circo.
- E nós somos os palhaços.
A casa estava cheia. Como se já não bastassem os pais de Henrique, agora estavam presentes Justine e William, pais de Maximus; Sophie com Erik e a pequena Marie; Adam com a atual esposa Katherine; e Kaito com o pequeno Sora.
Foi tudo resolvido de improviso e durante a tarde do dia anterior após o almoço. Henrique aproveitando sua influência com Claire ao solicitar um bolo e alguns doces, Mack e a sogra decidindo o que seria servido no brunch de domingo e Gustavo ainda mergulhado em pesquisas e analisando e reanalisando os resultados dos exames do filho.
- Pai, mãe... pessoal. – Maximus chamou a atenção no momento em que o último a chegar, finalmente havia se sentado no sofá da sala. Todas as atenções se voltaram para ele e Henrique se aproximou sorridente. – Preciso... precisamos comunicar uma coisa que está acontecendo e que se eu não verbalizar isso em voz alta parece que ainda não é verdade, mas... é verdade. Dr. Gustavo aqui não vai me deixar mentir.
Todos olharam inquisitivamente para o pai de Henrique.
- Pelo amor de Deus, filho, fala logo. – William se exaltou. Traço comum entre ele e o filho, a emotividade.
Maximus olhou para Henrique que fez sinal positivo com a cabeça. As crianças estavam brincando no jardim de trás com o cachorro.
- Antes de mais nada, queremos que todos aqui se comprometam a não falar com ninguém sobre o que vamos contar para vocês.
Todos concordaram com as cabeças.
- Estamos esperando um filho.
Igualmente eles dois no momento da revelação pelo obstetra no hospital, uma gargalhada irrompeu entre os novos presentes.
- Tipo assim, vocês estão para adotar um filho, ou fizeram uma barriga de aluguel, certo? – Adam olhou para Maximus.
- Na verdade... não Adam. – Henrique assumiu a narrativa. – Estamos dizendo de fato que estamos grávidos... ou melhor, EU estou grávido.
Novamente silêncio. Kaito olhava para o amigo totalmente surpreso, e os outros também estavam sem entender direito o que ele queria dizer.
- É sério! Pai, Mãe, irmão, Soph... Gabe está esperando um filho nosso... nós vamos ser pais.
Imediatamente os pais de Mack olharam para Gustavo.
- Estou infelizmente sem poder negar, meus caros. É verdade, Henrique, por algum motivo inexplicável está realmente grávido.
De todos os presentes, Sophie e Kaito foram os únicos que mostraram pouco se importar com a estranheza e correram para abraçar Henrique e Maximus.
- CARA! Isso é surreal! Parabéns! UAU! Vou ser titio! – Henrique se animou com a reação do amigo que tinha como se fosse um irmão. – Então aquilo tudo não tinha nada a ver com estresse?!
- Bem... devia ter um pouco, mas não... eram todos sintomas de gravidez mesmo. – confirmou Henry.
- Que bizarro! Isso quer dizer que você é hermafrodita?
- Não. Nunca fui nem nada indicou algo do tipo. Ao que parece o órgão simplesmente apareceu do nada, e bastou uma noite para tudo isso acontecer.
- E vocês já buscaram uma segunda opinião? – Ambos apontaram para o pai de Henrique.
- Tem segunda opinião melhor? Meu pai pode não ser obstetra, mas é tão médico quanto qualquer outro, se ele se deu por vencido, por que deveríamos pedir outra opinião, Justine?
- Mãe, é... isso é real, aqui dentro... – colocou delicadamente as mãos sobre a barriga do Henrique. – está crescendo seu neto.
- Ou neta. – completou Henry.
Mostraram os exames para cada um até que todos os incrédulos estivessem convencidos de que um novo membro da família estava para chegar em alguns meses. Gustavo perdeu as contas de quantas vezes teve que explicar cada um dos resultados e as imagens em loop na TV da sala do ultrassom.
- Devíamos ter filmado a consulta. – sussurrou Henrique para o marido.
- Fomos todos pegos de surpresa.
- Como está se sentindo agora?
- A ficha está passeando no aro, ainda não caiu, mas tá perto. – riu. – Ainda é tão difícil imaginar você com barrigão e uma coisinha minúscula crescendo aí dentro que daqui uns meses, anos vai estar pulando e correndo por essa casa.
- Posso confessar uma coisa? – Maximus olhou no fundo dos olhos do marido enquanto os outros ainda conversavam e reavaliavam todas as informações. – Acho que nunca me senti tão feliz e tão completo como hoje... como agora.
Os dois se abraçaram, e aos poucos o silêncio foi tomando conta do ambiente. Todos olhando para eles. Abraçados e, Mack com as mãos nas laterais da barriga de Henrique.
Por mais que não quisesse admitir, ele já estava aceitando o fato de que o impossível havia acontecido e que isso também o deixava feliz e completo. Mesmo que apavorado ao mesmo tempo.
- Vocês vão realmente levar a gravidez até o final? – perguntou William.
- Sim, papai. E se algum percalço acontecer no caminho a gente vai decidir quando acontecer...
- SE acontecer. – Henrique enfatizou o “se”. – Só queremos reiterar um pedido. Não queremos que ninguém saiba. Como não tem explicação o que está acontecendo e não vamos buscar qualquer tipo de explicação, não queremos a mídia perto, nem curiosos e muito menos grupos religiosos, satânicos, defensores ou haters fazendo piquete aqui.
O casal olhou diretamente para Erik e Kate.
- Não se preocupem comigo. Estou surpreso, claro! Mas vou respeitar a vontade de vocês. Nem minha sombra vai ficar sabendo. – o marido de Sophie tranquilizou o casal e recebeu um beijo caloroso da esposa como prêmio.
- Nem comigo. Podem ficar sossegados e se precisarem de ajuda podem contar comigo.
“Espero que todos mantenham suas palavras.” – sem saber tanto Maximus quanto Henrique pensaram a mesma coisa, com as mesmas palavras e ao mesmo tempo.
Depois de atender oito pacientes a única coisa que eu queria era um donut de pão de mel da Claire, um chocolate quente com caramelo salgado e muito chantilly e uma banheira com sais relaxantes.Espero que Owie já tenha gasto toda energia com Kurama, Pan e Maxie. Hoje eu preciso muito descansar.- Olááááá queridooo! – Claire saiu de trás do balcão e veio me abraçar como de costume.- Meu anjo... preciso do meu kit especial de relaxamento. – ela já me entendia, sabia exatamente aos itens que me referia.- Vai levar algo pro Mack e pro Mini-Mack?- Olha só ele é mais parecido comigo do que com Maxie, ok?- Se você diz... – ela fez um muxoxo. – seu ciumento!- Acho que vou levar as mesmas coisas de sempre pra cada um.- Posso trocar uma coisa pro meu sobrinho lindo?- Quando é que você
PARTE III52 semanas depois⚝CAPÍTULO 25Os convidados já chegavam, Henrique conversava animadamente com Kaito, Nicholas e Philip, enquanto Maximus ainda estava no andar de cima trocando o pequeno Owen.- Filho, ajuda papai aqui. – estava tendo dificuldades para colocar a roupinha nele. Estava mais agitado que o normal.- Papa.Maximus simplesmente congelou.- Papa?! Você falou papa?! – pegou Owen no colo e o elevou no alto animado, o pequeno começou a gargalhar, ele adorava quando Mack fazia isso. – Papa!- Papa. – e ria.Como eles estavam demorando para descer, Henrique foi ver o motivo da demora. Subiu as escadas e ouviu as gargalhadas deliciosas do filho.- Posso saber o motivo da demora dos senhoritos? – Imediatamente o pequeno estendeu os braços para que Henry o pegasse.- Olha só isso... Owie...
Maximus acordou no momento que traziam Henrique para o quarto. Se aproximou do marido depois de transferirem ele para o leito do quarto. Se olhavam com carinho.- Eu sei que você não pode falar ainda, mas eu preciso de dizer uma coisa: eu te amo mais que tudo e nunca fui tão feliz na minha vida. Não consigo imaginar minha vida sem você e agora sem o pirralhinho que acabou de chegar. – Deu um beijo em sua testa e ficou fazendo cafuné nele até ele adormecer novamente.A enfermeira chegou minutos depois com o bebê, já limpo e enroladinho na manta. Mack pegou o filho no colo e levou até o marido. Henrique queria falar, expressar tudo o que estava sentindo. Mas foi fortemente advertido para as consequências.Admirava cada curvinha do filho, os lábios e o biquinho característico da família, as bochechinhas fofíssimas, o narizinho, orelhinhas e mãozinhas mi
Henrique estava sentado na poltrona, com ela virada para a movimentação frenética da casa. Sua mãe, seu recém-chegado pai e seu marido iam de um lado para outro pegando coisas em lugares diferentes, passando instruções uns para os outros.Ele achava graça de tudo.- Parecem formigas quando alguém mexe no formigueiro. Olha só Owen. – sussurrou para a barriga, levantando a camisa. – Acho que esqueceram que estamos aqui.Do lado de fora estava uma chuva fina e Maximus já tinha ligado para o hospital uma centena de vezes para confirmar se já estava tudo pronto para recebê-los. Helena acabava pedindo para ele ligar novamente quase que minutos depois, ela estava tão desbaratada que já tinha tirado e recolocado as coisas nas duas bolsas da maternidade várias vezes cismando sempre no final que estava faltando algo, que na verdade já tinha col
À medida que os dias passaram depois do último exame, o choque de realidade bateu em Henrique com força. Ele estava uma pilha de nervos, não a ponto de esbofetear quem passasse na sua frente, mas de tensão, ansiedade e medo.Muito por causa de um sonho que teve por estar tendo contrações sem qualquer abertura para a saída do bebê e ele apavorado por estar longe de tudo, sem ninguém por perto.Esse pesadelo o perseguiu por vários dias seguidos e em segredo. Mas tanto Maximus quanto Helena sabiam que algo não estava bem, porém respeitavam o espaço de Henry, que passou a ficar a maior parte do tempo no quarto do bebê, ironicamente era o único ambiente onde ele conseguia manter a mente afastada desse medo.E olhar para a réplica do bebê embrulhada em uma fralda estampada com filhotes de unicórnios o tranquilizava.Ficava reimaginan
- Meu Deus! Olha o tamanho dessa barriga! – Helena estava ao mesmo tempo admirada e assustada. Seu filho nunca teve o físico fora de forma, sempre praticando musculação, sempre em dieta planejada e percentual de gordura corporal abaixo dos 5%. – Só assim para te ver relaxar com o corpo.Pagou o motorista do Lyft, que gentilmente colocou as três malas grandes no hall de entrada da casa.- Oi, mamãe. Como foi de viagem? – estava com o humor no pé.- O voo foi tranquilíssimo, embora eu não tivesse conseguido pregar o olho sequer uma vez, e ter que fazer conexão em Miami. Deu, pelo menos, para terminar o livro que eu estava lendo. Que carinha é essa, hein?- Sei lá... sabe quando você acorda e tem a impressão de que não devia ter saído da cama? Por favor, não comece achando que é por sua causa, porque não é