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Capítulo 3

Author: Michelle
A Trilha Azul era mais silenciosa do que eu esperava. Depois de vinte minutos, não tinha visto outra pessoa. Abri o grupo da turma. Ninguém havia compartilhado a localização nem mencionado onde as equipes deveriam se encontrar.

Enviei uma mensagem.

"Tem mais alguém na Equipe Azul ou eu perdi a oficina de invisibilidade?"

Um ponto de exclamação vermelho apareceu ao lado dela.

"Não entregue."

Em vez disso, me dirigi à árvore mais próxima.

— Com licença. Você sabe qual caminho leva ao acampamento?

A árvore não respondeu.

— Tudo bem. Você já tem modos melhores que os do Luca. Pelo menos não me acusou de ficar implorando por atenção.

A chuva começou a cair. Em poucos minutos, desabou de verdade. Ninguém cuidava da Trilha Azul havia anos, e as folhas molhadas deixavam o chão escorregadio. Avancei devagar, segurando os troncos das árvores para manter o equilíbrio.

Perto de uma cerca de arame caída, a terra cedeu sob meus pés. Não tive tempo de agarrar nada. A lama invadiu minha garganta enquanto eu rolava por uma encosta íngreme. Pedras atingiram meus ombros e minhas costas. Então atravessei tábuas apodrecidas e caí em uma passagem subterrânea abandonada.

A dor engoliu tudo. Minha visão escureceu. Quando finalmente voltou ao normal, a abertura acima de mim estava a mais de três metros de distância. A água da chuva entrava por ela. As paredes de tijolos estavam cobertas de mofo, e suportes de metal enferrujados e caixotes quebrados estavam espalhados pelo chão. Parecia um dos antigos túneis de contrabando sob a propriedade dos Moretti.

Tentei me sentar, mas minha perna esquerda não se mexia. Uma laje de concreto quebrado prendia minha panturrilha, e meu tornozelo estava preso entre duas pedras. Cada tentativa de me mover fazia uma dor penetrar até o osso.

Metade da tela do meu celular estava quebrada, mas eu ainda tinha sinal. Liguei primeiro para Luca. Ele recusou a chamada depois de três toques, e minha segunda tentativa foi direto para a caixa postal.

Enviei duas mensagens.

"Luca, acho que peguei a trilha errada."

"Caí em uma passagem subterrânea e minha perna está presa. Pode pedir à Sra. Carter para mandar alguém me buscar?"

Pontos de exclamação vermelhos apareceram ao lado das duas mensagens. Liguei para mamãe. Ela não atendeu.

Então abri minha conversa com Bianca. Dessa vez, as mensagens foram entregues.

"Bianca, você colocou a etiqueta errada na minha mochila?"

"Caí em algum lugar muito fundo, e uma laje de concreto está prendendo minha perna."

"Por favor, avise a Sra. Carter. Só responda para eu saber que você viu."

As palavras "Bianca está digitando..." apareceram no topo da tela.

Meu coração se encheu de esperança. Enquanto uma pessoa respondesse, eu ainda teria uma saída.

A resposta chegou segundos depois.

"Já terminou de fingir?"

Antes que eu pudesse responder, minha mensagem seguinte não foi entregue. Bianca também havia me bloqueado.

Fiquei olhando para a tela, depois abri meus contatos e liguei para uma pessoa atrás da outra. Alunos, professores, a enfermeira da escola, o motorista do ônibus e funcionários dos Moretti. Trinta e sete ligações. Ninguém atendeu.

Eles estavam seguindo o Protocolo de Silêncio Social com uma disciplina impressionante. Não me dariam nem mesmo um sinal de pontuação.

A água da chuva escorria pela abertura e logo cobriu meus sapatos. Tirei o cadarço do tênis que estava no pé livre e amarrei-o ao redor do ferimento sangrando na minha perna presa. Então ergui o celular e gravei um vídeo para mamãe.

— Mãe, eu não estou fazendo escândalo.

Virei a câmera na direção da laje de concreto.

— Está vendo? Minha perna está realmente presa. Por favor, mande alguém me tirar daqui. Prometo que terminarei o Protocolo de Silêncio Social quando voltar.

O vídeo não foi enviado. Tentei novamente. Falhou outra vez.

A contagem regressiva no canto da tela mostrava que faltavam cinquenta e uma horas. Eu provavelmente conseguiria aguentar esse tempo.

Minha terceira família adotiva certa vez me trancou em um depósito no porão durante dois dias. Fiquei batendo na porta porque não havia luz. Meu pai adotivo reclamou do barulho e empurrou um armário de ferramentas contra a porta, bloqueando-a completamente.

Foi quando aprendi algo importante. Você não deve fazer muito barulho quando pede ajuda. O barulho só fazia as pessoas gostarem menos de você.

A essa altura, o grupo vermelho e os outros alunos já haviam chegado ao acampamento na montanha. A Sra. Carter franziu a testa enquanto contava os alunos.

— Está faltando alguém?

Bianca estava tirando fotos do acampamento. Ela não levantou os olhos.

— Poppy disse que estava se sentindo mal e voltou para o estacionamento.

Um aluno começou a falar.

— Acho que vi ela usando uma etiqueta azul e indo em direção à trilha antiga...

Luca lançou-lhe um olhar frio.

— Ninguém fala dela durante o Protocolo de Silêncio Social. Poppy gosta de desaparecer ou dizer que está doente quando quer atenção. Se você for atrás dela agora, ela vai usar algo pior da próxima vez.

O aluno ficou em silêncio. A Sra. Carter hesitou. Uma professora não deveria obedecer a um herdeiro de vinte anos nem parar de contar os alunos antes de confirmar que uma estudante estava segura. Mas os Moretti haviam pago pelo ginásio, pela biblioteca e pelas bolsas de estudo da escola. A Sra. Carter não fez mais perguntas.

Às seis daquela noite, os alunos voltaram ao estacionamento. Walter estava ao lado do ônibus, conferindo a lista.

Depois da primeira contagem, franziu a testa. Contou novamente. Após a terceira contagem, abaixou a prancheta.

— Está faltando alguém.

A Sra. Carter olhou para Bianca. Bianca respondeu sem hesitar.

— Poppy pegou uma carona de volta para a escola em outro carro. Ela conhece todo mundo. Por que não encontraria alguém para levá-la?

A explicação satisfez quase todos. Eu era Poppy. Eles acreditavam que, se alguém me abandonasse em um posto de gasolina, eu descobriria o aniversário do motorista do guincho em dez minutos e seria convidada para jantar em trinta.

Walter não sorriu. Ele sabia quando cada veículo havia saído e quem havia embarcado neles. Pegou o celular e ligou para mim.

Meu celular tocou enquanto eu apertava o cadarço ensanguentado ao redor da minha perna. Quando o nome de Walter apareceu, minhas mãos tremeram tanto que quase deixei o aparelho cair.

Atendi imediatamente.

— Walter, eu...

Um ruído veio pela linha. Alguém tirou o celular dele.

Então ouvi Luca.

— Ninguém atende às ligações dela.

A ligação terminou. Fiquei sentada por um longo tempo, segurando o celular com a tela escura nas mãos. Eles sabiam que eu estava ligando. Simplesmente não queriam atender.

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