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Capítulo 7

last update publish date: 2026-09-09 21:26:27

Giuliana Romano

Caminhamos assim por um longo tempo, apenas o som das ondas e o ritmo dos nossos passos na areia. O silêncio era suave, acolhedor, mas carregado de algo mais — algo que eu não conseguia nomear, mas que sentia no ar a cada passo. Foi ele quem o quebrou, com a voz calma e profunda, misturada ao som do mar.

— Daqui a duas semanas, minha mãe faz setenta e dois anos — disse Alessandro, sem parar de caminhar, como se estivesse dividindo um pensamento que vinha amadurecendo há algum tempo. — É uma data importante para a nossa família, e ela faz questão de reunir familiares e amigos próximos.

Ele fez uma pausa breve, e então virou o rosto para mim, o olhar sereno e direto, iluminado pela luz suave da lua.

— Ela quer muito que você esteja lá, Giuliana. Gostaria de ir comigo?

As palavras dele pairaram no ar, e por um instante o som das ondas pareceu se afastar, como se o mundo tivesse diminuído para caber só naqueles dois. Senti o coração dar um salto diferente, um misto de surpresa e uma alegria doce e inesperada que subiu do peito até os olhos.

Elizabeth Moretti.

Uma senhora de sorriso caloroso, olhos gentis que pareciam sempre ver mais do que diziam, e uma elegância natural que fazia qualquer pessoa se sentir em casa. Durante todo aquele tempo, quando eu e o neto dela estávamos juntos, ela não foi apenas a avó dele — foi a pessoa que mais me acolheu, que me oferecia chá e biscoitos sempre que eu chegava, que segurava a minha mão e me dava conselhos sábios com uma ternura que eu nunca tinha conhecido.

Tornamo-nos amigas, de verdade. Conversávamos por horas, sobre tudo e sobre nada, e ela sempre dizia que eu era como uma neta que o destino tinha dado a ela. Nunca deixou de me mandar mensagens, de perguntar como eu estava, quando tudo terminou com o neto dela, foi ela quem me mandou flores, com um bilhete dizendo que o carinho dela não dependia de ninguém, só de mim.

Fechei os olhos por um segundo, deixando a lembrança dela aquecer tudo. Era impossível não sorrir

— Eu adoraria ir — repeti, com mais firmeza, um sorriso sincero e doce se formando nos lábios, iluminado pela luz da lua. — Com todo o coração. Sinto muita falta dela. Elizabeth é uma mulher maravilhosa, e sempre foi tão boa para mim… seria uma honra estar lá.

Alessandro parou de andar e virou-se inteiramente para mim, e no brilho suave da lua, vi um sorriso verdadeiro, leve, que raramente aparecia em seu rosto — um sorriso que chegou aos olhos e os iluminou por inteiro.

— Ela vai ficar imensamente feliz em saber — disse ele, suave, com um tom que parecia também aliviado. — Sempre pergunta por você, sabe? Nunca esqueceu de nenhum detalhe seu.

Senti os olhos se encherem de um brilho quente, de pura gratidão. O convite não era apenas um evento social — era uma ponte de volta para uma pessoa que eu gostava de verdade.

Alessandro continuou a caminhar ao meu lado por alguns passos, em silêncio, como se estivesse escolhendo com cuidado cada palavra. Depois, parou de novo e virou-se para mim, as mãos nos bolsos, o olhar atento e um pouco hesitante — algo raro nele.

— Posso te fazer uma pergunta? — começou ele, com a voz mais baixa, quase cautelosa. — Talvez um pouco indiscreta. Se preferir, não precisa responder.

Abri um sorriso leve, balançando a cabeça. Aquele clima entre nós era tão sincero que parecia natural não ter segredos.

— Pode fazer. Não vejo nenhum problema.

Ele respirou fundo, e o vento levou o cabelo dele para a frente do rosto.

— Você está saindo com alguém no momento? — perguntou direto, sem rodeios, mas com um tom que revelava o quanto aquela resposta importava para ele. Os olhos escuros não desviaram dos meus, esperando, atento a cada reação minha.

Fiquei parada por um instante, o coração batendo de um jeito novo, suave mas firme. A pergunta era direta, e eu não tinha motivo para mentir, nem para esconder a verdade. Seria mentira se eu não dissesse que mais de mil perguntas e possibilidades se passaram na minha mente, praticamente na velocidade da luz "algo impossível", muitas teriorias se formaram, e enquanto um turbilhão de borboletas dançantes, davam piruetas na minha barriga.

— Não — respondi suavemente, sacudindo a cabeça, sem desviar o olhar. — Não estou saindo com ninguém.

Vi os ombros dele relaxarem de uma vez, e um suspiro leve, quase imperceptível, escapou de seus lábios — um suspiro de alívio, de pura satisfação. Um sorriso pequeno e verdadeiro se formou no canto da boca dele, iluminando todo o seu rosto de um jeito que eu nunca tinha visto antes. Ele parecia genuinamente contente, como se aquela resposta tivesse tirado um peso de dentro dele.

Deu um passo pequeno na minha direção, e o ar entre nós pareceu mudar — mais denso, mais quente, cheio de algo que eu ainda não sabia qualificar. Os olhos dele percorreram o meu rosto, devagar, dos olhos aos lábios, e quando voltaram a encontrar os meus, havia ali uma intensidade que me deixou sem ar.

— Posso te fazer uma última pergunta? — sussurrou ele, a voz tão baixa e rouca que senti as palavras vibrarem no ar entre nós. — Posso te beijar, Giuliana?

O mundo parou. O som das ondas pareceu se afastar. A lua, o vento, a areia — tudo desapareceu. Só restou ele, ali, tão perto, esperando, respeitando, dando a mim a escolha. O meu coração batia tão forte que achei que ele podia ouvir, e eu fiquei ali, sem saber respirar, sem saber falar, só conseguindo acenar com a cabeça, devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrar aquele instante. Minha mente ficou em branco, entorpecida, esqueci que ele era meu chefe e o mais importante, esqueci complicado que ele era Alessandro Moretti, o tio do meu ex namorado.

— Sim — sussurrei, quase sem voz. — Pode.

Ele se aproximou devagar, sua mão esquerda acariciou a minha bochecha de leve, me fazendo estremecer, e quando os lábios dele finalmente tocaram os meus, o mundo inteiro pareceu se calar. Foi um toque suave no começo, cauteloso, como se estivesse com medo de que eu me afastasse — mas quando eu não me afastei, quando me inclinei um pouco mais para ele, o beijo se aprofundou, lento e intenso, carregado de uma paixão inexplicável.

Ele me beijou até me faltar o fôlego. Depois do que pareceram décadas perdida nos seus lábios, nos afastamos devagar. Eu tentei me recompor da bagunça que aquele beijo tinha feito em mim, enquanto ele me oferecia o mais belo dos sorrisos, olhando para mim como se eu fosse uma joia rara, perfeita. Fiquei tímida, sentindo as bochechas corarem levemente.

— Nossa… isso foi — comecei, a voz ainda trêmula — bem…

— Perfeito? — completou ele, suave.

Meu coração pareceu querer saltar do peito.

— Sim — respondi, baixinho, tímida.

De repente, Matteo Moretti veio à minha mente. Beijar o tio dele… tinha sido incrivelmente bom, mas ao mesmo tempo parecia tão errado.

Alessandro pareceu perceber imediatamente a mudança no ar e disse, com a voz firme e calma:

— Não aja como se o que acabamos de viver fosse um erro, por favor. Somos adultos. Não importa o que você teve com o meu sobrinho — o que aconteceu aqui foi algo que nós dois quisemos.

Parou por um instante, o olhar tão intenso quanto antes do beijo.

— Mas se ainda assim se sentir culpada, pode me pedir para esquecer. Não garanto que vou conseguir, mas prometo que não cruzarei de novo a linha que você traçar.

Sorri, levemente desconcertada.

— Não vou te pedir para esquecer. E com certeza não pretendo me sentir culpada.

Uma brisa mais fria me fez estremecer.

— Está ficando mais frio, e suas roupas são muito leves — disse ele suavemente. — Vamos entrar? Não quero que fique resfriada.

— Sim.

Caminhamos de volta para a mansão, lado a lado. A cada passo, minha mente me levava de volta à sensação dos lábios dele, e eu sentia o rosto corar de novo.

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