Share

♠️ CAPÍTULO 005

last update Petsa ng paglalathala: 2026-10-23 18:00:24

❀ Capítulo 5 — Elara Vitorino

O silêncio do quarto foi interrompido pelo som dos passos rápidos de Lionel. Ele mal esperou que eu terminasse de processar a notícia e já se dirigiu à porta.

— O pai precisa saber disso. Não saia daqui até que eu volte — disse, sem sequer olhar para trás, e desapareceu no corredor.

Era estranho como Lionel se referia ao padrasto como pai sempre que o controle parecia escorregar de suas mãos.

E apesar da estranhesa dessa vez, não pensei demais. Levei o celular de volta ao ouvido para falar com Daphne que ainda estava na linha telefônica.

— Daphne, ouça com atenção. Ninguém entra no quarto. Ninguém. Coloquem segurança na porta. Não toquem em nada. Não movam um único objeto. E forneçam à polícia todos os registros de check-in, pagamento e identificação do hóspede. Estou a caminho.

Desliguei, peguei minhas chaves e saí pela porta dos fundos da mansão. Já eram seis horas da manhã e quando estacionei em frente ao Alta Lumière, ainda havia uma névoa fina pairando sobre a calçada, mas o sol já começava a banhar a fachada de vidro do prédio mais alto da cidade.

Os corredores estavam quase vazios — era cedo demais para os hóspedes estarem acordados, mas cedo demais também para que a notícia se espalhasse. Dois policiais estavam postados diante da porta do quarto 2904. Fitas amarelas cruzavam o corredor, e havia um silêncio pesado, solene, no ar.

— Senhorita Vitorino — cumprimentou um dos oficiais, acenando com a cabeça.

Eles olharam-me dos pés a cabeça. Eu ainda estava com a roupa da festa que estive na noite passada. A maquiagem provavelmente estaria um pouco borrada também.

— Bom dia. A equipe já foi orientada a cooperar com tudo o que precisarem. Sejam minuciosos. E por favor, me avisem assim que tiverem qualquer informação sobre o ocorrido.

— Claro, vamos precisar de toda a cooperação possível.

Conferi rapidamente que minhas instruções estavam sendo seguidas. Ninguém entrava além dos policiais. Tudo estava sendo entregue à perícia com transparência total.

O celular vibrou no bolso, assim como nas primeiras três vezes desde que corri para o hotel. Era Lionel.

Enquanto eu instruía os funcionários a retomarem as atividades normais do hotel, Lionel finalmente apareceu.

— Elara!

O nome ecoou pelo saguão. Virei-me e ele estava ali, caminhando rápido até mim, a expressão tensa, os olhos brilhando de irritação. Ele me alcançou e puxou meu braço levemente para um recanto afastado, longe dos olhares dos policiais e dos funcionários que se dispersaram para seus afazeres.

— Por que saiu sem me avisar? Por que não atendeu minhas ligações? — perguntou baixo, mas com urgência, como se cada minuto longe fosse um perigo.

— Eu sou a gerente deste hotel, Lionel. Alguém precisava estar aqui primeiro. A polícia precisa de respostas agora, não depois de um café da manhã. — respondi, mantendo a voz firme, sem deixar transparecer a agitação que me corroía por dentro.

— Você não poderia esperar 5 minutos? Preferia que o Ronan ficasse sabendo disso pela imprensa? Ou teria coragem você mesma de avisá-lo por ligação? — me encarou seriamente.

— Não adianta os dois estarmos em cima disso ao mesmo tempo. Você fala com a família, cuida da comunicação e da imprensa. Eu cuido do hotel. É o combinado.

Ele me estudou por um instante, mas não encontrou brecha para questionar. Soltou meu braço devagar.

— Certo. Mas me avise da próxima vez. Não faça nada sem antes nos consultar.

Falando desse jeito, parece até que eu é quem sou a intrusa na família.

Respirei fundo, tentando não começar uma briga ali mesmo.

Ele sabia tão bem quanto eu o peso daquela morte. O Alta Lumière acabava de inaugurar seu salão de festas no trigésimo andar. Era o hotel mais requisitado do estado. Qualquer acontecimento — qualquer coisa — que acontecesse ali viraria notícia. As redes sociais já começariam a comentar em questão de horas. Reservas poderiam ser canceladas. Parcerias poderiam ser cortadas. Ninguém sabia ainda se havia sido um acidente, uma doença, ou algo muito mais sombrio. E enquanto a perícia não falasse, cada silêncio seria preenchido por especulações piores que a verdade.

— Assuma a comunicação com os assionistas e com a imprensa — disse a ele. — Eu mantenho tudo sob controle por aqui. Vamos nos falando.

Ele assentiu, ainda visivelmente incomodado, mas sabia que era a divisão mais lógica. Lionel seria a face calma e controlada da família Vitorino. Eu seria quem mantinha o hotel funcionando.

— Vê se troca de roupa. Você está uma bagunça. — disse ao me analisar.

Revirei os olhos e lhe dei as costas quando ele se afastou. Fui até o elevador e apertei o botão do andar acima.

Suíte 3007.

Tenho certeza de que saí desse quarto.

Bati à porta algumas vezes, mas não obtive nenhuma resposta.

Com um toque do meu cartão que eu sempre carregava para todos os lados, abri a porta. O quarto estava impecável, mas vazio. Nenhuma jaqueta jogada sobre a poltrona. Nenhum perfume no ar. Nada que dissesse que alguém esteve ali na noite anterior. A cama estava arrumada. O banheiro, limpo. Ele tinha ido embora. Como se nunca tivesse estado ali.

Desci até a recepção com o coração batendo mais forte do que deveria.

— Senhorita Elara, bom dia! — a recepcionista que acabava de trocar de turno com a funcionária da noite, ficou rígida em minha frente. — O que posso fazer pela senhorita?

— Bom dia — disse, mantendo a voz estável. — Preciso verificar os dados do hóspede que ocupou a Suíte 3007 na noite passada.

Ela digitou por alguns instantes e virou a tela para mim.

Nome: Donomie Krieger

Check-in: 14:17

Check-out: 04:15

Pagamento: Efetuado antecipadamente em dinheiro

Eu não conhecia aquele sobrenome. Não era Donovan? Apenas o primeiro nome era o mesmo. Ele tinha estado ali algumas horas. O que era incomum, já que as estadias mais curtas eram de pelo menos um dia. Ninguém ficava em um hotel tão caro por menos de 24 horas.

Mesmo depois de ter me mandando tal mensagem, não era possíveis Donomie ter qualquer ligação com o caso. Nem mesmo havia sido aquele homem a me drogar. Não tinha como Donomie saber, e muito menos fazer algo assim. Ele não era esse tipo de pessoa.

Saí da recepção com a cabeça girando. Quem era ele realmente? Por que mentiu o sobrenome por todos esses anos? E por que tinha saído do hotel minutos antes de alguém ser encontrado morto a poucos metros de distância?

Fui até minha suíte particular no vigésimo nono andar — meu refúgio dentro do hotel, onde ninguém costumava entrar sem minha permissão. Abri a porta e respirei fundo, finalmente sozinha.

Poucos minutos depois, alguém bateu à porta suavemente. Era Daphne, trazendo uma muda de roupas limpas, uma toalha felpuda e um par de sapatos baixos e confortáveis.

— Deixei tudo aqui na poltrona, senhorita. Se precisar de mais alguma coisa, é só me avisar.

— Obrigada, Daphne. Você é um anjo.

Fechei a porta e me olhei no espelho por um tempo. Fui até o banheiro, liguei o chuveiro quente e deixei a água lavar parte da tensão que parecia cravada nos meus ossos.

Quando saí, envolta na toalha, me aproximei da cama para pegar a calça que Daphne havia trazido. E então… ouvi a porta se abrir.

Me virei de sobressalto, apertando a toalha contra o corpo.

Lionel entrou e fechou a porta atrás de si. Sem bater. Sem pedir permissão.

— Lionel! — dei um passo para trás, instintivamente puxando a toalha mais firme. — O que tá fazendo aqui?

Ele sorriu de um jeito que não chegou aos olhos.

— Sem perguntas, Elara. Estou estressado e preciso de você.

Ele caminhou devagar, sem pressa, até estar a poucos centímetros de mim. Sua presença parecia ocupar todo o ar do quarto.

— Está tensa. Sempre fica assim quando eu chego perto demais — observou, baixando a voz. A mão dele ergueu e tocou meu queixo, não com carinho, mas com posse. — Será que é porque anda aprontando alguma coisa pelas minhas costas?

— Lionel, por favor… estou me trocando. Saia. Agora.

— Por que? Temos tantos assuntos em comum, não é mesmo? O hotel. A família. E aquele… orfanato que você gosta tanto. As crianças esperam que você cuide delas, não é? Então cuide de mim também. É o preço.

Engoli em seco, o coração batendo de puro medo. Ele não pedia. Ele cobrava.

— Não fale comigo sobre eles. Isso é baixo mesmo para você.

— Não estou sendo baixo. Estou sendo justo. — Ele se aproximou mais, a respiração dele roçando minha têmpora. — Já que isso é única coisa que você tem a oferecer.

Cerrei os punhos e travei o maxilar, a raiva percorrendo o meu corpo mais que qualquer outra coisa.

Ele me puxou para si, os dedos cerrando levemente em meu braço. Eu não lutei. Sabia o que aconteceria se eu lutasse. Sabia quais nomes ele ameaçaria mencionar. Então fiquei imóvel, rígida, enquanto ele aproximava o rosto do meu.

— Olhe para mim, Elara. Não para a porta.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 007

    ♤ Donomie Krieger Depois de vivenciar coisas que muitos não suportariam, sempre me pego fazendo exatamente a mesma pergunta para mim mesmo em frente ao espelho. Quanto tempo leva até você perder para o que há dentro de você? Eu nunca tive a resposta, mas de repente sinto que estou prestes a descobrir. Pensar que depois daquela noite maldita, há treze anos atrás, eu não sentiria mais nada por ela, foi uma ilusão forçada. Uma que eu mesmo construí com as próprias mãos. Passei tantos anos fingindo que tudo o que fazia não era por ela — e quando Elara esbarrou em mim naquele corredor, vulnerável e vestida daquele jeito, meu mundo inteiro desmoronou. Só Deus sabe o quanto eu me segurei para não fazer besteira. Fiz de tudo para não procurá-la, para não saber sobre sua vida. Eu queria poder vê-la e não reconhecê-la. Estava convencido de que aquele Donomie de antes não existia mais. No entanto, assim que meus olhos a encontraram, eu não tive dúvidas: minha fraqueza ainda estava lá,

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 006

    ❀ Elara Vitorino Era sempre assim. Sempre que Lionel perdia o controle de algo, sempre que algo dava errado, ele vinha até mim, com a desculpa de que precisava de algo para descarregar sua frustração. No começo, a raiva sem motivo que ele sentia por mim o fazia apenas me menosprezar. Mas com o tempo, Lionel passou a querer muito mais do que simplesmente me insultar. E eu podia ver a satisfação em seus olhos sempre que conseguia me colocar em uma posição em que eu me sentisse pequena — onde ele podia fazer o que quisesse comigo, como se tivesse algum direito sobre mim. Era como se ele precisasse provar algo para si mesmo. Nunca entendi o porquê de tanto ódio, mas sabia que não era apenas isso que ele sentia por mim. E talvez fosse por desejar algo que não podia ter que sua raiva tivesse surgido. (...) Passei o dia inteiro coordenando equipes, tentan

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 005

    ❀ Capítulo 5 — Elara Vitorino O silêncio do quarto foi interrompido pelo som dos passos rápidos de Lionel. Ele mal esperou que eu terminasse de processar a notícia e já se dirigiu à porta. — O pai precisa saber disso. Não saia daqui até que eu volte — disse, sem sequer olhar para trás, e desapareceu no corredor. Era estranho como Lionel se referia ao padrasto como pai sempre que o controle parecia escorregar de suas mãos. E apesar da estranhesa dessa vez, não pensei demais. Levei o celular de volta ao ouvido para falar com Daphne que ainda estava na linha telefônica. — Daphne, ouça com atenção. Ninguém entra no quarto. Ninguém. Coloquem segurança na porta. Não toquem em nada. Não movam um único objeto. E forneçam à polícia todos os registros de check-in, pagamento e identificação do hóspede. Estou a caminho. Desliguei, peguei minhas chaves e saí pela porta dos fundos da mansão. Já eram se

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 004

    ❀ Elara VitorinoO sol começava a se infiltrar pelas frestas das cortinas pesadas de veludo marrom, espalhando uma luz dourada e suave pelo quarto, mas não o suficiente para afastar toda a escuridão das paredes escuras. Tirei os saltos e os larguei num canto da cama como se mais nada importasse, e fiquei fitando por um instante as três telas abstratas na parede acima da cabeceira — manchas de ocre e marrom que pareciam se mover com a luz que entrava. A cabeceira era grande, estofada em um tom bege claro que suavizava o ambiente. Sentei-me na cama, deixei a bolsa ao meu lado, apoiei os cotovelos nas coxas e afundei o rosto nas mãos, respirando fundo, frustrada e decepcionada.Não sabia dizer o que mais me abalava naquele momento: se eram as intenções de Lionel ao me drogar, ou o fato de ter reencontrado Donomie em uma situação como aquela, de ter que encarar sua frieza e, mesmo assim, sentir o coração acelerar.E apesar de tudo, me sentia uma pessoa terrível por ter falado daquela form

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 003

    ❀ Elara VitorinoAcordo lentamente, como se estivesse voltando de muito longe. O quarto está silencioso, com apenas uma luz suave vinda de um abajur. Viro a cabeça e ele ainda está ali — sentado numa poltrona ao canto, de costas para mim, olhando para a porta como se estivesse de guarda. Não foi um sonho. O cheiro dele, a forma como me cuidou, aqueles olhos que carregam anos de lembranças esquecidas em cada canto… tudo era real.Ele se vira quando me mexo.— Precisa de água? — pergunta baixo, se levantando devagar.— Sim. Obrigada.Ele me estende um copo com cuidado. Seus dedos não tocam os meus. Parece estar calculando cada movimento, mantendo uma distância que dói mais do que se ele estivesse longe.— Como se sente?— Melhor. Ainda um pouco lenta, mas… melhor. — Sento-me na beirada da cama, pés tocando o chão frio. — Agora me responde. O que você está fazendo aqui, Donomie? Depois de tanto tempo sem uma palavra… simplesmente aparece?Ele respira fundo, mas não encontra meus olhos.—

  • Meu Antigo Amor Retornou Como Um Magnata Cruel   ♠️ CAPÍTULO 002

    ❀ Elara Vitorino A cabeça dói como se alguém tivesse partido-a ao meio. As luzes do corredor parecem piscar, distantes demais, e meus pés não obedecem como deveriam. Mal conseguia manter a bolsa suspensa em meu ombro. Fiz um grande esforço para sair do salão sem que notassem que havia algo errado comigo. Não me lembro de ter pegado o elevador. Só lembro de uma sensação estranha na garganta, de um calor que subia devagar, de tentar me manter de pé enquanto me apoiava nas paredes… e então escuridão. Até que sinto mãos fortes me segurarem com firmeza. — Não se mexa. — A voz é baixa, rouca, e deveria me assustar. Mas por alguma razão, aquele timbre desconhecido me parece estranhamente familiar. — Você está bem? Levanto o rosto com dificuldade, os olhos pesados, e não consigo distinguir claramente quem é aquele homem. Mas sinto seu cheiro: notas de tabaco escuro, madeira de sândalo e algo mais — como chuva sobre concreto molhado, limpo e intenso. Suas mãos se firmam gentilmente e

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status