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♠️ CAPÍTULO 002

ผู้เขียน: Jenna Villaston
last update วันที่เผยแพร่: 2026-09-12 16:17:58

❀ Elara Vitorino

A cabeça dói como se alguém tivesse partido-a ao meio. As luzes do corredor parecem piscar, distantes demais, e meus pés não obedecem como deveriam. Mal conseguia manter a bolsa suspensa em meu ombro. Fiz um grande esforço para sair do salão sem que notassem que havia algo errado comigo. Não me lembro de ter pegado o elevador. Só lembro de uma sensação estranha na garganta, de um calor que subia devagar, de tentar me manter de pé enquanto me apoiava nas paredes… e então escuridão.

Até que sinto mãos fortes me segurarem com firmeza.

— Não se mexa. — A voz é baixa, rouca, e deveria me assustar. Mas por alguma razão, aquele timbre desconhecido me parece estranhamente familiar. — Você está bem?

Levanto o rosto com dificuldade, os olhos pesados, e não consigo distinguir claramente quem é aquele homem. Mas sinto seu cheiro: notas de tabaco escuro, madeira de sândalo e algo mais — como chuva sobre concreto molhado, limpo e intenso.

Suas mãos se firmam gentilmente em meus ombros enquanto sinto meu corpo pesar, esquentar, como se o chão inteiro estivesse girando devagar sob meus pés.

— Você foi drogada. Quem fez isso com você? — Há uma ponta de indignação em sua voz, contida e grave.

Ele está com raiva por mim, ou é apenas a minha confusão falando mais alto?

Sua pergunta me faz tentar reconstituir o que aconteceu. Eu estava cumprimentando os convidados quando Nico me entregou uma taça de champanhe, dizendo que havia sido Lionel quem mandara. Eu não quis recusar na frente de todos; afinal, ele havia construído tão bem aquela imagem de irmão atencioso e perfeito. Eu só queria manter as coisas tranquilas, discretas, até que eu conseguisse sair daquela família.

Lionel fez isso comigo.

O que ele pretende agora? O que planeja fazer comigo nesse estado? Quer me envergonhar? Me fazer perder o controle para então dizer que não consigo cuidar de mim mesma e tirar de mim tudo o que é meu?

Aqueles pensamentos se misturaram com a sensação que crescia dentro de mim: uma vertigem que não para, como estar sempre caindo sem tocar o chão; as paredes parecem respirar ao meu redor, mudando de lugar; meu próprio corpo parece pesado demais para comandar, enquanto uma onda de calor invadia minha pele, acompanhada de uma estranha inquietação, como se precisasse me mover mas não tivesse forças; a fala embolada, os pensamentos deslizando entre os dedos antes que eu conseguisse terminá-los.

Senti o homem pegar a alcança da bolsa em meu ombro e me puxar mais para si.

O pânico tomou conta de mim de uma vez.

Tentei me afastar do homem que me mantinha de pé, as palavras saindo sem nexo da minha boca, mas ele passou o braço ao redor da minha cintura para me sustentar. Senti o coração disparar em alerta. Ele não parecia querer me machucar, mas também não me soltava. Eu não tinha forças para me defender, e o simples fato de estar nos braços de um desconhecido, vulnerável e confusa, me deixou apavorada.

Não me recordo de muito mais depois que ele me ergueu no colo. Apenas ouvi o som abafado de uma porta se abrindo e fechando em seguida. Aquela vontade de gritar, de pedir ajuda, simplesmente se esvaziou de mim. Meus olhos se fecharam sem minha permissão, e afundei na escuridão, segura apenas pelo ritmo constante do coração dele contra o meu ouvido.

Quando finalmente despertei, vi a mão daquele homem segurando um pano úmido, passando-o com delicadeza sobre minha clavícula, logo acima do colo do meu vestido. Ele havia me colocado no sofá, apoiada de forma confortável nas almofadas. Sentado ao meu lado, ele deslizava o tecido carinhosamente sob minha pele, a manga de sua camisa branca estava dobrada até o cotovelo, as veias saltadas em seu antebraço se moviam levemente conforme ele cuidava de mim. Havia uma calma em seus gestos que não fazia sentido nenhum — como se ele tivesse feito isso mil vezes antes.

Meus olhos percorreram devagar, do seu braço até o seu rosto, enquanto a clareza voltava aos poucos.

E aquele rosto… eu conhecia aquele rosto. Ou melhor, senti que o conhecia. Os traços tinham amadurecido, endurecido um pouco, mas os olhos… aqueles olhos eram os mesmos que eu nunca consegui esquecer.

Donomie?

O coração deu um salto no peito, acelerado não apenas pelo choque. Estava assustada — afinal, era praticamente um estranho para mim agora —, mas também pela ternura confusa que aquele rosto despertava em mim. Um homem que desapareceu sem uma palavra agora estava aqui, tão perto, cuidando de mim de forma tão íntima e silenciosa. Isso era perigoso. Era errado. E ao mesmo tempo… parecia o lugar mais seguro que eu estivera em anos.

— Você… — comecei, a voz ainda fraca. — Onde… como você…

Ele afastou-se um pouco, respeitando meu espaço, mas seus olhos não se afastaram de mim nem por um instante.

— Não force a voz ainda. A droga ainda está fazendo efeito. Vai doer menos daqui a pouco — disse baixo, mas sem se afastar completamente. Como se estivesse pronto para me segurar caso eu precisasse.

— Quem fez isso com você? — perguntou de novo, mais suave, mas com aquela mesma firmeza na voz. — Eu preciso saber.

Engoli em seco, sentindo o peso da verdade. Mas não consegui responder de imediato. Porque enquanto eu olhava para ele, uma pergunta gritava mais alto que todas as outras: Por que ele estava aqui? E por que, apesar de tudo, eu não queria que ele fosse embora?

O vi deixar o pano úmido em cima da mesa de centro. Ele se agachou em minha frente e senti seus dedos tocarem meus pés com cuidado. Ele tirava meus saltos devagar, como se o seu toque pudesse me queimar.

Ouvi sua respiração pesada, e conforme meus olhos ainda pesavam, quase se fechando novamente, o vi fazer uma expressão dolorosa. Donomie apoiou o queixo em meus joelhos, respirou fundo e seus olhos me encararam como se lutassem contra algo dentro de si.

Ele ficou ali, em minha frente, como um cão de guarda apoiando o rosto em minhas pernas, me observando como quem queria algo que não podia pedir.

Suas mãos envolviam meus tornozelos devagar, seus dedos pareciam elos me prendendo àquele lugar, ao seu olhar.

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