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♠️ CAPÍTULO 006

ผู้เขียน: Jenna Villaston
last update วันที่เผยแพร่: 2026-10-23 19:51:59

❀ Elara Vitorino

Era sempre assim.

Sempre que Lionel perdia o controle de algo, sempre que algo dava errado, ele vinha até mim, com a desculpa de que precisava de algo para descarregar sua frustração.

No começo, a raiva sem motivo que ele sentia por mim o fazia apenas me menosprezar. Mas com o tempo, Lionel passou a querer muito mais do que simplesmente me insultar. E eu podia ver a satisfação em seus olhos sempre que conseguia me colocar em uma posição em que eu me sentisse pequena — onde ele podia fazer o que quisesse comigo, como se tivesse algum direito sobre mim.

Era como se ele precisasse provar algo para si mesmo.

Nunca entendi o porquê de tanto ódio, mas sabia que não era apenas isso que ele sentia por mim. E talvez fosse por desejar algo que não podia ter que sua raiva tivesse surgido.

(...)

Passei o dia inteiro coordenando equipes, tentando manter os boatos sob controle entre os hóspedes — o que era praticamente impossível —, acalmando funcionários e cuidando de cada detalhe operacional. Mas minha cabeça estava a quilômetros de distância. Quando finalmente tive um momento livre, saí sem fazer alarde. Precisava de ar. Precisava conversar com Nora, minha melhor amiga desde a faculdade.

Fui até o LUMEN, o clube noturno onde ela trabalhava. Era por volta das dez horas da noite. Sentei-me num canto escuro do balcão, pedi uma bebida, e depois outra. Sempre fui cautelosa, raramente bebia — mas hoje cada gole parecia afogar, ainda que momentaneamente, os pensamentos que giravam sem parar na minha cabeça.

Nora ia e vinha, tentando ao mesmo tempo acompanhar tudo o que havia acontecido comigo e não trocar os drinks dos clientes.

Em algum momento, ela foi ao banheiro e demorou mais do que o esperado. Eu estava apoiada no balcão, os sentidos já turvos, quando uma mão pesada pousou em meu ombro.

— Está sozinha? — A voz era rasteira, carregada de uma intimidade que eu não lhe havia dado. — Posso te fazer companhia.

Afastei-me, mas ele avançou, os dedos cerrando em meu pulso com uma pressão que doeu.

— Me solte — murmurei, tentando me desvencilhar. — Não quero companhia.

— Todo mundo quer a minha companhia por aqui — riu, aproximando-se demais.

E então o som cortou o ar.

BANG.

Seco, nítido, assustadoramente perto. O grito do homem se misturou à música; ele recuou, levando a mão direita ensanguentada contra o peito, os olhos arregalados de choque. O silêncio que se seguiu foi pior que o próprio tiro — pesado, atônito. As pessoas se afastaram rapidamente, como se houvesse uma praga no local.

— Ninguém toca no que não foi dado a você.

Aquela voz soou calma, porém carregada de repúdio. Não era alta, mas comandou o ambiente inteiro. Virei-me devagar, o mundo girando levemente ao meu redor. Ele estava ali — Donomie. De pé, na penumbra, a arma ainda erguida na altura da cintura, firme, sem tremer nem um milímetro. Seus olhos não estavam no homem gemendo no chão. Estavam em mim.

Os seguranças do clube se aproximaram correndo, mas ao verem quem era, pararam imediatamente. Inclinaram a cabeça em um aceno respeitoso.

— Senhor Krieger.

Senhor Krieger. Era o nome dele, mas dito com uma deferência que me deixou ainda mais confusa. Não o conheciam como o garoto que sumiu anos atrás. O conheciam como alguém que mandava ali.

— Levem-no embora — disse Donomie, sem tirar os olhos de mim. — E se ele voltar… não haverá próxima vez.

Guardou a arma num movimento calmo, quase casual, como se fosse um guarda-chuva e não algo que poderia tirar uma vida. Caminhou até mim e eu me encolhi instintivamente — não de medo dele, mas do que tudo aquilo significava.

— Você bebeu demais — sussurrou, sua proximidade fazendo meu coração acelerar de um jeito que eu odiava admitir que ainda conseguia. — Venha.

Não recusei. Não consegui. Deixei que ele me guiasse para fora, para o ar fresco da noite, até um sedã preto imenso e silencioso estacionado em frente. Ele abriu a porta para mim e, quando me acomodei no banco de couro escuro, entrou ao meu lado e o veículo partiu suavemente pelas ruas iluminadas de Las Vegas.

O silêncio durou alguns minutos, mas não era desconfortável. Era carregado.

— Você continua dando trabalho, não importa quanto tempo passe — falou, sem tirar os olhos da estrada.

— Se isso te incomoda… — umedeci os lábios — …por que simplesmente não me ignora? Como fez todo esse tempo.

Donomie olhou para mim de relance e voltou a atenção para a estrada.

— Está brava comigo, Passarinha?

Eu o encarei, mesmo ele estando focado no caminho. Encarei-o como se ele pudesse sentir meus olhos queimando-o.

— Eu é quem deveria estar — soltei um riso anasalado. — Não é como se você tivesse sentido a minha falta, é?

Como palavras tão simples podiam me magoar tanto?

— Por quê? Foi você quem sumiu e reapareceu como se fosse outra pessoa depois de anos. Sem explicação, sem sequer tentar me dizer o motivo de não ter me procurado nenhuma vez!

— O que eu fiz para você? — tentei não soar desesperada, mas ele permaneceu quieto, então mudei de pergunta. — Quem é você, Donomie?

Ele ficou sério. O silêncio que veio a seguir pareceu mais pesado, e então ele me olhou nos olhos por um momento. As veias do seu antebraço estavam visíveis enquanto ele dirigia.

— Você disse que não precisávamos falar sobre isso. O que a fez mudar de ideia?

— Se vai responder todas as minhas perguntas com mais perguntas, prefiro que pare o carro e me deixe aqui — retruquei, mais brava do que queria demonstrar.

— Primeiro, você precisa me dizer quem foi que te drogou — me olhou novamente, com a expressão mais suave. — Só então eu deixo você no seu hotel.

— O quê? — franzi o cenho.

— Quem tentou se aproveitar de você, Elara? — perguntou sem rodeios. — Preciso saber.

A pergunta me pegou de surpresa. Balancei a cabeça, olhando pela janela, evitando encontrar seu reflexo no vidro escuro.

— Não quero falar sobre isso. Além do mais, por que se importa tanto com isso agora, se parece nunca ter sentido nada por mim?

Ele respirou fundo, mas não insistiu.

— Me importo porque não foi para isso que te deixei segura — aquela frase, aquele tom, de alguma forma pareciam conter mais significado do que ele queria me dizer.

Eu procurava uma forma de arrancar mais palavras dele, algo que me desse uma pista do que ele queria dizer, mas então o vi exclamar baixinho ao olhar para o outro lado da estrada.

— Droga, Elara. Não me faça descobrir por mim mesmo. Seja flexível pelo menos uma vez e me dê um nome. Apenas um nome, e eu faço ele sumir, assim como desapareci anos atrás.

— Quem você pensa que é? — perguntei mais firme, sentindo o álcool me deixar menos cautelosa. — É um justiceiro, por acaso? Ou meu namorado? Se me lembro bem, foi você quem prometeu ficar comigo para sempre e depois sumiu. — Soltei o cinto de segurança. — Não há nada que você possa fazer agora. Fazer um único homem sumir da minha vida não apaga tudo que passei na sua ausência.

Ele virou o rosto e nossos olhos se encontraram. Havia uma intensidade ali que me fazia querer desviar o olhar e ao mesmo tempo me prendia como uma âncora.

— O que aconteceu na minha ausência? — Ele parou o carro bruscamente.

Engoli em seco. Sem querer, percebi que acabara de falar demais, e ainda assim joguei a culpa nele, mesmo ele não sendo nada além de um garoto por quem estive apaixonada. Alguém que não tinha o dever de cuidar de mim.

Abri a porta e desci rapidamente. Ouvi ele chamar meu nome, quase gritando. A rua não estava muito movimentada e o frio da noite atingiu minha pele como espinhos.

Donomie saiu do carro e veio até mim, com uma ponta de irritação. Me pegou no colo como havia feito na noite anterior.

— O que está fazendo? Me põe no chão agora! — Gritei.

— Isso. Grita. E vamos ver no que dá.

— Você é maluco! — Bati contra seu peito.

Ele me colocou de volta no banco sem esforço, como se eu não pesasse nada. Se debruçou e colocou o cinto de segurança em mim. Eu reclamava o tempo todo e ele parecia quase se divertir com a situação — até que vi seu sorriso sumir quando seus olhos pararam no meu pescoço.

Ele se afastou, fechou a porta, contornou o carro e entrou novamente. Sério. Sombrio.

Levei a mão até o local arroxeado que eu nem lembrava mais que estava ali — a marca que Lionel tinha deixado naquela manhã. E então ouvi Donomie dizer, baixo e cortante:

— Parece que o seu dia não foi assim tão difícil.

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