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Capítulo 4

Author: Aquino
last update publish date: 2021-08-05 09:57:51

Matheson

Dizem que o preto é a cor do mistério, mas para mim, é a cor do poder.

Meu nome é Matheson. Sou negro, alto, e carrego no corpo as marcas de quem não veio ao mundo para ser figurante. Se você perguntar para as mulheres que cruzam o meu caminho, elas vão usar adjetivos bem mais diretos: "gostoso" é o favorito delas. E eu? Eu não discuto com fatos. Adoro ouvir, adoro o efeito que causo e, principalmente, adoro o controle que isso me dá.

Mas não se deixe enganar pela fachada de predador noturno. Por trás dos ternos sob medida e do olhar que promete pecados, existe um homem que se derrete por um "pequeno príncipe" de seis anos. Meu filho é minha vida. Sou divorciado, e graças a Deus — e a muita maturidade — me dou muito bem com a minha ex-mulher. Afinal, nosso filho merece o melhor de nós dois, e eu faço questão de ser o herói dele, não o vilão da história da mãe.

Minha trajetória profissional me levou longe. Conheci meu sócio e irmão de alma, Kevin, na Alemanha. O santo bateu logo de cara. Entre drinks caros e conversas que duravam até o sol raiar, aceitei o desafio de ser seu administrador e braço direito. Nossa relação transcende o crachá: somos amigos, cúmplices.

Eu vi de perto as sombras do Kevin. Conheci a Sam, a filha linda dele, e a mulher que ele chamava de esposa — uma criatura que eu odiei no primeiro segundo. Ela olhava para mim como se quisesse me devorar, mas tratava a própria filha com um desdém que me fazia ferver o sangue. O Kevin nunca a amou. O coração daquele homem ficou preso no passado, em uma garota que era tratada como escrava pelos pais em São Paulo. Outra raça de gente que eu aprendi a desprezar sem moderação.

Meu amigo é um romântico incurável escondido sob a pele de um magnata. Ele chora falando dessa menina, que hoje deve ser uma mulher. Treze anos... ele tinha treze anos quando se apaixonou. Quem diria que um sentimento de infância teria força para moldar o império que ele construiu na Europa?

Quando o Kevin decidiu voltar para o Brasil e expandir os negócios, ele me deu a missão da minha vida. Além de administrador, sou arquiteto. Ele queria uma boate que fosse o ápice do luxo e do desejo em São Paulo. Ele me deu carta branca, e eu projetei cada centímetro da Blackout.

Foi um trabalho árduo. Noites em claro revisando plantas, lidando com empreiteiros, escolhendo o veludo das poltronas e o sistema de som que faria o peito dos clientes vibrar. O resultado final me deu um orgulho absurdo. A boate ficou linda, um santuário para quem busca esquecer a vida lá fora.

A noite da inauguração chegou e eu estava morto. O cansaço pesava nos meus ombros, mas a adrenalina de ver a casa cheia me mantinha em pé. Eu já tinha planejado meu descanso: ele teria nome, sobrenome e curvas generosas. Simone, minha "amiga com benefícios" de longa data, já tinha avisado que estaria lá. Ela é gostosa demais, uma mulher que sabe exatamente como descarregar a minha tensão entre quatro paredes. Eu estava pronto para foder com ela até o amanhecer e apagar o estresse da reforma.

Às dez da noite, as portas se abriram. O local inundou de gente bonita, perfume caro e notas de cem reais. O "papai" aqui adora observar as gatinhas. Sou meio complicado para relacionamentos sérios — a ex-mulher foi a última a ter meu coração no papel —, então fico na segurança da Simone de vez em quando.

Mas então, no meio da multidão, eu a vi.

Caramba.

No palco improvisado, uma loira estava rebolando como se o mundo fosse acabar em cinco minutos. E que rebolado, senhoras e senhores. A pele dela parecia brilhar sob o neon, tão clara que chegava a ser hipnótica. Naquele exato momento, minha mente viajou para um lugar perigoso. Eu já conseguia imaginar aquela "Branquinha" rebolando em cima de mim, a bucetinha rosada sendo devorada pelo meu pau enquanto ela gritava o meu nome.

Cacete. Meu pau deu sinal de vida na mesma hora.

Eu queria beijar aquela boca, explorar cada curva daquele corpo delicioso. Eu a chuparia até não aguentar mais, até ela implorar por trégua. Fiquei ali, imóvel, observando-a se esfregar em outro cara na pista. Senti uma pontada de inveja daquele idiota que eu nunca tinha sentido por ninguém.

Ela sumiu por um tempo, mas meus olhos continuaram vasculhando o salão como um radar. Só voltei a vê-la quando o Kevin subiu para falar no microfone. Ela estava lá, acompanhada de uma negra muito bonita — que eu percebi ser a tal Hadiya, a assistente que o Kevin tanto mencionava. Mas meus olhos não saíam da loira. E para o meu delírio, ela estava me olhando de volta.

Nossos olhares se cruzaram no meio do caos. Foi rápido, mas intenso o suficiente para fazer meu sangue entrar em ebulição.

Eu ia para a minha sala, pronto para interceptar a loira de algum jeito, mas a Simone chegou. Ela me agarrou, me beijou com vontade, marcando território. Eu retribuí, tentei focar na mulher que estava nos meus braços, mas era impossível. Mesmo beijando a Simone, meus olhos buscavam a loira, que agora estava aos beijos com um idiota qualquer.

Que desperdício. Que azar do inferno.

As horas passaram e a boate continuou bombando, mas meu ânimo tinha evaporado. A loira foi embora com o cara — provavelmente o namorado dela. Aquilo me atingiu de um jeito estranho. Fazia anos, desde a minha ex, que uma mulher não mexia com o meu sistema desse jeito só com um olhar.

Cheguei em casa possesso. Entrei, joguei as chaves no sofá e fui direto para o banho, tentando lavar a imagem daquela "Branquinha" da minha mente. Inútil. A água gelada não esfriava o que ela tinha acendido.

— Que porra está acontecendo com o meu cérebro? — rosnei sozinho no chuveiro.

Eu não conseguia tirar aquele rosto perfeito da cabeça. A pele alva, o jeito desinibido, a energia que ela emanava. Eu estava louco por ela, e se eu pudesse, a arrancaria dos braços daquele homem sem pensar duas vezes.

Eu poderia ter trazido a Simone. Estávamos no maior amasso na boate, o caminho estava livre, mas eu não consegui. Ficava pensando na loira e acabei me despedindo da Simone no estacionamento. Agora, aqui estou eu: sozinho, ereto e puto da vida.

Eu devia estar transando gostoso agora, descarregando o estresse em um corpo familiar, mas estou aqui tendo fantasias com uma desconhecida que mal me deu bom dia. Nunca pensei tanto em uma mulher logo de cara. O que diabos está acontecendo comigo?

Estou com uma vontade de transar que beira o desespero. Meu corpo exige uma vagina, exige o toque, exige o alívio que só o sexo selvagem proporciona.

— Inferno! — soquei a parede do box.

Vou ligar para a Simone. Ela sabe onde eu moro, somos amigos há anos, muito antes do meu casamento. Ela conhece minha história, sabe das minhas perdas e aceitou o trato de "ficar sem compromisso". Eu preciso de uma boca na minha agora, ou vou acabar perdendo o juízo.

Aquela Branquinha não sai da minha cabeça... o cara que estava com ela deve ser o namorado. Azar o dele. Porque se eu cruzar o caminho dela de novo, eu não vou ser tão educado quanto fui hoje, apenas observando de longe.

Eu sou Matheson, e eu sempre consigo o que quero. E agora, eu quero ela.

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