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Capítulo 3

Author: Alyssa J
Quando soltei a palavra “divórcio”, Damien pareceu ter levado um tapa no rosto. Um lampejo de dor atravessou seus olhos — rápido demais — antes que ele o escondesse.

Ele fez um gesto para que a empregada levasse Lily embora e me seguiu até o closet.

— Amor, eu sei que você está sofrendo por causa do seu pai. Estou fazendo tudo o que posso. Já entrei em contato com uma equipe de especialistas no exterior. Mesmo que haja apenas 1% de chance, eu não vou desistir dele.

Ele se aproximou, tentando me envolver em um abraço.

— Mas você não pode descontar sua raiva numa criança só porque está magoada e muito menos sair falando em “divórcio”. Nosso casamento é uma piada para você? E a Lily... Ela só é uma criança carente. A marca na bochecha dela ainda nem sumiu. Hoje é o aniversário dela. Você pode, por favor, deixar isso para lá?

Ele alisou meu cabelo, o tom passando de suplicante para autoritário.

— Hoje à noite é a festa de treze anos da Lily. Você é a senhora desta casa, precisa estar presente. Sei que vocês têm problemas, mas conversamos sobre isso amanhã, tudo bem?

Sorri por dentro. Amanhã não haverá conversa nenhuma. Até lá, os papéis do divórcio já estarão aqui.

Antes do início da festa, Lily entrou no meu closet sem bater. Os olhos dela percorreram minhas prateleiras como se estivesse escolhendo mercadoria, até fixarem na bolsa Hermès que eu segurava.

— Papai, essa bolsa combina perfeitamente com o meu vestido. Posso usar hoje à noite?

Ela se agarrou ao braço de Damien, manhosa, enquanto me lançava um olhar claramente provocador.

Damien nem sequer pediu minha opinião. Ele assumiu que eu concordaria.

— Aria, já que a Lily gostou, deixa ela usar hoje.

Mantive o rosto inexpressivo, embora por dentro estivesse tomada de desprezo. Entreguei a bolsa sem discutir.

— Tanto faz. Pode levar.

Quando a festa começou, a atuação de Damien foi digna de prêmio. Ele encenou um marido atencioso, impecável, braço firme na minha cintura, bloqueava qualquer bebida que me oferecessem. Ajustava meu xale com cuidado. Fomos cercados por olhares invejosos e elogios vazios.

— O senhor Damien é tão atencioso. Você é tão sortuda, Aria.

Meu rosto permaneceu neutro. Pelo canto do olho, vi Lily nos observando, incapaz de esconder o ciúme queimando em seu olhar.

Quando fui ao banheiro, ela me seguiu. Certificou-se de que estávamos sozinhas e então, de repente, empurrou a bolsa Hermès com força contra meu peito. O impacto doeu.

— Aqui! Fica com isso!

Ela olhou para a bolsa com desprezo como se fosse lixo contaminado.

— Está fora de moda. Só uma velha ridícula como você trataria isso como um tesouro. Não quero carregar o seu lixo.

Soltou uma risada fria e saiu pisando duro. Respirei fundo e voltei para o salão principal.

Cheguei a tempo de ouvir um grito.

— Minha pulseira! Minha pulseira de diamantes da Cartier sumiu!

Era a senhora Blackwood. O salão inteiro entrou em alvoroço. A peça era edição limitada, valia milhões — ela a exibira a noite inteira.

Lily deu um passo à frente, com o rosto puro e inocente. Disse alto o suficiente para todos ouvirem:

— Senhora Blackwood, era aquela pulseira de pantera com diamantes?

A mulher assentiu freneticamente.

Lily levou a mão à boca, fingindo choque.

— Ah, não... Eu acho que vi essa pulseira na bolsa da minha mãe quando estava no banheiro.

Ela cobriu a boca rapidamente, como se o segredo tivesse escapado sem querer.

Todos os olhares se voltaram para mim.

Olhei para Damien.

Naquele segundo, o rosto dele mudou. Ele sabia melhor do que ninguém que Lily estava com a bolsa o tempo todo.

Ele se aproximou e sussurrou no meu ouvido, a voz quase implorando:

— Aria, entrega a pulseira. Faz isso por mim. Não faz escândalo.

— Como é? — encarei-o, incrédula.

Ele não esperou resposta. Arrancou a bolsa das minhas mãos e, diante de todos, enfiou a mão no bolso interno.

Um segundo depois, a pulseira Cartier brilhava entre seus dedos.

O salão inteiro prendeu a respiração.

Damien apertou a joia e se virou para a dona.

— Senhora Blackwood, sinto muitíssimo. Minha esposa anda... emocionalmente instável ultimamente. Deve ter gostado da sua pulseira e a pegado por engano. Poderia relevar, por mim? Afinal, assinaremos aquele contrato de parceria amanhã.

A Senhora Blackwood estava furiosa, mas olhou para Damien e pensou no contrato milionário.

Então forçou um sorriso.

— Já que você está pedindo, Damien. Claro. Foi só um mal-entendido.

Os convidados começaram a cochichar.

— Meu Deus, Damien é um santo.

— A esposa rouba em público e ele ainda usa um contrato enorme para protegê-la.

Fiquei ali, imóvel, ouvindo aqueles elogios absurdos. Damien voltou para mim, me puxou para seus braços e retomou a encenação.

— Está tudo bem, Aria. Estou aqui. Ninguém pode te machucar.

Nesse instante, sirenes ecoaram do lado de fora.

Policiais entraram diretamente no salão.

O oficial à frente tinha expressão severa.

— Quem ligou para a emergência? Recebemos denúncia de furto qualificado.

A senhora Blackwood correu até eles.

— Foi um mal-entendido, já resolvemos...

— Mal-entendido? — o oficial franziu a testa. — Sabia que fazer uma denúncia falsa é crime? Quem fez a ligação?

Lily, escondida atrás das pessoas, começou a chorar alto. Encolheu-se, tremendo.

— Desculpa... Eu liguei... Eu vi a mamãe pegar e fiquei com medo... Eu não quis...

No momento em que ficou claro que Lily poderia ser responsabilizada, o braço de Damien em volta da minha cintura enrijeceu. Ele empalideceu. Inclinou-se e falou rápido no meu ouvido:

— Aria, você precisa assumir isso. Por favor. Faz isso por mim. Eu compenso você depois. Dou o que quiser. Mas Lily não pode ter uma ficha criminal. Ela é só uma criança. Prometo que vou discipliná-la depois e fazê-la pedir desculpas.

Antes que eu pudesse abrir a boca, ele ergueu a cabeça e disse claramente ao policial:

— Desculpe, senhor. Foi minha esposa quem roubou a pulseira.

Quando as algemas frias se fecharam em meus pulsos, meu corpo começou a tremer incontrolavelmente. Um terror profundo, gelado, subiu pela minha garganta, sufocando qualquer palavra.

Damien sabia.

Antes de nos casarmos, eu contei a ele meu maior trauma. Quando tinha dez anos, fui acusada injustamente de roubar o relógio de luxo de uma colega. Passei três dias na detenção juvenil.

Foram três dias de pesadelo que ainda me assombram.

As garotas mais velhas me forçaram a beber água do vaso sanitário. Bateram minha cabeça contra a parede. Me despiram para me humilhar.

Depois que saí, fiz três anos de terapia. Até hoje, não consigo ficar sozinha em espaços fechados.

Damien jurou, jurou que nunca deixaria ninguém me machucar assim de novo. Prometeu me proteger.

E agora era ele quem estava me empurrando de volta para o inferno com as próprias mãos.

Damien sequer conseguiu me olhar nos olhos. Virou o rosto, concentrando-se em Lily, que fingia chorar atrás de um lenço. A voz dele soou seca, vazia.

— Aria, vá com eles. Vou mandar meu advogado te tirar de lá. Você sai logo. Só... aguente um pouco.
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