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Meu Marido Escolheu a Filha Adotiva e Eu Fui Embora
Meu Marido Escolheu a Filha Adotiva e Eu Fui Embora
Autor: Alyssa J

Capítulo 1

Autor: Alyssa J
Há um mês meu pai foi atropelado e ficou em estado vegetativo.

Quando recebi a notícia, quase desmaiei. Perdi minha mãe ainda criança, então foi meu pai quem me criou sozinho. Quando finalmente voltei, meu marido, Damien, segurava minha mão com força.

— Eu resolvo isso, amor — ele prometeu, apertando meus dedos. — Juro que vou encontrar o desgraçado que fez isso com seu pai e fazê-lo pagar.

Mas, no fim, o caso foi encerrado porque não havia câmeras de vigilância no local do acidente.

Mas quando fui ao hospital visitá-lo, acabei ouvindo por acaso uma conversa entre Damien e seu assistente.

— Chefe, eu não entendo. Por que bloquear a craniotomia? — o assistente perguntou, confuso. — Os médicos disseram que há uma grande chance de ele se recuperar. Por que o senhor insiste no tratamento conservador?

— Ele não pode acordar — a voz de Damien saiu baixa, carregada de dor. — Ele viu o rosto da Lily.

Tapei a boca com a mão, as unhas cravando na minha pele.

Lily é filha adotiva de Damien e de sua falecida ex-esposa, Sarah. Sarah morreu salvando Damien, e desde então ele sempre tratou Lily com uma mistura de culpa e indulgência absoluta.

Damien continuou, o tom cheio de conflito:

— Mas a Lily não fez isso de propósito! Ela tem só treze anos... Se tiver uma ficha criminal, a vida dela estará acabada. O último desejo da Sarah, antes de morrer, foi que eu cuidasse da Lily e a visse crescer em segurança. Eu não posso desistir dela.

O assistente ficou em silêncio por alguns segundos.

— E quanto à sua esposa?

— Eu vou compensá-la — a voz de Damien suavizou. — Vou dar a ela a vida mais próspera possível. Vou garantir a melhor suíte particular e os melhores cuidadores para o pai dela. Não importa quanto custe.

Fiquei ali parada, o corpo gelado, lutando contra o impulso de invadir a sala e gritar com ele.

Três anos vivendo naquela casa já tinham me ensinado uma lição cruel: aos olhos de Damien, os vivos jamais poderiam competir com os mortos. E eu nunca poderia competir com Lily que carregava consigo uma verdadeira “carta branca” para escapar de qualquer punição.

Minha mente voltou para dois meses atrás, quando Lily caiu na piscina.

Ao ouvir os gritos por socorro, corri até lá. Ela se debatia na água.

Sem hesitar, mergulhei, arriscando a própria vida para empurrá-la até a borda. Ela se debateu o tempo todo, deixando arranhões pelo meu rosto e pescoço.

Engoli vários goles de água e minha panturrilha teve uma cãibra, quase me arrastando para o fundo.

Quando finalmente consegui sair da piscina, mal tive tempo de recuperar o fôlego. Lily já tinha se jogado nos braços de Damien, que acabara de chegar correndo.

Apontando para mim, tremendo e chorando com uma inocência de partir o coração, ela disse:

— Papai, ela disse que eu não merecia ser sua filha... e depois... depois me empurrou! Eu fiquei com tanto medo...

Eu estava encharcada e tremendo de frio.

— Eu não fiz isso! — tentei explicar. — Ela caiu sozinha. Eu só salvei ela...

— Chega! — Damien me interrompeu friamente. — Ela é só uma criança, Aria. Você realmente acha que ela mentiria? Pode se recusar a admitir seu erro, mas não deveria tentar incriminá-la.

Sem me dar chance de dizer mais nada, ele pegou Lily nos braços e foi embora.

Por causa desse episódio, ficamos um mês inteiro em guerra fria.

Até o dia do acidente do meu pai.

Tarde da noite, recebi uma ligação do hospital informando que ele havia sido atropelado e que o motorista fugira.

Quando cheguei, meu pai já estava na UTI.

Damien só apareceu na manhã seguinte.

Ele abandonou completamente a frieza. Os olhos estavam vermelhos. No instante em que me viu, me puxou para um abraço apertado, a voz trêmula.

— Me desculpa, Aria. Meu Deus, me desculpa... Eu nunca deveria ter me afastado de você. Você não deveria passar por isso sozinha.

Naquele momento, eu achei que ele realmente me amava. Achei que ele não suportava me ver sofrer sozinha.

Nos dois meses seguintes, ele se transformou no marido perfeito.

Cancelou todos os compromissos de negócios e passou a voltar para casa pontualmente todos os dias para jantar comigo.

Garantiu que meu pai recebesse os melhores medicamentos e contratou três cuidadores de alto padrão para se revezarem cuidando dele.

Pensando agora, tudo não passou de encenação, era para me acalmar, para me distrair, para impedir que eu investigasse a verdade por trás do acidente do meu pai.

Tudo o que ele fez foi para proteger sua filha adotiva, Lily.

Meu coração se encheu de ódio.

Três anos atrás, meu pai foi contra meu casamento com Damien — um homem divorciado, criando uma filha sozinho.

Ele me alertou que ser madrasta era uma tarefa ingrata. Mas eu não ouvi. Acreditava que o amor verdadeiro poderia superar qualquer coisa.

Quando nos casamos, Damien me contou que sua ex-esposa, Sarah, morreu salvando sua vida, e que ele carregava uma culpa profunda por isso.

Lily era órfã. Sarah a viu sendo brutalmente intimidada em um orfanato e decidiu adotá-la. Como Sarah não podia ter filhos, Lily era a única pessoa no mundo à qual ela estava verdadeiramente ligada.

No início do nosso casamento, eu também sentia pena de Lily.

Achei que, se amava Damien, deveria aceitar aquela criança que havia perdido a mãe.

Mesmo quando Lily rasgou meu vestido de noiva na noite anterior ao casamento, ou quando derramou óleo na escada para me fazer cair.

Damien sempre dizia:

— Ela é só uma criança. Não fez por mal.

Eu ficava magoada, mas nunca guardei rancor.

Mas ela jamais deveria ter tocado no meu pai.

Com as mãos trêmulas, baixei a gravação da conversa que acabara de ouvir e a salvei em um pendrive.

Desta vez, eu mesma me vingarei!
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