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O ar condicionado da sala de reuniões principal da Maison Cha funcionava no ápice de sua potência, mas a atmosfera interna estava sufocante. Sentada na cabeceira da imensa mesa de jacarandá polido, no topo do trigésimo andar da sede em Seul, Cha Min-seo mantinha uma postura impecável. O terno feminino cinza-chumbo moldava-se perfeitamente aos seus ombros, e a expressão em seu rosto era de puro gelo.
À sua direita, em pé e ligeiramente inclinado com um tablet de couro em mãos, estava seu secretário de extrema confiança, Secretário Park. Ele acompanhava cada movimento da sala com o rigor de quem conhecia exatamente o ritmo e a exigência inflexível de sua chefe.
No telão central, o diretor do departamento de suprimentos apresentava o slide da nova coleção — um conceito autoral desenhado à mão pela própria Min-seo.
— Como podem ver neste gráfico de produção, a textura proposta pela nossa diretora exige leveza absoluta — explica o diretor, limpando o suor frio da testa com o lenço. — Para viabilizar a produção em massa da linha de primavera, selecionamos o melhor fornecedor de fios de seda sintética com trama reforçada...
— Selecionaram? — A voz de Min-seo cortou a sala como uma lâmina. O tom não era alto, mas a autoridade natural fez o diretor estancar a fala no mesmo instante.
Min-seo estendeu a mão sem desviar o olhar do telão. O Secretário Park, adivinhando o gesto imediatamente, deu um passo à frente e colocou sobre a mesa o pequeno recipiente de acrílico transparente que continha as amostras dos fios enviados pelo fornecedor.
A herdeira deslizou a tampa com movimentos lentos e calculados. Ela retirou um único cabo da fibra reluzente. Seus dedos finos, com unhas perfeitamente alinhadas, tencionaram o fio. Ela não aplicou força excessiva — apenas a pressão exata que o caimento de um vestido de alta-costura exigiria ao ser vestido.
Snap.
O fio se rompeu instantaneamente, dividindo-se em farpas frágeis entre suas pontas dos dedos.
Um silêncio sepulcral dominou a sala de conferências.
Min-seo soltou os pedaços rompidos sobre a mesa de madeira, encarando o recipiente como se ali houvesse um insulto pessoal. Ela se encostou na poltrona de couro, cruzando os braços, e fixou os olhos afiados no diretor de suprimentos.
— Isso é uma porcaria — declarou ela, com a voz fria e carregada de desprezo. — Esta é a fibra que você pretende usar para dar vida aos meus esboços? Isso não aguentaria a estrutura de uma costura lateral, quanto mais o caimento de um modelo exclusivo da Maison Cha.
— Diretora Cha, por favor, considere o custo de produção e o prazo... — tentou intervir o diretor, elevando a voz em um misto de desespero e defensiva. — Estamos a dois meses do desfile de Seul! Trocar a tecelagem agora inviabiliza o orçamento aprovado pelo conselho!
— Eu não me importo com a sua incompetência em negociar prazos — rebateu Min-seo, inclinando-se para a frente e apoiando as mãos espalmadas sobre a mesa, os olhos faiscando. — A Maison Cha não vende panos rasgados a preço de ouro. O meu nome está em cada traço dessa coleção. Se o material é medíocre, a assinatura que vai nele se torna medíocre. E eu não aceito nada menos que a perfeição.
— A senhora está sendo irredutível! O mercado exige flexibilidade! — altercou um dos conselheiros mais velhos, batendo com o punho na mesa para desafiar a autoridade da jovem CEO. — Seus padrões são irreais para a escala corporativa!
— O padrão é meu porque a empresa é minha — retrucou ela, a postura rija, a respiração compassada ocultando a tensão crescente em seu peito.
Ao seu lado, o Secretário Park deu um meio passo discreto, pronto para intervir na logística da crise, enquanto os diretores começavam a falar todos ao mesmo tempo, transformando a reunião corporativa em um campo de batalha acalorado de vozes alteradas e acusações veladas.
A gritaria na sala de conferências atingiu o ápice. Diretores gesticulavam, conselheiros trocavam acusações, e o ar tornou-se cada vez mais denso. Min-seo permaneceu imóvel por três segundos, absorvendo o caos antes de se levantar. O movimento simples fez a mesa inteira se calar de imediato.
— Esta reunião está encerrada — sentenciou ela, a voz fria cortando a sala como uma lâmina de aço. — Vocês têm exatamente 72 horas para apresentar uma solução decente para a tecelagem. Se em três dias um novo fornecedor de alto padrão não for homologado, a diretoria de suprimentos inteira será demitida.
Sem esperar por qualquer réplica, Min-seo girou sobre os saltos e caminhou a passos rápidos em direção à saída da sala VIP. O Secretário Park recolheu o tablet num movimento rápido e a seguiu de perto, mantendo a distância regulamentar de dois passos.
Enquanto cruzava o corredor de mármore em direção ao hall dos elevadores, Min-seo continuou a andar a passos firmes, sem sequer olhar para trás.
— O que mais temos na agenda para hoje, Secretário Park?
— A senhora tem uma visita técnica ao ateliê principal às quatorze horas, seguida de uma videoconferência com os investidores de Paris às dezesseis, Diretora Cha — respondeu ele prontamente, acompanhando o ritmo acelerado da chefe.
Min-seo parou subitamente a poucos metros do elevador executivo. No hall, dois diretores sêniores aguardavam a chegada da cabine. Ao notarem a presença da herdeira, ambos inclinaram a cabeça em sinal de respeito. Min-seo manteve a cabeça erguida e o queixo firme, a imagem perfeita da autoridade inabalável. No entanto, por baixo da manga de seu terno cinza-chumbo, a mão direita desceu discretamente até a barra do casaco. Suas unhas perfeitamente moldadas afundaram no tecido de lã fria, apertando-o com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.
Plim.
As portas espelhadas do elevador executivo abriram. Os diretores deram um passo para o lado, cedendo a passagem. Min-seo entrou na cabine metálica sem hesitar, seguida pelo Secretário Park. As portas de aço se fecharam, selando o espaço reduzido.
A cada andar que o elevador descia, a pressão no peito de Min-seo aumentava. O ar parecia desaparecer. Ela manteve o olhar fixo no painel digital iluminado, mas a ponta de seus dedos cravou-se ainda mais fundo no tecido do casaco, torcendo o pano em uma tentativa desesperada de manter o controle sobre o próprio corpo.
Quando o indicador finalmente marcou o térreo e a porta se abriu para o imenso saguão de vidro da Maison Cha, Min-seo deu um passo para fora. Ela puxou o ar lentamente pelo nariz, preenchendo os pulmões de forma imperceptível, sem jamais perder a postura rija.
— Vou ao banheiro. Me espere aqui, volto logo — declarou ela a Park, sem encará-lo.
— Sim, Diretora.
Ela caminhou a passos rápidos até o banheiro feminino privativo da diretoria, localizado lateral direita do térreo. Assim que cruzou a porta e girou a tranca metálica, a máscara de ferro ruiu por completo.
Min-seo encostou as costas contra a porta de madeira e deslizou até o chão. Ela cobriu a boca com as duas mãos para abafar os soluços violentos que irromperam de seu peito. As lágrimas quentes inundaram seu rosto, borrando o contorno dos olhos. O pavor contido durante cada segundo dentro daquela caixa de metal fechada transbordou em um choro desesperado e silencioso. O pânico da claustrofobia, alimentado pelas memórias sufocantes daquele trágico acidente de dez anos atrás, consumia cada fibra de seu ser.
Do lado de fora, no hall de entrada iluminado, uma das recepcionistas sêniores da empresa aproximou-se discretamente do Secretário Park, segurando uma prancheta.
— Secretário Park... desculpe a curiosidade, mas a Diretora Cha sempre vai ao banheiro imediatamente após subir ou descer pelo elevador executivo. É um hábito peculiar, não acha?
Park ajustou os óculos no rosto e respondeu em tom neutro, sem dar margem para fofocas:
— Todo mundo tem seus hábitos, Senhorita Kim. Concentre-se no seu trabalho.
A funcionária curvou-se rapidamente e retornou ao seu posto.
Poucos minutos depois, a porta do banheiro se abriu. Min-seo emergiu com a maquiagem impecavelmente retocada, a pele alinhada e a expressão ríspida reconstruída. Ninguém que a olhasse diria que, segundos atrás, ela estava de joelhos no chão, chorando copiosamente.
— Vamos — ordenou ela a Park.
Os dois caminharam juntos em direção às portas de vidro da entrada principal da Maison Cha. O motorista já aguardava com o sedã preto estacionado junto à calçada.
No instante em que Min-seo colocou os pés na área externa do prédio, o ronco alto de um motor rompeu o silêncio da avenida. Um carro de vidros escuros avançou em alta velocidade, derrapando em frente à entrada. Da janela traseira, o cano de uma arma automática foi projetado.
Pow! Pow! Pow!
O som dos disparos ecoou pelo saguão de vidro.
Antes que a primeira bala atingisse o alvo, o Secretário Park reagiu pelo instinto puro. Ele se projetou com todo o peso do seu corpo sobre Min-seo, empurrando-a violentamente para o lado. Ambos caíram juntos contra o piso de granito da calçada.
O carro acelerou cantando pneus, dobrando a esquina e desaparecendo no tráfego denso de Seul.
O caos se instalou na fachada da empresa, com gritos de funcionários e pedestres ecoando por todos os lados. Min-seo, atordoada pelo impacto da queda, tentou se erguer, mas sentiu algo quente e úmido sobre sua roupa.
Ao olhar para o lado, viu o Secretário Park caído sobre o gramado decorativo. Ele respirava com dificuldade, a mão contraídas sobre o ombro ensanguentado, enquanto uma mancha vermelha e densa se espalhava rapidamente pelo tecido de calça na altura da coxa.
— Secretário Park! — gritou ela, a voz firme finalmente fraquejando diante do horror da cena.
Após dançarem até os pés pedirem trégua e a respiração ficar entrecortada, Seo-jun guiou Min-seo pela mão subindo uma pequena escadaria lateral, afastando-se do mar de gente na pista principal. Eles entraram no camarote reservado do andar superior, onde o som alto da banda de rock chegava amortecido, transformando-se em uma melodia de fundo envolvente.O espaço era intimista, iluminado apenas por fitas LED em tom âmbar e com estofados aveludados e confortáveis. Seo-jun pediu duas taças de bebida cítrica e entregou uma a Min-seo.Ambos se sentaram lado a lado no sofá aconchegante. Min-seo encostou a cabeça no ombro da jaqueta de couro de Seo-jun, sentindo a respiração dele estabilizar-se junto com a sua. O calor da dança ainda permanecia em suas peles, mas o olhar de ambos agora trazia uma profundidade tranquila e contemplativa.— Eu estava aqui pensando... — começou Min-seo em um tom suave, ajeitando a taça entre os dedos. — Quando essa tempestade do conselho passar e Seung-hyun for d
Enquanto a equipe de segurança se afastava entre risadas e provocações em direção ao restaurante de soju, seguindo na direção oposta, Min-seo e Seo-jun finalmente ficaram a sós.Sob o céu estrelado do início da noite, a movimentação ao redor era intensa, mas ninguém ali prestava atenção nos dois. O disfarce de roqueiros com cabelos violeta, lentes de contato e jaquetas de couro os cobria como um escudo invisível. Pela primeira vez em anos, Min-seo caminhava em um lugar público de mãos dadas com o homem que amava, totalmente livre do medo de lentes de câmeras, fofocas de tabloides ou paparazzi à espreita.Ela entrelaçou os dedos nos dele, sentindo o calor forte e seguro da mão de Seo-jun. O vento suave do entardecer balançava os fios roxos do seu disfarce.— É uma sensação tão estranha... e ao mesmo tempo libertadora — sussurrou Min-seo, virando o rosto para encará-lo com um sorriso radiante. — Andar no meio da multidão sem precisar de escolta visível, sem olhar para os lados procurand
Com os pés novamente em terra firme, a brisa suave do início da noite envolveu o grupo na saída da roda-gigante. Caminhando em passos lentos e descontraídos pela alameda iluminada do parque, a equipe exibia uma leveza rara de se ver em homens treinados para a guerra.Ao lado de Min-seo, Seo-jun mantinha a mão dela firmemente entrelaçada na sua, sem a menor intenção de soltá-la.O caçula Choi Min-jae, ainda carregando o bicho de pelúcia que ganhara mais cedo, acelerou o passo e virou-se de costas para andar na frente do casal, observando os dois com uma expressão cheia de admiração:— Vou te contar, viu, Capitão... Senhora Cha... Vocês dois deram um show interpretando esse casal de roqueiros! Se eu não soubesse que é um disfarce tático para o passeio, eu juraria que vocês são atores profissionais! A química de vocês enganaria qualquer um no parque!Lin-jae, ajeitando a peruca grisalha com a mão livre enquanto segurava a saia da "Vovó Lin", soltou uma risada debochada e deu uma piscadel
O sol começava a se despedir no horizonte de Seul, tingindo o céu com uma gradação estonteante de laranja, lilás e dourado. As luzes néon das atrações do parque ganhavam vida uma a uma, criando um espetáculo brilhante. No centro de tudo, a imensa roda-gigante girava em um ritmo lento e majestoso.— É a nossa deixa — disse Seo-jun suavemente, segurando a mão de Min-seo.A equipe organizou a embarcação com a eficiência tática de sempre, mas em formato totalmente cômico. Lin-jae, segurando a saia da "Vovó Lin", entrou em uma das cabines junto com Tae-shik e o caçula Min-jae, enquanto Jung Han-wool e Park Do-hyun ocupavam a cabine seguinte.Separados por duas cabines de distância para garantir privacidade absoluta, Seo-jun e Min-seo embarcaram na deles. A porta de vidro se fechou, isolando o casal em um silêncio acolhedor e aconchegante enquanto a estrutura começava sua ascensão rumo ao topo.Dentro da cabine privativa, o ruído do parque transformou-se em um sussurro distante. Min-seo enc
O sol do início da manhã filtrava-se pelas imensas janelas de vidro da residência inteligente, iluminando o hall com uma luz dourada e acolhedora. Era o começo de um dia completamente diferente: sem relatórios corporativos, sem sirenes de emergência e sem a rigidez dos ternos pretos de alfaiataria.Os degraus da grande escadaria central transformaram-se na passarela daquela transformação inusitada.Park Do-hyun, o especialista em tecnologia, desceu primeiro, impecável em seu colete de alfaiataria xadrez, gravata borboleta e boina, ostentando o ar aristocrático do lord britânico-coreano. Logo atrás dele, o jovem caçula Choi Min-jae descia ajeitando os óculos redondos sem grau e as alças da mochila escolar, a síntese perfeita do estudante prodígio que só tirava notas cem. Logo em seguida, o ranzinza Tae-shik e o atirador de elite Jung Han-wool desciam ajeitando suas caracterizações — com Tae-shik segurando a contragosto o vestido rosa-bebê com babados e a peruca de fios longos da jovem
O comboio de SUVs pretos deslizou suavemente pelas portas de aço do subsolo da residência inteligente. O ruído suave do motor morrendo deu lugar ao silêncio reconfortante da casa, cujo sistema de iluminação automatizado adaptou-se para uma luz suave e acolhedora em tons de âmbar assim que Min-seo e Seo-jun pisaram no saguão.Lin-jae e o caçula, Seung-min, já aguardavam no andar principal com Tae-shik e o veterano, que haviam finalizado o isolamento dos servidores.Min-seo caminhou até o centro da sala e desmoronou no sofá de couro, soltando um suspiro profundo. Ela levou as mãos ao rosto por alguns instantes e apoiou os cotovelos nos joelhos, visivelmente abatida pelo acúmulo de adrenalina dos últimos dias.— Eu estou completamente exausta... — confessou Min-seo, a voz baixa e rouca pela fadiga. — Sinto como se cada músculo do meu corpo estivesse moído. Foi muita tensão acumulada desde o desfile, a sabotagem do pavilhão, a tentativa de golpe no conselho e, por fim, o Seung-hyun no hos







