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Capítulo 2 - Protocolo de Emergência

last update publish date: 2026-09-14 06:06:17

O som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.

Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.

Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.

— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.

As portas se fecharam, deixando-a sozinha no corredor silencioso. O cheiro forte de remédio parecia deixar o ar pesado, trazendo de volta uma sensação incômoda de sufocamento. Min-seo deu três passos para trás até encostar as costas na parede fria, fechando os olhos por alguns segundos para controlar a respiração.

O barulho de sapatos de couro no piso chamou sua atenção. Ao abrir os olhos, viu seu irmão, Cha Seung-hyun, aproximando-se com passos calmos. Ele vestia um terno impecável e trazia no rosto uma falsa expressão de preocupação, embora seus olhos mostrassem a frieza de sempre.

— Min-seo — disse ele, parando a uma distância formal. — Soube do ataque na entrada da empresa. Você está ferida? Como está o estado do Secretário Park?

— Ele levou os tiros que eram para mim — respondeu ela, com a voz direta e sem vacilar.

— Uma tragédia terrível — declarou Seung-hyun, ajeitando a manga do paletó sem demonstrar pressa. — Mas isso mostra uma falha gravíssima na sua segurança. O conselho da empresa já começou a se movimentar. Se você não conseguir garantir a ordem e a sua própria segurança, a liderança da Maison Cha terá que passar para outra pessoa.

Min-seo deu um passo à frente, encarando o irmão com firmeza.

— Não tente usar um atentado para dar um golpe na empresa, Seung-hyun. A Maison Cha continua sob o meu comando.

— Por enquanto — disse ele, sustentando o olhar com um sorriso discreto. — Sem uma proteção de verdade, você é apenas um alvo fácil.

Sem esperar por uma resposta, Seung-hyun virou-se e seguiu pelo corredor em direção à saída.

Assim que ele sumiu de vista, Min-seo tirou o celular do bolso. Ela não esperaria o fim da cirurgia para tomar uma atitude. A CEO discou diretamente para a diretoria da principal agência de segurança privada da Coreia do Sul.

— Aqui é Cha Min-seo, CEO da Maison Cha — declarou assim que a ligação foi atendida, usando seu tom de voz mais severo e autoritário. — Quero a abertura imediata de uma seleção de emergência para a minha guarda pessoal. Quero os profissionais mais preparados do país na minha mesa às oito horas da manhã. Sem exceções.

Do outro lado da linha, o diretor confirmou o pedido no mesmo instante.

A pouca distância dali, em um centro de treinamento na zona sul de Seul, o aviso da seleção foi enviado para os computadores do centro. Em uma das mesas, Han Seo-jun — ex-militar das forças especiais, de 1,80m de altura, ombros largos e postura firme — analisava a ficha de Cha Min-seo.

Ele leu as regras de alto risco do contrato, fechou a tela do computador e ajeitou a jaqueta. A seleção começaria em poucas horas.

Han Seo-jun empurrou a porta de vidro do centro de treinamento tático e pisou na calçada. O ar frio do início da noite em Seul tocou seu rosto, mas a temperatura baixa não era suficiente para desacelerar sua rotina. Vestindo um short tático preto de treino, uma regata cinza por baixo de uma jaqueta esportiva leve e tênis de corrida, ele ajustou os fones sem fio na orelha.

Acelerando o passo, deu início à sua corrida noturna em direção de casa. O ritmo pesado de seus passos acompanhava a batida contagiante de "Run BTS", do grupo BTS, que ressoava alta nos fones. A música agitada parecia guiar a frequência perfeita de sua respiração enquanto ele cruzava as calçadas iluminadas da cidade, cortando o vento frio com naturalidade.

De repente, a música foi interrompida pelo toque estridente de uma chamada de áudio.

Seo-jun reduziu o ritmo até parar, mas continuou trotando sem sair do lugar, movimentando as pernas para não esfriar os músculos. Ele puxou o celular do bolso da jaqueta e olhou o visor. Um sorriso discreto surgiu no canto de seus lábios ao reconhecer o nome na tela. Era Lin-jae, seu companheiro de farda dos tempos de forças especiais.

Ele atendeu, colocou o aparelho de volta no bolso interno da jaqueta, ajustou o fone sem fio e voltou a disparar pela avenida.

— Onde é que você está, cara? — a voz de Lin-jae ressoou do outro lado da linha, antes mesmo que Seo-jun dissesse algo. — Ah, quer saber? Nem responde. Com certeza tá nessas suas carreiras noturnas de maluco, acertando o relógio biológico.

Seo-jun deu uma risada baixa, mantendo a respiração sob controle enquanto ultrapassava um grupo de pedestres.

— Você devia se movimentar também, Lin-jae. A saúde agradece.

— Ah, nem me fale... Eu realmente preciso voltar a treinar. Tô acima do peso, a barriga de chopp tá cobrindo até o cinto — brincou Lin-jae, soltando um suspiro dramático. — Mas ouve só, não liguei pra falar da minha forma física. Liguei pra saber se você viu o aviso. Fiquei sabendo que uma grande empresa abriu uma seleção emergencial de segurança pra amanhã cedo. Você soube?

Sem diminuir a passada nem mudar a frequência do trote, Seo-jun respondeu com firmeza:

— A Maison Cha.

Min-jae soltou uma gargalhada ruidosa do outro lado da chamada.

— Caramba, Seo-jun! Até nisso você é eficiente? Não é à toa que foi condecorado tantas vezes no exército. O cara já sabe de tudo antes da notícia circular! — O tom de Lin-jae mudou ligeiramente, tornando-se mais curioso. — E aí, você vai participar dessa seleção?

— E você não vai? — rebateu Seo-jun, devolvendo a pergunta.

— Deus me livre e guarde! — exclamou Lin-jae imediatamente. — Você não tá ligado no pesadelo que é aquela empresa. Dizem que a herdeira, aquela Cha Min-seo, é o próprio satanás em pessoa! A mulher é ignorante, absurdamente exigente, cheia de frescuras e com uma reputação de ser completamente insuportável. Ninguém dura um mês do lado dela.

Seo-jun permaneceu em silêncio. Ele continuou correndo ritmadamente, observando o reflexo das luzes da cidade nas poças d'água da pista.

— Você tá pensando em encarar isso mesmo, cara? — perguntou o amigo, ao notar o silêncio.

— Eu preciso trabalhar, Lin-jae — respondeu Seo-jun de forma simples e pragmática. — Não há mais missões em campo aberto pra mim. O país está em tempo de paz.

— Eu sei, mas não precisa se meter numa fogueira dessas. Você ainda recebe o salário de ex-combatente condecorado, dá pra segurar as pontas até surgir algo mais tranquilo. Aquela mulher tem uma personalidade difícil demais, vai acabar com a sua paciência.

Seo-jun deu um leve sorriso, sentindo o esforço físico da corrida aquecer seu corpo contra a brisa congelante de Seul.

— Amanhã é outro dia. Quando o dia amanhecer, eu vejo o que faço... se vou ou não.

Antes que Lin-jae pudesse insistir em desencorajá-lo, uma voz feminina ao fundo da ligação gritou o nome do ex-militar.

— Ah, cara, preciso desligar! — avisou Lin-jae, apressado. — Minha irmã tá me chamando aqui pra levar ela numa festa de aniversário surpresa. Depois a gente se fala mais.

— Vai lá.

— Boa sorte aí, Seo-jun. Se você for nessa seleção, vai precisar!

A chamada foi encerrada. A música animada do BTS voltou a tocar nos fones, e Han Seo-jun acelerou o passo na reta final até o seu prédio, com o olhar focado e pensativo sobre o desafio que o aguardava na manhã seguinte.

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O Poeta Viajante
vai dar ruim, será mesmo
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