LOGINO som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.
Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.
Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.
— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.
As portas se fecharam, deixando-a sozinha no corredor silencioso. O cheiro forte de remédio parecia deixar o ar pesado, trazendo de volta uma sensação incômoda de sufocamento. Min-seo deu três passos para trás até encostar as costas na parede fria, fechando os olhos por alguns segundos para controlar a respiração.
O barulho de sapatos de couro no piso chamou sua atenção. Ao abrir os olhos, viu seu irmão, Cha Seung-hyun, aproximando-se com passos calmos. Ele vestia um terno impecável e trazia no rosto uma falsa expressão de preocupação, embora seus olhos mostrassem a frieza de sempre.
— Min-seo — disse ele, parando a uma distância formal. — Soube do ataque na entrada da empresa. Você está ferida? Como está o estado do Secretário Park?
— Ele levou os tiros que eram para mim — respondeu ela, com a voz direta e sem vacilar.
— Uma tragédia terrível — declarou Seung-hyun, ajeitando a manga do paletó sem demonstrar pressa. — Mas isso mostra uma falha gravíssima na sua segurança. O conselho da empresa já começou a se movimentar. Se você não conseguir garantir a ordem e a sua própria segurança, a liderança da Maison Cha terá que passar para outra pessoa.
Min-seo deu um passo à frente, encarando o irmão com firmeza.
— Não tente usar um atentado para dar um golpe na empresa, Seung-hyun. A Maison Cha continua sob o meu comando.
— Por enquanto — disse ele, sustentando o olhar com um sorriso discreto. — Sem uma proteção de verdade, você é apenas um alvo fácil.
Sem esperar por uma resposta, Seung-hyun virou-se e seguiu pelo corredor em direção à saída.
Assim que ele sumiu de vista, Min-seo tirou o celular do bolso. Ela não esperaria o fim da cirurgia para tomar uma atitude. A CEO discou diretamente para a diretoria da principal agência de segurança privada da Coreia do Sul.
— Aqui é Cha Min-seo, CEO da Maison Cha — declarou assim que a ligação foi atendida, usando seu tom de voz mais severo e autoritário. — Quero a abertura imediata de uma seleção de emergência para a minha guarda pessoal. Quero os profissionais mais preparados do país na minha mesa às oito horas da manhã. Sem exceções.
Do outro lado da linha, o diretor confirmou o pedido no mesmo instante.
A pouca distância dali, em um centro de treinamento na zona sul de Seul, o aviso da seleção foi enviado para os computadores do centro. Em uma das mesas, Han Seo-jun — ex-militar das forças especiais, de 1,80m de altura, ombros largos e postura firme — analisava a ficha de Cha Min-seo.
Ele leu as regras de alto risco do contrato, fechou a tela do computador e ajeitou a jaqueta. A seleção começaria em poucas horas.
Han Seo-jun empurrou a porta de vidro do centro de treinamento tático e pisou na calçada. O ar frio do início da noite em Seul tocou seu rosto, mas a temperatura baixa não era suficiente para desacelerar sua rotina. Vestindo um short tático preto de treino, uma regata cinza por baixo de uma jaqueta esportiva leve e tênis de corrida, ele ajustou os fones sem fio na orelha.
Acelerando o passo, deu início à sua corrida noturna em direção de casa. O ritmo pesado de seus passos acompanhava a batida contagiante de "Run BTS", do grupo BTS, que ressoava alta nos fones. A música agitada parecia guiar a frequência perfeita de sua respiração enquanto ele cruzava as calçadas iluminadas da cidade, cortando o vento frio com naturalidade.
De repente, a música foi interrompida pelo toque estridente de uma chamada de áudio.
Seo-jun reduziu o ritmo até parar, mas continuou trotando sem sair do lugar, movimentando as pernas para não esfriar os músculos. Ele puxou o celular do bolso da jaqueta e olhou o visor. Um sorriso discreto surgiu no canto de seus lábios ao reconhecer o nome na tela. Era Lin-jae, seu companheiro de farda dos tempos de forças especiais.
Ele atendeu, colocou o aparelho de volta no bolso interno da jaqueta, ajustou o fone sem fio e voltou a disparar pela avenida.
— Onde é que você está, cara? — a voz de Lin-jae ressoou do outro lado da linha, antes mesmo que Seo-jun dissesse algo. — Ah, quer saber? Nem responde. Com certeza tá nessas suas carreiras noturnas de maluco, acertando o relógio biológico.
Seo-jun deu uma risada baixa, mantendo a respiração sob controle enquanto ultrapassava um grupo de pedestres.
— Você devia se movimentar também, Lin-jae. A saúde agradece.
— Ah, nem me fale... Eu realmente preciso voltar a treinar. Tô acima do peso, a barriga de chopp tá cobrindo até o cinto — brincou Lin-jae, soltando um suspiro dramático. — Mas ouve só, não liguei pra falar da minha forma física. Liguei pra saber se você viu o aviso. Fiquei sabendo que uma grande empresa abriu uma seleção emergencial de segurança pra amanhã cedo. Você soube?
Sem diminuir a passada nem mudar a frequência do trote, Seo-jun respondeu com firmeza:
— A Maison Cha.
Min-jae soltou uma gargalhada ruidosa do outro lado da chamada.
— Caramba, Seo-jun! Até nisso você é eficiente? Não é à toa que foi condecorado tantas vezes no exército. O cara já sabe de tudo antes da notícia circular! — O tom de Lin-jae mudou ligeiramente, tornando-se mais curioso. — E aí, você vai participar dessa seleção?
— E você não vai? — rebateu Seo-jun, devolvendo a pergunta.
— Deus me livre e guarde! — exclamou Lin-jae imediatamente. — Você não tá ligado no pesadelo que é aquela empresa. Dizem que a herdeira, aquela Cha Min-seo, é o próprio satanás em pessoa! A mulher é ignorante, absurdamente exigente, cheia de frescuras e com uma reputação de ser completamente insuportável. Ninguém dura um mês do lado dela.
Seo-jun permaneceu em silêncio. Ele continuou correndo ritmadamente, observando o reflexo das luzes da cidade nas poças d'água da pista.
— Você tá pensando em encarar isso mesmo, cara? — perguntou o amigo, ao notar o silêncio.
— Eu preciso trabalhar, Lin-jae — respondeu Seo-jun de forma simples e pragmática. — Não há mais missões em campo aberto pra mim. O país está em tempo de paz.
— Eu sei, mas não precisa se meter numa fogueira dessas. Você ainda recebe o salário de ex-combatente condecorado, dá pra segurar as pontas até surgir algo mais tranquilo. Aquela mulher tem uma personalidade difícil demais, vai acabar com a sua paciência.
Seo-jun deu um leve sorriso, sentindo o esforço físico da corrida aquecer seu corpo contra a brisa congelante de Seul.
— Amanhã é outro dia. Quando o dia amanhecer, eu vejo o que faço... se vou ou não.
Antes que Lin-jae pudesse insistir em desencorajá-lo, uma voz feminina ao fundo da ligação gritou o nome do ex-militar.
— Ah, cara, preciso desligar! — avisou Lin-jae, apressado. — Minha irmã tá me chamando aqui pra levar ela numa festa de aniversário surpresa. Depois a gente se fala mais.
— Vai lá.
— Boa sorte aí, Seo-jun. Se você for nessa seleção, vai precisar!
A chamada foi encerrada. A música animada do BTS voltou a tocar nos fones, e Han Seo-jun acelerou o passo na reta final até o seu prédio, com o olhar focado e pensativo sobre o desafio que o aguardava na manhã seguinte.
Ao chegar à casa de Min-seo — uma residência de arquitetura moderna e sóbria em um bairro nobre de Seul — Seo-jun estacionou o veículo blindado de frente para a entrada principal. Antes de destravar as portas, ajustou o retrovisor e franziu o cenho ao notar a ausência do carro da equipe de apoio. Varreu o perímetro ao redor com o olhar analítico: a rua estava silenciosa e vazia. Nenhum sinal dos seus homens.Seo-jun saiu do veículo, deu a volta e abriu a porta traseira. Min-seo desceu tentando a todo custo manter a postura ereta, mas o corpo ainda não respondia com firmeza. Ao dar os primeiros passos, a visão oscilou e ela cambaleou.Em um reflexo rápido, Seo-jun avançou e a amparou firmemente pelo braço.Min-seo, contudo, soltou-se do toque dele de imediato, afastando o braço com a pouca força que lhe restava.— Não toque em mim — declarou ela, a voz fraca, mas carregada de orgulho.Seo-jun recuou um passo, sem argumentar, mantendo-se em sua posição de retaguarda. Min-seo caminhou at
Seo-jun notou algo estranho assim que adentrou no auditório. Seus olhos acostumados à penumbra e ao rastreio de ameaças captaram imediatamente uma oscilação anômala nos refletores do teto: duas das lâmpadas de iluminação cenográfica piscaram com um defeito sutil de fiação, projetando sombras irregulares sobre a passarela de testes.Não se tratava de um atentado iminente, mas sim de uma falha de manutenção inaceitável para o nível de exigência da Maison Cha.Varrendo o ambiente com o olhar, ele localizou rapidamente os quatro seguranças de apoio da sua equipe. Posicionados em pontos estratégicos do auditório — dois junto às saídas de emergência e dois no mezanino de controle — os operacionais mantinham-se invisíveis para os presentes, mas em perfeita sintonia visual com o Capitão. Um leve aceno de cabeça de um dos homens confirmou que o perímetro do auditório estava devidamente selado.Min-seo avançou até a mesa central da banca avaliadora sem dar importância à executiva que a bajulara
Caminhando a passos firmes pelo corredor que conduzia às escadas e elevadores do andar da diretoria, a presença de Seo-jun ao lado de Min-seo era constante. Ele ajustou o microfone sutil fixado na gola de sua jaqueta, acionando o comunicador interno conectado ao fone de ouvido.— Quatro homens, dirijam-se imediatamente ao auditório no terceiro andar — ordenou ele, a voz firme e profissional ressoando na linha tática. — Faça a varredura preventiva do perímetro antes da nossa chegada.— Positivo e copiado, Capitão. A caminho, senhor — veio a resposta imediata do outro lado do rádio.Min-seo ergueu o pulso e olhou para o relógio de marca, notando os minutos contados enquanto paravam de frente para as portas metálicas do elevador.Ao seu lado, Seo-jun mantinha uma postura impecável, com a cabeça erguida e os ombros alinhados. No entanto, seu olhar analítico não estava fixo na luz indicadora dos andares, mas na CEO. Ele percebeu quando os dedos longos e bem-cuidados de Min-seo começaram
As horas avançavam de forma lenta dentro da imponência do escritório da presidência da Maison Cha. O silêncio na sala só era quebrado pelo som suave das folhas de contratos sendo assinados e pelo ritmo pausado do teclado do computador de Min-seo.A poucos metros da mesa principal, Han Seo-jun permanecia de pé. Sua postura era a de um soldado em prontidão absoluta: pernas levemente afastadas, mãos entrelaçadas atrás das costas e um olhar frio e analítico que varria cada centímetro do ambiente, atento aos mínimos detalhes, dos dutos de ventilação às sombras na vidraça.Cansada após horas de leitura ininterrupta e com a garganta seca pela tensão do dia, Min-seo ergueu-se bruscamente da cadeira executiva. Ela caminhou em direção à bancada de mármore no canto da sala, disposta a servir-se de água da jarra de vidro lapidado que descansava sobre a superfície fria.Antes que sua mão pudesse tocar o gargalo da jarra, uma sombra alta e imponente cortou seu caminho.— Com licença, Senhora Cha —
O bipe constante dos monitores cardíacos era o único som a quebrar o silêncio da sala de espera do Hospital Universitário de Seul. Cha Min-seo continuava de pé, a postura impecável e os braços cruzados sobre o busto, recusando-se a sentar nas poltronas confortáveis do corredor. O contraste entre sua saia justa de alta-costura e o vestígio seco de sangue no punho de sua manga servia como um lembrete vívido do atentado sofrido horas antes.A luz vermelha acima da porta do bloco cirúrgico finalmente se apagou.Poucos segundos depois, as portas duplas se abriram e o cirurgião-chefe caminhou na direção de Min-seo, removendo a máscara cirúrgica com um semblante cansado, porém aliviado.— Senhora Cha — cumprimentou o médico, curvando-se levemente em respeito. — A cirurgia foi longa e delicada, mas conseguimos extrair os projéteis sem danos maiores aos órgãos vitais. O Senhor Park é um homem forte. Ele já foi transferido para a UTI e está oficialmente fora de perigo.Um alívio silencioso perc
O som agudo e intermitente da sirene cortava o trânsito pesado do final da tarde a caminho do hospital. Sentada no banco dobrável da ambulância, Cha Min-seo mantinha os olhos fixos no rosto pálido do Secretário Park. Suas mãos, ainda limpas à pressa mas com marcas de sangue sob as unhas, estavam apertadas com força sobre as pernas.Os paramédicos trabalham rápido para controlar os sinais vitais e conter o sangramento no ombro e na coxa do assistente. Toda a postura firme da CEO da Maison Cha parecia prestes a fraquejar, mas ela mantinha o queixo erguido, recusando-se a demonstrar fraqueza na frente dos socorristas.Ao encostar na entrada de emergência do Hospital Universitário de Seul, a equipe médica assumiu o controle, empurrando a maca às pressas pelos corredores de luzes brancas. Min-seo os acompanhou até a porta dupla do centro cirúrgico, onde foi impedida de avançar.— A senhora precisa aguardar aqui do lado de fora — informou uma enfermeira, com tom firme e profissional.As por







