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Capítulo 2

작가: Wan Marte
last update 게시일: 2026-09-04 09:26:19

Helena saiu da sala de atendimento, segurando a mão de Alexa, parecia outra pessoa de minutos atrás, um sorriso brilhante e orgulhoso.

Enquanto acariciava a mão da filha, ela dizia:

— Você vai ver, tudo vai ficar bem. Vou conseguir um bom marido para você que vai mimar você e esse bebê. Filha, vai ser um sonho te ver vestida de noiva…

Helena enxugou os cantos dos olhos, a emoção ameaçando transbordar. 

— Depois de tudo que passamos nem acredito que esse dia chegou. Você não terá uma vida como a minha, será muito melhor.

Alexa olhou para a mãe emocionada, sentindo uma sensação incômoda no estômago. Não sabia se era sintoma da gravidez ou era apenas o desconforto de ouvir que seu futuro estava sendo planejado e aquilo não era nada do que ela planejou para si mesma.

— Mãe… isso é… isso é errado.

— Claro que não é! Esses ricos jogam dinheiro fora facilmente comprando pedaços de metais com pedras incrustadas, qual o problema em gastar um pouquinho para alimentar uma vida?

Helena olhou sua aliança, era simples, um pequeno diamante solitário encrustado em um anel de ouro branco. Ela que escolheu, não quis nada extravagante.

Helena podia escolher ficar coberta de joias, seu marido era um bilionário, mas ela sempre optava pelo simples e discreto. E estranhamente ela conseguiu se inserir no círculo de extravagância da alta sociedade.

Alexa não sabia se ela conseguiu isso por ter um estilo próprio ou foi uma estratégia para não chamar atenção demais e acabar atraindo inimizades.

Já para Helena era porque ela realmente não valorizava aquelas extravagâncias, ela valorizava a previsibilidade e a segurança que o dinheiro lhe dava. Para ela o importante era ter um teto, comida todos os dias, ver sua filha bem cuidada… Esse era o mundo perfeito dela, não o supérfluo.

Enquanto Helena fazia planos, Alexa só pensava no passado, antes estava tudo bem e de repente surgiram náuseas, alguns cheiros se tornaram insuportáveis e agora, tinha um bebê na barriga e na cabeça, uma incerteza sobre o futuro.

Alexa colocou a mão na barriga instintivamente, isso não era o que ela planejou. E o pai? Será que ele vai desconfiar? Será que se ele soubesse, aceitaria?

Só Alexa sabia que havia um cronômetro diminuindo a cada instante, e quando zerasse, ela não sabia o que seria dela e de sua mãe.

Ela parou abruptamente e disse:

— Mãe, eu não vou voltar com você. Quero ficar sozinha por um tempo.

Helena olhou para ela, com um olhar complicado.

— Eles vão perguntar, você não iria sair hoje com os amigos para conhecer uma amiga de Roderick?

Alexa bufou, um sorriso de escárnio se formando no canto de seus lábios.

— Roderick já foi buscar a “amiga” no aeroporto, não vou fazer falta.

— Certo… Só avisa para ele não ficar preocupado. Avisa ao Romeo também, ele está viajando a trabalho, mas pode se preocupar. É melhor mesmo você se afastar por uns dias, com essa cara aí, alguém vai desconfiar que tem algo errado. Vou pedir para o motorista te levar à casa de veraneio de East Valley.

Alexa acenou em positivo brevemente, mas não pretendia avisar nada, ela pensou que era hora de colocar limites claros entre ela e os irmãos.

A casa de East Valley era de frente para o mar, mas estava no finalzinho do inverno e os termômetros ainda marcavam temperaturas bem abaixo do esperado.

Mesmo assim Alexa foi para o lado de fora, vestindo apenas um casaco fino. Ela se agachou sorrindo, enquanto alimentava um gatinho abandonado. 

Acariciou a cabeça do bichinho, pensando que o mundo seria tão fácil se todos fossem como aquele gatinho, fofo, inocente, sem nenhuma malícia por trás.

Mas as coisas não eram assim, a vida toda ela teve que mudar seu comportamento, seus sonhos, para sobreviver e principalmente seguir os conselhos da mãe.

E todas as vezes que ela seguiu os conselhos da mãe, tudo deu certo, mas pela primeira vez ela se perguntava se deveria mesmo ouvir o que ela dizia.

Ela estava pensando em seguir um plano só dela, recuperar sua vida, sua liberdade. E todos os sonhos que deixou para trás.

Mas como fazer isso, grávida?

Três dias se passaram como um borrão, Alexa não sabia se não viu o tempo passar por causa da temperatura um pouco abaixo, o silêncio, o isolamento ou seu estado de humor péssimo, mas ela dormiu mais do que queria e comeu fast-food ao em vez de cozinhar.

 Ela até tentou cozinhar algo mais fresco, mas o cheiro de carne crua a fez correr para o banheiro tantas vezes que sentia sua garganta áspera devido ao suco gástrico.

Na noite do terceiro dia ela ficou olhando o saco de papel de entrega por alguns segundos

— Será que isso é saudável para o bebê?

Alexa se surpreendeu com esse pensamento, se perguntou se já estava se apegando àquele feto. Até aquele momento ela não ousou mencionar a existência daquele novo ser. A verdade é que ainda estava em dúvida. Ela colocou a mão na barriga e disse:

— Será que você pode me ouvir? Me desculpe, bebê, mas talvez eu não possa ficar com você.

— Você não pode ficar com quem?

Alexa deu um pulo, girando nos calcanhares e com o coração acelerado. Romeo surgiu das sombras. O aroma de almíscar e sândalo invadiu o ambiente antes mesmo que ela pudesse processar a presença dele.

Seus passos firmes não pararam até ficar diante dela. Ela deixou a cabeça cair para trás para encarar o olhar dele.

Ela ainda estava com aquela expressão assustada, olhos arregalados e boca entreaberta. Mas de repente ajeitou a postura e deu três passos para trás, colocando uma distância segura.

— O que está fazendo aqui? Não iria voltar só na próxima semana? — Alexa perguntou, cruzando os braços em seguida.

— Resolvi adiar minha chegada. Não posso? — ele disse dando três passos à frente.

A mesma distância novamente, próximos demais, tornando o ar daquela cozinha sufocante.

— Como me encontrou? Eu não disse a ninguém que viria para East Valley?

Romeo pegou delicadamente a ponta de uma mecha que caia sobre o olho de Alexa e colocou atrás de sua orelha. As pontas do dedo tocando levemente a pele atrás da orelha, fazendo ela se contorcer levemente.

Ele deu um sorriso de canto e disse:

— Acha que pode fugir de mim, irmãzinha?

Instintivamente ela colocou a mão na barriga, protegendo o ventre. Romeo baixou o olhar, percebendo aquele movimento. 

Ela arregalou os olhos, o coração batendo forte no peito.

“Ele percebeu? Será que ele percebeu?”

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