ANMELDENMeu último dia de folga aproveito não só para descansar meu corpo, também para colocar meus pensamentos em ordem. Me expliquem como é possível, uma quase assexuada como eu, estar desejando dois homens ao mesmo tempo? Dylan e o Misterioso não saem dos meus pensamentos? O meu lado sensato diz que tenho que esquecer o Misterioso, ele não passa de uma fantasia, é um tipo de homem que não serve para mim, suspeito que em sua profissão de stripper provavelmente vende seu corpo por dinheiro. Já o meu lado irresponsável diz para eu ir lá no clube, subir no palco e beijá-lo, que só assim saberei qual dos dois realmente gosto, se por acaso for o Mascarado, talvez ele abandone tudo por mim. Idiota.
O meu lado pervertido diz que tenho que parar de ser boba, ir logo para cama com o gostoso do Dylan, se surgir oportunidade, fazer o mesmo com o Misterioso. Esse meu lado pervertido é a cópia exata da Catarine.
Assim que termino de almoçar ligo a tv, um filme inédito está sendo exibido, De Volta à Lagoa Azul. Estou rindo de mim mesma quando ouço meu celular tocar, atendo sem olhar de quem se trata.
— Alô! — Boa tarde Valeska é o Dylan. Meu coração para, antes dele dizer, reconheci sua voz. Respiro fundo e respondo.
— Oi! Dylan tudo bem? — Melhor agora falando com você, ficamos em silêncio.
— Valeska te liguei para saber como você está e para perguntar se sonhou comigo? Sua voz é sexy como inferno. — Dylan é sempre tão direto, não respondo sua pergunta, mal sabe ele que não preciso dormir para isso. — Mudo de assunto.
— Como está sendo o seu domingo?
— De muito trabalho? — Trabalho? Sim, estou trabalhando no escritório de casa, resolvendo algumas pendências, entre um contrato e outro, penso em você. — Ai, ai, lá vem ele de novo, assim meu pobre coração encalhado não resiste.
— Me diga como está sendo seu dia.
— Ótimo, dormi até às onze, por ter acordado tarde preparei o almoço e almocei, pulei o desjejum. Antes de falar com você estava assistindo tv.
— E o que está assistindo? — Você quer mesmo saber? — Quero, me fala.
— Um filme inédito, nunca passou na tv, De Volta à
Lagoa Azul, Dylan gargalha, acabo rindo, que risada gostosa, ele é todo gostoso.
— Quais são os seus planos para mais tarde?
— Não tenho nenhum. Priscila até me chamou para ir em sua casa, mas estou de modo a ficar sossegada, algo impossível quando se trata das minhas amigas.
— Julgo ser melhor que você não vá. Fico sem entender e decido perguntar. — Por qual motivo, Dylan? — Por causa do Arthur.
— Não leva a sério o Arthur as investidas dele, é só brincadeira.
— Sei, o conheço muito bem Valeska — Que tal você jantar comigo?
— Não sei se é uma boa ideia.
— É só um jantar, para nos conhecermos melhor.
— Tudo bem — Então te busco às 20:00 — Combinado.
Desligo o celular, me deitada em minha cama pensando se eu irei resistir ao desejo que sinto de ser tomada por ele. Sinceramente, estou cansada de fazer tudo certinho, tudo planejado, desde que fiquei órfão, não me permiti apenas viver, eram tantas responsabilidades, somada a dor da perca que eu tinha a missão de dar certo, de dar orgulho aos meus pais, que lá do céu eles tivessem a certeza que fizeram um trabalho em minha criação.
Ansiosa contava as horas para nosso encontro. Liguei para Raquel, precisava falar com alguém, compartilhar minha ansiedade. Ela era a única das meninas que está a par da minha atração pelo empresário gostoso.
— Raquel — Amiga, boa tarde!
— Miga preciso de você, está ocupada? — Não Val, me diga o que precisa, estava lendo.
— Desculpe atrapalhar sua leitura, mas é que — diz logo, para que tanto suspense? Se tiver ao meu alcance é lógico que te ajudarei. — Digo, desta vez sem rodeios.
— O Dylan me convidou para jantar, como ele é um empresário, imagino que vai me levar em um restaurante chique, não quero fazer feio.
— Para com isso Val, você é super educada e linda. Convite para jantar, hein, safadinha. Tinha certeza que o bonitão estava na sua, quero detalhes. Não se preocupa, aja naturalmente, você vai tirar de letra.
— O problema é que não sei o que vestir, se prendo o cabelo, se o deixo solto. Estou tão nervosa, não quero fazer feio.
— Calma. Estou saindo de casa, me aguarde, te ajudarei a ficar ainda mais linda. Dylan vai ficar de queixo caído. — Sua boba — Já, já chego aí. — Ok te espero.
Meu Deus! A hora voou, fiquei tão aliviada depois que conversei com a Raquel, relaxei, já são quase seis horas. Tomarei um banho bem caprichado, lavar meus cabelos enquanto Raquel não chega. Assim que saio do banheiro minha amiga chega acompanhada do Lipe.
— Boa noite, amores, os cumprimentei com beijos.
— Lipe chegou quando estava trancando a porta, o arrastei comigo para nos ajudar.
— Estou mega ansiosa.
— Te entendo, gata, mas antes de qualquer coisa, quero saber o que aconteceu ontem, me conta enquanto escovo seus cabelos.
— Lipe, por favor, só a Raquel sabe sobre o Dylan.
— Que Dylan? — O empresário delicioso, amigo do Arthur?
Raquel colocou dois dedos na boca, um pedido silêncio para que ele se cale. Em seguida pede para que ele faça seu trabalho, tadinho, não tem obrigação nenhuma de fazer meu cabelo, porém, entendo que minha amiga não quer me deixar nervosa, se dermos corda para ele, ele não para mais.
— Cruzes não posso perguntar nada. — Quero saber de todos os detalhes, ambas olhamos para ele, Lipe se cala.
— Soube que o Ricardo apareceu.
— Infelizmente Raquel. Ele havia bebido, se comportou como um canalha, suas mãos tocavam meu corpo sem minha permissão. Deixei bem claro que não aconteceria nada entre nós dois. Saí da pista e ele foi atrás de mim, me disse que desde que terminamos não namorei mais ninguém, um monte de baboseiras.
— O que ele tem a ver com isso? — Nada.
— Expliquei que o fato de eu estar sozinha não significava que voltaria para ele, foi quando ele segurou meus braços com firmeza, sua intenção era me obrigar a entender algo que não fazia nenhum sentido. Do nada o Dylan surgiu ao meu lado, quando dei por mim, Ricardo estava no chão com a mão no rosto, logo se levantou. O jeito que o Dylan agiu em minha defesa foi inesperado e, não sei ao certo dizer, mas para mim, ele parecia enciumado, chegou a dizer para o cretino do Ricardo que eu era dele.
— Miga, estou bege, Lipe começa dizendo balançando a escova em suas mãos, não contente vai para nossa frente e continua seu discurso fazendo caras e bocas. — Um homão gostoso daquele, com um metro e noventa, olhos azuis, corpo sarado, moreno, musculoso, cabelos negros, lindo de morrer, com ciúmes de você? Mona você arrasou, tanto tempo sem dá uma, escolheu bem pra caralho, nem eu que sou linda de bonita tive um boy desse me defendendo do lobo mau. Aí que tudo! Arrasou! Raquel e eu caímos na gargalhada.
— Vamos Val, conta o restante, Raquel diz rindo.
— Tem mais mona? Conta, conta.
— Depois ele segurou em minha mão e me conduziu até aquele canto próximo ao banheiro.
— Espertinho te levou para o escurinho, esse Dylan, é bom.
— Para Lipe, senão não conto mais.
— Tudo bem, pode falar, desculpe, é que sua vida amorosa sempre foi tão sem graça e agora essa intensidade toda, estou amando.
— Quieto, esbraveja Raquel.
— Ele me encostou na parede e colou sua boca na minha em um beijo possessivo, que eu sem hesitar, retribui. Quando dei por mim, estava completamente em suas mãos, refém dos seus toques, do seu beijo. O meu lado responsável me fez ver que eu estava em um local público, me esfregando com um homem que só havia visto uma vez, e isso me fez sentir vergonha. Minha reação foi sair em disparada da boate, um tanto infantil, mas na hora foi o que fiz. Em poucos minutos ele estava ao meu lado, quis me trazer em casa, recusei, até que Priscila apareceu e me convenceu ir com ele, a viagem foi silenciosa, nem conseguia olhar para ele.
— Não entendo o porquê você ficou com vergonha, vocês são adultos, qual o problema Val?
— Desculpe, mas me senti como uma mulher fácil, nunca fiquei com ninguém assim.
— Assim como, vocês transaram?
— Não, mas ele me tocou no meu sexo e eu — Fala de uma vez — Gozei, é isso.
—Valeska me escuta. Desde a casa da Pri que percebi uma atração entre vocês. A forma como vocês se olhava, era palpável a tensão sexual, tanto que você pensou ser melhor ir embora. Fugir em vez de se abrir para algo novo que estava acontecendo, depois de tantos meses sem se interessar por alguém, você se viu ali, desejando aquele homem.
— Raquel quando me deixou em casa, Dylan expôs seus sentimentos, mas não acho que um homem como ele está interessado de fato em mim, como não fui uma presa fácil, ele pensa que gosta de mim, a verdade é que ele nunca recebeu um não.
— Mona deixa eu te falar, de homem entendo. Quando vi na casa da Pri aqueles três monumentos, fiquei boquiaberta, logo percebi que o moreno gostosão mirava em algo ou alguém, segui seu olhar e observei que você era o seu alvo. Ele não tirava os olhos de você, e você também o olhava com a mesma intensidade. Enquanto conversávamos era nítida a troca que existia entre vocês dois, que só foi cortada com as investidas do Arthur. — O que quero dizer é que ele já te desejava antes de você pensar em ir embora. Pare de inventar desculpas, aproveite aquele fenômeno da natureza, se der certo, deu, se não der, não deu, relações estão aí para serem vividas.
— E outra coisa Lipe depois que a Val foi embora nós conversamos, ele me fez perguntas sobre ela, se tinha namorado, como vivia, demonstrou muito interesse.
— O que está faltando para você cair nos braços daquele Adônis, Val?
— Estou confusa porque senti a mesma atração por outro homem.
— Menina e eu pensando que você era bobinha.
— Fala sério Val, que você vai ficar presa nesta fantasia com uma realidade deliciosa te esperando.
— De que vocês estão falando?
— Deixa para lá, vocês têm razão, não vou mais me acovardar, seja o que Deus quiser.
— Agora fica quietinha que vou te maquiar. Que horas ele ficou de te buscar? — Às oito.
— Então vamos nos apressar que já são sete e quinze, rapidinho faço sua maquiagem e você se arruma. Alguns minutos depois.
— Linda, maravilhosa, diz Lipe todo empolgado — Miga você está um arraso
— Obrigada Lipe, obrigada Raquel, vocês são os melhores.
Coloquei um vestido longo branco que modela meu corpo, ele tem uma fenda do lado esquerdo que vai até a minha coxa. Estou tão nervosa que olho a todo tempo o relógio. Ainda faltam 10 minutos para às oito horas, meu coração está acelerado. Meu celular toca, no visor vejo que é ele, depois que ele me ligou a tarde salvei seu número.
Dylan ParkerA senhora, Margo me informou que alguns funcionários estavam solicitando uma reunião comigo, estranho, pois, ninguém vem a mim sem ser convocado ou ter agendado previamente. Quando perguntei quem eram os funcionários ela me disse que uma era minha cunhada, só podia ser a Catarine, lógico que permiti que eles entrassem. Estavam presentes Lipe, Priscila, Raquel e Catarine, olhar para eles, a família que minha mulher escolheu, me deu uma pontada de esperança, fiquei ansioso esperando por notícias.— Vocês descobriram onde ela está?— Não. Recebi um balde de água fria.— Sr. Parker, Dylan nem sei como chamar.— Pode me chamar de Dylan, Raquel.— Preste atenção, estávamos quebrando a cabeça para descobrir o paradeiro daquela fujona, fui colhendo todas as informações e bingo.— O que Raquel, fala logo?— A Val saiu da sua casa com uma mala.— Foi o que o detetive descobriu, a Sol confirmou que pela manhã ela estava arrumando umas roupas.— Então, o próximo passo foi a cafeteria
Cada dia que passa amo mais minha preta, ela está sempre me surpreendendo, hoje tivemos uma tarde maravilhosa, aquela maluquinha me sequestrou em meio ao expediente, estava sedenta, fodemos como se o mundo fosse acabar. Se ela não fosse tão comprometida com os estudos ainda estaríamos no hotel.Mesmo sentindo a sua entrega total tinha algo diferente na forma com que ela me amava, não sei dizer o que, mas tinha. Já são nove horas, daqui a pouco irei buscar meu amor, pelo jeito que ela se despediu de mim, creio que teremos uma longa noite.— Sol, sabe me dizer se meu terno cinza foi para a lavanderia, eu não consigo encontra-lo, amanhã tenho uma reunião e queria usá-lo.— Ah! Meu menino, isso são coisas dessas diaristas que você arruma. Sol fecha o cenho.— Vem cá sua ciumenta. A dou vários beijos.— Dylan para! Me escuta, hoje achei a minha menina muito estranha, você percebeu alguma coisa? Olho bem para a Sol e fico confuso. — Sol ela estava normal, passamos a tarde juntos.Não posso
Valeska SuhaiEsses dias que estou de licença, tenho acordado cedo e trazido o café da manhã para o Dylan no quarto, mas hoje em especial tomarei café na cozinha com ele, a Sol e o Cristian. Será uma oportunidade de disfrutar da companhia deles mais uma vez antes de partir. Essa semana, Dylan e eu não pedalamos, Cristian tem ido sozinho, desde que ele chegou ao Brasil, Dylan comprou uma bicicleta para mim e nós três passamos a pedalar juntos.Durante nosso café da manhã, Sol me observava atentamente, como se estivesse vendo meu interior, parecia ler meus pensamentos. Cristian foi a sua suíte pegar sua pasta para ir trabalhar, sem que ninguém percebesse fui atrás dele. Entreguei-o um envelope, não comentei com ele, que dentro tem três cartas, uma para ele, uma para a Sol e outra para o Dylan.— Cristian me faz um favor, abra esse envelope a noite, não antes disso. Outra coisa, não comente nada com seu irmão, ele maneia a cabeça concordando e me pergunta. — O que está acontecendo, cunh
Valeska SuhaiJá não aguentava mais ficar reclusa dentro da cobertura do Dylan, meu noivo com seu cuidado exagerado não permitiu que eu fosse trabalhar, ele me liberou somente para ir à faculdade. Acabei de fazer minha prova, fui liberada bem antes do horário que combinei com meu CEO gostoso, caso vá embora sozinha, ele não vai gostar, então, faço hora até ele chegar. Enquanto o espero em frente ao prédio, foleio algumas páginas do meu livro de gestão de marketing, alguns minutos se passam e me sinto estranha, minha pele se arrepia, como se algo ruim fosse acontecer. Uma sombra estaciona ao meu lado, temerosa pelo sentimento ruim em meu peito, viro-me devagar, infelizmente constato que quem está ao meu lado com um sorriso debochado e com seus olhos perversos sobre mim, é ele, aquele homem da loja, o que colocou a pulseira em minha bolsa para me incriminar.— Caminha sem dar bandeira, ele diz num tom baixo, porém, rude.— Ele coloca algo nas minhas costas, meu corpo gela.Ele me leva a
Dylan ParkerQuando Cristian e eu chegamos na empresa a polícia havia feito uma varredura e ninguém foi encontrado, não havia sinal de arrombamento, o segurança informou que o alarme tocou sem motivo aparente.Realmente é muito estranho, na segunda-feira pela manhã solicitarei a empresa responsável para verificar o equipamento. Liguei para Val, o celular dela tocou no meu bolso, esqueci que ela tinha o deixado comigo, fiquei tão preocupado com a Parker que não lembrei de entregar seu aparelho. Cristian ligou para Catarine, para saber se elas ainda permaneciam no local. Minha cunhada atendeu e confirmou que ainda estavam na boate, então voltamos para lá.Assim que chegamos avistamos nosso grupo de amigos, porém, a Val não estava com eles, perguntei por ela eles me informam que estavam na pista e Val tinha ido ao banheiro, depois disso não a viram mais. Meu coração dizia que algo estava errado, a procurei em todos os lugares dentro da boate e não a encontrei.— Puta que pariu, aonde ela
Valeska SuhaiEle encostou sua cabeça em meu peito, ficamos ali até acalmar nossas respirações, depois Dylan me pegou no colo e me levou para o quarto. No quarto ele me deitou sobre cama e foi para o banheiro. Demorou um pouco, quando voltou me pegou outra vez em seu colo e me carregou até banheira, ele entrou e eu fiquei sentada virada de costas para ele.— Me perdoa amor, não queria brigar com você.— Essa foi a nossa primeira briga de casal, rimos.— Eu sei que extrapolei.— Amor, depois que meus pais faleceram tive que me virar sozinha, de uma hora para outra, tinha aluguel para pagar, luz, água, alimentação e eu tinha apenas 17 anos, e acabado de entrar para a faculdade. Não imagina como foi difícil, tinha que ser forte na marra para não esmorecer, só me permitia chorar na hora de dormir no meu travesseiro. — Não me relacionei com ninguém até os vinte e um anos, no último ano do meu curso na faculdade, não podia perder o foco, as meninas não entendiam eu não querer relacionamento







