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Capítulo 4

Penulis: Justa
O médico real finalmente trouxe a poção que preparava com tamanho zelo. Assim que o líquido amargo desceu por minha garganta, o alívio me dominou e me entreguei a um sono profundo e reparador.

Quando minhas pálpebras ficaram menos pesadas e consegui abrir os olhos, uma empregada desconhecida se apressou em amparar pelas costas, ajudando-me a recostar nos travesseiros macios.

— Senhora Valentina, o atentado contra a vida de Sua Majestade é um assunto da mais alta gravidade, por isso o Imperador precisou retornar ao palácio de imediato. — Explicou a jovem com a voz suave. — No entanto, ele deixou ordens expressas para que a senhora repouse e se recupere aqui sem preocupações. Assim que a situação estiver sob controle, o Imperador virá visitá-la em pessoa.

Apenas confirmei com um aceno lento.

Nas minhas lembranças da vida passada, esse atentado ao Imperador havia causado um alvoroço imenso em todo o Império, e as recompensas de Pedro só haviam sido concedidas após uma investigação minuciosa de todos os fatos.

O Imperador havia passado por um choque terrível, e o simples fato de ter se lembrado do meu bem-estar já era um alento para minha alma cansada. Minha única tarefa agora era aguardar com paciência que o Imperador resolvesse seus problemas.

Com o coração um pouco mais leve, abri a boca para pedir água, mas fui interrompida por passos pesados e apressados que ecoaram pelo corredor, quebrando o silêncio do aposento. Antes que eu pudesse virar o rosto para ver quem se aproximava, dedos ásperos agarraram meu queixo com uma força brutal.

Era Pedro.

Seus olhos transbordavam uma fúria sombria enquanto ele me encarava de cima a baixo.

— Que audácia a sua, mulher! Como teve a coragem de torturar e matar a pobre Laura pelas minhas costas? — Ele esbravejou, com a voz carregada de ódio. — Tem alguma ideia do estado em que Gabriela ficou ao encontrar o corpo dela? Sua víbora! Devo ter perdido o juízo quando decidi me casar com você!

Com um safanão violento, ele soltou meu rosto, empurrando minha cabeça para o lado. A pele da minha bochecha ardia sob o toque agressivo.

— É mesmo? Então vamos pedir a anulação do nosso casamento de uma vez por todas! — Retruquei, enxugando com as costas da mão uma lágrima teimosa que ameaçava cair.

Aquelas palavras estavam presas na minha garganta há uma eternidade. Meu plano original era esperar que o decreto do Imperador fosse publicado, para então ter o respaldo necessário e me separar de Pedro com toda a dignidade e perante a lei.

Contudo, minha resistência havia chegado ao limite absoluto. Todo o rancor e a injustiça da minha vida anterior se fundiram à dor lancinante do presente, sufocando-me em um desespero que me impedia até de respirar.

A postura arrogante e autoritária de Pedro vacilou por um instante diante da minha firmeza. Ele franziu o cenho, avaliando-me de cima a baixo com um olhar desconfiado, como se tentasse decifrar minhas intenções. Antes que ele pudesse formular uma resposta, uma figura feminina apareceu à porta.

Era Gabriela.

Os traumas e agitações do dia anterior pareciam não ter deixado o menor rastro em sua figura. Ela continuava radiante, ostentando uma beleza de tirar o fôlego. Bastava que ela se fizesse presente para que o resto do mundo desaparecesse da visão do meu marido.

Como se estivesse tocando a mais frágil das porcelanas, ele a puxou para um abraço protetor. Aquelas mesmas mãos enormes que há pouco me machucavam agora acariciavam a pele de Gabriela com uma ternura enjoativa.

— O que faz aqui fora da cama, meu bem? Sua saúde ainda está tão frágil. — Sussurrou ele, o tom de voz transbordando preocupação.

— Meu coração não me deixava descansar longe de você, precisava ver com meus próprios olhos se estava em segurança. — Respondeu Gabriela, balançando a cabeça em um gesto melancólico. — Mas assim que cheguei ao corredor, ouvi a discussão acalorada de vocês dois... e tudo por minha culpa. Não suporto a ideia de ser o motivo do sofrimento nesta casa. Pedro, por favor, me mande embora! Se você me repudiar, terá paz e não precisará mais se desgastar.

A cada palavra, os olhos dela marejavam, até que grossas lágrimas começaram a rolar por seu rosto pálido, caindo uma a uma sobre o tecido das roupas dele, em uma encenação de pura fragilidade.

Ver o pranto de sua amada levou Pedro ao desespero completo. Ele tentava secar as lágrimas dela com toques desajeitados, o rosto retorcido de dor.

— Que bobagem é essa que está dizendo? Você sabe muito bem que é a única dona do meu coração. — Declarou ele, lançando-me um olhar carregado de desprezo. — Só tive um pouco de pena daquela mulher porque ela carrega o meu herdeiro. Alguém com uma índole tão perversa jamais seria capaz de criar uma criança decente. Assim que ela der à luz, entregarei o bebê aos seus cuidados e farei de você a senhora principal desta casa, com todos os direitos de uma esposa oficial!

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