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Capítulo 3

ผู้เขียน: Justa
Pedro olhou para Gabriela, soltando um suspiro de exaustão diante da minha presença.

— Você continua com esse coração bom de sempre, minha querida. — Disse ele, com a voz carregada de afeto antes de cravar os olhos frios em mim. — Valentina, ela tem toda a razão. Você está viva, não está? Por que guardar tanto rancor e fazer tanto escândalo por um detalhe? Deixe que Laura sirva Gabriela de agora em diante e acabe com essa histeria sem sentido.

Encarei meu marido em choque. Eu carregava o filho dele no ventre e havia escapado da morte por envenenamento por um triz, mas a conclusão dele era que a minha sobrevivência apagava o crime! Não existia justiça alguma naquelas palavras distorcidas.

Naquela época, a paixão cega ainda me dominava, fazendo-me acreditar que Pedro era só uma vítima das artimanhas de Gabriela. Como esposa legítima e dona da casa, eu me convencia de que precisava ser tolerante e perdoar as falhas alheias com a nobreza exigida pela minha posição.

A minha ingenuidade durou só até o dia em que os surpreendi conversando num canto isolado. O olhar de Pedro transbordava carinho devotado ao tocar o rosto da concubina.

— Na próxima vez que tentar envenená-la, seja mais cuidadosa. — Murmurou ele num tom cúmplice. — Se for pega de novo, não poderei interceder por você.

Gabriela abraçou o braço dele com um sorriso infantil.

— Ah, eu já entendi! Obrigada por me salvar desta vez, meu amor. — Sussurrou ela, enquanto Laura assistia a tudo de perto, soltando risinhos dissimulados.

O choque daquela convivência pacífica e afetuosa entre os três me deixou paralisada e sem ar. A verdade veio à tona com dor. Desde o princípio, Pedro sabia de tudo e não apenas se calou, mas acobertou a tentativa de assassinato contra a própria esposa grávida. Eu era a única idiota vivendo uma farsa.

A lembrança de todo esse ódio represado me fez tremer de raiva ao ver Laura parada diante de mim no momento atual.

A criada insolente, contudo, interpretou a minha reação como puro pavor, deixando de lado a postura humilde para estufar o peito com arrogância.

— Senhora Valentina, o senhor Pedro mandou avisar que fará companhia à nossa senhora Gabriela. — Disparou a garota, dando um sorriso carregado de soberba. — Quanto à senhora, ele deixou claro que basta continuar respirando. Se ousar aborrecê-lo de novo, ele pedirá a anulação do casamento sem hesitar! E mais, o filho que carrega nesse ventre será tirado dos seus braços para chamar a senhora Gabriela de mãe!

Sem me dar tempo de responder, ela continuou a despejar suas palavras maldosas:

— Ele também disse que jamais te amou. O casamento só aconteceu porque a influência da sua família era útil para a carreira dele no exército. Agora que ele conquistou o posto de Comandante da Guarda Real, manter você em casa é pura caridade. Se continuar fazendo escândalo, seu único destino será a cova!

O eco daquelas insolências ainda pairava no ar quando o Imperador, sentado ao meu lado, fechou o semblante tomado por uma fúria avassaladora. Com um gesto brusco, ele atirou a xícara de chá contra o chão de pedra.

O som da porcelana estilhaçando fez os servos e guardas caírem de joelhos em pânico absoluto.

Alheia à identidade do homem furioso por causa das roupas gastas que ele usava, Laura não percebeu a gravidade da situação. Ela deu um passo à frente, gesticulando com escárnio e apontando o dedo na minha direção.

— Aconselho a senhora a desistir desse teatrinho de vítima, porque o Sr. Pedro já perdeu a paciência! — Zombou ela, antes de lançar um olhar de desprezo para o Imperador. — E quanto a esse vagabundo aí? Se achou que arrumar um amante faria o Sr. Pedro sentir ciúmes, cometeu o pior erro da sua vida. Quando eu contar que a senhora anda se deitando com qualquer um, ignorando até mesmo o bebê na barriga, o que acha que ele fará? Vai te esquartejar ou mandar que os cavalos te despedacem viva?

Toda aquela audácia burra vinha de um único detalhe. Após ter suas vestes reais manchadas mais cedo, o Imperador havia se trocado, vestindo trajes de linho rústico. A criada havia confundido a autoridade máxima do Império com um homem qualquer da rua!

A expressão do Imperador escureceu de tal forma que o ar ao nosso redor pareceu faltar. Ele soltou uma risada curta e gélida, um som que fez os guardas do palácio avançarem num salto, imobilizando Laura de forma brusca.

O pavor tomou conta do rosto da garota ao perceber a reverência dos soldados diante daquele homem. Ela abriu a boca para implorar por piedade, mas os eunucos taparam-lhe a boca e começaram a arrastá-la para fora.

— Amarrem essa insolente a cavalos e a despedacem viva! — Ordenou o Imperador com uma voz que não admitia contestação. — E joguem os restos na porta do tal Pedro! Faço questão de descobrir que tipo de grandiosidade esse sujeito possui para submeter a senhora Valentina a tamanha humilhação.

As palavras dele ecoaram nos meus ouvidos e pisquei, surpresa ao notar o modo como ele se referiu a mim. O Imperador não me tratou mais como a esposa de um de seus comandantes, mas como um indivíduo separado do meu algoz.

Um alívio imenso invadiu o meu peito, confirmando que o meu plano arriscado tinha dado certo afinal.

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