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Na Cama, Eu Era Só um Compromisso
Na Cama, Eu Era Só um Compromisso
Penulis: Olmo

Capítulo 1

Penulis: Olmo
Os ponteiros deram várias voltas até que um leve clique soou na porta.

Dante voltou.

Nem olhou para mim. Pendurou o casaco, se jogou na cama e adormeceu quase na mesma hora. Um perfume feminino que eu não conhecia ainda impregnava seu corpo.

Me virei para o outro lado e logo ouvi o celular dele vibrar sem parar.

Peguei o aparelho.

Eram mensagens de Luna.

[Chefe, obrigada por vir ficar comigo hoje.]

[A Helena não ficou chateada, né? Outro dia eu mesma vou pedir desculpas a ela.]

Baixei os olhos para a tela. Meus cílios estremeceram.

Deslizei o dedo para cima.

As conversas entre os dois eram íntimas demais, cheias de insinuações. E Dante respondia à mensagens de Luna com uma frequência que nunca demonstrava comigo.

Comigo, ele sempre era frio.

Senti a garganta apertar e digitei:

[Ele dormiu. Eu também não fiquei chateada.]

[Fala com ele amanhã.]

Apaguei a tela, deixei o celular de volta no criado-mudo e peguei meu travesseiro para dormir no quarto de hóspedes.

De repente, uma mão quente segurou meu pulso.

Parei.

Dante continuava de olhos fechados enquanto murmurava:

— Lu, eu tô aqui.

Olhei para aquele rosto bonito demais e deixei escapar um sorriso sem humor.

Então soltei meu pulso e fui embora.

Na manhã seguinte, a porta do quarto se abriu com um chute.

Dante estava ajeitando os punhos da camisa quando me encarou, irritado.

— Por que você falou aquilo pra Lu? Ela é nova, é sensível. Você não sabe disso?

Sua voz ficou ainda mais dura.

— E ela é só minha nova secretária. O que você ganha implicando com ela?

Levantei os olhos devagar e encarei a raiva em seu rosto.

— Só sua secretária?

Deixei escapar uma risada curta.

— Que chefe chama o nome da secretária enquanto dorme?

Dante se enrijeceu por um instante. O desconforto atravessou seu rosto.

— Entre nós só existe uma relação profissional.

Ele desviou o olhar.

— Eu chamo o nome dela o dia inteiro no trabalho. Foi força do hábito. Você é minha esposa, Helena. Não seja tão mesquinha.

Não olhei para ele. Apenas assenti, tranquila.

— Tá. Daqui pra frente, pode chamar quantas vezes quiser.

Dante me agarrou de repente, já sem paciência.

— Entre mim e Lu não existe absolutamente nada, Helena. Para com essas indiretas.

Baixei os olhos e soltei meu braço. Com a ponta dos dedos, ajeitei o colarinho da camisa dele, ainda serena.

— Nada? Entendi.

Ergui os olhos.

— Você só é o chefe que compra absorventes para ela, certo?

As costas de Dante ficaram rígidas. Seu rosto se fechou.

Ele respirou fundo.

— O fluxo dela é forte. Os seus absorventes não davam conta, por isso eu fui comprar...

Minha mão parou.

— Que atencioso. Você sabe até como é o fluxo menstrual da sua funcionária.

Na verdade, fazia algum tempo que eu percebia que havia algo errado.

E não eram só os absorventes.

Começaram a aparecer em casa uma caneca com desenho infantil, batons e até roupas que alguém não teve tempo de esconder.

Eu só não fiz questão de cobrar explicações por cada uma delas.

Dante franziu a testa, se endireitou e enfiou as mãos nos bolsos antes de me lançar um olhar frio.

— Helena, eu já te expliquei isso várias vezes.

Seu tom perdeu qualquer vestígio de paciência.

— Você mudou. Está ficando impossível de lidar.

Mal terminou de falar, e o celular tocou de novo.

O mesmo toque da madrugada.

Abri a boca com calma:

— Pode ir.

Olhei para ele.

— Se você não for, ela vai acabar vindo atrás de você aqui.

Não era a primeira vez, afinal.

Dante abriu a boca. Dessa vez, hesitou por um segundo.

No fim, se virou e foi embora.

Soltei o ar devagar.

Então baixei os olhos para o mapa diante de mim.

Uma cidade tranquila no sul do país estava marcada com um círculo vermelho.

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