Masuk
Sem esperar pela resposta de Dante, saí e fui almoçar num restaurante ali perto.Peguei o celular e abri as câmeras de casa.Dante estava sentado na cozinha, diante da mesa cheia de comida, ainda me esperando.Meus olhos arderam.Um dia, fui eu quem esperou assim por ele.Agora que os papéis se inverteram, só conseguia sentir pena da mulher que eu fui.Depois do almoço, passei algum tempo andando pelo shopping.A noite caiu, e só voltei para casa horas depois.Dante já foi embora. A comida continuava sobre a mesa.Ele preparou muita coisa. Parecia até que se esforçou de verdade.Não provei nada.Chamei uma diarista e pedi que limpasse tudo.Nos dias seguintes, Dante não apareceu mais.Minha vida voltou a ficar leve.Até que, numa tarde, Luna apareceu na minha porta.Estava muito mais magra, quase abatida, com o rosto pálido e cansado.Ela cambaleou na minha direção e gritou, rouca:— Fica longe dele! Para de tentar seduzir Dante!Seus olhos estavam vermelhos.— Ele disse que era meu! C
Dante ficou em silêncio por muito tempo.Quando achei que continuaríamos presos naquele impasse, ouvi o clique da trava.Abri a porta.— Obrigada por hoje.Peguei a mala.— Qualquer dia eu te pago um jantar.Subi sem olhar para trás.Tomei um banho rápido, sequei o cabelo e, quando fui até a varanda, Dante ainda estava lá embaixo.O vidro do carro estava aberto. Uma das mãos descansava para fora, com um cigarro entre os dedos.Ele ficou ali por muito tempo.Me virei e fechei as cortinas.No dia seguinte, dormi até o meio-dia.À tarde, saí para jogar o lixo fora e encontrei Dante parado ali.Parecia cansado. Nas mãos, carregava sacolas de supermercado.Pelo jeito, chegou cedo.Ao notar minha surpresa, falou primeiro:— Comprei algumas coisas. Posso cozinhar pra você...Ele hesitou.— E tudo o que você dizia que queria fazer, eu posso fazer com você agora.Não me mexi.— Você não precisa trabalhar?Dante baixou os olhos, sem graça.— O trabalho... pode esperar.Fez uma pausa.— Eu também
Depois que deixei Dante, fui para uma cidade no sul do país.Passei mais algum tempo internada num hospital de lá e, depois da alta, comecei a viajar pelas cidades da região.Até que, um dia, ao sair da estação, minha mala quebrou do nada.Meus ferimentos acabaram de cicatrizar e eu ainda não podia carregar peso. Enquanto pensava se devia pedir ajuda a alguém, o peso sumiu da minha mão.Soltei um suspiro de alívio e virei o rosto.— Obrigada.Mas congelei assim que vi quem estava ao meu lado.Dante.Depois de meses sem vê-lo, ele estava ali, segurando minha mala com uma só mão.Sua voz tremeu levemente.— De nada.Levei apenas alguns segundos para recuperar a calma.Peguei o celular e comecei a chamar um carro.Dante segurou meu braço de repente. Sua voz carregava uma hesitação rara.— Você me viu e... não tem nada pra dizer?Balancei a cabeça e continuei mexendo no celular.Ele se adiantou num passo apressado, cobriu a tela com a mão e pegou minha mala com a outra.— Pra onde você vai
Dante ficou ali, imóvel, por muito tempo.Seu corpo parecia completamente rígido.Até que seus ouvidos captaram o som de passos se aproximando.Sua respiração ficou mais leve, mas o coração disparou.Ele se virou depressa.— Você voltou. Eu estava te procurando...As palavras morreram em sua garganta assim que viu quem era.A decepção tomou seus olhos.— Por que é você?Sua expressão esfriou.— O que está fazendo aqui?Luna sorriu e se aproximou rapidamente, abraçando o braço dele.— Vim porque estava com saudade, chefe~Ela inclinou a cabeça, manhosa.— Você não disse que eu podia vir quando quisesse?O corpo de Dante se enrijeceu. Sem demonstrar muito, ele soltou o braço e se afastou.Nem olhou para ela.— Você deveria estar trabalhando agora.Luna fez um bico e voltou a se aproximar, quase se encostando nele.— Mas não foi você que disse que eu podia descansar quando quisesse?Seu tom carregou um pouco de insatisfação.— Eu não quero trabalhar de dia e de noite.Enquanto falava, ela
Dante atravessou o quarto a passos largos e varreu o espaço com os olhos.Um mau pressentimento apertou seu peito.Ele se virou bruscamente, correu até o posto de enfermagem e segurou uma enfermeira pelo braço.Sua voz tremia.— Para onde foi a paciente desse quarto?A enfermeira franziu a testa e recuou.— Senhor, se acalme.Ela olhou na direção do quarto.— A paciente pediu alta e saiu logo cedo.A respiração de Dante travou. Seus dedos se afrouxaram devagar.Por um instante, sentiu todo o sangue do corpo gelar.— Foi embora...?Sua voz saiu quase sem força.— Ela está ferida. Como conseguiu sair? Pra onde foi?A enfermeira também parecia intrigada.— Nós tentamos convencer ela a ficar, mas não adiantou.Suspirou.— Ela insistiu tanto que nem o médico conseguiu impedir.Dante engoliu em seco e respirou fundo.Voltou para o quarto com passos pesados e pegou os papéis do divórcio sobre a cama.Suas mãos tremiam.Seu olhar escureceu.Como Helena conseguiu ir embora?E, pior... como cons
Do outro lado da linha, Dante ficou em silêncio por alguns segundos. Só então percebeu que havia alguma coisa errada.— O que aconteceu?Tirei uma foto do retrato e enviei para ele.— Olha direito.Dante se calou de novo. Depois, soltou um suspiro.— Entregaram no endereço errado.Soltei uma risada fria.— Então o único erro foi o endereço? Tirar fotos de casamento com ela está tudo certo?A voz dele carregou um pouco de impaciência.— Vem até a empresa. Eu te explico.A ligação terminou.Peguei minha bolsa e saí.Meu peito doía a cada passo.Dante nunca me deixava ir à empresa. Dizia que minha presença ali não pegava bem.Nunca imaginei que a única vez em que ele me permitiria entrar seria por causa de algo assim.Assim que saí do elevador, um funcionário me barrou.— Pessoas de fora não podem entrar na área dos escritórios. Por favor, aguarde na recepção.Eu ia responder quando Luna apareceu.Ela segurou meu braço e me levou para dentro.— Tudo bem, eu conheço ela.Luna circulava por







