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Capítulo 4

Autor: Ari
Fiquei parada ao lado da cama, sentindo os dedos esfriarem aos poucos.

Aquele era um grupo do qual eu não fazia parte.

Abri o histórico e voltei até as primeiras mensagens, de três meses antes.

Tereza tinha mandado um print sobre a brincadeira de trocar de par.

[A Olivia não vive dizendo que consegue se enturmar com a gente? Vamos ver até que rodada ela aguenta.]

Rodrigo respondeu logo depois: [Na caixa dela, coloca só carta em branco.]

Lucas acrescentou: [Faz as cartas do Vinicius e da Tereza iguais. Começa com mãos dadas, depois abraço, até chegar no beijo. Vai ser uma loucura.]

Continuei lendo.

Vinicius não respondeu de início.

Só muito tempo depois escreveu: [Não exagerem.]

Passei alguns instantes encarando aquela frase.

Por mais ridículo que fosse, senti uma ponta de esperança.

Pelo menos ele tinha tentado impedir.

Mas a mensagem seguinte acabou com aquilo: [A Olivia leva tudo a sério. Ainda preciso dela para organizar o casamento. Não vão irritar ela tanto que acabe indo embora de verdade.]

Lucas mandou um emoji de gargalhada.

[Relaxa. Ela não vive sem você.]

Vinicius respondeu: [Verdade.]

Foi como levar um tapa na cara.

Ele sabia desde o começo que o jogo estava armado.

Sabia das cartas em branco na minha caixa.

Sabia que todos queriam me ver passar vergonha e que eu continuaria aguentando tudo, como sempre.

Só tinha medo de que exagerassem e atrapalhassem os preparativos do casamento que eu estava organizando para ele.

Mais adiante, encontrei as mensagens sobre a viagem.

Eu tinha mandado o roteiro no grupo de todos nós.

Ninguém respondeu.

Naquele grupo dos cinco, porém, as mensagens não paravam.

[Esse mergulho que a Olivia organizou vai ser um tédio.]

[A Tereza tem medo de água. Melhor trocar por uma festa no iate.]

Vinicius escreveu: [Não precisa contar para ela. A gente muda quando chegar lá. Ela não vai dizer não.]

Tinham combinado até a divisão dos quartos.

[Vinicius e Tereza ficam na suíte família.]

[E a Olivia?]

[No sofá, ué.]

[E se ela não aceitar?]

Vinicius respondeu: [É só eu falar com ela que ela aceita.]

Senti o ar faltar.

Até então, eu achava que o problema estava em mim.

Que eu demorava demais a me soltar e, por isso, não conseguia fazer parte do grupo.

Tentava compensar fazendo tudo por eles: lembrava dos gostos de cada um, aguentava as brincadeiras e, sem ninguém pedir, assumia todas as tarefas mais trabalhosas.

Só agora entendia. Não era falta de esforço meu.

Eles nunca tinham pretendido me aceitar.

Sabiam o quanto eu tentava e achavam tudo aquilo uma piada.

Uma nova mensagem apareceu.

Rodrigo perguntou: [Cadê a Olivia?]

Lucas respondeu: [Deve estar escondida no quarto, chorando. Vamos para a próxima rodada?]

Tereza logo mandou um áudio:

— Vamos parar, vai? Acho que a Olivia ficou brava de verdade.

Vinicius também respondeu por áudio:

— Se está brava, deixa ela esfriar a cabeça sozinha. Toda vez a gente tem que ficar consolando ela. Não cansa, não?

Ouvir aquelas palavras acabou de vez com o pouco de apego que ainda restava.

Eu já ia desligar o tablet quando Lucas mandou um vídeo gravado escondido.

Só Vinicius e Tereza continuavam no terraço.

Bêbada, ela estava encostada no ombro dele.

— Se eu não tivesse te dado um fora naquela época, você teria ficado com a Olivia?

Meu dedo parou sobre a tela.

O vento do mar soprava forte na gravação.

Vinicius ficou em silêncio por um longo tempo. Por fim, respondeu baixinho:

— Não.

Tereza sorriu, mas as lágrimas escorreram.

— E agora? Você se arrepende?

Vinicius não disse nada. Apenas enxugou as lágrimas dela.

O carinho daquele gesto bastava como resposta.

O vídeo terminou.

O grupo ficou alguns segundos sem mensagens, até Lucas escrever: [Eu disse que vocês dois é que tinham que estar juntos.]

Rodrigo também entrou na onda: [A Olivia chegou depois e se meteu no meio. Ficou no lugar da Tereza todos esses anos. Já está na hora de devolver esse lugar para ela.]

Meus ouvidos começaram a zumbir.

Era assim que me viam.

Eu namorava Vinicius havia sete anos e estava prestes a casar com ele.

Mesmo assim, era a intrusa entre os dois.

Desliguei o tablet e coloquei o carregador de volta onde estava.

Não fui tirar satisfações nem corri para o terraço.

Eu já tinha a resposta de que precisava.

Voltei ao quarto e mudei a passagem para o último voo daquela noite.

Faltavam duas horas. O suficiente para ir embora.

Se não havia lugar para mim naquela viagem de seis pessoas, então também não havia mais lugar para eles na minha vida.

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