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Capítulo 2. Território Hostil.

작가: Jeda Clavo
last update 게시일: 2026-10-22 10:07:40

Capítulo 2. Território Hostil.

O som do tapa foi seco, brutal. Ecoou acima dos violinos, silenciando até mesmo as conversas mais próximas.

A cabeça de Liam virou violentamente para a esquerda com a força do impacto.

A música parou.

Uma centena de pares de olhos se voltou para a janela panorâmica. O silêncio no salão de baile foi sepulcral, quebrado apenas pela respiração ofegante de Olivia.

Sua palma ardia. Doía. Ela havia atingido o osso.

Liam permaneceu imóvel por um segundo interminável, com o rosto virado. A marca vermelha dos dedos de Olivia começou a aparecer em sua bochecha pálida.

Lentamente, assustadoramente devagar, Liam voltou a olhar para ela.

Lucas havia levado as mãos à cabeça, horrorizado. Claritza tremia, chorando em silêncio.

Os olhos de Liam já não eram gelo. Eram puro fogo. Um incêndio sombrio e descontrolado. Ele passou a língua pelo interior da bochecha atingida. Sua mandíbula ficou tão tensa que parecia que seus dentes iriam se partir.

— Você... — Sua voz saiu como um rosnado profundo.

Deu um passo em direção a ela. A ameaça física era evidente.

Olivia não recuou. Embora seu coração estivesse prestes a explodir no peito, ergueu o queixo, enfrentando a tempestade que acabara de provocar.

— Ninguém insulta minha irmã — sibilou Olivia. Sua voz tremia de fúria, mas soou claramente no silêncio. — O senhor pode comprar a cidade inteira, Cross, mas dinheiro não compra classe. E o senhor não tem nenhuma.

— Segurança! — rugiu Liam, sem desviar os olhos dela.

Dois seguranças de terno preto apareceram do nada, abrindo caminho entre a multidão escandalizada.

— Tirem as duas daqui — ordenou Liam, com uma frieza mortal na voz. — E garantam que os nomes delas entrem na lista negra de toda a cidade.

Um dos seguranças agarrou Olivia pelo braço com força excessiva. O outro segurou Claritza, que soluçava abertamente, enquanto a conduzia para fora do salão.

— Não encoste em mim! — Olivia tentou se soltar do segurança, mas foi inútil. Não conseguiu impedi-lo.

________________________________________

A manhã seguinte não trouxe o sol. Trouxe uma dor de cabeça martelante e o rugido de motores a diesel que sacudiu os alicerces do velho casarão dos Montenegro.

Olivia saltou da cama. Sua mão direita latejava, uma lembrança persistente do impacto contra o rosto de Liam Cross na noite anterior.

Correu até a janela.

Não havia uma escavadeira na rua. Havia cinco.

Um exército amarelo com o logotipo da CROSS HOLDINGS bloqueava a luz do sol. E, atrás das máquinas, viaturas policiais permaneciam estacionadas, com as luzes azuis girando silenciosamente.

Não tinham vindo demolir a casa da senhora Goya. Tinham vindo buscar a dela.

— Papai... — murmurou Olivia, descendo as escadas de dois em dois degraus.

Encontrou seu pai, Arturo, no hall de entrada. Ele vestia seu velho roupão de veludo desgastado e segurava uma xícara de café com uma calma exasperante.

— Curioso — comentou Arturo, olhando pela janela. — Parece que seu amigo, o Sr. Cross, é bastante rancoroso. Aliás, boa técnica com a mão aberta. Sua avó ficaria horrorizada, mas secretamente orgulhosa.

— Papai, isso é sério! — Olivia abriu a porta principal de uma vez.

O calor e a poeira atingiram seu rosto.

Um homem baixinho, com cara de doninha e uma pasta de couro, estava na varanda, acompanhado por dois policiais.

— Olivia Montenegro? — perguntou o advogado, sem olhar diretamente para ela.

— Que diabos é isso? Nós ainda tínhamos tempo! — esbravejou.

— Tinham — corrigiu o advogado, com um tom burocrático, estendendo-lhe um documento. — O credor executou a cláusula de vencimento antecipado por risco de insolvência. A senhorita precisa sair imediatamente.

— Quem mandou fazer isso dessa maneira? — exigiu Olivia, sentindo o sangue ferver.

— Cross Capital Ventures.

É claro.

— Isso é ilegal! — gritou Olivia. — É uma vingança pessoal!

— É legal, senhorita. A ordem foi assinada por um juiz. Comecem a fazer as malas.

Uma buzina soou atrás das viaturas. Grave. Autoritária.

O mar de máquinas e policiais se abriu. Um Mercedes-Benz preto e reluzente avançou lentamente e parou bem diante da porta de Olivia, esmagando suas roseiras mortas.

A porta traseira se abriu.

Um sapato de couro italiano pisou na terra seca.

Liam Cross.

Sem o smoking da noite anterior, parecia ainda mais letal. Vestia um terno cinza impecável, óculos escuros e uma expressão tão fria que parecia congelar o ar. Na bochecha esquerda, quase imperceptível, havia uma pequena lesão. A assinatura de Olivia.

Liam caminhou em direção à varanda. Os policiais e o advogado se afastaram como se tivessem medo dele.

Não parou diante de Olivia. Passou ao lado dela, invadindo seu espaço, roubando seu ar.

— O senhor não pode entrar aí — sibilou Olivia, bloqueando sua passagem na soleira.

Liam tirou os óculos lentamente. Seus olhos cinzentos se cravaram nos dela. Não havia desejo. Havia guerra.

— POSSO ENTRAR ONDE EU BEM ENTENDER, OLIVIA! — declarou. Sua voz era perigosamente baixa e rouca. — Sou o proprietário. Acabei de comprar o teto sobre a sua cabeça.

Olivia sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

— Por quê? — sussurrou, com a garganta apertada pela fúria e pelo pânico. — Para provar o quê? Que é um valentão cheio de dinheiro?

Liam diminuiu a distância entre eles. Encurralou-a contra a parede, usando sua altura para intimidá-la. O cheiro de sândalo e perigo a envolveu, deixando-a tonta. Ele estava perto demais. Ela podia sentir o calor que irradiava de seu corpo tenso.

— Para lhe ensinar uma lição básica de economia — sibilou Liam, inclinando-se até que seus lábios ficassem a poucos centímetros dos dela.

Seu hálito quente roçou a pele de Olivia.

— O orgulho é um luxo, querida. E você já não pode pagar por ele.

Ele levantou a mão. Olivia se enrijeceu, esperando um golpe, a devolução do tapa.

Mas Liam apenas apoiou a mão na parede, ao lado da cabeça dela, deixando-a presa entre seu corpo e a parede. Seus olhos desceram até a boca de Olivia, a mesma boca que o havia desafiado. Algo sombrio brilhou em seu olhar. Ódio. E desejo. Uma mistura tóxica.

— Ontem à noite você me humilhou diante da minha cidade — murmurou ele. Cada palavra era uma navalha. — Hoje, vou apagar sua insignificante existência do mapa.

Afastou-se bruscamente, como se o contato o queimasse.

Virou-se para Arturo, que continuava tomando café na entrada da sala.

— Sr. Montenegro, agradeça à sua filha. O tapa dela acabou de lhe custar a casa.

Liam deu meia-volta. Caminhou em direção ao Mercedes com a arrogância de um deus que acabara de esmagar uma formiga.

Olivia permaneceu imóvel por um segundo. Tremendo.

Não de medo. De uma ira pura, cega e vulcânica.

Seus olhos desceram até o chão do jardim. Viu um paralelepípedo solto do velho caminho de entrada. Pesado. De granito bruto.

Agarrou-o com as duas mãos. O peso pareceu perfeito.

— Olivia, não! — gritou Claritza da janela.

Olivia não ouviu. Correu.

Liam estava prestes a entrar no carro quando escutou passos rápidos sobre o cascalho. Virou-se.

Viu Olivia avançando como uma fúria grega, com os cabelos despenteados, ainda de pijama e uma pedra nas mãos.

Não teve tempo de reagir.

Olivia não diminuiu a velocidade. Ergueu o paralelepípedo acima da cabeça e o lançou com um grito gutural.

CRAAAAACK!

O som foi uma explosão. O para-brisa blindado do Mercedes não se quebrou em pedaços; ficou coberto por uma gigantesca teia branca de rachaduras, afundando no centro.

Liam ficou paralisado, com a mão na maçaneta da porta. Os policiais sacaram as armas.

Mas aquilo não foi suficiente para Olivia. O barulho não apagou sua raiva. Ela precisava de mais.

Não parou. Saltou sobre o capô do Mercedes. O metal alemão gemeu sob seu peso.

— Desça daí! — gritou o advogado, aterrorizado.

Olivia o ignorou. Estava possuída. Pegou outra pedra menor que havia saltado do jardim.

E começou a golpear.

PUM! No teto.

PUM! No vidro lateral.

PUM! No capô impecável.

— É ISSO QUE EU PENSO DO SEU DINHEIRO! — gritava entre um golpe e outro, ofegante, em pé sobre o carro de cem mil dólares como uma rainha selvagem. — VOCÊ DESTRUIU MINHA CASA! EU DESTRUO ESSA SUA PORCARIA!

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