LOGINA recusa de Seraphina havia provocado uma discussão que ultrapassava os muros da fortaleza. Mensageiros chegavam de diferentes territórios trazendo opiniões, reclamações e declarações de apoio. Alguns líderes consideravam absurda a exigência de que uma Regente se curvasse diante dos Alfas. Outros afirmavam que permitir aquela recusa colocaria em risco a autoridade de todas as alcateias.Kaiden passou a manhã lendo os relatórios. Quanto mais avançava, mais percebia que a discussão já não era apenas sobre Seraphina.Era sobre o significado de poder.— Eles estão assustados porque não conseguem decidir onde colocar uma Regente — comentou Tavian, observando os documentos espalhados sobre a mesa.Kaiden fechou uma das cartas.— Não. Estão assustados porque ela não aceita ficar onde mandam.Edmund, sentado diante deles, soltou um suspiro.— Alguns realmente acreditam que permitir isso enfraquecerá os Alfas.Kaiden ergueu os olhos.— Então precisamos conversar sobre o que significa ser fort
Seraphina recebeu a convocação oficial durante o café da manhã. O mensageiro chegou acompanhado por dois guardas da fortaleza e entregou a Tavian um envelope marcado com quatro selos. Não havia nenhuma surpresa no conteúdo. Na noite anterior, os representantes já haviam informado o que pretendiam exigir dela.Ainda assim, ler aquelas palavras num documento oficial tornou tudo mais revoltante.Seraphina terminou a primeira leitura sem dizer nada. Depois começou novamente, prestando atenção em cada condição.Ela deveria comparecer diante dos representantes das sete alcateias e curvar a cabeça como demonstração de que reconhecia a soberania de cada território.Quando terminou, colocou o documento sobre a mesa.— Não vou fazer isso.Kaiden estava sentado ao seu lado.— Concordo.Edmund, que participava da reunião com Tavian, soltou um suspiro preocupado.— Precisamos considerar as consequências dessa resposta.Seraphina cruzou os braços.— Então meu crime é não querer me humilhar?Edmund
A queda de Gareth não trouxe a tranquilidade que Seraphina esperava. Na manhã seguinte, os sete territórios voltaram a se reunir no salão principal da fortaleza. Os documentos contra Gareth haviam sido recolhidos, mas a tensão continuava presente. Alguns representantes conversavam em voz baixa, enquanto outros observavam Seraphina como se ela fosse responsável por tudo que havia acontecido.Kaiden percebeu aqueles olhares assim que entrou.— Estão procurando outro culpado — comentou.Seraphina ajeitou a manga do vestido.— Então vão ficar decepcionados. Não pretendo facilitar o trabalho deles.Kaiden quase sorriu.— Eu não esperava menos.Tavian os acompanhou até seus lugares. Darian permaneceu próximo à entrada, atento aos guardas, enquanto Celestine se sentou ao lado de Elowen e Orion.O menino participaria apenas da parte pública da assembleia. Seraphina havia concordado porque queria que os representantes enxergassem uma criança, não a ameaça que insistiam em descrever.Infelizme
A queda de Gareth deveria ter sido motivo de comemoração. Pelo menos era o que Tavian parecia pensar quando anunciou que os representantes de três territórios haviam solicitado cópias dos documentos apresentados durante a assembleia. A autoridade diplomática de Gareth estava suspensa, Oren confessou que recebeu promessas para mentir, e as acusações contra a família Thourlet começavam a perder força.Mas Kaiden não conseguia sentir alegria.Enquanto os conselheiros discutiam os próximos passos, ele permaneceu sentado, olhando para a cadeira vazia onde Gareth esteve poucas horas antes. Pensava no pai, em Malrik e nos cinco anos que havia passado acreditando numa mentira.Quando percebeu que não conseguia mais acompanhar a conversa, levantou-se discretamente e deixou o salão. Precisava ficar sozinho.Ou pelo menos achava que precisava.A varanda da fortaleza ficava no segundo andar, com vista para os jardins e as montanhas que cercavam o território neutro. O vento frio atravessava as co
Gareth nunca havia suportado perder o controle de uma situação. Durante anos, bastava entrar numa sala para que outros Alfas ouvissem suas opiniões com respeito. Suas alianças militares garantiam influência, seus acordos comerciais abriam portas e sua filha havia sido criada para fortalecer ainda mais sua posição.Agora, diante de sete territórios, tudo começava a desmoronar.Oren Halvik confessou que recebeu promessas de terras e proteção para mentir. As cartas de Theron Vale levantavam suspeitas sobre Malrik. E Kaiden Cyrus, o jovem que Gareth acreditava conseguir manipular para sempre, acabou de defender publicamente a família Thourlet.Gareth olhou para os documentos espalhados sobre a mesa. Precisava mudar de estratégia.— Tudo isso começou quando minha filha se deixou manipular por essa mulher.A acusação atravessou o salão. Seraphina levantou os olhos. Celestine, que permanecia sentada perto de Tavian, ficou imóvel por alguns segundos. Depois se levantou.— Não coloque isso e
O silêncio que tomou o salão depois da revelação de Darian parecia sufocante.Kaiden continuava olhando para o guerreiro, tentando entender como o nome de Theron Vale nunca havia aparecido nas investigações sobre a morte de seu pai. Durante cinco anos, acreditou conhecer todos os envolvidos naquela tragédia. Agora descobria que talvez não conhecesse sequer a metade.Darian respirou fundo antes de continuar.— Meu tio desapareceu exatamente na semana em que seu pai morreu. Minha família acreditou que ele tivesse abandonado a região depois de se envolver em alguma coisa perigosa. Procuramos durante meses, mas nunca encontramos uma pista confiável.Kaiden apertou as mãos.— E ninguém relacionou o desaparecimento dele à morte do meu pai?— Não tínhamos motivos para isso. Theron trabalhava com informações militares e viajava constantemente. Minha mãe acreditava que ele havia descoberto algo que o obrigou a fugir.Seraphina olhou para Elowen.— Mãe, o que realmente aconteceu naquela noite?







