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A sala de artes estava quase no escuro. As persianas altas deixavam entrar apenas um fio fraco de luz do fim de tarde, suficiente para desenhar o corpo da loba que Luke tinha dobrada sobre a mesa de desenho. A saia dela estava erguida até a cintura e a calcinha de renda vermelha puxada para o lado. Ele a penetrava com força, enquanto uma mão apertava o quadril dela e a outra enfiada nos cabelos loiros, puxando a cabeça para trás a cada estocada.
Ela gemia alto o nome dele, pedindo por mais, as unhas arranjaram a madeira da mesa. Luke gostava desse tipo de distração. Rápida, sem nomes. Sem risco de alguém achar que ele se importava. — Quietinha, geme mais baixo — Ele disse com sua voz já rouca de prazer — Se não vão pegar a gente, e eu não quero que ninguém me veja te comendo. A loba ao ouvir seu pedido, mordeu a própria mão, para abafar o som dos seus gemidos, o que tirou um sorriso divertido de Luke, que olhava a cena com mais tesão ainda. O cheiro de sexo e excitação preenchia o ar quando a porta se abriu de repente. O cheiro chegou primeiro. Doce. Selvagem. Quente demais para pertencer a qualquer loba comum. Era a Bruma, aquela névoa sobrenatural que despertava os vínculos destinados e deixava o ar carregado de magia antiga. O odor se espalhou rápido, denso, quase visível, e o corpo de Luke reagiu antes mesmo da mente. O lobo dentro dele se agitou de uma forma violenta, quase dolorosa. As pupilas dilataram. O coração disparou. O pau, já enterrado fundo na outra loba, latejou com uma intensidade nova, selvagem, como se o sangue tivesse pegado fogo. Mas ele não parou, continuou empurrando, lento e profundo, enquanto virava o rosto lentamente na direção da porta. Iris. Ela estava parada no batente, os livros apertados contra o peito. Cabelo castanho preso de qualquer jeito, uniforme um pouco grande demais no corpo magro, óculos tortos no rosto. A garota que ninguém notava. A que sempre se sentava no fundo da sala e sumia nos corredores como se quisesse desaparecer de verdade. O nome dela ecoou na mente dele como um rugido. O vínculo da Lua se fechou em volta de Luke como uma corrente quente, puxando, exigindo, queimando por baixo da pele. O cheiro dela invadiu seus pulmões e fez o sangue descer ainda mais forte para o meio das pernas. Era a Bruma. Ele sabia. O dia em que o destino escolhia os pares e o destino acabara de escolher a pior pessoa possível. Ainda assim, ele não parou. Empurrou mais fundo na loba que gemia sob ele, os olhos presos nos de Iris. A cada estocada, o olhar dele se mantinha nela. Como se quisesse que ela visse. Como se quisesse que ela entendesse exatamente o que estava acontecendo. Iris não se mexeu. O livro escorregou dos braços dela e caiu no chão com um baque seco. A respiração dela ficou pesada. Luke soube exatamente o momento em que o vínculo a atingiu também. O cheiro dela mudou, ficou mais doce, mais quente, carregado de algo primitivo que fez o lobo dele querer avançar, agarrar e marcar. Mas ele ficou onde estava. Continuou fodendo a outra loba, que não conseguia mais se controlar e gemia ainda mais alto o nome de Luke, quando ele apertou o quadril dela com mais força, mas ele nem olhou para baixo. Seus olhos estavam fixos em Iris. O peito dela subia e descia rápido demais. As bochechas coraram de um vermelho profundo. As coxas se apertaram uma contra a outra, e ele viu o exato instante em que o desejo involuntário a atingiu, o mesmo calor súbito entre as pernas, a mesma urgência animal que o vínculo arrancava de ambos. Ela estava sentindo. Enquanto assistia ele comer outra. O silêncio na sala ficou pesado. Carregado. Sexual de um jeito cruel. A Bruma pairava entre os três como uma névoa quente, e cada estocada de Luke parecia ecoar mais alto só porque Iris estava ali, imóvel, obrigada a sentir tudo. A loba que ele penetrava olhou por cima do ombro. — Luke…? — sussurrou, a voz rouca de prazer. — eu vou gozar.... Ele não respondeu. Não desviou o olhar de Iris. Empurrou de novo, mais fundo, mais lento, deixando que ela visse o movimento dos quadris, a forma como o corpo da outra loba tremia sob ele. O pau latejava dentro daquela que não importava, mas cada gota de desejo verdadeiro era puxada para a garota parada na porta. Iris engoliu em seco. A voz saiu baixa, trêmula, quase um sussurro: — Eu… eu só... Luke sorriu. Não foi um sorriso bonito. Foi algo frio, arrogante, carregado de tudo o que ele estava sentindo e recusando ao mesmo tempo. Ele puxou a loba pelos cabelos, forçando-a a arquear mais as costas, e continuou. Cada estocada agora era deliberada. Cada gemido dela era um golpe a mais na humilhação de Iris. O vínculo queimava, insistia, pedia que ele parasse, que fosse até ela, que a empurrasse contra a parede e a marcasse. O lobo uivava dentro dele, furioso. Mas Luke não parou. Fodeu a outra até o fim, os olhos nunca saindo dos de Iris. Quando gozou, foi com o olhar preso nela, como se a bruma, o destino e o desejo fossem só um detalhe inconveniente que ele podia ignorar. A loba sob ele tremeu e soltou um gemido alto. Luke se retirou devagar, arrumou a calça sem pressa, e só então se virou completamente para Iris. O silêncio que ficou depois foi pior que qualquer grito. Iris ainda não tinha se mexido. As pernas tremiam. O cheiro de desejo e vergonha se misturava no ar. O vínculo pulsava entre os dois como um fio quente e impossível de ignorar, mas agora doía. Luke deu um passo na direção dela. Perto o suficiente para sentir o calor do corpo dela. Perto o suficiente para ver o jeito como os lábios se entreabriram sem ela perceber. O ar ainda estava carregado de Bruma, úmido, elétrico. Ele ergueu a mão, quase tocando o rosto dela. Os dedos tremeram no ar. O lobo exigia. O vínculo queimava. Mas a mente venceu. Luke baixou a mão. O rosto endureceu. — Você — disse, a voz baixa, cortante, ainda rouca do prazer que acabara de ter com outra. — Não conta. Nunca vai contar. Iris piscou, como se tivesse levado um tapa. O cheiro dela mudou de novo, o desejo se misturou com algo amargo, ferido, quebrado. Ele se aproximou mais um passo, o suficiente para que o cheiro de sexo ainda impregnado nele a atingisse em cheio. — Saia daqui — ordenou, sem olhar para trás quando passou por ela. — E esquece que isso aconteceu. A Bruma ainda pairava no ar quando a porta se fechou atrás de Iris. E, pela primeira vez, Luke sentiu o lobo dentro dele rosnar de ódio, não contra ela, mas contra si mesmo.A academia ficava numa sala estreita no fundo de um prédio comercial, com espelhos rachados e cheiro de ferro.Kayle empurrou a porta no primeiro sábado e olhou Iris de cima a baixo.— Você come como quem quer desaparecer — disse. — E o corpo responde. Magra demais. Ombro fechado. Cara de quem pede desculpa por ocupar espaço. Isso morre aqui.Iris cruzou os braços.— Eu não quero ser igual a elas.— Não vai ser. Elas usam o corpo para serem escolhidas. Você vai usar o corpo para não ser ignorada.O plano era simples e pesado.Comer de verdade. Treinar até doer. Dormir. Repetir.Nas primeiras semanas, Iris odiou cada parte. O arroz que a mãe passou a fazer em porção maior. O frango. O ovo. O peso nas mãos. O
O caderno de Kayle ficou aberto sobre a cama por três noites. Nomes. Alcateias. Datas. O que cada herdeiro valorizava. O que cada família fingia ser. Iris lia e relia até as letras se misturarem. O ódio ainda queimava, mas ódio sozinho não derrubava ninguém. Ela já tinha aprendido isso no pátio da Academia, quando chamou Luke de covarde e saiu menor do que entrou. Na quarta noite, Kayle fechou o caderno. — Se a gente voltar do mesmo jeito que saiu, eles vão rir de novo — disse. — Pobre. Sem nome. Sem peso. A faculdade dos herdeiros não aceita rejeitada. Aceita poder. Iris sentou na beira da cama, as costelas ainda doloridas por baixo da blusa. — Então eu preciso mudar. — Não só o cabelo e a roupa. Isso é o fácil. Você
A nova escola não tinha brasões esculpidos nem carros pretos no portão.Era um prédio comum, de paredes descascadas e pátio de concreto rachado. Ninguém usava uniforme de grife. Ninguém cheirava a perfume importado. Iris se sentou no fundo da sala no primeiro dia e, pela primeira vez em meses, ninguém apontou. Ninguém sussurrou “rejeitada”. Ninguém a olhou como se ela fosse uma piada.Ainda assim, o vínculo continuava lá.Uma dor baixa, constante, puxando na direção errada. Na direção de uma cidade que ela tinha deixado para trás. Na direção de um lobo que tinha escolhido cuspi-la.No terceiro dia, alguém sentou do lado dela no intervalo.— Você também veio da Academia Lobo Prateado, né?Iris ergueu os olhos.A garota tinha cabelo curto e
A pancada veio sem aviso.Iris estava saindo do banheiro do segundo andar quando alguém a puxou pelo cabelo e a jogou contra a parede. A nuca bateu no azulejo. O ar sumiu. Antes que ela conseguisse entender, mãos a seguraram pelos braços e a arrastaram de volta para o vestiário.Sofia estava lá.Não sozinha.Duas lobas do círculo dela e um menino do time de combate, o mesmo que tinha rido alto no pátio dias antes. A porta foi trancada por dentro.— A rejeitada ainda não aprendeu — disse Sofia, a voz doce demais. — Achou que podia chamar o Luke de covarde na frente de todo mundo e sair ilesa?Iris tentou se soltar. A loba dentro dela rosnou, mas o corpo humano ainda era fraco, cansado, marcado pelo vínculo rejeitado. Uma das garotas segurou seus pulsos. O menino empurrou o ombro dela com força suficiente para fazê-la cair de joelho no chão frio.O primeiro chute acertou as costelas.O segundo, a coxa.Alguém puxou o blazer até o tecido rasgar. Alguém cuspiu. Sofia se agachou na frente
Os dias seguintes foram um inferno lento. Toda manhã Iris chegava na Academia e já sentia os olhares. Os cochichos. As risadas baixas que paravam quando ela passava e recomeçavam assim que ela virava as costas. Os cartazes tinham sumido, mas a frase “luna pobre rejeitada” ainda ecoava pelos corredores como um grito silencioso. As alunas de Sofia a empurravam nos corredores. Derrubavam seus livros de propósito. Sussurravam “rejeitada” bem perto do ouvido dela quando o professor não estava olhando. Um dia alguém colocou cola no lugar dela na sala. Em outro, rasgaram a capa do único caderno novo que ela tinha. E Luke? Luke fingia que ela não existia. Passava por ela nos corredores como se fosse ar. Ria com Sofia. Beijava Sofia. Colocava o braço em volta dos ombros de Sofia na frente de todo mundo. Cada gesto era uma facada nova no vínculo já dilacerado. Cada vez que o cheiro dele se aproximava e depois se afastava sem sequer um olhar, a dor física aumentava e junto com a dor, cresci
No dia seguinte, Iris quase não foi. Acordou com os olhos inchados e a dor do vínculo latejando no peito como um hematoma que não cicatrizava. A dor física era real. Queimava sob a pele, apertava a garganta, fazia o estômago revirar toda vez que ela lembrava do cheiro de Sofia misturado ao de Luke. A mãe notou o rosto dela na cozinha e perguntou de novo se estava tudo bem. Iris mentiu com a voz rouca. Vestiu o uniforme, pegou a mochila e saiu de casa com as mãos trêmulas e o coração batendo alto demais. Na Academia, o ar já estava pesado. Os cartazes ainda estavam colados em alguns lugares, menos que no dia anterior, mas suficientes para lembrar a todos quem era a “luna pobre rejeitada”. Alguns alunos apontavam quando ela passava. Outros riam baixinho. Iris manteve a cabeça baixa e caminhou direto para o vestiário feminino do segundo andar. Queria trocar de blazer antes da aula de combate. Queria apenas cinco minutos de silêncio. Cinco minutos em que ninguém a olhasse como se ela f







