LOGINMeu despertador tocou às seis e meia da manhã, demorei alguns segundos para pular da cama, foi a primeira vez que senti que voltei pra minha rotina de sempre. Eu até que curtia meu trabalho como analista de risco júnior na Dunford Holdings, Só não era algo que me vejo fazendo pelo resto da minha vida, e o meu pai espera que eu assuma o seu lugar na presidência, mesmo que de forma cautelosa ele ainda fazia uma pressão que me incomodava, mas essa parte de continuar o legado dele era algo que eu preferia adiar. Generalmente lido bem com tudo isso, mas queria que ele me apoiasse a viver o meu sonho de ser modista, sempre quis ter um ateliê, mas ele preferiu que eu passasse quatro anos estudando modelagem estatística e teoria dos jogos na London School of Economics, LSE, é um alívio saber que em setembro vou finalmente começar estudar moda. Cruzei as portas giratórias de vidro do arranha-céu no Bishopsgate. O edifício da Dunford Holdings era elegante, mas tinha um ar frio e triste, os vár
A viagem de volta da Cornualha para Londres seguia perfeitamente bem. Apoiei a cabeça contra o vidro da janela, observando as paisagens, aos poucos apareciam os subúrbios da capital. No meu colo, eu segurava com cuidado uma bolsa com as coisas que ganhei nessas duas semanas, um livro de fotografias antigas da costa britânica que Sam havia garimpado em um sebo - Com dedicatórias hilárias escritas nas margens de quase todas as páginas - Também tinha o par de brincos de cerâmica pintados à mão de Chloe, o vestido que foi feito por mim e um colar que tinha uma concha como pingente dado por Nicholas, que sempre guardarei com carinho. Eu sabia que as coisas que eu vivi aqui eram de fato o maior presente, nunca cansaria de olhar pro anel no meu dedo e me lembrar dele. Me despedir deles foi difícil, mas eu sabia que era só um “até logo”. Ao abrir a porta de madeira do apartamento, o aroma familiar de café fresco e livros antigos
A minha última semana na Cornualha passou voando, foram dias tão especiais. Depois do festival, passamos bastante tempo na praia, inclusive eu estava cada vez melhor no surfe - Tinha conseguido surfar por quase dois minutos seguidos - Eu estava gostando do mar pra valer, Nicholas tinha razão, eu só precisava conhecer o mar e as ondas gigantes não me impediriam de curtir a praia. Teve um dia que nós fizemos trilha pela costa até uma vilazinha de pescadores, Mousehole. Foram quilômetros de caminhada com o vento batendo no rosto e muitas conversas. Teve um momento que minhas pernas simplesmente travaram, eu não tinha costume com trilhas, o Nicholas me segurou em suas costas e continuou o caminho como se não fosse nada, ele era um cavalheiro. Quando chegamos lá, devoramos uns sanduíches de presunto no píer de pedra. Aconteceu alguns beijos, e em todos meu corpo respondia com intensidade, Chloe e Sam viram um desses beijos, fiquei grata por não comentarem nada. Numa noite, o Nicholas m
O porto de St Ives parecia ter sido transportado para outra era. O Sea Shanty Festival transformara a enseada de pescadores em um anfiteatro de luzes, muitas vozes ecoavam contra as paredes de pedra dos armazéns centenários. Havia dezenas de tochas e fogueiras na areia que projetavam sombras dançantes na água, enquanto cordões de lâmpadas de filamento amarelo cruzavam as ruelas, criando um teto flutuante de estrelas artificiais, era realmente bom estar aqui e ver tudo isso. Tenho certeza que cheguei na hora, depois de passar a manhã com Chloe finalizando nossas roupas, tive bastante tempo pra me arrumar. Foi muito bom quando nós almoçarmos com os rapazes, Sam era muito falador e contava muitas histórias sobre a amizade deles, e sem dúvidas desde nossa última conversa Nicholas estava incrivelmente mais romântico. É maravilhoso ter me apaixonado por um cara divertido, responsável e amável, e eu ainda tive a alegria de ter ganhado dois amigos. Me sentia radiante, a Cornualha ainda não
Na segunda, acordei por causa de uma notificação de mensagem, bem alta, que eu não via a hora de receber. Nicholas: Acabamos de atracar no porto! O mar estava agitado, mas deu tudo certo. O sinal voltou e a primeira coisa que pensei foi em você. Onde fica exatamente essa sua cottage? Queria te devolver seu moletom e te levar pra tomar café da manhã. Era tudo que eu queria, digitei o endereço da cottage, que fica bem na subida da encosta de Porthmeor. Mal tive tempo de prender o cabelo quando ouvi três batidas firmes na porta. Franzi o cenho, confusa com a rapidez dele, e girei a chave, mas ao abrir a porta, meu coração deu um salto. O Nicholas estava parado na soleira e parecia cansado da expedição em alto-mar - os seus olhos tinham um pouco de olheiras de quem passou a noite acordado - mas o sorriso de canto continuava impecável. Ele vestia um suéter de tricô azul-marinho e segurava um buquê generoso de flores, identifiquei lavandas, margaridas brancas e pequenos ramos amarelos
O domingo chegou, acordei meio mal humorada, depois de tudo o que aconteceu ontem fui dormir bem tarde, tinha tanta coisa na minha cabeça. Perceber que estou me apaixonando é ótimo, gostar dele é maravilhoso, mas não consigo fingir que não estou com medo de estar apressando as coisas, e se eu estiver errada? Não seria a primeira vez. Mas também não sei como falar sobre isso com ele, afinal ele pode ser o amor da minha vida e não consigo afastá-lo, quero ver até onde esse sentimento vai me levar. Era um pouco mais de oito da manhã quando ele me mandou uma mensagem, e assim como na ligação que fizemos de noite, o nosso beijo voltou pra minha mente - No palco principal dos pensamentos - Era como um filme que ficava o tempo todo passando na minha mente. Nicholas: Bom dia, Ettie. Já estou no porto me preparando para subir no barco de pesquisa. Sem sinal nas próximas horas, então queria garantir meu bom dia antes de virar marinheiro. Senti uma pequena frustração por não poder passar o







