LOGINVanessa congelou, não exatamente pelas palavras de James, mas por algo muito pior.— Papai?Os dois se viraram ao mesmo tempo. Theo Blake estava parado na porta. Não dava para saber há quanto tempo ele estava ali, mas o olhar... Dizia tudo. Surpreso. Incrédulo. E carregado de uma raiva que mal cabia nele.— Desde quando o senhor está aí? — Vanessa tentou manter a voz firme, mas a tensão escapava.— Você ainda tem coragem de perguntar isso? — Theo avançou, cada passo pesado.— Boa tarde, senhor Theo—O tapa veio seco, cortando o ar.James cambaleou para trás, quase caindo. Mas Theo não parou. A bengala, que normalmente era apoio, virou arma. Os golpes vieram rápidos, carregados de fúria pura.— Como você ousa?!Vanessa ficou em choque por um instante, mas logo reagiu, segurando o braço do pai no meio do movimento.— Papai, para! Por favor!— Não se meta! — Ele a empurrou sem hesitar.James já estava no chão, tentando se proteger enquanto recebia os golpes.— Sai daqui antes
Desde que Daven descobriu sobre o caso, o humor de Vanessa se tornara cada vez mais instável.Na maioria das vezes, era James quem sofria as consequências. Em outras, ela simplesmente agia sem pensar, como se precisasse desesperadamente chamar a atenção de alguém. Aquilo já estava começando a desgastá-lo, ele nunca havia lidado com esse lado dela antes, essa forma constante de testar os limites de quem estava ao seu redor.Mas, se não fosse ele... Quem estaria ali?Daven?Era impossível. Depois de tudo, não havia motivo algum para ele se importar. E James... Bom, ele também não esperava isso. Se havia alguma coisa que ele queria, era justamente continuar ao lado de Vanessa, custasse o que custasse.— Eu nunca te daria informações erradas, senhorita Vanessa. — Disse, mantendo a voz controlada. Seu olhar percorreu o ambiente ao redor. Mais uma vez, tudo estava um caos. Contratos importantes jogados como se não significassem nada. Será que ela já havia esquecido o quanto lutaram para
Daven soltou uma risada, mas havia dor nela — um amargor que não demorou a desaparecer, deixando apenas o silêncio.— Doeu, vó... — Murmurou, passando a mão pela lápide. — E o pior é que as suas palavras sobre a Vanessa não param de voltar na minha cabeça. Na época, eu achei que era só porque a senhora não gostava dela. Mesmo no seu último momento... A senhora se recusou a dar a sua bênção.Ele ergueu o olhar para o céu de Mighatan. Claro, com algumas nuvens espalhadas, tranquilo, completamente oposto ao turbilhão dentro dele.— Se eu pudesse ter visto o futuro... Eu nunca teria deixado a Althea ir embora. Eu teria seguido o seu conselho. Teria aprendido a amar ela... — Sua voz caiu, pesada. — Mas agora é tarde demais. Tudo o que eu dei... Amor, lealdade... Foi pago com traição.Um suspiro longo escapou, carregado de frustração.— Vó... Pode me ajudar? Só dessa vez... — Murmurou, os dedos deslizando pelo nome gravado. — Sempre que eu precisei, a senhora nunca reclamou. Dessa vez..
O ar do meio-dia em Mighatan parecia estranhamente frio, apesar do sol forte no céu.Um vento constante atravessava o cemitério, bagunçando os cabelos de Althea, obrigando-a a ajeitá-los mais de uma vez. Mas, no momento em que parou diante do túmulo da mãe, ela deixou de sentir tudo, o vento, o frio, o calor. Nada mais importava.Ficou em silêncio por alguns segundos, observando as flores murchas sobre a lápide simples.— Faz tempo que eu não venho te ver, mãe... — Murmurou, com a voz trêmula.Com cuidado, retirou as flores antigas e colocou o novo buquê em seu lugar.— Mesmo que eu não venha sempre... Eu nunca deixo de pensar em você. Eu fico imaginando o dia em que a gente vai se encontrar de novo... E ficar juntas.A mão dela tremeu ao tocar o nome gravado na pedra.Memórias começaram a surgir, uma após a outra, momentos simples, mas cheios de significado. Eram só as duas... E eram felizes. Sem luxo, sem excesso, mas com algo muito mais valioso: Presença.Não era que Althea
Mighatan amanheceu com um clima pesado, pelo menos para Althea.Com o estado de Lydia ainda incerto, ela decidiu permanecer ao lado da amiga pelos próximos dias. Era grata a Chase por cuidar de Josh, e também a Chris e Cale. Precisava agradecê-los pessoalmente. Sem aquela ajuda, nem sabia o que faria.— Não deixa isso te consumir, Althea. — Disse Chase, apertando levemente a mão dela. — Todos nós queremos o melhor pra Lydia.Althea soltou o ar devagar. — Eu estou com medo... Ela ainda não abriu os olhos. E se...— Não pensa assim! — Interrompeu ele, firme. — Eu também estou fazendo tudo por ela. A Lydia é minha amiga.Um leve sorriso surgiu nos lábios dela, sustentado mais pela força do que pela tranquilidade. Seus olhos desceram para as mãos entrelaçadas, e então ela apoiou a cabeça no ombro dele, tentando silenciar a ansiedade que insistia em crescer.— Obrigada, Chase.— Quando você estiver pronta, a gente vai falar com o médico. — Disse ele, com suavidade.Ele estava certo.
Ao ouvir o pedido, o rosto de Josh se abriu em um sorriso enorme. — Claro!Chris chegou a abrir a boca, pronto para dar algum aviso, mas ao ver que Josh não se incomodava e que não havia nada de estranho na situação, deixou que o homem ao lado se abaixasse até a altura do menino. No instante seguinte, Josh foi puxado para um abraço apertado.Como se... Fosse demorar para se verem de novo.— Se divirta na escola, Josh! — Disse Daven, soltando-o com certa dificuldade. Seu coração protestava, mas ele não tinha escolha.— Tá bom, senhor bonito! — Respondeu Josh, rindo. — Acho melhor eu entrar logo. — Ele olhou diretamente para Daven. — Até mais, senhor Daven.Chris estalou a língua. — O quê? Eu sou invisível pra você agora, Josh?Josh mostrou a língua, provocando. — Tchau, tio Chris. Depois da aula a gente vai pro fliperama de novo, tá?— E você não tem medo do tio Cale te dar bronca?Josh balançou a cabeça. — Ontem ele deixou porque eu consegui responder as perguntas dele. Mas dep







