ログインCarlos sabia ter entristecido Letícia, ele sabia ter a rejeitado friamente, mas naquele momento não havia como ele ceder ao que ela queria, isso tudo por culpa de uma mulher que se julgava esperta por ter tido uma filha com ele, que foi embora levando a sua filha por saber que ele acabaria cedendo, indo procurar por ela. Carlos, sem se preocupar com os sentimentos de Letícia, traçava planos em relação a Verônica. Ele a traria de volta, mas diferente das outras vezes ela seria sua prisioneiro, ele a faria se arrepender de ter fugido, assim como ela demonstrou ter se arrependido de ter o obrigado a se casar. Ele a encontraria, e a arrastaria para aquela gaiola de ouro novamente, onde ela passaria a ser a sua escrava. Ele a usaria quando bem quisesse e sabia que mesmo assim conseguiria fazer com que ela sentisse prazer. A ausência de Verônica havia deixado uma ferida em seu orgulho, ela havia despertado nele coisas que nenhuma outra mulher, antes dela, havia despertado e ele a o
Carlos não toma nenhuma outra iniciativa, apenas corre a ponta dos dedos vagarosamente pelos lábios de Letícia. Ela, em um suspiro contido, entreabre os lábios novamente, deixando escapar um gemido fraco, entregando-se a promessa de um beijo que julgava inevitável. No entando, Carlos não tomou nenhuma outra iniciativa. Ele continuou a tortura com aquela proximidade provocativa, sustentando o olhar faminto da mulher que se rendia a ele sem nenhum orgulho. Carlos por sua vez, não conseguia sentir nenhum desejo, o seu coração permanecia calmo. Qualquer outro homem se sentiria lisonjeado por ter uma mulher como Letícia a seus pés, disposta a se entregar a ele sem pedir nada em troca, disposta a se tornar amante, por ter desistido de esperar se tornar a esposa. Mas Carlos não era qualquer homem, ele era o marido de Verônica e somente ela, ele queria em sua cama. Sob a fachada de gelo que ostentava naquele instante queimava uma obsessão que Letícia jamais seria capaz de imaginar. Dentro
Letícia passou a frequentar a mansão com uma naturalidade que fazia as empregadas se dirigirem a ela como patroa, a única que ainda a via como uma visita era Maria, que continuava fazendo o seu serviço acreditando que o lugar que Letícia tentava ocupar nunca seria dela. Maria conhecia o patrão o suficiente para saber que ele estava inconformado com o sumiço da esposa, mesmo fazendo questão de demonstrar o contrário. Letícia nutria uma necessidade de demarcar seu território diante de todos. Para ela, já não bastava partilhar o peso dos relatórios e a frieza das salas de reunião, ela queria muito mais que isso e acreditava que estava conseguindo, por isso queria que todos a vissem ao lado de Cerlos até mesmo em seus momentos de descanso.Em uma sexta-feira à noite, após retornarem de um jantar de gala beneficente, Letícia decidiu dar o passo final, estava cansada de dormir em outro quarto sem ser o de Carlos, ela acreditou que já estava na hora dela ter mais de Carlos que meros beij
Carlos não proibia Verônica de circular pela casa, mas sua indiferença doía tanto quanto o veneno de Letícia. Às vezes, impulsionada por uma força que ela mesma desconhecia, Verônica aproximava-se dele. Com a voz mansa, perguntava se ele precisava de algo, se desejava um café ou um favor. A resposta era quase sempre a mesma: o silêncio. Ele sequer desviava os olhos do que estava fazendo, ignorando sua existência com uma frieza que congelava a alma. Ainda assim, Verônica não conseguia desistir. Era uma necessidade mais forte do que seu próprio orgulho, a vontade de orbitar ao redor dele, mesmo que por meros segundos a levava a se humilhar, indo até ele. Quando o som do carro dele ecoava no pátio após longas viagens de negócios, o seu coração dava um salto, batendo descompassado. A vontade de correr, de se lançar ao seu encontro era tão forte que precisava se policiar, por isso engolia o impulso, freava os passos e limitava-se a uma pergunta formal e tímida: "Como foi a viagem?". Ca
Verônica mesmo depois de dias morando ali não reencontrou Carlos, talvez por ele não ter motivos para frequentar a ala dos empregados, o que a deixava triste por saber que ele sequer perguntava por ela, ou como estava a gravidez, acabando com a ilusão que ela tinha de um dia ele passar a ter sentimentos por ela, principalmente por ela estar carregando um filho dele no ventre. Suas consultas médicas eram isoladas, marcadas por ela mesma, com a preocupação de sua bebê nascer saudável. Moisés, o motorista, era quem a levava, e geralmente fazia toda a viagem em silêncio. As empregadas geralmente não lhes dirigiam a palavra, mas nunca a trataram com desprezo ou desrespeito, talvez conscientes de que aquela jovem sem qualquer vaidade era, no papel, a esposa do patrão. Maria era aquela que a tratava bem, que geralmente perdia algumas horas do seu dia para conversar com ela. Perguntando sobre os chutes na barriga, o avanço da gravidez e se certificando de que nada faltasse à jovem mãe.
Encurralada pelo desespero e com o tempo correndo contra si, Verônica viu apenas uma saída, teria que procurar Carlos. Teria que enfrentar o seu ódio, pois ele era sua única esperança. Desesperada, ela segue até a empresa de Carlos e com astúcia consegue chegar até o andar onde estava localizado o seu escritório, precisava reconhecer que agiu feito uma criminosa, se escondendo aqui e ali, mas ela não iria embora sem falar com ele. Ao invadir o escritório de Carlos, Verônica tinha plena consciência de que ele não tinha a menor obrigação de acreditar em suas palavras, muito menos de assumir a criança que carregava no ventre. Ainda assim, era sua única chance de se ver livre do inferno que o pai insistia em colocá-la. O ultimato em sua mente era claro e definitivo: ou ele aceitava aquele fardo, ou ela preferiria abraçar a morte a se submeter ao toque de um desconhecido e ser forçada a carregar a mentira de que o filho era dele. Pensou ser impossível sair daquela sala vitoriosa, p







