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7.

Author: Ana Fischer
last update publish date: 2026-07-29 00:26:18

Ao fim da aula, o som das risadas infantis preencheu o estúdio e invadiu a recepção.

Nathan tinha passado a última hora evitando aprofundar a conversa com duas mães que estavam impressionadas por verem um homem levar a filha ao ballet. Elas não notaram, ou fingiram não notar, os sinais de que ele não estava interessado no assunto: dois bocejos reprimidos, frases curtas, o olhar fixo na tela do celular. O que mais poderia fazer para ser deixado em paz?

Quando uma das mulheres pediu seu número de telefone, Emma correu para abraçá-lo.

Um sorriso de alívio atravessou os lábios de Nathan.

Sophia não demorou a chegar na recepção. Ela distribuiu elogios às alunas e fez comentários bastante positivos sobre o desempenho de cada uma. Aproveitou para lembrar às mães que o tema do festival de fim de semestre seria divulgado na semana seguinte. Despediu-se das crianças com beijos e abraços calorosos.

A última a se aproximar foi Emma.

— Tchau, professora.

Mas, antes que Sophia pudesse abraçá-la, a pequena bailarina viu algo que chamou sua atenção.

O vidro com balas coloridas sobre o balcão.

— Pai! — exclamou. — Posso escolher uma?

— Só uma. — Nathan sorriu.

Emma se aproximou do pote como se estivesse diante de algo extremamente valioso. Com os olhos fixos nas balas, coçou a cabeça e começou a refletir.

— Ela fala em você todo dia — Nathan comentou em voz baixa.

— Espero que fale bem — Sophia abriu um sorriso um tanto inseguro.

— Não se preocupe, são só elogios.

— Fico muito feliz em saber. Emma é uma menina incrível.

— Obrigado.

Ficaram em silêncio por alguns segundos.

Nathan se surpreendeu ao perceber que queria continuar a conversa, mas não sabia como.

Ou por quê.

Seus olhos castanhos varreram a recepção por um momento até pararem no retrato de Sophia saltando no centro do palco. O movimento parecia absurdamente difícil. Apenas longas horas de treino e uma boa dose de talento permitiriam que um ser humano voasse daquela forma. Mas Sophia sorria como se nunca tivesse feito nada mais fácil.

— Eu tinha dezoito anos. — Ela comentou. — A foto foi tirada em um ensaio da minha antiga companhia de ballet.

— Então você dançava profissionalmente? — Nathan voltou a encará-la.

Sophia assentiu, mas havia certa tristeza em seu olhar.

— Sente saudade?

— O tempo todo… Mas e você? Sempre quis trabalhar… — Hesitou. — Com prédios?

— Sinceramente? Não. — Ele deixou que uma risada discreta escapasse. — Meu pai fundou a empresa e se dedicou de corpo e alma por mais de vinte anos. Não tenho irmãos, então quando ele faleceu, tive que assumir sozinho.

— Você achou difícil?

— No início? Um pouco. Mas depois que peguei o jeito dos negócios, ficou mais fácil. Não me arrependo dos tropeços. O lado ruim é que hoje entendo mais de planilhas do que de pessoas.

— Pois saiba que nem parece. — Sorriu.

— Você só diz isso porque nunca me viu em reunião.

— É mesmo? Agora estou curiosa.

— Acredite, não é uma cena muito bonita — brincou.

Os dois se olharam em silêncio por um tempo que pareceu se alongar demais.

Nathan notou quando as bochechas de Sophia enrubesceram.

— Pai, escolhi! — A voz de Emma soou firme. — Demorei porque precisava ter certeza.

— Qual você escolheu? — Ele perguntou.

— Pêssego.

— Ótima escolha! É meu favorito — disse Sophia.

Emma abraçou a professora antes de segurar a mão do pai.

— Nos vemos na quinta. — Nathan acenou.

— Até lá.

Pensou ter visto o sorriso de Sophia murchar antes de caminhar para a porta.

— — —

O dia seguinte amanheceu escuro e frio. Folhas secas rodopiavam sobre as ruas de Manhattan, jogando-se nos transeuntes distraídos. Uma chuva fina caía do céu cinzento. Já era chegada a época de tirar os casacos dos armários.

Nathan mal havia sentado à mesa do escritório quando Jane, sua secretária, bateu à porta.

— Com licença, senhor Fletcher. O doutor Lee quer conversar. Diz que será rápido.

— Deixe entrar.

O advogado entrou na sala com uma pasta em mãos. Parecia nervoso, talvez apressado.

— Senhor Fletcher, preciso que você assine algumas autorizações para a retomada de imóveis com pagamentos atrasados.

Era um procedimento tão rotineiro que Nathan mal prestou atenção à documentação. Folheou os papéis quase sem interesse, passando os olhos pelos endereços e nomes de inquilinos. Começou a assinar de forma automática.

Mas quando chegou ao quinto papel, franziu o cenho.

O endereço era familiar.

Procurou o nome do locatário.

Studio de Ballet Joanne Dashwood.

A escola de Sophia.

— Este inquilino não paga há três meses — explicou o doutor Lee. — O prazo é até amanhã, mas se ele não pagou até agora, duvido muito que ainda vá pagar. Vamos deixar a documentação pronta.

Nathan ficou imóvel, o coração ameaçando sair pela boca.

Segurou a caneta e encarou a linha de assinatura.

O advogado aguardava.

E pela primeira vez em sua carreira, Nathan sentiu que não estava lidando somente com números, mas com o futuro de uma pessoa.

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    Nathan entrou no carro, mas não girou a ignição.Observou o prédio da escola de ballet por um momento, sorrindo sozinho. O que Sophia estava fazendo com ele? Não era um homem melancólico, mas também não costumava sorrir tanto assim. E, honestamente, estava gostando muito de se sentir mais leve depois de dois anos enfrentando um luto que parecia não ter fim. Era como se pudesse finalmente tentar viver de novo.Nunca ia desrespeitar ou apagar a memória de Georgia.Mas começava a entender que merecia ser feliz ao lado de alguém especial.E talvez essa pessoa pudesse ser Sophia.No entanto, tentou deixar o pensamento de lado. Não podia prever o futuro, por mais que tivesse suas intuições. Queria mesmo ir com calma. Tinha medo de se machucar e mais medo ainda de acabar machucando Sophia. Não se perdoaria se a fizesse chorar.Sentiu que precisava de ajuda. Ainda não conhecia Sophia tanto quanto gostaria, mas queria, mais que tudo, acertar na surpresa de domingo.Pegou o celular, entrou no I*

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