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Capitulo 3

Author: Rose Alveri
last update publish date: 2026-09-24 03:53:21

O celular de Lorena vibrou. Ela olhou a tela — uma mensagem de Leonardo — e ficou surpresa. Renata percebeu a expressão dela e se aproximou.

— O que aconteceu?

Lorena gesticulou, explicando que Leonardo viajaria por duas semanas.

— Ele vai viajar? — Lorena confirmou com a cabeça, e Renata sorriu. — Já vai tarde. Pelo menos você fica alguns dias sem ver aquela cara de parede dele.

Lorena quase sorriu. Renata era sua melhor amiga — tinha um estúdio de produção onde cuidava do marketing de diversas marcas, e, dependendo do cliente, acompanhava tudo de perto, desde a preparação das campanhas até as sessões de fotos e as gravações. Lorena trabalhava com ela, ajudava no que podia, acompanhava as produções, organizava materiais, estava sempre ao lado da amiga.

Leonardo odiava aquilo. Na visão dele, Lorena não precisava trabalhar — afinal, era sua esposa. Vê-la carregando bolsas, organizando materiais ou ajudando Renata era quase uma afronta. Mas Lorena nunca aceitou essa ideia. Sempre que ele dizia que ela não precisava daquele emprego, ela fazia questão de mostrar que trabalhar era uma escolha dela. Não queria viver apenas como a esposa de Leonardo. Queria ter seu próprio trabalho, sua própria rotina e, principalmente, alguma coisa que fosse somente sua.

Renata pegou algumas coisas.

— Vamos. Precisamos ir até o hotel. Temos uma sessão de fotos lá.

As duas saíram juntas.

* * *

A sessão de fotos havia terminado. Lorena e Renata caminhavam pelo corredor do hotel, carregando algumas coisas da produção — Lorena cansada, mas aliviada por finalmente ter acabado o trabalho, as duas conversando por gestos e pequenos sorrisos. Foi quando, ao virarem o corredor, encontraram Amanda parada diante delas.

Amanda olhou primeiro para Renata, depois para Lorena, e seu olhar mudou na hora.

— Você ainda não entendeu? — Lorena parou. Amanda se aproximou. — Para de se agarrar ao Leonardo.

Lorena permaneceu em silêncio. Amanda deu um sorriso debochado.

— A única coisa que ele sente por você é pena.

Renata a encarou, indignada.

Amanda continuou: — Pena da menina sem voz que o avô dele acolheu dentro de casa. Se ele tivesse permitido que você limpasse os banheiros daquela casa, você já deveria estar agradecendo.

— Já chega — disse Renata, dando um passo à frente. Amanda ignorou e segurou o braço de Lorena.

— Você precisa entender o seu lugar. Jamais vai pertencer a qualquer lugar perto do Leonardo.

Ela a empurrou. Lorena perdeu o equilíbrio, caiu no chão, o pé torcendo no impacto, e levou a mão imediatamente ao tornozelo.

— Lorena! — Renata correu até ela, depois se virou para Amanda, a raiva tomando conta do rosto, e a esbofeteou.

— Cala a boca, sua vadia! — Amanda levou a mão ao rosto, chocada.

* * *

Renata tentava ajudar Lorena a se levantar quando Leonardo surgiu no corredor. Viu Amanda, viu Renata, viu Lorena caída no chão, e seu olhar se fixou nela.

— O que está acontecendo? — Ele se aproximou, olhando para Lorena. — Você estava me seguindo?

— Seguindo você? — Renata se virou na hora, apontando para o hotel. — Nós estamos trabalhando aqui. — Depois olhou para Amanda. — E você? Não estava viajando?

Leonardo permaneceu frio.

— O que você está fazendo em um hotel com a Amanda? — insistiu Renata.

— Isso não é da sua conta.

Amanda se aproximou dele na hora e segurou seu braço, com uma expressão de vítima. Renata olhou para os dois, depois para Lorena, ainda no chão.

— Você realmente vai deixar outra mulher ficar agarrada no seu braço enquanto sua esposa está machucada aí?

Leonardo olhou para Lorena. Por um instante, pareceu que ia ajudá-la. Não ajudou.

— Vamos parar por aqui, todas vocês. Parem de ficar causando confusão em cada lugar que vão. — Tirou um cartão da carteira e o jogou na direção dela; caiu perto da mão de Lorena. — Levanta daí e para de me envergonhar. Vá ao médico.

Ele se virou. Amanda continuava agarrada ao braço dele, e os dois foram embora. Lorena permaneceu no chão.

— Eu não acredito nisso — disse Renata, indignada. — Ele simplesmente é incrível mesmo.

* * *

— Vamos, vou te levar no médico — disse Renata, segurando Lorena para levá-la ao hospital mais próximo.

O médico examinou o tornozelo: apenas uma torção. Renata recebeu a recomendação de alguns dias de repouso para a amiga.

Lorena chegou em casa, ainda mancando. Do lado de dentro, a empregada observou Lorena chegar. Viu Lorena digitar a senha na porta, tentar abrir. Nada. Tentar de novo. A porta continuou trancada. A empregada se aproximou e abriu apenas uma fresta, e Lorena olhou para ela, confusa.

— A senhora não vai poder entrar. — A empregada evitava encarar seus olhos. — São ordens do senhor Leonardo. — Uma pausa. — Ele disse que é para a senhora passar alguns dias fora... e pensar no que fez hoje.

Lorena olhou para dentro da casa, depois de volta para a empregada, que percebeu o quanto aquilo a machucava. Por um instante, pareceu que ia dizer alguma coisa. Não disse. Fechou a porta.

Lorena ficou do lado de fora.

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