LOGIN“Um convite pequeno pode abrir espaço num dia que parecia não ter nenhum.”
Irina Petrova
Passei boa parte da manhã tentando encontrar o momento certo para fazer uma pergunta simples.
Romena havia viajado para Dubai para resolver um contrato com a filial de lá. Antes de partir,
“Um dia, acordei sentindo falta de uma vida que ainda não tinha vivido. Hoje, ela me chama de papai.”Nikolai Romanov— Você não pode pisar nas flores, papai.Parei com um pé no ar.Yuri apontou para o chão diante de mim, sério.— Ali também não.Olhei ao redor.— Onde posso pisar?Meu filho examinou o campo como se não tivesse considerado aquela dificuldade ao inventar a brincadeira.Depois indicou uma faixa de grama.
“A vida que eu tanto quis continuar agora me acordava durante a madrugada.”Irina PetrovaÀs três da manhã, Nikolai descobriu que Yuri não aprovava pausas.Tinha caminhado pelo quarto com nosso filho junto ao peito até o choro diminuir. Quando tentou se sentar na poltrona, o menino abriu a boca novamente.Meu marido parou no meio do movimento e olhou para mim. Eu estava sentada na cama, ajeitando um travesseiro, e precisei apertar os lábios para não rir.— Ele percebeu — murmurei.Nikolai voltou a ficar de pé.Yuri se acalmou aos poucos, com uma das mãos fechada
“Antes mesmo de nascer, meu filho já tinha um lugar nos braços de tanta gente.”Nikolai RomanovQuando pudemos receber visitas, Irina já tinha descansado e Yuri dormia no berço ao lado da cama.Minha esposa ajeitou os cabelos com os dedos ao ouvir uma batida leve à porta.— Pode entrar — respondi.Minha mãe apareceu primeiro e parou ao ver o berço. Mikhail, logo atrás, pousou a mão em suas costas.Olga levou os dedos à boca. Depois olhou para Irina e foi até ela.Eu me afastei um pouco para dar espaço.
“Eu já o tinha abraçado em sonho. Ainda assim, não sabia como me preparar para aquele peso nos meus braços.”Nikolai RomanovO choro de Yuri me fez esquecer o que eu pretendia dizer.Virei o rosto na direção do som, depois procurei Irina.Minha esposa chorava.Aproximei os lábios de sua testa, mas o beijo saiu junto de uma respiração que não consegui controlar.— Ele está aqui — murmurei.Irina apertou meus dedos.Eu queria olhar para os dois ao mesmo tempo.Uma
“Depois de tantos meses falando com ele, eu queria ouvir sua voz.”Irina PetrovaNikolai estava com a pasta, minha bolsa e o telefone nas mãos. Quando tentou tirar o casaco, percebeu que não tinha onde apoiar nada e olhou para mim.Estendi os braços.— Posso segurar uma parte.Ele soltou uma risada baixa e me entregou a pasta.— Começamos bem.— Ainda estamos na recepção.Meu marido tirou o casaco e o dobrou sobre a bolsa. Depois tocou minha barriga por um instante, como fazia antes de sair para o trabalho.
“Naquela noite, sua roupa estava guardada na bolsa. Eu tentava imaginar você dentro dela.”Irina PetrovaNa véspera da ida ao hospital, colocamos os últimos objetos na bolsa.Sentei-me na cama enquanto Nikolai acomodava a pasta de documentos no compartimento que tínhamos escolhido.— Aqui — mostrou.— Eu vi.Ele fechou o zíper, depois olhou para a bolsa menor.— As meias estão nesta?Comecei a rir.Nikolai ergueu os olhos.







