LOGIN“Às vezes, a segurança começa quando abrimos os olhos e encontramos alguém que prometeu ficar.”Irina PetrovaA primeira coisa que vi ao acordar foi uma parte do cobertor amontoada do outro lado da cama.A segunda foi Nikolai.Ele dormia de lado, com um braço estendido na minha direção e os cabelos desalinhados caindo sobre a testa. Durante a noite, havia puxado quase todo o cobertor para si, deixando uma das minhas pernas descoberta, mas eu não sentia frio: o calor do corpo dele junto ao meu me aquecia, enquanto o sol que entrava pela janela tornava o quarto ainda mais acolhedor.Fiquei observando-o por alguns instantes.Com o travesseiro torto sob a cabeça e uma marca do lençol na bochecha, Nikolai ocupava boa parte da minha cama e parecia tão à vontade que era difícil imaginá-lo como o presidente do Romanov Group.Se algum dos executivos que trabalhavam com ele o visse assim, talvez custasse a reconhecer o homem que encerrava discussões em reuniões com poucas palavras.Quando tente
“Há respostas que exigem coragem demais para caber em palavras.”Nikolai Romanov— Quero que fique — Irina respondeu, apertando minha mão. — Desta vez, eu estou pedindo.Durante um instante, apenas a olhei.Eu me lembrava da manhã em minha cozinha. Lembrava-me de ter desejado que ela ficasse e de não ter dito uma única palavra quando se levantou para ir embora. Agora Irina estava diante de mim, com os dedos entrelaçados aos meus, pedindo exatamente aquilo que eu não tive coragem de pedir.— Eu fico — respondi.Ela soltou o ar devagar. Seu olhar permaneceu no meu enquanto se afastava da mesa, sem soltar minha mão. Pensei que me levaria até o sofá, mas Irina atravessou a sala e seguiu pelo corredor em direção ao quarto.Caminhei ao seu lado.A luz vinda da sala alcançava apenas parte do corredor. Irina caminhava descalça, com os cabelos quase secos sobre os ombros e a faixa do roupão amarrada à cintura. Quando chegamos à porta do quarto, ela olhou para mim por um segundo antes de entra
“Às vezes, a coragem começa com um beijo e termina com um pedido que antes tivemos medo de fazer.” Nikolai Romanov— Então me beija de novo.A mão de Irina continuava presa à gola da minha camisa quando voltei a beijá-la. Ela me puxou para mais perto, e o calor do seu corpo contra o meu fez o desejo se espalhar depressa, tornando cada vez mais difícil manter as mãos quietas em sua cintura.Irina percebeu a mudança no meu beijo e afastou o rosto apenas o suficiente para encontrar meus olhos.— Você ainda está se segurando.— Estou tentando, mas você não está facilitando.Ela corou, mas não soltou minha camisa.— Não precisa ter medo de me desejar.Passei o polegar por sua bochecha e esperei até que ela erguesse os olhos para mim.— Pequena, eu a desejo desde que abriu aquela porta. Estou tentando me controlar porque, se depender de mim, não vamos sair desta cozinha tão cedo.O rubor em seu rosto se intensificou, mas ela continuou perto, os dedos ainda fechados na minha camisa.— E se
“O desejo se torna mais livre quando já não precisamos adivinhar se o outro quer permanecer.”Nikolai RomanovOlhei para o rosto de Irina, mas não consegui deixar de notar o roupão que ela usava.A faixa estava amarrada à cintura, os cabelos ainda úmidos caíam sobre seus ombros e uma gota de água desceu por seu pescoço até a clavícula. Acompanhei o movimento antes de voltar aos seus olhos.Irina sorriu ao perceber que eu a observava, embora parecesse mais feliz com a minha presença do que consciente do que aquele roupão estava fazendo comigo.— Entre — disse, recuando para me dar passagem.A porta se fechou às minhas costas. Eu havia pensado no que diria durante o caminho até ali, mas, diante dela, precisei encontrar as palavras outra vez.— A reunião terminou mais tarde do que eu esperava.— Imaginei que fosse demorar.Não havia cobrança em sua voz. Ainda assim, eu queria que soubesse por que tinha ido.— Não queria terminar o dia sem ver você.Irina baixou os olhos por um instante,
“Algumas distâncias só parecem pequenas para quem não passou o dia inteiro querendo atravessá-las.”Irina PetrovaSaí da sala de Nikolai segurando a pasta contra o peito.Elena ergueu os olhos assim que me aproximei de sua mesa.— Ele assinou?Olhei para a pasta antes de encarar Elena, tentando me concentrar naquela pergunta simples que, em qualquer outro momento, eu teria respondido sem pensar.— Assinou — respondi, satisfeita por minha voz ter saído normal. — Pediu que eu encaminhasse uma cópia ao senhor Morozov.— Posso cuidar disso.— Obrigada.Entreguei os documentos a ela e voltei para minha mesa antes que Elena percebesse que eu ainda sentia o beijo de Nikolai.Sentei, abri o primeiro arquivo que encontrei e li a mesma linha três vezes.Eu queria que você ficasse.A voz dele continuava tão nítida que precisei olhar para a porta de sua sala para me convencer de que não estava mais lá dentro.Eu tinha conseguido dizer o que precisava. Nikolai ouviu tudo, inclusive a parte que eu
“Às vezes, escolher alguém também significa proteger o espaço onde ainda estamos aprendendo a ser nós mesmos.”Nikolai RomanovIrina continuava diante de mim, com a pasta sobre a cadeira e os olhos ainda úmidos.Eu havia dito tudo o que consegui dizer. Pela primeira vez, não havia uma explicação guardada atrás do silêncio, nem uma decisão que eu pudesse tomar por nós dois.Ela precisava escolher o que queria fazer com o que tinha ouvido.— Eu quero tentar — disse, por fim.Demorei um instante para compreender.&md







