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Destino

Penulis: Krystal Pires
last update Tanggal publikasi: 2026-09-26 06:06:40

Alguns dias se passaram. A rotina de trabalho na escola ajudava a manter minha mente ocupada e, aos poucos, a poeira sobre o término com Andrew começava a baixar. Numa noite tranquila de meio de semana, eu estava jogada no sofá com a televisão ligada, sem prestar muita atenção ao programa, quando a tela do meu celular acendeu.

​Uma notificação de solicitação de amizade de uma rede social.

​Aproximei o aparelho para olhar o nome e senti meu coração dar um pulo involuntário no peito: Edu Lacerda

​Toquei no perfil tomada pela curiosidade. Olhei as fotos uma a uma. Ele estava diferente — mais alto, o rosto com traços mais marcados, ombros mais largos, mas o cabelo escuro e os olhos verdes inconfundíveis continuavam ali. Era ele. O Edu de dez anos atrás. Sem pensar duas vezes, apertei o botão para aceitar a solicitação.

​Não se passaram nem três minutos e uma mensagem privada apitou na tela.

​“Oi, Karen!”

​Sorri para a tela, sentindo uma onda de nostalgia pura invadir a sala.

​“Oi! Nossa, quanto tempo...” — respondi rapidamente.

​“Você ainda se lembra de mim?” — ele enviou, acompanhado de um emoji sorrindo.

​Apertei o teclado sem hesitar, achando graça da pergunta:

​“É claro que me lembro! Como esquecer do fora que eu levei de você?”

​A resposta dele não demorou:

​“Poxa, veja bem, não foi bem um fora! Haha. Você era nova demais na época... E, bom, você tem quatro irmãos mais velhos! Eu não queria me meter em problemas e acabar apanhando, sabia?”

​Soltei uma risada alta, sozinha no sofá. Eu nunca tinha parado para pensar por esse ângulo.

​“Verdade, não tinha pensado por esse lado!” — digitei, rindo. — “Seus argumentos são válidos. Meus irmãos com certeza teriam achado você velho demais para mim e teriam feito uma fila para te dar uma lição.”

​“Viu só? Eu estava apenas salvando a minha pele!” — ele brincou.

​A conversa fluiu com uma leveza impressionante, como se aqueles dez anos de distância tivessem encurtado em questão de minutos. O assunto rendeu tanto que a televisão ficou completamente esquecida.

​“Karen, papo bom demais, mas odeio ficar digitando por aqui. Me passa o seu número? Assim a gente troca mensagens diretas e eu posso te ligar um dia desses.”

​Olhei para a mensagem por alguns segundos, sentindo uma borboleta boba na barriga que eu não experimentava há anos. Digitei meu número sem pensar duas vezes e enviei. O passado parecia estar batendo à minha porta, mas dessa vez, não trazia dor — apenas uma curiosidade boa sobre o que o destino estava aprontando.

Assim que enviei os números, nem três segundos se passaram e a notificação da mensagem dele já apitou no meu celular no aplicativo de mensagens. Respondi com um simples “Salvo!” e deixei o telefone de lado, encarando o teto com um sorriso bobo que eu simplesmente não conseguia controlar.

​A primeira coisa que fiz foi mandar um áudio de três minutos para a Talita contando absolutamente tudo.

​Cinco segundos depois, o celular começou a tocar.

Nem deu tempo do primeiro toque terminar.

​— KAREN GUEDES! — Talita gritou do outro lado da linha, quase estourando meu tímpano. — Como assim o Eduardo Lacerda?! O Edu dos olhos verdes? O amor da sua adolescência?! Me diz que você tá brincando!

​— É sério, Tali! — ri, me encolhendo no sofá. — Ele me achou na rede social, mandou mensagem, brincou com o fora de dez anos atrás... E agora pediu meu número.

​— Menina, o mundo não dá voltas, ele capota! — ela gritou, empolgada. — Você passou anos apaixonada por esse garoto e agora ele reaparece bem quando você tá solteira e maravilhosa? Isso é destino! A gente precisa comemorar e você precisa sair dessa casa.

​— Calma, surtada. A gente só trocou meia dúzia de mensagens — argumentei, tentando conter minha própria expectativa.

​— Nada disso. Sábado à noite. Você, eu e um barzinho com música ao vivo pra comemorar sua nova fase. Sem discussão!

​No sábado, Talita fez questão de passar na minha casa para me ajudar a arrumar. Escolhi um vestido azul-marinho que destacava meus olhos, deixei meus cabelos castanhos soltos em ondas naturais e passei um batom suave. Eu me sentia linda, confiante e totalmente diferente daquela garotinha insegura de quatorze anos.

​O barzinho que a Tali escolheu estava movimentado e um som acústico agradável ao fundo. Conseguimos uma mesa perto da entrada. Estávamos rindo, relembrando histórias da época da escola e tomando um drink.

Passamos horas conversando sobre o meu trabalho, reclamando dos ex-namorados, rindo das lembranças do colégio e aproveitando a música ao vivo.

​Estar ali com a Talita era exatamente o que eu precisava para renovar as energias. O passado e a curiosidade sobre o Edu continuavam ali, quietinhos no fundo do meu peito, mas aquela noite era toda nossa. Pedimos mais uma porção e encerramos o sábado do jeito perfeito: leve, entre risadas e sem pressa para o que o amanhã traria.

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