Share

Três meses

Author: Krystal Pires
last update publish date: 2026-10-10 18:40:51

​Edu continuava preso naquela escuridão densa e sufocante, tentando enxergar qualquer feixe de luz. O silêncio era esmagador, até que uma voz ecoou ao seu redor, banhada em pura ironia:

​— Parece que descobriu o preço que se paga por entrar nos sonhos da sua amada!

​— Quem está aí?! — Edu esbravejou, olhando para todos os lados. — Por favor, me tire daqui!

​— Não lembra da minha voz? Ah, que pena... Sou a Betina, querido.

​Edu respirou fundo, reconhecendo o tom da sereia.

​— Ah, claro... Betina
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Nascimento de Eric

    ​Dois dias se passaram desde a conversa dolorosa com Talita. A madrugada estava fria e silenciosa quando uma dor aguda e profunda me fez despertar no meio da noite. A contração puxou minha barriga para baixo com uma intensidade que me tirou o ar. Respirei fundo, esperei a dor aliviar e me levantei devagar. Quando senti o líquido morno escorrer pelas minhas pernas, soube na hora: Eric estava chegando.​Chamei meus pais no corredor. Meu pai pegou as bolsas no impulso e minha mãe me ajudou a vestir um casaco. Em questão de minutos, fomos em velocidade constante para a maternidade. O trajeto foi um misto de ansiedade e dor, mas eu mantinha a mão firme na barriga, pedindo em silêncio que o meu filho viesse com saúde.​Assim que chegamos, fui atendida rapidamente pela equipe de plantão. A médica me examinou com agilidade e sorriu para me acalmar:​— Está tudo ok com sua pressão, você vai para a sala de parto.​Fui levada para a sala de cirurgia e preparação. O trabalho de parto avançava ráp

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Três meses

    ​Edu continuava preso naquela escuridão densa e sufocante, tentando enxergar qualquer feixe de luz. O silêncio era esmagador, até que uma voz ecoou ao seu redor, banhada em pura ironia:​— Parece que descobriu o preço que se paga por entrar nos sonhos da sua amada!​— Quem está aí?! — Edu esbravejou, olhando para todos os lados. — Por favor, me tire daqui!​— Não lembra da minha voz? Ah, que pena... Sou a Betina, querido.​Edu respirou fundo, reconhecendo o tom da sereia.​— Ah, claro... Betina. Por que estou aqui?!​— Bom, acho que usou energia demais... Se esgotou e está na escuridão dos mortos, mas não se preocupe, logo você poderá voltar!​— Por favor, me tire daqui! — implorou Edu, sentindo o desespero de estar longe de mim e do nosso filho.​— Você irá sair em breve, já disse!​Enquanto Edu permanecia retido naquele limbo, o tempo no mundo dos vivos continuava a correr inexoravelmente. Semanas se passaram. Três longos meses de uma ausência dolorosa e inexplicável.​Eu já estava

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Nos Seus Sonhos

    ​A noite avançou devagar sobre a cidade, cobrindo o quarto com um silêncio denso e acolhedor. Edu permaneceu de pé ao lado da cama, observando o meu rosto cansado até ver minha respiração finalmente se acalmar e se tornar pesada. Eu havia adormecido.​Lembrando-se das instruções de Betina, Edu fechou os olhos translúcidos e buscou no fundo da sua alma a memória mais viva da nossa juventude: o corredor movimentado da escola, os armários alinhados e a luz do sol da tarde entrando pelas janelas. Ele concentrou toda a sua energia espiritual e canalizou essa lembrança diretamente para a minha mente.​Para a sua surpresa, o véu entre os nossos mundos cedeu. A projeção não foi tão difícil quanto ele imaginava; o amor e a saudade que nos ligavam serviram como a ponte perfeita.​De repente, encontrei-me no corredor da antiga escola. Minha aparência era a de uma garota de dezessete anos, mas a minha barriga de seis meses continuava ali, firme e redonda sob o uniforme. Olhei em volta, assustada

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Uma Forma de Te Ter

    ​Seis meses de gestação. Minha barriga já estava visivelmente redonda, abrigando o pequeno Eric que se mexia com frequência. Mas, por dentro, eu me sentia cada vez mais vazia. A dor de ter o Edu diante dos meus olhos todos os dias sem poder sentir o calor da sua pele, sem poder abraçá-lo ou receber um beijo seu, estava me corroendo. Eu passava os dias trancada no quarto, no escuro, afundada em uma tristeza cinzenta.​O quarto estava em silêncio quando a luz suave do espírito de Edu se aproximou da beira da cama. O olhar dele transbordava uma dor profunda ao me ver jogada ali, encarando o teto.​— Karen, meu amor, você tem que levantar dessa cama... Poxa, você não quer ver sua família, sua amiga... Se afastou de todos. Eu não quero ver você assim.​— Eu não quero ver ninguém! — respondi sem me mexer, com a voz embargada e seca. — Tô de saco cheio das pessoas me olhando com dó!​— Ficar aqui sozinha não está lhe fazendo bem — insistiu ele, dando um passo em minha direção, com a mão este

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Sexo do Bebê

    ​Os meses seguintes passaram como um sopro lento e silencioso. A barriga já ostentava a curvatura evidente do avanço da gestação, firme e redonda sob as minhas roupas confortáveis. Quando chegou o dia de realizar o ultrassom para descobrir o sexo do bebê, Talita e minha mãe insistiram em me acompanhar, mas pedi carinhosamente para ir sozinha.​Eu precisava daquele momento. Queria compartilhar cada segundo daquela descoberta com o Edu. Mesmo sabendo que ele não poderia estar ali do meu lado de forma carnal, segurando minha mão ou me dando um beijo na testa, ver a luz suave do seu espírito no banco do carona me trazia uma paz inexplicável. Eu me sentia imensamente feliz por saber que uma parte dele continuava ali, observando e vivendo tudo comigo.​Dentro do consultório gelado, deitei-me na maca. O médico espalhou o gel frio sobre a minha barriga e encostou o transdutor, fazendo o som alto e compassado do coraçãozinho ecoar pela sala inteira.​— Vamos lá... — disse o médico, sorrindo en

  • O Fantasma do Meu Primeiro Amor   Desconfiança

    ​A viagem até o sítio no interior era longa, e eu não me sentia com forças físicas ou psicológicas para encarar a estrada. Por isso, sentada na mesa da sala do meu apartamento, encarei o celular na minha mão por longos minutos. Talita estava ao meu lado, segurando uma xícara de chá e me transmitindo firmeza com o olhar. Ao fundo, perto da estante, o espírito de Edu acompanhava meus movimentos com uma expressão serena, porém preocupada.​Disquei o número da casa dos pais dele. A ligação chamou quatro vezes até que a voz trêmula de Dona Carmem atendeu:​— Alô?​— Dona Carmem? É a Karen... — engoli em seco, tentando manter a voz estável. — Como a senhora e o Seu Roberto estão?​— Estamos vivendo um dia de cada vez, Karen... ainda esta muito dificil lidar com a tragédia que caiu sob nossa família — a voz dela soava fria, distante. — Aconteceu alguma coisa?​Respirei fundo, busquei o olhar de Edu e fui direta, movida pela honestidade e pelo amor que sentia:​— Dona Carmem, eu liguei porque

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status