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Capítulo 4

작가: September
Sophia passou a detestar a cobertura assim que se instalou ali. Na manhã do terceiro dia, perambulava descalça sobre o tapete cinza-escuro, enrolada em um cobertor, e franzia o nariz ao ver a bancada de mármore preto, as estantes escuras e as paredes em tom de cinza.

— Elena, querida, por que a sua casa parece uma sala de interrogatórios da família Bellandi? Qualquer um acabaria enlouquecendo aqui.

Coloquei a xícara de café sobre a mesa.

— Houve um tempo em que alguém gostava que fosse assim.

— Se um homem gosta de preto, você tem que pintar toda a sua vida dessa cor? — balançou a cabeça, em tom de repreensão leve. — Precisa de coisas que sejam só suas. Os meus lençóis são rosa-claro. Luca detesta, mas mesmo assim dorme neles.

Luca estava parado perto da janela, ajustando os botões do punho da camisa. A mão dele parou no ar.

Sophia sorriu para ele.

— Reclama sempre, mas no final vai para a cama assim mesmo, como um bom marido.

Lembrei-me dos lençóis cor-de-rosa que comprei anos antes. Luca ficou parado ao lado da cama por cerca de trinta segundos, depois pegou o próprio travesseiro e foi dormir no quarto de hóspedes. Na época, ele dissera:

— Elena, não me vista como se eu fosse o herói da sua casinha de bonecas.

Eu rira, fingindo não ter me magoado. Depois, troquei os lençóis por outros na cor cinza.

Sophia continuou falando, sem perceber nada.

— Então, se o seu noivo não conseguia nem suportar lençóis cor-de-rosa, talvez é que ele não amasse você o suficiente.

A xícara estava tão quente que queimou meus dedos; quase deixei-a cair.

Tentei esboçar um sorriso.

— Talvez não amasse mesmo.

O silêncio tomou conta do ambiente. Sophia parecia confusa, mas, antes que ela pudesse fazer qualquer pergunta, a voz de Luca ficou fria como gelo.

— Ou talvez ele tenha voltado e descoberto que a mulher que esperava por ele não tinha esperado coisa alguma.

Minha respiração ficou presa na garganta.

Sophia franziu a testa.

— Luca, o que quer dizer com isso?

— Nada de importante — respondeu ele, mantendo o olhar fixo em mim, e não nela. — Tem gente que gosta de transformar um amor antigo em um santuário. Faz com que pareçam pessoas leais. Mas isso não significa que tenham sido fiéis de verdade.

— Você acha que eu não fui fiel? — perguntei.

— Acho que cinco anos é muito tempo — disse ele. — Tempo suficiente para que a dor da perda se transforme em outra coisa.

Tive vontade de perguntar sobre o que acontecera três anos antes. Queria saber se ele já havia voltado naquela época, se tinha visto algo, se um único momento mal interpretado bastara para apagar todo o sofrimento que eu suportara. Mas Sophia estava ali entre nós, pálida e sem entender nada, e eu não podia arrastá-la para uma história da qual ela não fazia a menor ideia.

Por isso, abaixei a cabeça e sussurrei:

— Então, ao invés de julgar, devia ter vindo perguntar a mim.

O maxilar de Luca ficou tenso. Por um instante, parecia que ele ia atravessar a sala e vir até mim. Em vez disso, virou-se para Sophia.

— Vá descansar. O médico disse que não pode se abalar com nada.

Depois que os dois foram para o quarto de hóspedes, fiquei na cozinha até que o café esfriasse completamente. Eu já havia aprendido a guardar a dor em silêncio.

Naquela noite, abri a gaveta ao lado da minha cama e tirei o anel de noivado que Luca me dera cinco anos antes. Depois do acidente, passei a usá-lo pendurado em uma corrente, escondido sob a roupa. No dia do casamento, voltei a colocá-lo no dedo, pois ver Luca com vida me deixara tola, ao menos por aquele último dia.

O brilho do diamante parecia menor do que eu lembrava.

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