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مؤلف: LuadMel
last update تاريخ النشر: 2024-03-04 02:49:01

Era a voz doce?

O olhar inocente?

O amor que mostrava ter por seu filho?

Os lábios finos?

O sorriso?

Ou olhar brilhante que era lançado em sua direção quando ninguém estava olhando?

— Amor, você poderia ficar mais um pouco, não te acordei porque achei que dormiria mais. — Ronny foi ao seu encontro.

— Tudo bem. Preciso ir pra casa, meus pais devem estar me esperando para o café e claro, não quero atrapalhar.

— Você não atrapalha — Embora estivesse falando com seu namorado, o olhar era direcionado ao homem sentado. O olhar frio, desconfiado. — Não é, pai?

Parou ao lado da moça e encarou o pai da mesma forma, não obteve qualquer resposta.

— Então eu te levo. Não me custa nada.

— Você bebeu noite passada, sua amiga consegue chegar em casa sozinha. — Vicent levantou com toda sua elegância se aproximando dos mais jovens — E você precisa se vestir, vamos até a fazenda.

— Pai…

— Vá se trocar. Vamos sair em alguns minutos.

— Está tudo bem, meu amor. É só eu pedir um táxi. — Não havia muito o que fazer, Vicent era a autoridade maior naquela casa e ninguém poderia ir contra.

Se despediu do namorado logo o vendo sumir de sua vista. Tornou a encarar Vicent. Ele não parecia tão velho para ser rabugento ou grosso como se mostrava.

— Foi bom vê-lo. — Embora soubesse que não havia chances de agradar o pai do namorado, jamais o trataria mal.

— Não posso dizer o mesmo. — Ela assistiu abrindo um sorriso, um sorriso que deixou todas as armas daquele homem travadas. Não podia tratá-la mal. Não quando o caminho estava livre. — Mandarei que alguém a leve para casa.

— Eu posso me virar sozinha como você mesmo disse. — Deu as costas para ir embora, porém, parou quando o escutou outra vez.

— Você não tem que fazer nada. Aceite minha boa ação. Não faço isso com frequência. Mas um pai sabe o que fazer para deixar seu filho feliz.

— Ah você sabe? — Virou apenas para olhá-lo — Então, por que não gosta de mim? Não vou fazer mal a ele. Eu sou uma pessoa legal.

E era mesmo, afinal, depois de ser tratada mal, ela jamais deixaria sua educação de lado, respeitava os mais velhos e sabia exatamente quando tinha que partir.

Porém, o olhar daquele homem em sua direção vinha com tantas pontas soltas, que só em encará-lo, sentia todas suas forças irem embora. Para uma estudante de direito, seus argumentos jamais deviam acabar, mas sua boca travava na presença dele.

Ainda mais o vendo se aproximar, como um leão pronto para dar o bote. Tão alto e charmoso… Não, charmoso não.

— Você não merece meu filho. — Disse em tom ameaçador. — Você é só uma garota que está tentando descobrir coisas novas, e com ele, não terá nada.

— Eu tenho vinte e dois anos. Não estou tentando descobrir nada. — Para a surpresa da garota, Vicent acabou rindo, um sorriso brilhante e quente. — Só quero ser feliz, e seu filho também.

— Enquanto estiverem juntos, você jamais terá a chance de ser feliz. — Ele se aproximou mais, a ponto de sentir o cheiro doce que vinha dela.

Suas mãos saíram de dentro dos bolsos e até ergueram para tocá-la, mas jamais isso. Todas as duas ações foram observadas por Clarisse que por um momento achou que seria enforcada e assassinada, mas nada aconteceu.

— Não vou mesmo ser feliz porque ter você como sogro, é um castigo. — Foi embora, sem dar chance alguma de ser respondida.

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O silêncio dentro do carro começava a pesar. Do lado de fora, a cidade passava em borrões pela janela; ali dentro, porém, parecia não haver espaço para mais nada além da tensão entre pai e filho. Ronny tinha perguntas demais e palavras que ainda não sabia como colocar para fora. Olhava de relance para o homem do outro lado do banco inerte a suas encaradas, concentrado em seu Tablet e no trabalho.

Olhou o celular recebendo mensagem de sua namorada e nem precisava abrir para saber que era outro xingamento direcionado ao seu pai para incrementar os textos anteriores também xingando o homem.

— Para com isso — Pediu o mais novo, mas não ganhou a atenção — Para de tratar ela assim. Eu a amo.

— Na adolescência ninguém ama ninguém.

— Você amou a minha mãe.

— E ela está com outro homem agora em algum lugar da Suíça com uma pensão gorda com meu nome no final de todo cheque.

— Ah, então você acha que é isso que a Clarisse quer de mim? Me dar um filho e depois abandonar ele com o pai pedir o divórcio e se casar com outro?

Vicent o olhou dessa vez.

— Ela não me trocaria por outro. Ela me ama. Me ama. Não compare ela com a minha mãe.

— Ah… Ela te ama? Ama mesmo? Então para se dar presentes caros e levá-la em viagens caras.

— Ela não se importa com dinheiro e os pais dela gostam de mim. Você devia gostar dela. — Ah ele gostava e gostava muito. — Faça esse esforço, por mim. É fim do ano pai, o Natal está próximo. Faça isso por mim. Por favor.

Não havia nada que Vicent não fizesse para deixar seu filho bem e feliz. Desde que nasceu sempre foi tratado como um príncipe embora não tivesse o amor de sua mãe, mas isso não iria lhe abalar. Vicent não iria deixar que ele sentisse falta da mulher que lhe colocou no mundo. Porém, havia algo naquela garota, algo em Clarisse que lhe tirava do sério. E só lhe tirava do sério, porque sentia desejos por ela e não podia tê-la.

E saber que quem tocava naquela garota, era seu filho, o enlouquecia.

— Você fará uma festa nesse Natal para me apresentar como seu sócio e herdeiro. Me deixe levá-la como minha acompanhante, e aceitarei suas aulas e até o estágio na empresa como você sugeriu no começo do ano.

Vicent o olhou na mesma hora, Ronny sabia que iria herdar tudo que seu pai tinha, mas já nos seus vinte e quatro anos sequer fez questão de aprender um pouco mais. E entregar sua empresa nas mãos de outra pessoa estava fora de cogitação.

— Aceitará o estágio também? — o outro confirmou — Eu não construí aquela empresa estando sempre no topo. Trabalhei para conquistar tudo e não aceito entregar nas mãos de outra pessoa, senão do meu filho que também precisa começar de baixo, para merecer o cargo de presidente.

— Tudo bem.

— Mandarei um convite para ela. E a tratarei bem. Em troca você começa a trabalhar assim que voltamos da viagem no Ano-Novo.

— Faça mais que isso. Ela já deixou claro que não iria nunca mais numa festa sua. A convença disso. Porque se ela não for, eu também não vou.

Ele poderia repreender aquele garoto, mas conhecendo o homem que criou, sabia que ele estava falando a verdade e ter aquela mulher numa festa de gala mesmo contra sua vontade era melhor do que não ter o filho para apresentar como sócio das empresas da família.

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— Mamãe? — Clarisse chamou pela mulher que mais amava assim que atravessou as portas de sua casa, sorriu ao vê-la descer as escadas com um sorriso no rosto. — Cheguei a tempo do café?

— Claro que sim. Seu pai ficará feliz em saber que irá nos acompanhar — Se abraçaram ao seguir para a cozinha — Olha só quem chegou. Eu disse que ela viria para o café.

O homem sorriu ao abraçar a filha e puxar a cadeira pra ela e depois para sua esposa se sentarem.

Tratadas como Rainha e Princesa do seu lar, jamais seria diferente.

— E onde está Ronny? Poderia ter o trazido para comer conosco. Eu fiz o bolo preferido dele.

— Ele teve que sair com o pai, disse que iriam para a fazenda. — Contou toda feliz já começando a devorar tudo.

— Faço muito gosto do seu namoro com esse menino, mas não quero saber de nenhuma história ruim a seu respeito por causa dele.

— Como… como assim? — Clarisse encarou seu pai, que olhou para a esposa e voltou à filha. — O que houve?

— Ronny Tornneght é um herdeiro. Seu sobrenome está em quase tudo na cidade. Não quero ninguém falando que minha filha é namorada por interesse. Você não precisa de dinheiro. Você tem tudo que necessita. Você não é herdeira de uma fortuna, mas nunca lhe faltou nada.

— Eu nunca escutei alguém falar isso de mim — Mentira, Vicent já havia esfregado isso em sua cara algumas vezes — Quem nos conhece sabe que nós gostamos de verdade e eu tenho muito orgulho dos meus pais policiais.

— Ex-policiais, não aguento mais correr atrás de ninguém. Só da sua mãe se ela fugir.

— Eu não vou fugir.

Os dois se beijaram como um casal apaixonado. E vê-los daquele jeito lhe dava uma sensação gostosa. Queria ter aquele tipo de relacionamento, de crescer juntos, ter um casamento apaixonado, dinheiro não lhe importava, ela tinha um emprego de meio-período na livraria da faculdade, e em breve estaria formada em direito com direito a chamadas para escritórios por conta de suas notas.

Ela seria tão importante quanto a família Tornneght, dentro ou fora dela.

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أحدث فصل

  • O Pai do meu Namorado   - 59 -

    No primeiro dia, Clarisse acreditou que morreria.Não de fome.De medo.Onde Jasper estava?Para onde Ronny o levara?Ele estava alimentando?Estava chorando?Sentia falta dela?— Meu filho…Clarisse ficou junto à porta.— Devolve meu filho.Ninguém respondia.Os empregados tinham sido demitidos.A casa estava vazia.Completamente vazia.Nenhuma Margaret.Nenhuma Melissa.Nenhuma voz.Nada.Apenas Clarisse.No segundo dia, a fome começou.Mas o pior era a sede.Havia água no banheiro.Bebeu.O estômago doía.Abriu gavetas.Nada.Nenhuma comida.— Desgraçado.Tentou a porta.Nada.Janela.Trancada.Procurou alguma coisa.Qualquer coisa.Passou horas mexendo em cada canto.Até encontrar uma pequena peça metálica solta na estrutura de uma gaveta.Tentou a fechadura.Não sabia o que estava fazendo.Tentou mesmo assim.Uma hora.Duas.As mãos começaram a doer.— Abre.Sussurrava.— Abre…Nada.No terceiro dia, conseguiu.Um clique.Clarisse congelou.Girou.A porta abriu.Ficou parada.Não

  • O Pai do meu Namorado   - 58 -

    Desceu pela lateral da casa.Não usou a porta principal.Tinha percebido durante semanas que a porta próxima à lavanderia nem sempre acionava o mesmo aviso que a entrada principal.Abriu devagar.O ar frio atingiu seu rosto.Liberdade.Por alguns segundos, Clarisse apenas respirou.Depois caminhou.Não correu.Ainda.Passou pelo jardim.Atrás das árvores.Chegou próximo ao portão lateral usado pelos funcionários.O coração parecia ensurdecedor.O segurança estava do outro lado, falando ao telefone.Clarisse esperou.Jasper começou a resmungar.— Shhh…Balançou-o.— Só mais um pouquinho.O homem virou.Clarisse congelou.Ele não a viu.Continuou andando.Quando desapareceu…Ela saiu.Atravessou.Um passo.Dois.Três.Clarisse olhou para trás.O portão.A casa.Ronny.Tudo ficou do outro lado.Começou a correr.Não tinha carro.Não confiava em motorista.Caminhou até uma avenida movimentada carregando Jasper e a bolsa.Conseguiu um táxi.Entrou quase tropeçando.— Rodoviária.O motorista

  • O Pai do meu Namorado   - 57 -

    — Isso foi uma punição?— Uma demonstração.Clarisse sentiu náusea.— Do quê?O sorriso veio.Pequeno.Carinhoso.Terrível.— Do que eu sou capaz de fazer por amor.Clarisse parou de respirar.Ronny tocou delicadamente o rosto de Jasper.Ela recuou.— Não encosta.O olhar dele mudou.Clarisse percebeu e corrigiu rapidamente:— Ele acabou de dormir.Ronny sorriu novamente.— Claro.Passou a mão pelos cabelos dela.Clarisse ficou imóvel.— Eu amo você.Ela fechou os olhos.— Amo Jasper.A mão desceu pelo rosto fragilizado.— Amo nossa família.Clarisse sentiu uma lágrima.— E não vou perder nenhum dos dois.Ronny beijou sua testa.Ela teve vontade de se afastar.Não fez.— Entendeu agora?Clarisse abriu os olhos.Olhou para Jasper.Era por ele.Sempre por ele.— Entendi.Ronny sorriu.— Ótimo.Saiu.Clarisse esperou os passos desaparecerem.Então sentou na poltrona.O corpo tremia.Não tinha comido.Estava fraca.Precisava de água.Precisava de banho.Precisava de médico talvez.Mas segu

  • O Pai do meu Namorado   - 56 -

    Depois daquilo, Clarisse passou a temer o anoitecer.Durante o dia ainda conseguia fingir.Tinha Jasper.Tinha o escritório.Tinha as páginas dos livros onde podia inventar mulheres que corriam, gritavam, quebravam portas e conseguiam escapar de homens poderosos.À noite, porém, existia Ronny.E existia a cama.Nos primeiros dias depois de recuperar a saúde, ele ainda fora cuidadoso.Perguntava se estava bem.Beijava sua testa.Abraçava-a.Dizia que não precisava fazer nada enquanto não se sentisse recuperada.Clarisse chegou a acreditar que talvez aquilo permanecesse assim.Não permaneceu.Com o passar das semanas, os abraços começaram a durar mais.As mãos demoravam onde ela não queria.Os beijos que ela evitava passaram a ser cobrados.— O que foi?Ronny perguntava.— Nada.— Então por que virou o rosto?Clarisse inventava.Dor de cabeça.Sono.Cansaço.Jasper havia chorado muito.O corpo ainda não estava completamente recuperado.Qualquer coisa.Ronny aceitava algumas vezes.Em out

  • O Pai do meu Namorado   - 55 -

    Maressa não dormia havia duas noites.Na terceira, desistiu de tentar.Ficou sentada na sala com o telefone apoiado sobre as pernas, olhando para o aparelho como se pudesse obrigá-lo a tocar apenas pela força do desespero.Nada.Nenhuma ligação.Nenhuma mensagem.Nenhuma resposta.Clarisse simplesmente havia desaparecido.Não literalmente.Maressa sabia onde a filha estava.Sabia a cidade.Sabia que estava com Ronny.Sabia que tinha uma casa, dinheiro, empregados, médicos e tudo aquilo que, na cabeça de qualquer pessoa olhando de fora, significaria segurança.Mas uma mãe não precisava enxergar a filha para saber quando havia alguma coisa errada.E havia.Alguma coisa estava terrivelmente errada.— Liga de novo.Gregori estava em pé próximo à janela.Não parecia melhor.O homem que durante toda a vida aprendera a controlar situações difíceis, lidar com criminosos, ameaças, acidentes e problemas que fariam outras pessoas perderem a cabeça agora parecia incapaz de lidar com o silêncio de

  • O Pai do meu Namorado   - 54 -

    Vicent soube do nascimento três dias depois.Três dias.Setenta e duas horas em que, em algum lugar distante, Clarisse havia entrado em trabalho de parto, sofrido, gritado, chorado e colocado uma criança no mundo enquanto ele seguia sua rotina sem saber de absolutamente nada. A notícia chegou de maneira quase ridícula. Uma ligação. Um comentário entre duas pessoas da empresa. Depois uma confirmação que Dylan conseguiu arrancar de alguém ligado à equipe de Ronny. Vicent estava sentado atrás da enorme mesa do escritório quando a secretária entrou sem bater.Não reclamou. Dylan só fazia aquilo quando havia algo realmente importante.— Tenho uma notícia.Vicent sequer ergueu os olhos dos documentos.— Se for sobre o contrato dos holandeses, já falei que—— O filho da Clarisse nasceu.A caneta parou. Vicent não respirou. Dylan ficou diante da mesa esperando. Devagar, muito devagar, ele levantou os olhos.— O quê?— O bebê nasceu. - A voz dela se tornou mais suave. — É um menino.Vicent cont

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