تسجيل الدخولCapítulo 4: A Nova Rotina e o Convite do Luca
Se a conversa na varanda havia sido a porta de saída de um passado silencioso, as semanas seguintes tornaram-se o portal de entrada para a nova vida de Valéria. Cumprindo a promessa que fizera no café, Valentina arrastou a amiga para shopping centers, renovou peças do seu guarda-roupa de trabalho e a incentivou a aceitar convites sociais. Valéria voltou a frequentar jantares, eventos do setor de biotecnologia e até aceitou dois encontros casuais organizados por conhecidas em comum. Nenhum daqueles homens fez seu coração acelerar — a maioria parecia intimidada pela sua independência ou focada em conversas superficiais —, mas o simples ato de se arrumar, sair e ser vista como uma mulher livre trouxe um brilho radiante à sua fisionomia. No entanto, o último desses encontros, em especial, rendeu uma história que arrancaria gargalhadas de Valentina no dia seguinte. O pretendente, um executivo do setor financeiro chamado Gustavo, parecia perfeito no papel: bem-afeiçoado, simpático e de boa conversa nos primeiros dez minutos de jantar. A conversa começou fluindo bem sobre viagens e gastronomia, e Valéria chegou a pensar que a noite seria promissora. O encanto, porém, desmoronou no momento em que Valéria mencionou superficialmente um estudo de ponta que sua equipe conduzia no laboratório de biomedicina. Em vez de demonstrar curiosidade sincera, Gustavo ajeitou o relógio caro no pulso, encostou-se na cadeira com um ar superior e começou a dar "palpites acadêmicos" com total propriedade sobre uma área que não dominava. Para piorar, passou os quarenta minutos seguintes praticando um mansplaining descarado — tentando ensinar a Valéria, uma PhD e referência na área, como ela deveria gerenciar as pesquisas biomédicas do próprio laboratório. Valéria manteve a compostura e a elegância impecáveis, mas precisou segurar o riso diante de tamanho egocentrismo. O ato final veio quando ele passou o resto do jantar discursando apaixonadamente sobre os próprios investimentos e conquistas. Ao se despedir com um aperto de mão cortês na porta do restaurante, Valéria teve a certeza absoluta de que aquele "expert em tudo" jamais teria uma segunda chance. A experiência serviu apenas para reforçar que ela não aceitaria nada menos do que um homem seguro, inteligente e maduro ao seu lado. No entanto, essa movimentação na vida pessoal de Valéria não passou despercebida no círculo ao seu redor. Em um almoço em família, Valentina acabou deixando escapar, entre risos carinhosos, que estava bancando o "cupido" e comentou sobre os jantares de Valéria no final de semana. A reação de Mateo ao descobrir que Valéria teve um encontro foi imediata. Um ciúme protetor e instintivo de irmão travou seu maxilar; ele franziu o cenho, surpreso e desconfortável com a ideia de ver outro homem aproximar-se da mulher que sempre considerara sua sócia e irmã de alma. O fato também chegou aos ouvidos de Luca de forma inevitável. Durante um intervalo na recepção do escritório, Luca acabou ouvindo sem querer uma conversa descontraída entre Valentina e uma funcionária, que comentavam animadas sobre os encontros organizados para Valéria. No mesmo instante, a expressão serena do executivo mudou. Seus olhos azul-esverdeados escureceram levemente, tomados por um ciúme maduro e urgente. Embora respeitasse o tempo e o espaço de Valéria, a ideia de outro homem ocupar aquele lugar fez soar um alerta silencioso em sua mente: era o momento de agir e marcar sua presença. No laboratório da empresa de biomedicina, a energia profissional entre eles continuava impecável. Valéria trabalhava com uma clareza invejável, liderando a integração dos testes científicos com as plataformas tecnológicas da empresa de Luca. Mas a decisão de Luca já estava tomada. Em um final de tarde de quinta-feira, após uma longa reunião de alinhamento técnico entre as equipes do laboratório de biomedicina e tecnologia, a sala de conferências esvaziou-se aos poucos. Restaram apenas Valéria, revisando os relatórios na ponta da mesa, e Luca, guardando seu tablet no case de couro. Valéria soltou um suspiro suave, massageando as têmporas: — Os dados da fase três de testes ficaram incríveis, mas a minha cabeça já está rodando de tanto olhar para gráficos. Luca sorriu com discrição, ajeitando as mangas da camisa e encarando-a com seus olhos azul-esverdeados marcados por um brilho seguro e decidido. — Trabalhar até mais tarde sem um intervalo adequado é uma falha grave na gestão do seu próprio algoritmo de energia, Valéria — comentou ele, com um tom calmo e levemente brincalhão. Valéria soltou uma risada genuína, olhando para ele: — É o preço de querer entregar o diagnóstico biomédico perfeito dentro do prazo. Luca fechou a pasta e apoiou os braços na mesa, mantendo um olhar atento, porém relaxado. — Há um bistrô excelente a três quadras daqui. O ambiente é silencioso, o menu é impecável e eles têm uma carta de vinhos que ajudaria bastante a desacelerar essa mente analítica. Se você não tiver compromisso, podemos terminar de passar os pontos da expansão lá... Sem telas e sem relatórios na mesa. Valéria piscou, um pouco surpresa com a naturalidade e a elegância do convite. Não havia pressão, segundas intenções escancaradas ou a postura protetora que Mateo costumava adotar. Era o convite de um homem seguro, direcionado a uma mulher brilhante. Ela encarou Luca por alguns segundos, notando a postura impecável dele e a serenidade daquele olhar. — Sem relatórios na mesa? — perguntou ela, inclinando a cabeça com um leve sorriso. — Terminar o expediente com relatórios deveria ser proibido por lei — respondeu Luca, abrindo um sorriso charmoso. — É apenas uma boa refeição e uma conversa agradável para encerrar o dia. Valéria guardou suas canetas na bolsa e levantou-se, ajeitando o blazer: — Nesse caso, acho que a minha gestão de energia aceita o convite.Capítulo 10: O Restaurante Italiano e o Ritmo Sem PressaNa noite de quinta-feira, o ar ameno do início da noite acompanhava os preparativos de Valéria em seu apartamento no Condomínio Residencial Bosque das Cerejeiras. Ela escolheu um vestido midi em tom verde-militar, de tecido fluido e corte elegante, acompanhado por brincos discretos e o cabelo castanho solto em ondas suaves.Às oito horas em ponto, o interfone tocou. Luca já a aguardava na portaria.Ao descer e atravessar a entrada iluminada do prédio, Valéria avistou Luca encostado ao lado do carro. Ele vestia uma camisa social escura bem alinhada, com as mangas dobradas até a metade dos antebraços. Quando os olhos dele a encontraram, um sorriso sincero e admirado surgiu em seu rosto.— Boa noite, Valéria — disse ele, dando um passo à frente e abrindo a porta do passageiro com cavalheirismo. — Você está deslumbrante.— Boa noite, Luca. Obrigada — respondeu ela, sentindo um calor discreto nas bochechas ao acomodar-se no ban
Capítulo 9: O Retorno dos Pais e o Olhar de FamíliaO saguão do aeroporto internacional de Verona Heights estava movimentado na noite de terça-feira. Entre o fluxo constante de passageiros e o som das malas rolando pelo piso polido, Valéria aguardava perto da saída do desembarque. Ela vestia um jeans ajustado, uma blusa de gola alta e um casaco leve, mantendo a postura serena e elegante que lhe era natural.Quando as portas automáticas se abriram mais uma vez, ela avistou os pais caminhando juntos.Roberto e Cecília vinham de mãos dadas, trocando risadas e cumplicidade. Tinham acabado de passar dez dias nas praias paradisíacas do Caribe, celebrando mais um aniversário de casamento na chamada "quinta lua de mel" do casal.— Minha filha! — Cecília abriu os braços com um sorriso iluminado assim que os olhos encontraram Valéria.As duas se abraçaram com calor e saudade. Em seguida, Roberto envolveu as duas em um abraço protetor e acolhedor, beijando o topo da cabeça da filha com cari
Capítulo 8: O Aroma das Flores e o Convite Pessoal Na manhã de sábado, o sol brilhava suavemente através da varanda do apartamento. Valéria ainda estava de roupão de seda e xícara de café na mão quando a campainha tocou. Era Valentina, de vinte e dois anos, que havia saído cedo da mansão de seus pais e trazia uma sacola com croissants frescos de uma padaria artesanal. — Eu nem esperei dar dez horas da manhã! — disse Valentina, entrando radiante e deixando os pães na bancada da cozinha. — A sua carona ontem com o Luca... Como foi? Me conta tudo! Valéria riu, servindo mais uma xícara de café para a amiga. — Foi tranquila, Tina. Ele me deixou na portaria do prédio, conversamos um pouco... — "Conversamos um pouco"? Valéria, eu vi o jeito que ele te olhava durante todo o jantar no restaurante! — provocou Valentina, sentando-se na banqueta da bancada. — O Luca é lindo, comanda uma empresa gigante e não tirou os olhos de você por um segundo sequer. Valéria olhou para a própri
Capítulo 7: O Percurso, a Intimidade e o Despertar do Corpo O jantar comemorativo havia se encerrado sob risos e um clima de dever cumprido. Pouco antes de solicitarem a conta, enquanto Mateo e Luca ajustavam alguns detalhes do transporte com o garçom, Natália levantou-se discretamente da mesa para ir ao toucador. Valéria olhou para Valentina, que lhe deu um leve aceno de aprovação com a cabeça. Sentindo que aquele era o momento perfeito para ter a conversa que havia planejado, Valéria levantou-se com passos tranquilos e seguiu até o lounge reservado que antecedia a entrada dos banheiros do restaurante. Natália estava retocando o batom diante do espelho quando percebeu a presença de Valéria através do reflexo. Ela virou-se com um sorriso gentil: — A noite foi maravilhosa, não foi, Valéria? A integração das equipes foi um sucesso. — Foi impecável, Natália — respondeu Valéria com suavidade, aproximando-se um passo. Ela manteve a postura elegante, mas seu olhar expressava tota
Capítulo 6 O café da manhã na cozinha do apartamento de Valéria começou sob o olhar curioso e o interrogatório animado de Valentina. — Sem relatórios na mesa? Um bistrô reservado? Carta de vinhos? — Valentina apoiava os queixos nas mãos, com os olhos castanho-esverdeados brilhando de empolgação. Aos seus vinte e dois anos, ela vibrava com cada novidade na vida da amiga. — Valéria, isso não foi um jantar comum de trabalho. Foi um encontro impecável! Valéria sorriu, ajeitando a xícara de chá sobre a mesa. Suas bochechas coraram levemente, mas seu olhar expressava a serenidade de quem estava aproveitando aquela nova fase. — Foi apenas uma conversa agradável entre dois profissionais que se admiram, Val — explicou Valéria com serenidade. — O Luca é extremamente inteligente e tem uma visão de mundo incrível. Ele não me tratou como "a sócia do Mateo". Ele conversou comigo de igual para igual. — E é exatamente assim que você merece ser tratada! — Valentina levantou-se da cadeira e de
Capítulo 5 O bistrô escolhido por Luca tinha uma iluminação acolhedora e meia-luz, com mesas de madeira escura separadas por biombos sutis que garantiam total privacidade. Ao fundo, um instrumental suave tocava baixinho, criando uma atmosfera a anos-luz da agitação do laboratório. Assim que se acomodaram em um canto reservado perto da adega, Luca puxou a cadeira para Valéria com um gesto natural de cavalheirismo. — Obrigado por aceitar o convite — disse ele, sentando-se à frente dela e ajeitando o guardanapo de pano sobre o colo. — Eu prometi zero relatórios, então a primeira regra da noite é proibir palavras como "algoritmo", "diagnóstico" e "biomedicina". Valéria soltou uma risada sincera, ajeitando uma mecha do cabelo castanho-escuro atrás da orelha. Seus olhos castanho-dourados brilhavam com uma descontração que raramente transparecia durante o expediente. — Você está propondo um desafio difícil para duas pessoas que vivem em função disso doze horas por dia, Sr. Del Tor







