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O Preço de Uma Mentira
O Preço de Uma Mentira
Autor: Beatriz Ferraz

Capítulo 1

Autor: Beatriz Ferraz
Pedro ficou paralisado por um instante.

— O que foi que você disse?

Fechei o prontuário e o empurrei de volta para ele.

— Não vou atender esta paciente.

O consultório mergulhou em silêncio. Pedro me encarou, franzindo cada vez mais a testa.

Embora Daniela Siqueira, sentada na cadeira de rodas, estivesse um pouco pálida, parecia bastante disposta.

Vinte anos haviam se passado, e eles pareciam estar vivendo muito bem.

Pedro havia se tornado o herdeiro do Grupo Siqueira, enquanto Daniela virou o tesouro que toda a família protegia com devoção.

Provavelmente, jamais reconheceriam que a diretora da clínica médica diante deles, de óculos, era a filha biológica que, tantos anos antes, haviam impedido de entrar naquela casa.

— Sei que você é a médica mais conceituada da cidade e que não é fácil conseguir uma consulta com você, mas não precisa se preocupar com dinheiro. Desde que cure minha irmã, pode cobrar o que quiser.

Pedro segurou um cartão de crédito black entre dois dedos e o colocou sobre minha mesa.

Abaixei os olhos para o cartão por um instante e depois voltei a encará-lo.

— O hospital tem regras. Além disso, não vou interná-la, porque o quadro dela não se enquadra nos casos sob minha responsabilidade.

— O que quer dizer com isso? — Pedro voltou a ficar paralisado. — Eu me informei. Você já salvou até pacientes com insuficiência cardíaca em estágio terminal. Minha irmã só tem um sopro no coração e sente dores ocasionais no peito, e você diz que não pode tratá-la?

Daniela tossiu duas vezes e puxou de leve a manga de Pedro.

— Irmão, deixe isso para lá... Não quero que você se humilhe por minha causa...

Era exatamente a mesma expressão que ela tinha feito em minha vida passada, quando me acusou falsamente de tê-la empurrado escada abaixo.

Pedro ficou transtornado de preocupação e imediatamente segurou a mão dela. Quando voltou a olhar para mim, seus olhos estavam afiados como lâminas.

— Dra. Luana, está achando que é pouco dinheiro? Então vou fazer uma proposta diferente. Desde que interne minha irmã hoje, amanhã o Grupo Siqueira doará trinta milhões em equipamentos ao departamento de cardiologia deste hospital. Isso é suficiente?

Os internos ao lado prenderam a respiração, mas eu nem sequer ergui as pálpebras.

— Sr. Pedro, quando escolho quais pacientes atender, levo em consideração a doença, não o dinheiro. Não vou tratar sua irmã. Pegue o cartão e saia daqui com ela.

Pedro soltou uma risada fria, com o desprezo estampado nos olhos.

— Você só não confia que vai conseguir curar minha irmã, não é? Especialista renomada? Para mim, isso tudo não passa de propaganda!

— Irmão, pare... Meu peito está doendo...

Daniela levou a mão ao peito, respirando com dificuldade.

— Daniela!

Pedro entrou em pânico e chamou às pressas os seguranças para empurrarem a cadeira de rodas. Ao chegar à porta, se virou e me lançou um olhar furioso.

Depois que eles saíram, toquei o medalhão gelado da família que guardava no bolso.

Na manhã seguinte, eu havia acabado de concluir as visitas aos pacientes quando Bruno, o diretor do hospital, que vivia sempre sorridente, entrou em meu consultório com o rosto fechado.

— Luana Ferreira, você está demitida.

Interrompi o que estava escrevendo e ergui os olhos para ele.

— Qual é o motivo?

— O motivo? — Bruno soltou um resmungo frio. — Que atitude foi aquela com o Presidente Pedro ontem? Um médico deve agir com compaixão. Você não tem ética profissional? Como pôde se recusar a atender uma paciente em estado grave?

Abaixei o olhar e reparei no relógio novíssimo em seu pulso.

Ele não estava usando aquele relógio ontem. Entendi tudo.

— Quanto ele lhe deu? — Perguntei, sem alterar o tom de voz.

A expressão de Bruno mudou. No instante seguinte, ele explodiu, furioso por ter sido desmascarado:

— Que absurdo você está dizendo? Essa foi uma decisão do conselho administrativo do hospital! Arrume suas coisas agora mesmo e suma daqui!

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