Se connecterO telefone de Jadson tocou no meio da manhã. Ele estava no escritório do Império Kasley, revisando relatórios financeiros com a mesma calma de sempre, quando o nome de Marcelo Robson apareceu na tela. Atendeu na segunda chamada, a voz baixa, controlada, quase preguiçosa. — Robson. — Os papéis estão prontos disse Marcelo, direto, sem cumprimentos. — Podemos assinar. Jadson se encostou na cadeira de couro, o canto da boca se curvando num sorriso frio. — Venha até a mansão. A mansão Kasley. Houve um silêncio do outro lado da linha. Marcelo demorou alguns segundos para processar a informação. — Você vai me permitir conhecer a mansão? A voz saiu carregada de surpresa e desconfiança. — Segundo os rumores que ouvi,você nunca permitiu que ninguém soubesse onde fica a mansão principal. Nenhuma pessoa fora o seu braço direito conhece o local,dizem que nem os próprios funcionários sabem o endereço completo. Jadson riu baixo, o som ecoando no escritório silencioso. —
Meses Atrás: A noite em que tudo começou não carregava nenhum presságio especial. Viktor Robson apenas precisava espairecer,o dia tinha sido longo demais reuniões intermináveis, decisões que pesavam, o tipo de cansaço que não se resolvia com sono. Ele queria relaxar e aquele era o melhor jeito. Tinha ouvido falar da nova boate em círculos fechados. Discreta, exclusiva, o tipo de ambiente que prometia luxo sem gritar. Novos ares,uma noite para esquecer o sobrenome e lembrar apenas do corpo. O carro parou em frente à um estacionamento,segurança silenciosa e uma porta que se abria apenas para quem pertencia. Viktor subiu as escadas da ala VIP com a naturalidade de quem nunca precisaria pedir permissão. O ambiente lá em cima cheirava a luxo, couro, madeira envelhecida, perfume caro e a nota sutil de whisky bom. Luzes baixas em tons vermelhos e dourados acariciavam mais do que revelavam. Ele foi direto ao bar. Pediu um whisky sem gelo e apoiou os cotovelos no mármore escuro.
Viktor entrou no escritório de Zayd no final da tarde, a pasta preta sob o braço. Zayd estava de pé perto da janela, os braços cruzados. Mal dormira. — E então? perguntou sem rodeios. — O que você achou? Viktor abriu a pasta e espalhou os papéis sobre a mesa. — O que consegui até agora. Jadson Kasley é exatamente o que as histórias dizem: intocável,cruel,frio, possessivo com as pessoas que ama,empresas limpas, uma teia absurda de sociedades offshore por baixo. O Império Kasley controla muito mais do que aparece. Hospitais, logística, segurança privada, mídia ele tem dedo em quase tudo,mas nada que ligue diretamente a gente. Nenhuma dívida antiga, nenhum negócio cruzado, nenhum atrito anterior. É como se ele tivesse nos escolhido do nada. Zayd folheou os papéis com o maxilar travado. Tudo parecia sólido,relatórios, capturas de tela, nomes de empresas. — E o Bruno? perguntou Zayd, sem tirar os olhos dos papéis. Viktor hesitou. Foi só um segundo, mas Zayd notou. —
Jadson desceu as escadas da mansão Kasley impecável. Terno preto, camisa aberta no primeiro botão, cabelo solto sobre os ombros. As mãos nos bolsos e cantarolando baixo quase sem melodia, mas o suficiente para qualquer um que o conhecesse sentir o perigo no ar. Bruno já estava na sala de jantar, sentado tomando café preto quando viu o sorriso no rosto do amigo, ergueu uma sobrancelha e largou a xícara. — Esse sorriso…murmurou. Esse sorriso é de quem fez merda. Jadson puxou a cadeira em frente e se sentou com a elegância de sempre. Pegou a xícara que a Ana já tinha deixado pronta. — O Marcelo ligou,disse que o filho está puto da vida e que vai nos investigar. Bruno ficou dois segundos em silêncio,depois explodiu numa gargalhada alta genuína jogando a cabeça para trás. — Eu sabia! Eu sabia que o menino não ia engolir calado. Três meses de trabalho apagados em algumas horas, o orgulho dele deve estar sangrando. Jadson bebeu um gole de café, o sorriso ainda no rosto.
Viktor entrou no escritório de Zayd como se tivesse acabado de engolir veneno. A porta bateu com força. O terno amassado, a gravata torta, o cabelo bagunçado. O rosto estava vermelho de pura raiva contida. Zayd ergueu os olhos do monitor e imediatamente sentiu o estômago gelar. Conhecia demais aquela expressão. — Viktor o que está acontecendo? Viktor jogou a pasta preta sobre a mesa,os papéis se espalharam como uma sentença. — Acabou. A rede de hospitais,alguém comprou. Zayd se levantou devagar, a voz já baixa e perigosa. — Quem? — Jadson Kasley. O nome ecoou no escritório como um tiro. Zayd ficou em silêncio por dois segundos depois a raiva veio quente e violenta, subindo pelo peito até a garganta. — Aquele filho da puta… Viktor passou a mão pelo rosto, ainda mais irritado. — Eu investiguei Zayd. Fui atrás de tudo,aquele homem não precisava daquela rede. Ele já tem hospitais, clínicas, laboratórios. É conhecido por ter de tudo, ele comprou só porque quis,só
Bruno entrou no escritório de Jadson como uma tempestade controlada. A porta do último andar do Império Kasley bateu com força contra a parede de madeira escura, o som ecoando pelo espaço amplo e silencioso. O carpete grosso abafou os passos seguintes, mas a energia que ele trazia era impossível de ignorar. Camisa preta arregaçada nos antebraços, gravata frouxa, cabelo um pouco bagunçado de tanto passar a mão sinal claro de que a investigação tinha sido pessoal. Jadson estava sentado atrás da mesa imensa, as luzes da cidade entrando pelas janelas do chão ao teto atrás dele. O monitor à frente mostrava relatórios financeiros, mas ele ergueu o olhar no mesmo instante em que Bruno cruzou a porta,não precisou de cumprimentos. — Você tem cara de quem encontrou algo podre disse Jadson a voz baixa quase preguiçosa. Bruno não respondeu de imediato,caminhou até a mesa e jogou a pasta preta fina sobre a madeira com um estrondo seco. O impacto fez o copo de whisky de Jadson tremer l







