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O preço do Segredo - Império Leoni - Sangue, Poder e Traição
O preço do Segredo - Império Leoni - Sangue, Poder e Traição
작가: Milla Almeida

Capítulo 1.0 Laura Montanari

작가: Milla Almeida
last update 게시일: 2026-09-16 19:46:42

O relógio do celular marcava 7h48 quando parei em frente ao edifício.

A fachada de vidro e aço da Leoni  Global Energy subia em direção ao céu nublado como se quisesse furar as nuvens. O prédio era excessivamente alto e intimidador. Parecia olhar para baixo e me julgar antes mesmo de eu atravessar a porta.

Ajustei a alça da bolsa no ombro com força demais e passei a mão suada na saia social cinza. Tinha comprado o conjunto inteiro em uma liquidação duas semanas antes, depois de três noites sem dormir calculando se cabia no orçamento apertado.

Cabia.

Por pouco.

Inspirei fundo, sentindo o cheiro de asfalto molhado e café que vinha da rua. O peito subiu e desceu num ritmo acelerado demais. Primeiro dia. Não podia tremer, tinha que mostrar para quê vim. Não podia parecer fora do lugar, mesmo que cada célula do meu corpo gritasse que eu estava.

Aos vinte e três anos, eu sabia exatamente quem eu era: filha adotiva de um casal simples da Zona Leste, criada com amor e pouco dinheiro, formada em Administração depois de anos estudando de madrugada e trabalhando de dia. A vaga de secretária executiva na Leoni Petróleo era a melhor chance que eu já tivera na vida. Eu não podia estragar isso. Não agora. Não aqui.

O segurança da entrada mal levantou os olhos do celular quando mostrei o crachá provisório.

Tinha passado por uma seleção bem sigilosa, daquelas que cada etapa é uma superação, e respirando rápido por seguir adiante. E após todo o processo que foi sigiloso, no final ficou eu e outra mulher, mais eu estava alí com um propósito e faria o meu melhor, mesmo que os outros dissesem ao contrário. E foi assim que consegui essa tão sonhada vaga de secretária executiva. Já sabia para quem iria trabalhar, e treinei o bastante para não sentir nenhuma emoção por mais que isso foi difícil! E acabou que vim parar aqui. Então nada poderia dar errado. Solto um suspiro e o segurança apenas apontou com o queixo para as portas de vidro, como se eu fosse mais uma entre tantas.

Já estava em cima da hora. Não podia perder tempo me impressionando com a grandiosidade da empresa. Acelerei os passos, o coração batendo acelerado.

Foi exatamente nesse momento que o meu mundo virou.

As portas automáticas se abriram no instante em que um homem saía. Eu não tive tempo de desviar. O impacto foi seco, violento o bastante para arrancar o ar dos meus pulmões num solavanco dolorido. A bolsa escorregou do ombro. Os documentos que eu carregava voaram pelo chão de mármore branco como pássaros assustados, espalhando-se em todas as direções.

Um braço forte me segurou pela cintura antes que eu caísse de joelhos.

O cheiro me atingiu primeiro, madeira escura, algo caro, masculino e perigoso que fez meu estômago revirar de um jeito estranho e quente. Depois veio a voz: grave, baixa, carregada de uma autoridade que não pedia licença a ninguém.

- Cuidado.

Ergui o rosto para descobrir quem estava por trás daquela voz e daquele cheiro amadeirado.

E o tempo parou.

Olhos pretos. Intensos demais. O tipo de olhar que parecia atravessar a pele, a roupa, a alma. O homem era alto, muito alto, de ombros largos e maxilar cerrado com uma precisão quase cruel. O terno preto caía nele como se tivesse sido costurado por alguém que entendia de poder absoluto. Cabelo escuro penteado para trás com uma perfeição intimidadora. A mão dele ainda estava na minha cintura, firme, quente, possessiva, e eu senti o calor daquele toque se espalhar pela minha pele como se a blusa fina não existisse. Como se ele tivesse direito de me segurar daquele jeito.

Eu o reconheci imediatamente.

Vitório Leoni.

O nome ecoou dentro da minha cabeça como um trovão. O magnata. O homem que as revistas chamavam de inalcançável. O herdeiro que nunca sorria nas fotos e que, segundo os boatos, demitia pessoas apenas com um olhar.

Meu coração bateu tão forte que tive certeza de que ele conseguia ouvir. Que conseguia sentir.

- Você está bem? - perguntou ele.

A voz era ainda mais grave de perto. Abri a boca, mas a resposta demorou um segundo inteiro para sair, presa na garganta seca.

- S-sim. Desculpe. Eu... não vi o senhor.

Me afastei depressa demais, quebrando o contato como se o toque queimasse. A ausência daquela mão me deixou com uma sensação estranha de frio, quase de perda. Ajoelhei-me para recolher os papéis, sentindo o rosto queimar de vergonha e de algo muito pior. As mãos tremiam. Senhor Leoni permaneceu de pé por um instante, apenas observando, e quando menos esperei ele se abaixou também.

Quando os dedos dele tocaram os meus ao pegar a mesma folha, puxei a mão como se tivesse levado um choque elétrico. O contato durou menos de um segundo, mas foi o suficiente para meu estômago se contorcer de novo.

Ele ergueu uma sobrancelha. O gesto era pequeno, controlado, mas os olhos... os olhos não eram controlados. Havia algo neles. Uma intensidade escura, quase faminta, que fez o ar ao redor ficar mais denso.

- Você é nova aqui - disse ele. Não era pergunta.

- Sim. Começo hoje. Sou a nova secretária do... - a garganta secou por completo - do senhor Leoni.

Um silêncio curto e pesado se instalou entre nós. Carregado. Perigoso.

Vitório se endireitou devagar, entregando-me os papéis. Tive de inclinar a cabeça para conseguir olhar para o rosto dele. Ele era imenso. Imponente de um jeito que fazia as pessoas ao redor parecerem menores, insignificantes.

- Então você é Laura Montanari.

Pisquei, surpresa. O coração deu um salto traidor.

- O senhor já sabe meu nome?

- Eu aprovo todas as contratações do meu andar - respondeu com a voz fria, quase distante. - Pontualidade é essencial. Você está atrasada em dois minutos.

A vergonha subiu quente pelo meu pescoço, queimando até as orelhas.

- Peço desculpas. Não vai se repetir.

Ele ficou me analisando por mais um segundo. O olhar dele desceu rapidamente pelo meu corpo, não de forma grosseira, mas avaliativa, intensa, e eu senti a pele formigar sob aquela análise. Algo dentro de mim se retraía, assustado, querendo recuar. Outra parte, mais perigosa e desconhecida, queria continuar ali. A curiosidade era forte demais. O impacto, ainda maior.

- Elevadores à direita - disse ele, já se afastando. - Meu assistente vai te orientar. Não se atrase de novo, senhorita Montanari.

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